terça-feira, julho 21, 2026

Hello Mr Sinatra

Foi em 1992, Verão a comecar, acho que junho já não sei.
Sei que estavamos entre a Cantareira e Pedrafurada em estudos para os exames finais de hotelaria.
No meio disso tudo soubemos que o mister Voice, vinha aí.
Informação ali, confirmação acolá,  o rapaz ia ficar no Sheraton com concerto nas Antas, estadio antigo já se vê,  mas bem preparado.
Ora como vamos fazer?? The voice is coming!
Impossivel Não  perder.
Primeiro acto oficial e legal; comprar bilhetes...lá vamos...
Sorte de principiantes, tenho a mãe com.3 bilhetes oferecidos...já garantimos o lugar! Nas Antas, no velhinho Dragão, ja não nos tiram!!!
Agora o mais importante, é conhecero artista....
...o aproach foi via Herman.... fraquinho...não  resultou.

Tinhamos que ser directos e concisos!!
Plano pensado sobre uma bifana e um galão...
O moço está no Sheraton, nós somos de hotelaria....
Vamos à escola vestimos as fardas, seguimos directos pro Sheraton.
Entrada de servico, bem identificados... quem sao? Pergunta o segurança...Estagiarios da escola de hotelaria, respondemos...
Haaa, ok, passem...
Passamos... menos 1... feito.
Agora , 7mo andar... vamos lá despachar a coisa...
Como?
Facol tambem... bas tou um charriot de serviço,  passamos pelo economato, sff 3 grfs de jack daniels, 2 de veuve clicot, frpes com gelo, 12 flutes e 6 copos old fashion...
Pergunta o chefe do economato;
-Mas para onde?...respondo pronto,
-Para o sétimo andar suite norte, pediu me o chefe da bar, eu sou só  estagiario...
Siga... esse andar é  sagrado nestes dias...o que pedem, entregamos.
E, lá fomos entregar... nock, nock,.yes? Come in.
E nós  come imos, quer dizer.. entrámos..
Grande enturage la dentro.. só engravatados, muito fun de cigarros dois ou três repórteres com flahs e maquinas prontas,  mas do artista nada..
O sr. Frank estava na outra sala da suite.
Com o charriout batemos à porta para entrar.
Come in.  Outra vez... aí sim. O mestre só lhe faltava o casaco do smoking.
Cumprimenta nos, e pede-me,  sirva um whisky.
A tremer mas confiante, lá lhe servi o copo de whisky.
Uma boa dose do jack deniels, bem de gelo, e um zest de água  lisa natural
Sirvo o copo, "obrigado ". Sorrio e com humildade baixo os olhos.
O Mestre dá um golo  e diz
-Muito bem servido este whisky, onde é que aprendeu?
Ao que orgulhosamente respondi.
-Não sendo Jack Deniels, é  como o meu pai gosta de beber whisky. Diz que apredeu consigo em 1962 em Las Vegas, no Sands.
-No Sands?? Quem era o seu Pai?
-Chama se  Manecas,  é  mais novo mas teve uma semana em Las Vegas e disse me que aprendeu a beber o whisky assim consigo.
-Já  me lembro! Era Belga também!! Sim, corria em carros. Tinha muito jeito para "corridas", muito atencioso com as mulheres.
-sSim....é esse de certeza...
E prontos... depois disso, um abraço,  uma foto e só o vimos no palco das Antas, depois do triste dhow de strip do Herman.

