sábado, dezembro 25, 2021

o Menino pequenino

Começou pequenininho o pinheirinho, junto da gruta daquele presépio imenso, onde deitado na manjedoura, o menino recebeu a mirra o ouro e o incenso. Todos os anos o pinheirinho crescia e o presépio diminuía. Os pastores e os rebanhos foram se afastando e no pinheirinho trenós, bolas e bolinhos foram pendurando. Assim de repente, o menino, coitado continuo na manjedoura deitado, mas agora quem adoravam era um homem vestido de encarnado.... Tem um trenó voador, tem renas, luzes e no polo norte, que diem que é onde vive, uma fábrica industrial produz brinquedos e brinquedos entra pelas chaminés mesmo havendo exaustor, encharca de embrulhos o pinheirinho que virou árvore.... E o menino coitadinho ficou esquecido.... É Natal e coisa e tal...
Mas o Menino, pequenino de tão grande que é assim prefere porque sabe que na Sua pequenez todo o Natal foi Ele que o fez. 

quarta-feira, dezembro 15, 2021

Tinha-a casa na Costa

Tinha casa na costa da caparista. Vivia relaxado na vivenda germinada ali em frente do mar lá na quarta fila de casas. Desde pequeno a bicla substuiui o triciclo e as rodinhas, de repente era o craque da rua, sem ninguém para ver as arriscadas manobras, além de gatos fugidos de cães vadios. O beco era o seu mundo. Ninguém ali parava pelo dia. Mas na noite que a luz do candeeiro iluminava, por vezes lá um carro parava, e lá de dentro uma fêmea gemia. Entre vidros embaciados, o carro balançava, e quando o candeeiro falhava, o gemido aumentava. Eram vidros partidos... De vez em quando... Mas lá foi crescendo o petiz e subindo... Depois da bicicleta veio o motão rugindo... 170 na A2, Fogueteiro, Leixões.. Não é mas encosta. E de repente outra vez assim sem perceber o facto, espetam lhe um contrato... Você passa amuide no Rato?  Olha que jeito... Preciso de um motorista perfeito. Saiba guiar, estacionar e principalmente acelerar. Tenho o emprego perfeito e consigo um contrato certo. Só preciso que seja um homem feito, modesto e principalmente discreto. Vai me conduzir enquanto me conduzo na nação.  Cumpra com rigor, brio e devoção, vai ver que até pode guiar em contra mão! E assim lá o fez... Seguiu feliz, discreto, seguro e anónimo.... Pena foi ser motorista de um simplório..., 

quinta-feira, outubro 28, 2021

O Tempo Não

 Custa, custa muito ver o tempo a passar sem podermos fazê lo parar.  Vem o sol nasce o dia, e à noite quando tudo adormece o tempo não dá descanso não se padece. Novo dia uma aurora, e agora? Parou tudo? A doença o cansaço, a memória tudo parou? Nada, nada pára e o tempo vai correndo, minuto a minuto, não pára. O relógio da parede, sem corda, não pára. Atrasa. Mas o tempo não, é tudo corre sem pressa, vai andando ao seu sabor, até o sol se pôr. De novo a noite tudo dorme tudo se aconchega, debaixo do lençol em cima do colchão. Mas o tempo não. E vais gastando, usando correndo desfasendo desmanchado aos poucos aquilo que queríamos eterno. Restam as memórias, doutro tempo, que é o mesmo, que passou, correu, eclipsou dizem eles não digo eu. Não desaparece, passa. E nós sempre no presente pensamos sobre o passado, sonhamos pelo futuro. Tentamos adivinhar o se... se for assim... Vai ser assado, temos certezas.. Que só descobrimos com o tempo passado. Hoje, agora, já. É o importante e o real. Ontem já foi.. Não volta. Amanhã... Logo se verá. 

domingo, janeiro 26, 2020

Domingo dia da Familia e da casa do Jesus

Querido Tété,
Lembras-te de mim? , sou o teu padrinhos, já não te falo vai lá para quase um ano ou mais. Fiquei sem o teu numero de telefone, e por mais cartas que te envio, vêm sempre devolvidas a dizer que já não estás na morada....talvez tenhas sido transferido para outro lado mais seguro... pois não sei. Espero é que ainda estejas bem, dentro dessas paredes, e que tenhas sempre cuidado com as amizades que por aí dentro vais fazendo...

Hoje , sendo domingo, resolvi levar a piquenitas a visitar a casa do Jesus, ultimamente temos feito isso, a modos de a começar a habituar aos hábitos ancestrais da nossa família, é tradição e ao mesmo tempo até dá para passar alguns valores importantes.

Hoje para variar fomos a outra casa do Jesus, um bocadinho mais maior e também mais imponente. Dá sempre jeito mostrar à pikena que o Jesus tem muitas casas.... a verdade é que o horário da missa também estava mais adequado para a ida...

Pois lá fomos, e ao chegar , a modos de tentar começar a explicar mais ou menos quem era o tal amigo do pai Jesus que tinha varias casas grandes não achei melhor do que lhe mostrar os quadros e estátuas que por lá dentro habitam nos altares e nas capelas. Achei que seria mais fácil, contar a historia dele, assim tipo desenhos animados...

só que o problema é quando começo a olhar para as obras, começo a perceber que a coisa ia ser muito difícil para uma pikena noviça que ainda mal diz o nome...

Só para a miúda perceber quem era o tal Jesus. apontei para o quadro em cima do altar.... Lá estava Ele... crucificado, bem pregado na cruz, com o sangue a escorrer pelos buracos dos cravos nas mãos e nos pés, a ferida ao lado bem aberta pela lança, a esvair-Se em sangue, os joelhos feridos das quedas que dera na via sacra, a cabeça tombada, a escorrer em cataratas de sangues feitos pelas feridas da coroa dos espinhos.... Um oprimo exemplar de arte sacra, um péssimo exemplo para iniciar a pequenita na religião....

