quarta-feira, fevereiro 05, 2025

Caceres 30 anos

Cárceres 30 anos depois.
A magia mantém se, naquela estrada nacional, quando lá chegamos. Na altura a estação da ferrovia, estava nos arrabaldes. Agora está enturmada entre armazéns, do leroy e do alcampo sem esquecer outros mais que me esqueci.
Chegávamos à grande avenida, agora como cá temos que passar umas quantas glorietas para chegar onde chegávamos.
Nesta época do waze e afins, onde o mapa do acp, já infelizmente não vale, lá nos mandam por semideiros escuso para chegar ao hotel que outrora já fora aparador.
Parei por ali mesmo à porta, há anos, agora só a pé... Sem hipótese de descarregar malas.
O que me valeu foi estar mesmo à frente do Figon, upa upa é tipo o Fialho mas em terras de Espanha...
Sorte a minha. Hotel do lado esquerdo da Plaza San Juan, Figon do lado derecho da mesma Plaza.
Toca a fazer o chech in, checkar o quarto, perfumar, lavar e pentear, descemos pro Figon... Figassse... Lá cocina cerrou.... Já fui... Nem uma patanisca, nem um chuleton..
Siga para lá Marina, essa catedral da chapa!! Tudo à lá plancha... Tudo bom, tudo bom quando é mau, é tudo bom quando não é mau... Grande casa, virada para a Virgens de la montana.... Tenho dúvidas...
Mas quem sou eu....
Prontus sai dali indo até ao Captain Adhoque... Grande casa do gin tónico preparado.... Ainda não havia em Portugal essa mania, a não ser com uns carolas já evoluídos....
O bar recebeu renovação.... Já não está parecido com o petters no Faial, está igual a qqr coisa por esse Portugal
É assim. Não há nada para fazer....
A não ser, fazer por Caceres by night el camino ate ao ivanhoe 
Nos primeiros tempos entravamos tínhamos o dito deitado na sua armadura.... Agora não há nada disso.. Uma caixinha com buraco um gajo Lá dentro.
Paga entra. Entrei paguei
.
Mas recebi bónus!!!
Todas elas lindas, bem cuduradas e dalilianas maquilhadas
Eles então... Ullala todos formoso justinhos nos seu bíceps e coxos negativos. 
Só para esclarecer,, 
um coxo negativo, é aquele que melhor dança que o melhor bailarino. 
Esse bailarino tem a obrigação 
O coxo negativo tem a dedicação lá por errar os passos programados não quer dizer que saiba. . 
Fora esses pequenos affairs, a evolução do local está fenomenal. 
Mudaram da esquerda para a direita na praça. Mas não admitem.. Óptimo.. 
Vamos ao que interessa :
Todas elas com os seus pares a dançar as músicas dos musicais.. 
Lindo! Mas estão tão desafinadas....
Estou  velho . Por maior desafinado melhor encostado.... E voltam e re voltam e dão voltas e  revoltas. Ninguma por sevillanas, mas as músicas latinas abundam, dando baile às bumdas. 
Já chega! Horas de recolher, que o cedo se faz tarde. Vai uma volta à Plaza maior ver se ainda está de serviço a pharmacia de servicio... Nada... Mudou para um franchising mexicano. 
É mesmo hora de recolher. 
Triste por pouco ver. Satisfeito por relembrar e não esquecer. 


quinta-feira, janeiro 16, 2025

essa gravata que te dou!