sexta-feira, abril 24, 2026

sugarcube babe


Andava pelos 28,29 talvez 30 ou mais anos. Na altura no maximo potencial de uma carreira com grande fururo na gestão de marcas de whiskeys irlandeses em Portugal, com 99% que quota de mercado dessas marcas.
Solteiro, desnamorado, com uns desgostos de amor, com qualquer rapaz apaixonado. 
Era inverno. Irlanda, Dublin, num período de ontenco trabalho e focu na preparação do proximo ano, na previsão dos proximos 3 anos.
Um ritmo de trabalho alucinante, revisão  de budgets, coordenação  de viagens de team building, cicerone  para jornalistas, fotografos e clientes vip...eu sei lá...
Acabava ás cinco entrava às 8.00, 20 minutos de almoco, 10 de café e cigarro.
Às  6.00 no pub ou às sete jantar depois o pub outra vez e às onze xixi-cama. Todos os dias um diferente.
Mas quando tinhas as obrigações de R.P.  o xixi-cama passavanpara mais tarde...havia a dicoteca a seguir ao pub
E como eramos importantes em Dublin, até arabes com miudas lindas ( prustriputas talvez..).mandei sair da mesa para me sentar com 6 marmanjos feios mas tugas, jornalistas da melhor estripe! Bons tempos!
Certa noite, depois de uma ida rapida a temple bar para mostrar o ambiente, seguimos para um jantar supimpa em Stephens Green,  para terminar com um whiskey de 40 anos, que ainda hoje tenho saudades.
Já  sendo tarde, porque a conversa entre Irlandeses  e Portugueses é sempre agradavel, memoravel e demorada, fizemos  a caminhada para a discoteca mais badalada.
Sugar Cube. Um antigo cinema, transformado em disco night. Pista de danca no palco, bar lounge na cabine de projecção. E mesas em cascata até à  pista.
No meio  desse cenário,  a nossa mesa vip aguardava.  Criado à disposição  e gente gira nas mesas ao lado. 
 Mandei vir as garrafas para a trupe qie me acompanhava. Whiskey pois está claro, gin porque havia senhoras que gostavam, vodka também  e claro está..guinness
Na mesa ao nosso lado, uma elegante morena mostrava ser a alma do grupo. Muitos sorrisos, muitos brindes, muito champagne e uma boa disposição  contagiante.
Perguntei às minhas convivas Irlandesas  se era alguem conhecida?.
É  a Caroline, dos Corrs...
 Ignorância minha. Não  sabia quem era uma nem quem eram os outros.
Entre musica, conversas, passos de dança  e outros que tais dei por mim às tantas no balcao do bar lá em cima onde eram as cabines de projecção.  Tinha acabado o nosso stock de whiskey, queria renovar.
Nisto, ao meu lado, aperece me uma morena linda de cabelo liso e ombros abençoados.  Já  que ali estaba, nada melhor do que fazer conversa...
Boa noite. Donde é?
-Dublin, irlandesa.
-Caramba!! Você é a irlandesa morena mais gira que eu já vi!! Tem a certeza que é irlandesa? Parece latina.
-muito obrigada,  mas nos não somos todas ginger...
-mas assim tão bonita, você é extraordinária,  faz o quê?
-musica.
-não me diga que se cham caroline e é dos corrs??
-sou eu, és de onde? 
-portugal. 
-ok. Nice to meet you.

.....e prontus foi assim. No dia seguinte comprei o CD.

segunda-feira, abril 20, 2026

rais parta o tempo

Todos nos queixamos.
Barrriga para fora,
Rabo para dentro
Joelhos a doer
Olhos a não ver.  
Mas tudo faz parte dessa coisa que é o tempo...o seu a seu tempo... a merda é que esse gajo do tempo é um assambarcador...quer tudo para ele... quase ao mesmo tempo.
O que vale... ou valha.... é que tivemos tempo para distrair o tempo.
Conseguimos amizades, feitos enormes dentro das nossas simplicidades.
Guiar fora de mão na marginal às 5 da manhã , bem ou mal, ou mal claro, é um feito.
Fugir de uma cheia num fiat 600 e guiar por cima de passeios a fugir da enchurrada, é de medalha ao peito!
Conseguir ligar o carro a fazer marcha atrás na marginal de cascais com a BT a supervisionar. Dá estatuto.
Ir ver o nascer do sol no mar no Cabo da Roca...
Passar um ano a olhar para baixo e ver tudo ao contrario..
Tudo isso o tempo permite, mas não perdoa...é o unico que conheço que não anda para trás....nem com cantigas!
Por isso, quando chegamos a um certo ponto da vida em que o tempo sem o querer nos castiga...
Só temos que agradecer o tempo que o tempo nos deu para termos gozado esta vida.
E, apesar do tempo não parar, podemos nós calmamente ficar sentados a ver o tempo passar.
Para quê tanto stress acabar o projecto que seja amanhã?
Depois de amanhã, ou antes levas com outro....
E depois de tanto correres de tanto fazeres e de tão pouco viveres, cais para o lado morto.. .
Paz à nossa alma que corre sem parar e quando pára, não chega a lado nenhum e morre.