Mudei de lado, e num dos altares, outro quadro fenomenal....., já tinha descido da cruz, o corpo tombado pálido, com as mesmas feridas e as três mulheres em pranto sobre Ele a tentarem por-Lhe o sudário.. percebi que por ali também não ia ser  muito útil explicar que o Jesus até é bom rapaz e gosta muito de nós.....

Toca a virar para o outro lado da igreja..... bem procurado, lá vi uma estatueta... Ora cá está.... Não vai pelos desenhos, vai pelos bonecos!! A pikena vai gostar mais de certeza!! ....pensei ingénuo...

A Estatueta de São Sebastião.... uma obra notável, cheia de pormenores... O santo atado ao tronco da árvore, semi-nu...em suplicio.... e pelo corpo todo em prata maciça bem areada.... 12 dardos espetados pelo corpo todo....

Também não foi boa ideia....

De repente lá no fundo .. outra estatueta, desta vez de Nossa Senhora! Santa Mãe de Jesus, Imaculada, linda!.....Mas porra!! Porque é que tinha que ter na mão o coração ensanguentado com a coroa de espinhos do Filho????

A coisa estava difícil, a pikena cada vez mais impressionada.... Eu cada vez mais à deriva....

Vai daí, lembrei-me....vamos ouvir a celebração, tem escuteiros, tem o padre, tem os meninos vestidinhos de branco, tem o coro, tem musica,...até é capaz de da pequenota gostar, passa a vida a cantar em casa, vai de certeza gostar de ouvir aqui na Igreja cantarem.....

Tunga!! Órgão a dar os tons, e toca de ouvirmos aqueles lindos ( não sei para quem...) cânticos de igreja, onde parecem que estão a carpir mágoas do que a exaltar o Senhor....

depois o Padre, a sua voz suave e melódicamente monócordica.... com o sotaque beirão, cheios de esses e ches..... Ora quésta!!!... não ajuda....

Mas prontus, lá aguentamos uma hora e 20 de celebração, a piquenota ás tantas desligou e passou o tempo empoleirada nos bancos a fazer os exercícios que aprendeu nas aulas de ginástica.

No fim saímos e o sino tocou. Aí a catraia admirou-se, levantou os olhos para a torre, e lá viu o sino de um lado para o outro a dançar ao som do Poing Poing Poing!!.... Foi o que bastou.... Perguntei-lhe se tinha gostado de vir à casa do Jesus, disse que sim....

Realmente, ele há coisas que a malta não percebe.... Como raio querem que eduquemos os nossos miúdos a dizer que Jesus é bom, é o nosso Salvador, dá-nos alegrias, gosta de nós, só quer o nosso bem, e sempre que entramos em casa dele, só vemos sangue suor, lágrimas, violência, mortes, e tristeza?

Por isso é mais fácil por a miúda a gostar do Panda da Minie  e da Popota.....


sexta-feira, maio 24, 2019

Namoro a três

Havia... Ou há.. Porque a músicas são eternas, o namoro a dois do Trovante.
Amanhã tenho o namoro a 3.

Nada de fetches, tenho a minha mulher a fazer anos, e a minha mulher não vem sozinha desde há dois anos e pouco. Já trouxe com ela durante nove meses a pirralha, agora está com ela todos os dias. A minha mulher, como mulher não era nada de especial....
Mas como Senhora... Sim senhora!!! Tomaram muitas mulheres!!
Depois... Virou Mãe é desde aí... Ai Caramba!! Que Senhora que já era, que mulher que sempre foi! Que Mãe que é!!

É por isso que o meu namoro é a três. Ou melhor... A dois! Porque eu sou o voyeur!!

Ela a Pirolita, ela a Mãe, e eu ali... A amar tudo.

quarta-feira, maio 01, 2019

Um concerto uma letra

Ai Inês
Quem te fez.
Assim pura leve cristal
Ai Inês dondé vieste
Assim azul cristal
Ai Inês
só tu me vez
Assim feliz sentimental
Ai Inês
sem ver sem mal
Quero ter te ao meu lado
Quente e sensual
Ai Inês
Só tu me vês.
Triste e apagado
Ai Inês
Só tu me vês
Só tu me vês
Por ti tu sabes que tudo vejo e crês.
Ai Inês.
Só tu me vês feliz apaixonado

quinta-feira, janeiro 24, 2019

A Caldeirra eléctrica do Sr. Cardoso

Naquela casa bem no fundo do corredor, bem junto ao canto tínhamos a caldeira das águas para os banhos.
Com casa cheia acendia-se de manhã e ao fim da tarde.
De manhã para os mais velhos, à tarde para os mais novos e outros mais mandrioes.
A operação começava uma hora antes, com todo um necessário ritual. Primeiro limpar as cinzas, sim!! A caldeira era a lenha. Era em ferro fundido, vinha da Figueira da Foz.
Depois de limpas, bastava uma pinha e duas canhota até começarem a arder bem. A seguir juntavam se mais duas e estava a bombar.
Vem agora a parte mais importante. Abrir a água para encher o depósito e adivinhar quando estava cheio... Ouvíamos a água no depósito, batiamos para ouvir o toc toc e adivinhavamos se estaria cheia. Muitas vezes esperávamos a água transbordar. E aí fechavamos a torneira.
Quando começava a azáfama dos banhos, as regras eram simples, por a água na tina, ou encher o banho, o como dizem agora... Encher a banheira.. Por duas canhota na caldeira e abrir a torneira da água da caldeira, para ir repondo a água quente gasta no banho.... E que quente ela vinha!!!
Assim sucessivamente tomavamos os banhos à vez.
Só que constantemente, o raio da caldeira transbordava e a água escorria pelo chão da casa de banho a encharcar tudo.
Quando lá estávamos, era uma saída rápida da tina (banheira no actual). e fechavamos a torneira.

O pior era quando ninguém lá estava.... E muitas vezes acontecia....

Volta não volta quando alguém ia ao Lopes (casa banho prós I incultos...) ouviam se os gritos...