A arte da gravata.
Esse símbolo de prestígio, distinção, respeito, formalização, moda, estilo ou qualidade. Transformou se em menos de 10 anos numa banalização mal colocada, mal intencionada, muito mal compreendida, mal usada e abusada.
Efectivamente hoje quem se apresenta com a dita em cerimónias públicas, crê, só por ter a dita, que representa qualquer coisa. A coitada da gravata estrabucha, e adorava ter braços para se esticar apertadinha ao pescoço do Possidonio que a usa. Sorte a dele... Ela não consegue.
E ela coitada, que começou como uma peça casual e obrigatória, evoluiu para um símbolo de prestígio, moda e bom gosto, mas chegou ao ponto de virar banal, mejera e carnaval.
Nem a Severa, que era o que era, perdoava ao amante, não se apresentar formoso e viçoso. 
A gravata depois cresceu... Não no peito, mas no pescoço. Era ver os nós e as volumosas voltas naqueles anos setenta. Um campeonato macho de um artifício de beleza.! Colorida para uns, mas baça para outros mas o importante era o exagerado tamanho do nó. 
Envelheceu a criatura, e depois de tecidos grossos apostou cedo na seda. Vieram os oitenta e não havia em casa de gente de bem que afastasse, original ou cópia, a gravata de cornucopia... Fundamental entre gente nova e nova gente que nunca usaram, estar bem atada a gravata. 
Mas andando para a frente o declino se anuncia, e da gravata... Tadinha já mal se prenuncia. De mestre de todos os dias, passa para acessório oficial para cerimónias neste Portugal. 
Já não é o que era e foi. Mas ainda vale para perceber que é ou quem não é. Embora quem é já pouco usa e quem não é já não abusa. 

quarta-feira, dezembro 04, 2024

UM BEIJO

Estava escuro, ainda cedo naquela casa, na minha companheira de muitas noites de encontros de desencontros de folias, risos e canções. Ainda o musicos não tinham começado a tocar.
Como todas as noites e muitas outras madrugadas tinha ao meu lado na nossa mesa do costume dos ultimos 15 anos, o meu Amigo Barão.
Conversas daqui olhos para ali, vimos entrar duas moçoilas de cara nova daquele pousio. Mais gente entrou, a casa animou, os musicos tocavam já.
Entre risos e bacoradas, filei lá ao fundo uma das moçoilas, loira como eu gosto, alhava-a entre outros olhares, os nossos cruzaram-se uma vez, duas, três... desisti. Insisti. Lá fui perguntar à graça, ao que respondeu sem pestanejar, sem saber percebi, está miúda é séria não é para descartar. Seu ar de 1800, tem qualquer coisa que me diz. Lá conversei, só por conversar e no meio lá se riu, não percebi se seria só para agradar, mas agradou.
Estava a fugir, ia se deitar e eu no dia seguinte viajar. 
Não foi, ficou, o Cajó não deixou. Explicou e bem que não se ia arrepender..... Não sei. Sei que nestes anos todos já, se, arrependo. Como eu me arrependi também. Mas isso é que nos faz seguir e juntos conseguir. 

que luxo de forno.

A última vez que soube de alguma notícia de Almodôvar, era de que o presidente da câmara tinha morrido.... Mas isso foi há muitos anos, e acho que foi o Tio Manel que, atabalhoado leu para a Laurinda...
Mas o que me traz hoje aqui é o forno. Monumento secular de pedra xisto. Com alguns pedaços de granito e muita alvenaria. Caiado por fora já se vê, torricado por dentro como  deve ser. 
Aquele forno  ali no meio da esteva, no sopé de um pequeno monte com a ribeira ao lado a correr, não é de ninguém mas é usado por toda a gente. Usado e cuidado já se vê. 
Dali saiem pães alentejanos, daqueles que guardamos por um mês. 
Também já vi cabritos, borregos, porcos e javalis. 
Se o forno falasse seria uma enciclopédia gastronómica! Mas como é um cavalheiro, apesar da boca grande e do apetite veroz do azinho e algum sobreiro afoito, não conta nada do que come cru e devolve assado.
Eu tenho para mim as melhores recordações daquele forno lá no cimo do pequeno monte no meio do montado de azinho e esteva. 
Foi ali que muitas vezes paramos nas linhas de caça. Perdizes de um lado, coelhos e codornizes. 
Também terminámos com um arroz de javardo, leitoso ainda, num dia frio cinzento com ventania. 
Um aconchego aquele forno, pegando nas brasas quentes entre duas ou três pedras fazíamos um braseiro para aquecer as estafadas pernas.
Um medronho no café. Um tinto no copo e uma pratada de arroz com eles, faziam maravilhas. 
Mas o forno cansou se, e um dia sem razão desmoronou, estava velho coitado, e por melhor cuidado não aguentou o peso da idade. 
E nós desamparados nunca mais lá voltamos. Sempre me disseram nunca voltes onde já foste feliz 
E assim eu fiz. 