Bem haja o tempo que passamos com os amigos. 
Aí o tempo pára,  recupera mas avança mais devagar.


sexta-feira, março 20, 2026

O internetês

Tenho para mim que hoje em dia já não falamos português. Falamos… internetês com sotaque de algoritmo.
Uma pessoa já não vai jantar fora — vai ter uma “experiência gastronómica super instagramável”. E atenção: não é a comida que importa, é a luz. Se a luz não estiver boa, a francesinha pode vir assinada por um chef Michelin que ninguém quer saber. “Não está aesthetic.”
E depois há os memes. Antigamente contavam-se anedotas. Agora manda-se uma imagem de um gato com ar existencialista e está dito tudo. Aliás, se não houver meme, parece que a conversa nem aconteceu. É tipo:
— “Como estás?”
— “manda GIF de alguém a chorar e a rir ao mesmo tempo”
Pronto, diagnóstico feito.
E as expressões… Meu Deus, as expressões. Já ninguém diz “gostei”. Diz-se “amei”, “viciei”, “estou obcecado”. Uma pessoa prova um pastel de nata e de repente parece que entrou numa relação tóxica: “não consigo parar, preciso disto na minha vida”.
Depois há o clássico “literalmente”. Tudo é literalmente.
— “Estou literalmente morto.”
Não estás, João. Estás só cansado e dramático.
E o “cringe”? Antigamente chamava-se vergonha alheia. Agora é “cringe”, que parece mais leve, mais internacional… mais sofisticado. Porque passar vergonha em inglês dói menos.
Nas redes sociais, então, é outro campeonato. Já ninguém publica fotos, publica “conteúdo”. E não são seguidores — são “comunidade”. E não se vende — “cria-se valor”.
— “Malta, hoje venho partilhar convosco…”
Partilhar o quê, Sandra? Um chá detox e um código de desconto?
E depois há o “random”. Tudo é random.
— “Ah, fui ali ao café e encontrei o Manel, bué random.”
Não é random, ele mora ao lado, pá.
E o auge: “dar match”. Antigamente conhecíamos pessoas. Agora fazemos match, como se fôssemos meias numa gaveta digital. E se corre mal? “Ghosting.”
Antes chamava-se falta de educação. Agora parece uma técnica paranormal.
No fundo, isto tudo é uma evolução natural da língua… ou um pedido de ajuda coletivo com filtros bonitos. Porque no meio de tanto “aesthetic”, “vibe” e “mood”, o que todos queremos mesmo é simples:
Comer bem, rir com amigos… e que a internet não vá abaixo.
Porque, sejamos honestos… isso sim, era literalmente o fim do mundo.