Ai a caldeira!! ai a caldeira!!!

Já sabíamos... Correria certa pelo corredor a fora para limpar a inundação....

Cansado de tanta correria e inundações, o Sr. Cardoso (Tio João para os sobrinhos). Engenhocas como era, electrificou a caldeira.

Assim sempre que a água enchia o depósito, a bóia de nível, ligada a uma campainha, quando chegava ao cimo fazia contacto e desatava a tocar triiimmm trrimmm trrimmm, tal qual um alarme.

Acabaram as inundações. Chegou o progresso, mas a engenhoca funcionou durante muitos anos e bons.

A caldeira eléctrica teve a sua vida, mas como o tempo segue e o progresso chega, acabou esquecida e desativada quando se instalou um motor e um esquentador.

Do sr. Cardoso, esse também o tempo o levou para perto do Senhor. Não acabou esquecido, antes pelo contrário. E muitas engenhocas ainda andam por aí a funcionar. Umas em casas outras poços, outras em canos, outras em barcos e em bancos. Mas principalmente, muitas nos nossos corações.

sexta-feira, janeiro 18, 2019

Eça é Eça, Pessoa é uma data deles.

Não é que seja erudito ou que perceba alguma coisa de literatura. Mas confesso que gramo à brava do Eça. Também não sou um ferranho, nem sei muuuiito sobre ele. Mas era amigo lá de casa, e, apesar de nunca me ter cruzado com ele, derivado da idade... Só por ser amigo lá de casa, basta me para gostar dele.

Depois até escreve bem e com graça. Mesmo com mais de cem anos, até anda actualizado. Prova que este País evolui pouco...

Já do Pessoa, não o gramo. Apesar de também deabunlar pelo Chiado como o Zé Maria (posso tratá-lo assim porque era amigo de casa). O gajo tem dias... Umas vezes é Fernando, outras é Álvaro, outras é Alberto, outras é Ricardo.
Não gramo!! Um gajo é o que é e prontus.

Mas o que gramei no outro dia, foi ter ido à casa do gajo ali em Campo de Ourique e ter provado uma bela vazia barrosã!!
Estava boa sim senhor.!

A vazia do Pessoa essa é que essa.
Talvez não seja o Peixe da Dalmácia, do Jacinto do Eça.
Mas não fica atrás das favas e arroz de Tormes.
Eça é Eça.

quarta-feira, outubro 04, 2017

"Ó Cardoso...! Ó Cardoso!... ele é assim..."

Das muitas primeiras memórias que tenho dele, é na casa de jantar de S. Bernardo. Uma noite de Verão, já há alguns bons pares de anos, ainda todos nós, miudos , jantavamos de pijama e roupão lá em baixo na copa e depois vinhamos para cima para a sala e para a varanda enquanto os grandes jantavam. Estavam todos á mesa, com a Avó sentada, à espera de alguem. Era o Cardoso que faltava.
-Ele é assim, demora horas no banho.... Ó Cardoso!! tá tudo à tua espera, gritava a Tia Mia.
E o Cardoso, nosso Tio João, aparecia impecávelmente aprumado. Sempre ! todas as noites. Nenhum vinco fora de sitio, nenhuma camisa, ou gola amachucada. sempre impecavel , com um cabelo puxado atrás bem fixo com brilhantina, uma poupa relegiosamente ondolada para a direita. Bem disposto, soltava sempre umas boas gargalhadas. Era o Tio que ria, ria connosco miudos, ria com a nossa Avó, ria com todos , com uma gargalhada solta bem disposta, e bem alta para todos ouvirem.
Em Cascais esperavamos sempre a chegada do Tio João. sabiamos que iriamos ter os tempos ainda mais ocupados, e todos os dias eram uma nova lição.
Ainda me lembro o excitamento que era, vê-lo debaixo da varanda a tirar do saco no meio de kilos de pó de talco  o Repimpa, e começar a enche-lo com aquelas sandálias castanhas e a montá-lo. era uma especie de abertura oficial do Verão. o repimpa era o nosso companheiro de aventuras, a nossa sala de aulas, o nosso navio escola, solario, piscina, barco de pesca, boia de descanso, e o Tio João o mentor. Aprendamos as cores das águas do mar, os tipos de transparências, os limos as rochas e toda a costa desde Santa Marta ao Estoril. Não havia canto que não fossemos, nem recanto que não paravamos. Sempre a remos no repimpa os dias eram enormes.  Depois zarpavamos ao Oeste, para o casal no Turcifal. O Cardoso não parava do telhado até à Cisterna tudo concertada, e lá fumava o seu ventil. De lá voltava com a mala cheia, uvas figos pera e nêsperas da nespereira... Fartura sem igual. 
Depois ruma vamos a norte e o Cardoso, com o bicho carpinteiro vestia o fato macaco e não parava o dia inteiro. 
Eram os canos, os marcos das estrema, os ramos das árvores umas grande outras pequenas, e como não era azelha até tinha tempo para as abelhas. 
Que bom que foi, que bom que gozei, também levei mas olhando agora passados anos que bom que tive para mim um tio assim. 

Estava sempre pronto a dar-nos mais uma volta no barco, em cada volta aprendiamos coisas novas, as rochas, os peixes, as marés , as ondas, até os tons de tranaparencia das águas, as alforrecas, e as canções. Partilhava também bocados da vida dele, com primos, amigos e irmãos, as pescarias que fazia no Belmar, os jogos de ténis com o Tio Táta.

Levava-nos de manhã á lota para ouvir o leiloeiro cantar de trás para a frente. Passeavamos a pé por Cascais, e em cada canto cada recanto havia uma história.

Não parava um segundo, só o via descansar um bocado a seguir ao almoço para fumar um cigarro. de resto passava os dias sempre a fazer qualquer coisa.