Correm hoje as minhas lágrimas

Hoje nas minhas lágrimas correm sonhos
Correm alegrias
Correm tristezas tambem
Correm amigas perdidas
Correm amores desencontrados
Nas minhas lágrimas corre o sal do mar
Corre o calor do trigo a bailar
Corre o eco de alguém querido a chorar.
Hoje nas minhas lágrimas correm sonhos de amizades perdidas. De paixões terminadas, de amantes desalinhadas.
Hoje nas minhas lágrimas corre a saudade cheia de alegria de uma vida vazia. 
Corre a saudade dela e deles, uma Mãe de mão cheia, um pai ausente, um padrasto de coração enorme.
Hoje nas minhas lágrimas corre felicidade de ver uma filha linda a prolongar o nome. Uma família quente junto do lume. E no fim do dia ver que tudo que tenho, e que me dá conforto. É só um bocado de Deus que bem perto me tenta levar a bom porto. 

Chaga Dezembro

A Dezembro chegamos, um final de quase um ano compressas iniciado
Mas muito pouco realizado.
O que vale a pena são as luzes, luizinhas, estrelas e estrelinhas.. Até anões, bichos estranhos e outros matulões.
Umas renas em trenós. E ali ao pé atras de nós um gajo balofo vestido de coca cola, com barba grande e grisalha, leva no dorso uma sacola.
Que bonito que alegria! Vai trazer presentes à pequenada... Felizes e contentes recebem sem perceber nada.
E cada ano que passa, mais o Menino é esquecido e se disfarça.
Triste mundo este. Em que Natal com sentimento, não é a graça do Nascimento!
Aquele que comemoramos, está entregue ao esquecimento.
Venham as luzes, luizinhas e outras porcarias. Venha o gordo anafado com o seu saco carregado.
Mas para mim isso tudo o que é. Só serve para usar no bidé!
O Menino, cá eu sei. Não quer luzes nem foguetes, não quer faixas nem presentes. Só quer é pede que tenhamos todos Fé.

será assim?

Da verdade nunca serei dono nem senhor.
Porque a verdade, como os homens, pode se corromper.
Mas das crenças e verdades que tenho serei sempre defensor até prova em contrário. Porque os bons homens sabem reconhecer que uma verdade por vezes é mentira. E essa é uma verdade que ninguém me tira! 

segunda-feira, outubro 28, 2024

Deixai - os

Deixai-os matar! . Deixai-os destruir, queimar mutilar¡ Deixai-os gritar e lutar por não valores.
Deixai-os matar, ameaçar. Deixai-os fazer tudo o que querem.... Deixai-os incentivar o racismo, o antagonismo, o comunismo! Deixai! Deixai!
E quando tudo se esgotar... Quando tudo se desvanecer.... Deixai-os apodrecer.... Até morrer!.
Não tenham compaixão, nem remorso.
Deixai-os morrer, não façam esforço.
Foi pedido, exigido e combatido. Foi o que reinvindicaram, lutaram e por um vazio se espalharam.
Deixai-os. Mantenham o vosso moral, os vossos princípios de respeito e liberdade... Deixai-os odiarem.
Nunca vão vencer a verdade!!!
Viva PORTUGAL! 