terça-feira, abril 29, 2025

O meu apagão

O meu apagão não foi a 28 de abril

Não sei quando é que foi realmente, mas a data iniciada oficialmente pelas entidades protectoras da minha parca saúde mental na altura foi definida a 17 de Setembro.
Não me esqueço dessa data, estava a pontos de dar um tiro, de fazer um nó de forca, de me atirar por um promontório, e antes disso de matar alguém e em seguida outros para não sofrerem.
Não estava cego, estava turvo que é bem pior. Foi o culminar de 5anos em que tudo que fazia profissionalmente estava mal feito mesmo que fosse excelente, tudo o que trazia de positivo era negativo porque havia sempre anteriormente um conhecido um amigo um pseudo inteligente que tinha feito melhor. Nada chegava de bom
 Nada era suficiente. Nada era satisfatório para a besta que me alimentava.
Tentei várias vezes sair por ser a solução mais certa embora a mais cobarde. Não queria abandonar um barco com um capitão de longa idade, que ignorava as marés, os ventos e as correntes que mudavam desde que começou a navegar. Tinha a rota traçada, era por aí que tínhamos que ir, não interessa o que muda nem o que se passa à volta. Só ele sabe, só ele pode só faz e consegue. Tudo o resto é banal e descartável. Só ele tem razão.
E eu, na minha ingenuidade de grumete a quer mostrar novas rotas novos rumos novos portos novos aprumos. Aprumava-me e apontava ano as terras longínquas que nos trariam boas riquezas. Tudo isso foi descartado e deitado ao lixo. A sua vontade era soberana! Mas numa soberania cobarde e enganosa. Chamava pilotos de fora sem dar notícia nem ouvidos à tripulação. E depois de bem pagos, apresentavam as mesmas rotas e rumos para as mesmas terras longínquas 
 Durava dois dias e dois dias depois, de ter gasto milhares talvez milhões, vira de novo para o seu rumo sem nexo. 
Queria apanhar tudo, o Norte o Este o Sul o oeste. Todos os pontos cardeais tinham que estar na rota que seguia em frente. 
Lutei com vontade. Apostei em alguns cardinais, tirei azimutes que era obrigado a corrigir sem demais. 
E de repente no meio desta tormenta. Bloqueei, ceguei, turvei, vaziei, desesperei. Nada mais me restava, nada mais sobrava. 
Os pensamentos viajaram dentro da mente, já demente. Um tiro ali, um nó aqui, um precipício acolá , tudo era opção. Turvo na visão. Triste na paixão. Sem gozo pela vida nem por os que cá estão. 
Estive assim, um apagão. Que durou meses, pelo menos quatro oficiais mas talvez conte 3 anos ou mais. 
Nada era bom, nem em casa ou fora dela. Só um repentido desaparecimento fazia sentido. 
Mas houve alguém sem saber. Sem querer que me fez ver, abrir a pestana e dar força sem saber. Não foi só um alguém, nem dois dois. Foram muitos sem ordem depois dos dois primeiros dois, que neste caso são duas e que cabe na nossa casa. A mesma casa onde queria dar os tiros e fazer o nó. 
Dessas duas não me vou esquecer nunca. É nestas alturas que damos valor ao casamento e eu no meio da tempestade vi dois raios de sol, dois raios de luz, dois raios de felicidade no meio daquela turbulência toda. 
Parei. Puxei por mim procurei no fundo., e descansei. Tinha encontrado a saída do labirinto em que estava metido. O Apagão começou a desapagar. Percebi a causa. Percebi a razão. Re encontrei o caminho no meio daquela escuridão pesada que me tinha sido instaurada por esse ser de ego desenfreado. 
Agarrei os raios que me foram mostrados, e raio! Não os larguei. Subi, desci também mas não larguei. E derrepente ao fim de meses, a passar por tanto, comecei a caminhada. 
Ouvi tanto de bom da minha rapaziada amiga. Não me esqueço de ninguém "qualquer coisa estamos aqui" e estavam mesmo não sabendo qual era a qualquer coisa. Só ouvir isto subi. Fui subindo a pulso e claro está também com ajuda da minha psicotropica que me apontava o melhor caminho para fugir da vespa e do seu ninho envenenado. 
A última etapa ainda não está feita. Mas a volta ao meu eu está quase perfeita. 
Agora já não vejo o apagão, como se fosse um papão. Já abro os olhos e não tenho a vista turva. Já olho ao longe as árvores o céu, as ondas o mar o sol as nuvens como uma graça que Deus me deu! Estou contente. Talvez feliz, mas de certeza que estou de volta ao sítio que sempre quiz. 
Família, paz, e amor pela vida que julguei que perdi. 