Um engenhocas. No carro tinha uma mala que era a inveja de todos. Carregadinha de ferramentas de todo os tipos e para tudo que fosse preciso. ao lado sempre um fato de macaco castanho claro. Sempre que o vestia sabiamos que alguma coisa nova ia aparecer.
Cestos para secar figos nas arvores, mesas de rede para a fruta náo apodrecer, cimento na muralha protegido com camara de ar para náo riscar as escadas, bancos de jardim, alarmes para a caldeira quando a água vinha por fora. puzzles, instaloções electricas, canalizações, suportes para as bicicletas, pranchas de esferovite, colmeias, massa vidraceira, janelas e portas, mesas e tampos, bancos e cadeiras, pinturas, despinturas, escadotes, escadas de corda, farois de nevoeiro, fogos de artificio.... não havia nada que o sr, Cardoso não fizesse e não nos ensinasse a fazer.

Em Brito, na Pedrafurada, aprendemos tudo sobre as águas, sobre as extremas, sobre os campos dos vizinhos, sobre a historia das outras casas. Passeios no monte diarios. arranjos, arranjinhos e arranhões....

-Vamos ver as extremas!, dizia. E nós lá seguiamos a tarde toda pelo monte a dentro a contar marcos a procurar leiras e bouças, a descobrir penedos e nascentes, vias romanas,ermidas e moinhos.

Era o Tio que gostava do vinho lá de casa, que o bebia com gosto às refeições. Para o sr. Cardoso havia sempre uma jarra saida da pipa.

O Tio João foi isso tudo e muito muito mais.







segunda-feira, abril 17, 2017

Da Terceira para a Primeira Pessoa do Singular

Para sermos Homens de Bem três coisas temos que cumprir. Sempre aprendi isto e mesmo sem querer, quero- as atingir.

Para ser Homem temos
Que plantar uma Árvore
Que ter um filho (ou filha)
Escrever um Livro.

A Árvore já plantei. e mais do que uma.
O Livro está neste blog só espera um editor
Ser Pai:

Aconteceu, aos 14 dias do Mês de Abril ao ano 2017 da Graça de Nosso Senhor. Ela apareceu pequenina, franzina e muito sossegadinha. Foi uma sexta feira, A sexta feira Santa deste ano. Talvez um bom presságio, talvez não. Não interessa, veio e está cá e agora começa uma nova etapa. ( dizem todos os entendidos...).

Parece estranho, mas um nascimento é quase como uma morte anunciada, mas ao contrário. Por mais que achemos que estamos preparados nunca estamos. Nem nunca iremos estar. se os que partem deixam saudades e todos os dias nos lembramos deles, os que aparecem não nos deixam nunca esquecer deles.

A grande diferença que de repente apareceu, é na palavra Pai e a na  sua conjugação.


Toda a vida tratava os Pais como eles eram, na terceira pessoa. Eram os Pais daquele, "aquele é o teu Pai..." "o meu pai morreu".... "vou dizer ao teu Pai..."
"Aquele já é pai de um par de gemeos..." " vou pedir a mão ao teu Pai..."

Sempre na terceira pessoa, sempre um personagem real mas assim um bocado distante, o ser Pai, uma coisa assim Importante. gajo responsável!! Fazia-nos velhos até... já sou pai, os miudos é que nos fazem velho... ela já tem 23 aninhos.... está uma mulher qualquer dia começa a sair à noite....

Depois também há aquela coisa do " ai és filho de cicrano?... que giro, era muito amigo do teu Pai..."
São uns cotas, não podemos combinar um programa até tarde... os filhos... estás a ver...

Enfim, aquela terceira pessoa era sempre um bocado de problema. Até que....!!

Tunga!! Cá estou eu na Primeira Pessoa!!

Nunca realizei que, no momento que deixasse conjugar na terceira pessoa, fizesse tanta diferença em tanta coisa.

Nunca uma primeira pessoa me deu tanto gozo e tanto orgulho tantos sentimentos, tantos medos, tantas esperanças, tantos choros tantos risos, tantos futuros e tantas incertezas.

A força que esta pequena palavra tem e dá é extraordinária!! Sempre a quis usar na primeira pessoa do singular. mas não imaginava a sua grandeza.

E a grandeza que ela nos dá , não nos faz sentir superiores, antes pelo contrário. Não nos traz segurança não nos traz estabilidade. De repente, estamos pequenos também, frágeis, e à toa.
Sabemos que tudo agora depende de nós e só de nós e é com essa certeza que vamos em frente e que lutamos com todas as forças que aquela palavra nos dá.

Tornei-me Pai. de uma menina, claro que é linda! aos meus olhos claro que é!! .

Dela espero nada, espero tudo.
A ela todo o meu amor darei para que seja alguém de bem.
Que cresça e se magoe.
Que chore de alegria, que chore de tristeza.
Que seja amiga, que seja alegre,
que faça amigos e que conforte os tristes.
Dela quero beijinhos a toda a hora, carinhos pela vida fora
A Ela todo o meu amor darei para que possa dar a alguém tambem.


No fundo, bem lá no fundo
Dela só quero uma coisa. E só isso me deixará descansado, feliz e realizado.
Só quero que seja feliz.
 


sexta-feira, janeiro 08, 2016

Picuca

Querido primo,
Obrigado pelos tobogans em Brito, pelas regatas em Vilamoura, pelas poucas vezes juntos mas sempre espectaculares.
Obrigado pelas comesainas, pela boa disposição pelo sorriso e pelas graças.
Querido primo
Assim de repente foi o primeiro da nossa geração a dar-se a luxo de ir ter com o seu Pai, e partir para outras aventuras. Talvez não tenha sido assim tão de repente, porque já andavam sinais no ar.
A ultima vez que estivemos juntos ,e para não variar, era já noite, estivemos no meio onde sempre gostou e vibrou e viveu,. Junto do mar  a ver os barcalhões da Volvo Ocean Race, a viver o mais possivel todo aquele ambiente, cheio de amigos à volta e sempre em boa disposição.
Ofereci-lhe um whisky, que o bebeu pausadamente depois de muita insistência minha. Não me queria ofender, apetecia-lhe e sabia que ia saber bem.
Tiramos uma fotografia juntos, sabia lá eu que seria a ultima. também acho que é das poucas, senão a única que estamos juntos.
De si, muita coisa salteada me vem à memória. Não sei se foi bom aluno, nem onde estudou nem o que é que fez ou que não fez. Lembro-me dos tobogans na Pedrafurada. De um almoço divinal com um javali no forno. Daquele tempo que lhe pedi dormida por dois dias e fiquei duas semanas. Do aconchego de casa cheia de primos quando fomos um fim de semana ver corridas a Portimão.
E aquelas noites em Puerto Santa Maria, regatas sem vento noites de muita ventania... 
Está no meu coração  e ainda não fui fazer a sua regata de todos os anos. 