quinta-feira, março 14, 2024

A minha melhor Amigo

Conheço uma loira.
Quer dizer, conheço várias. Até a casado com uma estou. Mas essa de loura é só no cabelo.
Está loira que agora falo, é a minha melhor amigo. Não, não tem nada a haver com estas merdenisses agora se apresentam como factos cientificamente provados... Mas por mim não aprovados.
Voltando à loira que é escritora mas acima de tudo a minha melhor amigo
 Conheço-a acho que já depois do Sei Lá, mas sei lá, não sei. Foi a Vera, que nos apresentou... Íamos de Lisboa para o Van gogo, tipo noite de bilnd date.... Distraído com sou, sabia lá eu que ia no carro com uma loira escritora e a virar famosa... Tipo a Vera, mas a Vera era morena e já nos conhecíamos à meia vida...
Mas, sei lá, não há coincidências e de repente a loira é eu até gostamos da companhia um do oitro. Ela porque falava de amores e mulheres, eu por ter amores por mulheres. Nada como uma Asa de Pássaro para nos rirmos entre faturas e tirinhos. 
Ficamos amigos, grandes amigos. Daqueles que se não falarmos 10 anos o tempo não passa.
O problema é que como falamos à miude ( antigamente era à miúda, mas sou casado).
O tempo passa... Quer dizer.. Plo menos por mim... Mas só para quem vê... Cabelo branco, ruga na caratonha, barriga de boa vida... Enfim... Anos de vida vivida.
Só que o raio de loira, que por acaso é a minha melhor amigo, ele há qualquer coisa que não lhe toca.... Porra é o tempo!...sim, está mais velha... Todos estamos, mas o raio da minha melhor amigo, que é loira... Em cada 3 anos só passam 6 meses....
Fico preocupado. Porque quando eu chegar aos 90, vai daí ela fica nos quarenta....
... Mas, desde que continue a minha melhor amigo... Quero lá saber da idade!!

quinta-feira, fevereiro 29, 2024

Em São João de Rei, Rei é Victor


Há ali no Minho, já depois do Lanhoso e entre Amares uma pequena povoação com o nome de S. João de Rei. Casas modestas e outras senhoriais, mas bem mantidas proibindo as tendências actuais.
Ali respira-se o Minho, aquele Minho puro, de granito tosco em paredes majestosa, dos tanque com águas frias a brotar das nascentes da rocha dura. As videiras nas ramadas a darem a sombra no verão, e na subida para a capela, uma Catedral!.
A venda da aldeia criou uma lenda. S. João de Rei, tem Rei de carne e osso, chama-se Victor. Não sei se foi por visão, engenho, necessidade, ou paixão.... Mas da venda velha, aproveitando a ideia, pegou no forno do pão da aldeia, numa noite de tempo mau. Assou no forno uma posta de Bacalhau, bem regada com o azeite da casa. Serviu aos amigos, ao abade, e aos amigos de asa. 
Nasceu a lenda, confirmada por Jorge Amado, que deixou escrita apontada...  Creio eu, "bacalhau assim só cozinhado no céu" 
Em vez primeira que lá fui. Sem saber, senti o céu! Pelo bacalhau pelo Rei Vítor, pelo recanto de carinho que só recebemos assim no velho Minho. 
A casa continua. O espírito também. E o rei de S. João de Rei, já reformado mas não deposto, recebe-nos sempre com muito gosto. 