quarta-feira, fevereiro 05, 2025

Caceres 30 anos

Cárceres 30 anos depois.
A magia mantém se, naquela estrada nacional, quando lá chegamos. Na altura a estação da ferrovia, estava nos arrabaldes. Agora está enturmada entre armazéns, do leroy e do alcampo sem esquecer outros mais que me esqueci.
Chegávamos à grande avenida, agora como cá temos que passar umas quantas glorietas para chegar onde chegávamos.
Nesta época do waze e afins, onde o mapa do acp, já infelizmente não vale, lá nos mandam por semideiros escuso para chegar ao hotel que outrora já fora aparador.
Parei por ali mesmo à porta, há anos, agora só a pé... Sem hipótese de descarregar malas.
O que me valeu foi estar mesmo à frente do Figon, upa upa é tipo o Fialho mas em terras de Espanha...
Sorte a minha. Hotel do lado esquerdo da Plaza San Juan, Figon do lado derecho da mesma Plaza.
Toca a fazer o chech in, checkar o quarto, perfumar, lavar e pentear, descemos pro Figon... Figassse... Lá cocina cerrou.... Já fui... Nem uma patanisca, nem um chuleton..
Siga para lá Marina, essa catedral da chapa!! Tudo à lá plancha... Tudo bom, tudo bom quando é mau, é tudo bom quando não é mau... Grande casa, virada para a Virgens de la montana.... Tenho dúvidas...
Mas quem sou eu....
Prontus sai dali indo até ao Captain Adhoque... Grande casa do gin tónico preparado.... Ainda não havia em Portugal essa mania, a não ser com uns carolas já evoluídos....
O bar recebeu renovação.... Já não está parecido com o petters no Faial, está igual a qqr coisa por esse Portugal
É assim. Não há nada para fazer....
A não ser, fazer por Caceres by night el camino ate ao ivanhoe 
Nos primeiros tempos entravamos tínhamos o dito deitado na sua armadura.... Agora não há nada disso.. Uma caixinha com buraco um gajo Lá dentro.
Paga entra. Entrei paguei
.
Mas recebi bónus!!!
Todas elas lindas, bem cuduradas e dalilianas maquilhadas
Eles então... Ullala todos formoso justinhos nos seu bíceps e coxos negativos. 
Só para esclarecer,, 
um coxo negativo, é aquele que melhor dança que o melhor bailarino. 
Esse bailarino tem a obrigação 
O coxo negativo tem a dedicação lá por errar os passos programados não quer dizer que saiba. . 
Fora esses pequenos affairs, a evolução do local está fenomenal. 
Mudaram da esquerda para a direita na praça. Mas não admitem.. Óptimo.. 
Vamos ao que interessa :
Todas elas com os seus pares a dançar as músicas dos musicais.. 
Lindo! Mas estão tão desafinadas....
Estou  velho . Por maior desafinado melhor encostado.... E voltam e re voltam e dão voltas e  revoltas. Ninguma por sevillanas, mas as músicas latinas abundam, dando baile às bumdas. 
Já chega! Horas de recolher, que o cedo se faz tarde. Vai uma volta à Plaza maior ver se ainda está de serviço a pharmacia de servicio... Nada... Mudou para um franchising mexicano. 
É mesmo hora de recolher. 
Triste por pouco ver. Satisfeito por relembrar e não esquecer. 


quinta-feira, janeiro 16, 2025

essa gravata que te dou!


A arte da gravata.
Esse símbolo de prestígio, distinção, respeito, formalização, moda, estilo ou qualidade. Transformou se em menos de 10 anos numa banalização mal colocada, mal intencionada, muito mal compreendida, mal usada e abusada.
Efectivamente hoje quem se apresenta com a dita em cerimónias públicas, crê, só por ter a dita, que representa qualquer coisa. A coitada da gravata estrabucha, e adorava ter braços para se esticar apertadinha ao pescoço do Possidonio que a usa. Sorte a dele... Ela não consegue.
E ela coitada, que começou como uma peça casual e obrigatória, evoluiu para um símbolo de prestígio, moda e bom gosto, mas chegou ao ponto de virar banal, mejera e carnaval.
Nem a Severa, que era o que era, perdoava ao amante, não se apresentar formoso e viçoso. 
A gravata depois cresceu... Não no peito, mas no pescoço. Era ver os nós e as volumosas voltas naqueles anos setenta. Um campeonato macho de um artifício de beleza.! Colorida para uns, mas baça para outros mas o importante era o exagerado tamanho do nó. 
Envelheceu a criatura, e depois de tecidos grossos apostou cedo na seda. Vieram os oitenta e não havia em casa de gente de bem que afastasse, original ou cópia, a gravata de cornucopia... Fundamental entre gente nova e nova gente que nunca usaram, estar bem atada a gravata. 
Mas andando para a frente o declino se anuncia, e da gravata... Tadinha já mal se prenuncia. De mestre de todos os dias, passa para acessório oficial para cerimónias neste Portugal. 
Já não é o que era e foi. Mas ainda vale para perceber que é ou quem não é. Embora quem é já pouco usa e quem não é já não abusa.