Castanha todo um Mundo Novo

Dizem que falar antes de tempo pode não trazer bons tempos.
mas com o tempo que está lá fora, não preciso de preocurar. Amanhã é um dia especial lá para os lados o Oeste, para aquela casa e para aquelas gentes. Assim sem sobreaviso, chega uma nova conviva para fazer companhia aos habituais que por lá moram.
Já vem com três meses e pronta para dar sorrisos à vida que vai ter. De certo que será bem acolhida naquele lar, onde já uma vive e agora esta nova lhe irá fazer companhia nas horas mortas.
Traz com ela a responsabilidade de uma linhagem, a responsabilidade de pertencer a uma das mais antigas famílias de Portugal, por isso traz com ela aquilo que muitos homens por mais que tentem nunca irão ter. Está já tem, mal nasceu todo esse pedigree.
Donde vem, habituada aos ar livres e correrias pelos campos, a passeatas nas matas e sombras de árvores milenares, obriga-se a ser batizada também com uma referencia aquela casa para que não nos esqueçamos nunca as suas origens e quem, tão em boa hora se lembrou de nós. Mas vai ficar bem com certeza, tão bem como a que já cá está a iluminar a casa. Vai fazer as mesmas passeatas, correr entre vinhas e vinhedos, levantar perdizes, entrar no mar  e percorrer gaivotas.
Castanha. será, companheira, corredora, caçadora, amiga, filha aventureira. Vem trazer mais calor , mais, ainda mais alegria e principalmente muito carinho ali para o Oeste.

quarta-feira, agosto 19, 2015

De Conceição Velha a Alpiarça

Era  assim uma espécie de tudo junto, para o bom para o muito bom e para o óptimo, não tive tempo de estar muito junto nem passar muito tempo junto, mas do pouco tempo que de tempos a tempos passei durante algum bom tempo, se há coisa que não me esqueço e sempre lembro é daquele sorriso e daquela simpatia estampada na cara. Naquele carinho que nos aconchegava e me aconchegou desde o primeiro dia que me lembro de a ter conhecido na Conceição Velha.
Sabíamos que o respeito e a educação no trato e como tratar faziam parte dela, sabíamos que o riso e a boa disposição estavam juntas, e nunca nos falhava em nada. Mesmo nas alturas mais cerimoniosas havia sempre uma palavra de "quebra gelo", que nos, "enturmava" logo para que, dentro dos limites nos sentíssemos à vontade, mas nunca à vontadinha...Podia ser com Reis Príncipes ou com o sr. dos gelados junto à muralha.
Sempre que a via, via-a acompanhada com a yorkshire terrier, que a acompanhava sempre para todo o lado. Ao longo dos anos ainda tenho duvidas se foram várias ou se era sempre a mesma....
Sempre que a encontrava era em ocasiões festivas, ou estávamos com o neto Rodrigo, ou estávamos pela Golegã, ou parávamos na Lagoalva com o Rodrigo na altura da Golegã, ou aparecíamos em Cascais à procura do Rodrigo, ou com o Rodrigo ou no Fiat Uno da Maria do Carmo que nos abria as portas e lá de dentro saíamos onze...
Lembro-me das conversas naquela sala cheia de luz na Lagoalva, sobre tios e primos sobre idas ao Minho a visitar a nossa Perfurada.
 Do carinho que nos recebia na caseta da Golegã, na palavra simpática e pronta, no saber como estávamos, e como andávamos. Era e é paragem obrigatória visitar os primos na altura da feira, a partir de agora mais triste em presença mas sempre rica em memórias.
E o orgulho que tinha em saber Avó de um grande amigo, Mãe de uma Mãe, e prima da minha própria Mãe, sentia-me importante!!
Olhava-a como uma Mãe-Avó que não era minha mas que secretamente a adoptava como se fosse só minha, quase a roçar a inveja.
Seguiu o seu caminho para junto dos que lhe querem muito, deixou muitos a quererem outro tanto. Contentes, como eu por se terem cruzado e por, sem percebermos, termo-nos enriquecido muito como pessoas.
Bastou um sorriso.