Bem hajam
 assim

sexta-feira, janeiro 27, 2023

De VORaTOR

De Vor a Tor
Foram uns quase 5 anos que passaram. Sem pontões, sem o truque sem as saídas técnicas sem os briefings os debriefing, o “à escuta, transmita",e principalmente sem o nosso Benádo... Esse personagem que se fosse real, não aparecia nos manuais de navegação marítima, estrelar ou social. Esse nosso pilar fundamental desta nossa equipa VORATOR. 
Deixamos tudo para trás e arrancamos para terras que já foram nossas, mas que abandonamos à sua sorte no meio do Atlântico. Gentes acolhedoras, paisagens quase estereis, ilhas todas diferentes onde partilham com orgulho a Morna e a cachupa quentinha.
2 Semanas em 24/24. Sem descanso, reuniões para ali, fotos para acolá, medidas porcas parafusos, o nosso mestre Simões a montar os novinhos pontões para receber os barcos da TOR, primeira etapa que sai de Alicante, e pára no Mindelo, S. Vicente, Cabo Verde, que de verde tem pouco. Aí estamos nós. Prontos como sempre. Tudo a postos, chegam nos os reforços. A equipa duplica, o espírito mantém-se. Work hard play harder... Ou ao contrário... Não sei bem.
E balançam os pontões, novinhos, à espera das embarcações. Vento muito vento sempre vento e mais vento.. Começam a chegar os barcos depois de valentes encontrões em Gibraltar, vieram a voar... Noite dentro madrugada fora, alvorada dia, e de novo noitada, 3 dias a dormir 3horas no total, deitados no chão sem almofada ou colchão, turnos que não nos dão descanso ao corpo. Sempre prontos sempre a postos juntos com a polícia marítima e a guarda costeira. Aproximam-se pelo Ijeu, vem de nordeste, cambam e entram na linha de chegada, a maioria durante a noitada, mal se vêem na escuridão. Acompanhamos até ao pontão. É o mestre Santos que está alerta. Comunica as posições, transmite as horas estimadas de chegada, e lá vamos nós de novo para o mar. Vento forte, onde desordenadas, molhados mas por água quente, aguentamos.
Trabalho feito. Os 11 barcos estão amarrados. Tempo de descanso... Mas não. Há que começar já a preparar a largada daqui a dois dias. Reuniões planeamento, decisões e previsões.
O vento vai acalmar. Vamos deixar de ouvir o cantar das adriça nos mastros, mas vai soprar, mais meigo. Há que aproveitar a trégua. Relaxar e de novo aprontar.
Dia de largada. Dia de festa. Toda agente aperaltada porque o espectáculo faz parte. É cá estamos de novo. Briefing de manhã, todos à uma para o mar. Polícia maritima a navegar, a segurança está assegurada. Venham os barcos os espectadores às TVs os retratos. Todo o mundo dá vela com olhos no Mindelo.
Largada limpa, campo de regata seguro segurança mantida. Fazem-se à Cidade do Cabo. Acabou o espectáculo. Regressamos à base saímos do mar com o coração cheio e sentimento de dever cumprido. Cabo Verde aconteceu. Ganhou e venceu. É esta equipa nascida nos Stop overs da VOR chegou até à TOR. fizemos acontecer, com o mestre Santos no timão. Cá estamos nós juntos à espera de novos desafios que voltarão.
Obrigado Bruno
Obrigado a todos.
2 semanas de vida que valeram toda a vida. 

quinta-feira, novembro 17, 2022

50 anos de vida um milhão de

Já está, passou a barreira do meio século, das 5 décadas dos 50 anos dos 100 semestres... Minha querida irmã de meio sangue mas de coração completo. Não nos batemos como irmãos, nem bulhamos, nem nos invejamos por um ter isto e outro não... Não tivemos tempo para isso. Ela vivia ali, eu no outro lado. E assim continuamos. Volta e meia já miúdos, depois das nossas mães nos apresentarem, apaixonamos nos. Um pelo outro. Eu com uma irmã mais nova, ela com um mano mais velho. E assim ficamos. Hoje ela é mãe eu já sou pai, não perfeito mas bem melhor que o nosso. Agora vêmo-nos muitas vezes. Rimos choramos abraçamos e rimos, gozamos imaginamos como dois irmãos de toda a vida que não fomos porque não. Mas compensamos o tempo perdido, cheios de paixão, almas de irmãos de um pai ausente para ela e pouco presente para mim. Mas que nos uniu sem querer nem saber.
Agora completamo-nos e procuramos um passado para perceber o presente e vivermos o futuro. 
Uma bênção é o que é. 

quinta-feira, novembro 03, 2022

o meu Tito


O meu Tito. Não, não é melhor que o teu. Nem pode ser nunca. Porque o meu Tito era único. Era abstracto, era uma ausência. Nunca foi um grande amigo, pouco falávamos, pouco nos dávamos. O meu Tito, para mim não era ninguém. Não sei quando fazia anos, nem quantos anos tem. Não sei onde vivia, nem sei se vivia com alguém. O meu Tito era um estranho, e eu um estranho também. Sabíamos que éramos primos, disseram as nossas mães. Mas mesmo assim... Éramos afastados, longínquos... Nem eu nem ele tínhamos muito em comum. Nenhum sabia o que o outro fazia. Éramos estranhos, sempre fomos.
Só tínhamos uma coisa fantástica, mas isso não era meu era o meu Tito. 
Sempre que nos encontrávamos eram abraços de braços abertos apertados com um sorriso. Segredos de pequenas conversas fechadas entre primos que sabíamos que éramos nós, mas pouco interessava. Aliás nada interessava, quando o meu Tito chegava parecia superficial, mas não, eratão genuíno e puro,  caramba!! Que primo, que boa pessoa, que amigo! Obrigado Tito. Em tão pouco foste tanto
Saravá

sábado, outubro 15, 2022

A pontapé da Quinta do lago ao mar.