Obrigado

P.N.
A.M



sexta-feira, julho 31, 2015

Cada Vez mais perto da proxima

Muitas vezes corremos contra o tempo à procura que o tempo não passe o tempo a passar depressa, outras até pedimos que o tempo não passe tanto tempo tão devagar.
de há uns dias para cá tenho andado desejoso que o tempo não pare de passar tempos e que tempos devagar.
Não é por nada, é talvez por tudo, ando desejoso de ver o tempo a andar depressa mesmo que isso me torne mais velho mais rapidamente, mas não me importo muito com isso, nesta altura.
Devagar quero mesmo que o tempo passe para que os dias se mantenham grandes, quentes com sol e fins de tarde fabulosos como têm estado.
Depressa quero que o tempo passe para que daqui a pouco ou quase nada tenhamos cá de volta os VOR, e toda aquela confusão  de eventos emoções stresses e sensações... Pareço egoista só querer só isso, mas não é assim.
Também quero mais coisas, coisinhas e coisotas, mas isso deixo para mais tarde com o meu afilhado Tété, agora inclinei-me outra vez para a VOR e para o StopOver Lisbon. Talvez por ontem ter estado com uma catrefada de Voristas a rir e contar histórias do que foi a ultima.... Mas também porque sabe bem receber dos amigos istranjeiros que lá estiveram, afirmações do género, "best stopover ever!!", "great organization" "most beutifull fishing ship I ever saw in the world"... e tudo de gente que passou por cá tipo assim só umas três semanas para trabalharmos em conjunto num evento fabuslástico.
Sabe bem ouvir isso, sabe bem saber que contribuimos para isso, sabe bem saber que nos divertimos e esgotamos com isso...
Sabe bem ter sido em Portugal, feito com portugueses, para o mundo inteiro... também...pensado bem... é disso que somos feitos....
Depois, sabe bem ouvir falar bem do que cada vez mais está na moda graças à teimosia de um caro familiar por apendecite, que se deliciou duramente durante três anos a buscar nos mais recondidos cantos de Lisboa pelas melhores Tascas que Lisboa tem e que muitos conhecem mas poucos falam ( ou falavam).
Á conta deste carola Tiago Cruz, o tasteador mor da muy nobre e altiva cidade de Lisboa, o tascodromo da capital foi criado, e temo mesmo que se torne rápidamente uma moda muito maior e mais atractiva do que o Gin Tonic e hortaliças.... é que aqui nesta categoria, nada é importado ou copiado!!
Lá está é original, genuino feito em Portugal, por Portugueses para o Mundo!!!

Viva a VOR Vivam as Tascas!! Viva o Verão os tremoços e essas coisas...

Querido Tété, se passares pelos Algarve não pares em qualquer canto...procura umas Tascas que têm mais encantos....
Aprende a comer coiratos, como o meu primovelho me ensinou, ou caracois, como a minha Tia o fez, lá pelos lados de Cascais. e come o que é nosso em tom de desafio às ASAES dessa vida....

segunda-feira, julho 20, 2015

A Barraca da Praia

Normalmente, chegados a estas épocas anuais viradas para os banhos, todas as famílias que se prezem tinham... e algumas ainda têm a sua barraquinha alugada na praia para onde vão em procissão.
Hoje, com o progresso as barraquitas, aquelas de panos ás riscas quadradas com a porta de entrada aberta a fazer de toldo,
As barrraquinhas abrigavam os comes os bebes, e até protegiam os tios e os miúdos mais novos com a sombra para as necessárias sestas. Liam os jornais, encostados á estrutura de madeira, iam a banhos e regressavam à barraquinha. E lá dentro os miúdos jogavam às escondidas, ao prego e até fugiam pela parte de trás para irem ao banho sem os mais velhos perceberem. Era uma cidade de gentes conhecidas que se encontravam todos os anos naquela mesma praia, naquela mesma barraca. Já se sabia quem eram os vizinhos mesmo antes deles chegarem. todos os anos apareciam caras novas, que lá se enturmavam derivado da criançada que logo descobriam novos amigos de verão, enquanto os mais velhos, mais desconfiados, lá iam começando a falar com os estranhos pouco a pouco, até porque ao fim do terceiro ou quarto dia, a ver os mesmos vizinhos, um cumprimento era obrigatório, e pouco a pouco lá se iam conhecendo.
Ainda existem algumas por aí espalhadas por algumas praias deste nosso cantinho, mas a maioria deram lugar ás espreguiçadeiras de plástico, e a uns chapéus de sol empalhados a modos tropicais, a fazer lembrar essas paragens distantes. Não se movem e chega a uma altura em que a sombra está mais nos vizinhos do que em nós.
Nós também tínhamos uma barraca de praia. Mas a nossa barraca era especial. Não era na praia, era em casa. Mas nós tínhamos sorte, porque a casa era na praia, ou melhor... em cima dela,e como a praia era pequena a barraca era em casa.
Também era ás riscas, largas, azuis creio eu, que depois deram lugar a um pano de risca verdes mais estreitas. Aquela nossa barraca de praia, era um luxo. Ali feita debaixo do vão das escadas que iam dar à varanda, encafuada num arco. Estava bem protegida do vento e era ali que a vida começava e acabava nas idas e vindas da praia, mesmo ali defronte onde se desciam seis degraus por uma escada de madeira construída propositadamente. e que derivado de um temporal no inverno levou com um pinheiro em cima e desfez a dita toda. foi uma pena.
A nossa época de verão começava com a colocação dessa pesada escada de madeira. Quando chegávamos a casa e víamos a escada lá posta na rocha, era sinal de banhos, Verão primos, barcos e muita animação.
Depois vinha a barraca. A nossa Barraca de riscas. Grande, enorme, caibamos lá 5 ou seis ao mesmo tempo!!.
E barraca de riscas lá se ia montando também. Primeiro os espaldares de madeira grossa, bem construídos e todos os anos envernizados de novo pelos tios. Depois vinha o espelho que se pendurava na parede que servia para alindar e dar bom aspecto a todos os que por lá passavam. Depois, a mesinha que servia de aparador para as escovas, para as toalhas e muitas vezes para se guardar as trapalhices da praia lá em baixo. Depois montava-se a mangueira, que tinha no fim um duche. ligado á torneira que era só de água fria. Mas isso não nos incomodava. Todos os dias ao fim do dia de praia, depois dos saltos nas rochas nas viagens de bóia a casa dos primos que também era sobre o mar, dos passeios pela baía no repimpa do tio João, das voltas de barco, no Intrepid no Narceja, no Quasar e no Maçarico, aquele banho de água fria bastava para nos alindar para o resto do fim do dia até à hora da cama. E víamos a água com a areia a escorrer para o ralo, encaminhado por um carreiro de cimento. Era ali que ligávamos a mangueira do jardim para regar as flores, os vasos e mais tarde o escalracho que teimava em crescer num solo de pedras e terra salgada pelo mar invernoso que entrava em repuxos pela guarita.
E a barraca lá nos apoiava a todos, tirávamos a areia , passávamos-nos por água, e quando o calor apertava, servia para refrescar a sede sem ter que entrar em casa e sujar o chão imaculadamente encerado.
Ali guardávamos os brinquedos que levávamos todos os dias escada abaixo para a praia. os baldes, as barbatanas, os óculos de mergulho, e as câmaras de ar. Essas companheiras de Verão que nos levavam para todo o lado dentro de água a explorar todos os anos as rochas, os cantos e recantos e as idas a casa dos primos comer as sanduiches de açúcar e manteiga.
Aquela barraca fazia parte de nós. Nos dias em que a praia não estava apetecível, servia de esconderijo para os jogos das escondidas. Servia para contarmos os segredos. Era nossa companheira também.
E quando chegava o fim do Verão, e se desmontava a barraca a casa parecia que ficava mais triste , despida, como que se fosse hibernar á espera de mais um ano.
Durou anos assim, até que também partiu com a casa. Agora já não existe o arco, nem existe a barraca. A casa está lá. Não tão alegre e viva como já foi, mas cuidada e bem tratada. E sempre que passamos por lá manda-nos um piscar de olhos com todas as memórias daqueles que por lá passaram.

segunda-feira, julho 13, 2015

Cantos Gregorianos

Não é que perceba alguma coisa do assunto, mas como hoje em dia derivado do facto de todos terem uma opinião, e basta fazermos uma pesquisa rápida neste mundo digital e descobrir muitos assuntos sobre o assunto.
Eu, neste caso, até não me apetece ficar de fora no assunto. Por isso vou falar nele.

O assunto em si, não tem muito que se lhe diga, era uma vez um País do mediterrâneo onde antigamente os homens tinham barbas encaracoladas, e vestiam túnicas brancas e andavam a passear de um lado para o outro á espera que alguma coisa lhes acontecesse. A uns não acontecia nada, a outros , de repente tinham assim umas ideias iluminarias, e gritavam Heureca e essas coisas. Não sei se derivado do que bebiam do que comiam ou do que fumavam.

Num desses devaneios colectivos houve um grupo de barbudos e de togas brancas que resolveram aparecer e divulgar ao mundo o tal do conceito a que chamaram Democracia, à conta disso ficaram bem vistos pelo mundo inteiro  e toda a gente até achou a ideia engraçada...mas ninguém a pôs em prática durante séculos.

Durante séculos e séculos, os coitados lá andavam nas escarpas viradas ao mar, com as túnicas brancas, as barbas farfalhudas loiras atrás das ninfas e de outras personagens. Como não chateavam ninguém, também ninguém os chateou... até achávamos graça ver uns homemzarrões vestidos de túnica branca a deambularem de um lado para o outro....

Só que os séculos foram passados, e a ideia foi crescendo, e disseminando-se entre as mentes de uns e outros homens que não usavam túnicas, mas até achavam graça às ideias dos meninos de branco....

Era uma ideia tão original e tão diferente de tudo, que só podia ser implementada por via da força, porque para ser implementada como ela própria se diz.... democraticamente, ninguém caía no conto do vigário....

Assim passaram os séculos e os romanos da vizinha mais ou menos terra mediterrânea, implementaram uma espécie de dita mais ou menos para alguns. Mas o grande boom da dita ideia, chegou nas iluminadas cabeças dos rebeldes Amaricanos que deram porrada nos Ingleses e construíram um País do Povo para o Povo e Pelo Povo, num ido 4 de Julho de 1775, regados com vinho da Madeira e prontus... nasceu a tal Nação democrática, exemplo para toda a humanidade, baseada na ideia iluminada dos hominhos de barba loira e túnica branca....

A dita Nação, cresceu, cresceu, cresceu e ganhou poder riqueza e muita influencia... tornou-se no maior País do Mundo... tudo derivado da ideia dos hominhos....

Como o resto do mundo é invejoso, não parou de impor a dita democracia, aos olhos dos Amaricanos que eram muita ricos.... assim a solução para a pobreza e o poder estava na Democracia....

E assim a Europa, foi mudando.... demorou mas mudou.... até nós aqui neste cantinho, onde os Homens tinham patilhas compridas e pegam touros de caras, também mudámos.... para sermos Europeus, ricos e modernos....

Até entramos para o mesmo club, onde estavam todos os outros países importantes da Europa, até nos sentamos à mesma mesa dos Hominhos de Barba loira e túnica branca.

Só que hoje em dia os ditos Hominhos, aqueles de tunica branca e barba loira, já não têm barba e até usam fatos sem gravata....mas utilizam a ideia peregrina da democracia, que os seus antepassados inventaram com todos os segredos e manhas que a ideia tem. Tá certo!! Eles inventaram, deram a conhecer ao Mundo.... mas não contaram os segredos todos!!!

A malta olhou para os Amaricanos e achamos que a ideia era fantástica, esquecemos-nos foi de tentar saber todos os segredos que a ideia tinha....

Mas  realmente, ao fim de estes meses, o Mundo inteiro percebeu que afinal a tal dita ideia da democracia, não foi explicada totalmente....

É que afinal pelo que vi.... se antigamente não percebia muito bem a ideia mas até a achava interessante, agora estou todo baralhado....

Então o Povo decide, e pelo poder do povo tomam-se decisões. O Povo lá do País dos hominhos de túnicas brancas e barba loira, disse que não.... mas quem eles deram voz, para dizer Não, disseram sim e ainda com piores consequências e sacrifícios... e tudo em nome da tal Ideia....

Não é que perceba do assunto, mas assim de repente creio que essa ideia cheira-me a uma grande aldrabice pegada....

.... e se resultou noutros países, deve de ter sido derivado ao facto de se terem feito traduções erradas sobre as instruções de uso da dita ideia dos hominhos de túnica branca e barbas loiras....

é típico das más traduções.... para mim cantos gregorianos, eram Gregos a Cantar....