Não há no meu mundo, nem na minha vivência lugar como este, onde atravessamos a ponte a pé, e chegamos ao aconchego de tantas memórias e prazeres. Não é um sonho, nem um filme. É uma casa de família gerida pelo mesmo sangue. Marinheiros em terra com o maior timoneiro. E quando entramos, passamos a ser primos enteados irmãos cunhados e até estranhos com estatuto de amigos. Para mim, não é por causa da comida. Nem por causa das vistas nem do ver e ser visto. Para mim é o melhor aconchego ao Sul desta grande nação. Comparado talvez quase com o aconchego que tenho a norte na Pedrafurada.
No fundo é a minha Pedrafurada do outro lado.  O cheiro, a vista a luz o calor a comida... Tudo é delicioso. Mas o que bate o que me oferece é a energia carinhosa do rabugento mais simpático e amigo que conheço. É o perceber que não estou em casa mas não há diferença. É o calor que vem desta toda família que me aquece, mesmo sendo nos 30 graus no Algarve. 
Não há melhor a Sul que a Leonor o Bernardo, aquela gente querida que nos traz o melhor peixe a melhor carne a melhor sobremesa e principalmente não há maior carinho que receber uma gargalhada do melhor Amigo do Manecas.
Bem hajam. 

terça-feira, agosto 30, 2022

só tão acompanhado

Tou sozinho. Cheio de gente boa à volta. Uma filha linda, uma mulher com H grande. Tias primos primas amigos poucos mas o bastante.
Estou sozinho, acompanhado com todos desde anos desde antes. Mas agora, depois, estou sozinho, já não somos dois. Falta-me o cheiro, o carinho, os sermões. Ela e eu, um sorriso um olhar sem palavras nem declamacões. Que vida cheia teve Ela. Que boa vida eu também. Estou sozinho cheio de gente. Falta-me a minha Mãe. 

terça-feira, maio 10, 2022

Mãe

Fez um mês, um mês antes dos oitenta, um mês depois de subir o último degrau.
Que vida meu Deus, que penitência. Que Amiga, dizem e sei.
Que irmã, dizem e vi
Que tia, dizem e percebi. 
Que Mãe! Nem calculam mas imaginam concerteza.
Que avó.... Senti, só espero deixar memória na neta tão piquena, que se gostavam tanto.
Que mulher! Que tudo!
Que sorte que tive. Que bom que foi.
Que delícia que é ter o coração quente a transbordar. 
Obrigado Mãe. 

quarta-feira, maio 04, 2022

Pindela

Ir a Pindela! 
Vamos visitar os primos!
Amanhã vamos lanchar a Pindela.

Não havia coisa mais agradável de ouvir.
E quem mandava era a minha avó. Lá no minha na quinta da Pedrafurada. Onde passava, passavam, passávamos, temporadas de Verão, semanas santas de Páscoa. Todos juntos, todos muitos.
E que bem que sabia ouvir a avó Gija.... Amanhã vamos a Pindela. 
Era o desejo dela, era o furor nosso. 
Pindela, é Pindela. É para todas as idades, para todos os sentimentos. 
Somos pikenos, vemos uma casa que é um castelo. 
Crescemos um bocadinho vemos que o castelo tem histórias e faz parte da história. 
Crescemos mais um bocado, ficamos orgulhosos por saber e perceber a história do castelo que é novo na casa, mas que a casa tem uma família que é velha na história. 
Depois vem o respeito e a responsabilidade. Uma casa dessas com uma história daquelas, onde a história se confunde, se liga, se exalta com uma Nação Valente. Não temos mais senão que ser humildes e dar graças a Deus por termos a correr um sangue tão nobre, tão velho, tão patriota.
Somos parte de um clã com mais de 500 anos. E  de um clube que não aceita sócios, só os recebe pela linhagem.
Só temos que cumprir. Respeitar é passar a grande herança que recebemos e só é nossa enquanto vivemos. 
Obrigado Avó Gija, obrigado Mãe, obrigado Pindela. 

sábado, dezembro 25, 2021

o Menino pequenino

Começou pequenininho o pinheirinho, junto da gruta daquele presépio imenso, onde deitado na manjedoura, o menino recebeu a mirra o ouro e o incenso. Todos os anos o pinheirinho crescia e o presépio diminuía. Os pastores e os rebanhos foram se afastando e no pinheirinho trenós, bolas e bolinhos foram pendurando. Assim de repente, o menino, coitado continuo na manjedoura deitado, mas agora quem adoravam era um homem vestido de encarnado.... Tem um trenó voador, tem renas, luzes e no polo norte, que diem que é onde vive, uma fábrica industrial produz brinquedos e brinquedos entra pelas chaminés mesmo havendo exaustor, encharca de embrulhos o pinheirinho que virou árvore.... E o menino coitadinho ficou esquecido.... É Natal e coisa e tal...
Mas o Menino, pequenino de tão grande que é assim prefere porque sabe que na Sua pequenez todo o Natal foi Ele que o fez. 

quarta-feira, dezembro 15, 2021

Tinha-a casa na Costa

Tinha casa na costa da caparista. Vivia relaxado na vivenda germinada ali em frente do mar lá na quarta fila de casas. Desde pequeno a bicla substuiui o triciclo e as rodinhas, de repente era o craque da rua, sem ninguém para ver as arriscadas manobras, além de gatos fugidos de cães vadios. O beco era o seu mundo. Ninguém ali parava pelo dia. Mas na noite que a luz do candeeiro iluminava, por vezes lá um carro parava, e lá de dentro uma fêmea gemia. Entre vidros embaciados, o carro balançava, e quando o candeeiro falhava, o gemido aumentava. Eram vidros partidos... De vez em quando... Mas lá foi crescendo o petiz e subindo... Depois da bicicleta veio o motão rugindo... 170 na A2, Fogueteiro, Leixões.. Não é mas encosta. E de repente outra vez assim sem perceber o facto, espetam lhe um contrato... Você passa amuide no Rato?  Olha que jeito... Preciso de um motorista perfeito. Saiba guiar, estacionar e principalmente acelerar. Tenho o emprego perfeito e consigo um contrato certo. Só preciso que seja um homem feito, modesto e principalmente discreto. Vai me conduzir enquanto me conduzo na nação.  Cumpra com rigor, brio e devoção, vai ver que até pode guiar em contra mão! E assim lá o fez... Seguiu feliz, discreto, seguro e anónimo.... Pena foi ser motorista de um simplório..., 

quinta-feira, outubro 28, 2021

O Tempo Não

 Custa, custa muito ver o tempo a passar sem podermos fazê lo parar.  Vem o sol nasce o dia, e à noite quando tudo adormece o tempo não dá descanso não se padece. Novo dia uma aurora, e agora? Parou tudo? A doença o cansaço, a memória tudo parou? Nada, nada pára e o tempo vai correndo, minuto a minuto, não pára. O relógio da parede, sem corda, não pára. Atrasa. Mas o tempo não, é tudo corre sem pressa, vai andando ao seu sabor, até o sol se pôr. De novo a noite tudo dorme tudo se aconchega, debaixo do lençol em cima do colchão. Mas o tempo não. E vais gastando, usando correndo desfasendo desmanchado aos poucos aquilo que queríamos eterno. Restam as memórias, doutro tempo, que é o mesmo, que passou, correu, eclipsou dizem eles não digo eu. Não desaparece, passa. E nós sempre no presente pensamos sobre o passado, sonhamos pelo futuro. Tentamos adivinhar o se... se for assim... Vai ser assado, temos certezas.. Que só descobrimos com o tempo passado. Hoje, agora, já. É o importante e o real. Ontem já foi.. Não volta. Amanhã... Logo se verá.