Que foi o que deram à Europa...... e a nós todos.....

quinta-feira, junho 11, 2015

LISBON STOPOVER VOLVO OCEAN RACE

Meu querido Afilhado Tété,


Tens razão em chamar-me os nomes todos que conheces e lá aprendestes durante o teu estágio profissional entre os agentes prevaricadores da sociedade. Não sei se te cruzaste com o 44 mas acredito que dali não tenhas aprendido muito.

Sim, confesso tenho estado ausente deste mundo bloguista, não tenho desculpa. Por isso quero-te compensar com o que se passou pelo menos nas ultimas semanas.

Vê-lá tu que mais uma vez fui chamado para colaborar com os meus préstimos (... que não faço ideia quais sejam...) naquele "invento" muita bom que é a VOR, que ninguém conhece e que poucos jornalistas querem conhecer... mas é tipo só a MAIOR REGATA do MUNDO, e por acaso aportou em Lisboa...acredito que não tenhas reparado, é natural, a maltinha preocupa-se mais com a cor das unhas do CR7 do que propriamente com um "invento" deste gabarito....

Para mim, querido afilhado que tens o mesmo nome que eu, tudo começou lá pelo dia 20 de Maio, uma manhã soalheira.... e acabou a 8 de Junho, um dia quente.... entre estas datas....pouco me lembro...

Mas lembro-me de ter que ir buscar uns quantos barcos a Cascais, ter que andar a verificar os cais das doca de Pedrouços, lembro-me de rever de novo os velhos companheiros da ultima edição, todos três anos mais velhos, mas ainda bem dispostos.

Lembro-me de termos contratado a meio caminho o Benárdo, esse elemente fantástico que tudo fez e nunca apareceu...segundo consta chegou hoje a L'Orient, no saco de spi do team SCA.... as miudas deram cabo dele...

Depois tivemos nos primeiros dias que montar o nosso posto de comando, como o nome dava modes de coisa revolucionaria, mudamos para ON WATER VIP LOUNGE, claro, só podia!!!

Dois frigorificos a bombar com vinho branco, gin, vodka, champagne, haa e também água geladinha...
Composto com copos de plástico de  tamanho modesto, passou a ser o poiso de toda a organização durante os debriefiings de fim de tarde. Bem que tentamos controlar as enttradas como faziam na Tenda Corporate ( quer dizer a tenda dos IPC - importantes pa caral...) Mas sendo nós genstes de mar, não é possivel sermos antipáticos. Apesar de dizermos que era "Members Only" toda a gente tinha membros e entrava.... enfim, um fartote de riso ao fim da tarde, ao principio da noite e até de manhã quando calhava...sempre à volta dos GT, e dos VT, e das C

Enquanto os barcos vinham ou não vinham lá fomos nós para as saídas técnicas, aquelas saídas que tecnicamente são muito importantes para o funcionamento do evento.... comprar ameijoas a Belém, comprar tabaco a porto brandão, assegurar comunicações entre o Bugio e o Alfeite, tirar fotes debaixo da ponte, ver pontos de amarração na zona da doca do Espanhol, ensinar a conduzir semi-rígidos sem ser em linha recta, testar as luzes do terreiro do paço....enfim... nem calculas.... e o Benárdo sem aparecer....

A primeira noitada foi quando os barquitos todos coloridos apareceram no meio do rio, depois de terem atravessado o atlântico. Eram praí 4.00AM quando fomos para a água recebê-los... e nem calculas a trabalheira que foi... depois de termos estado a fazer horas na ponte do Chivas, com o dito liquido a aquecer a moleirinha, estivemos 7 horas dentro de água.... os barquitos lá chegaram, todos catitas. houve até um que encalhou...para ver os golfinhos...

Depois, fim de dia, reunião no Vip Lounge, houve ainda tentativas para entrarmos na tal Corporate, mas a verdade é que nada de interessante se passava, além de belas vistas que por lá se tinham estabelecido em trabalho, nada de mais se passava... até ao dia em que houve aquela coisa no Jamor...

Eram já nove e tal quando do rádio ( sim porque nós tínhamos rádio!! e não era para ouvir a bola!!) ouvimos um pedido de socorro vindo de uma voz tremula e nervosa... corremos todos à corporate, e lá estavam 4 marmanjos já encostados à parede, a voz tremula, que normalmente anda bronzeada, estava assim pó branco ( não é pó de pó, é pó de para). A coisa acalmou e lá saímos...todos a correr para apanhar mesas cadeiras e diziam também caixas de bebidas que os marmanjos tinham atirado à iagua, para ver se boiavam.... as mesas e cadeiras sim, as caixas.... é que não.... um desperdício...

Passaram os dias, as saídas técnicas os ensaios e sempre que podíamos juntavamo-nos na cantina.
Sabes Tété, ao falar na cantina, pensei muita na sorte que tiveste quando estives no estágio...acredito que na prisão comias mais qualquer coisa além de almôndegas e frango.... Nós não!! Nós variavamos entre frango e almôndegas, ou almôndegas e frango.... ás vezes até eram as duas coisas ao mesmo tempo!!

Depois havia sopa, mas isso é daquela coisa que só como obrigado, pois sabes que os meus modos não são lá muito próprios para comer sopa... houve até um dia que cheguei tarde e lá tive que comer a dita.... desatou tudo a rir de mim... tive vergonha... Mas enfim... são coisas...

Haaa tivemos também a honra de sermos convidados para irmos á festa da organização da Volvo!! Sabes, somos tão especiais que até nos entregaram todas as pulseiras para nós distribuirmos!! foi um acto tão importante que por bem achamos que deveríamos entregar a quem de direito, é que nós não eramos asssim tão importantes, apesar de termos o VIP Lounge. Coitadinha da senhora estrangeira que fez a asneira....

Nessa tarde, ao fim do dia, lá arrancamos para a festa, grande festa sim senhora!! Parecia o nosso VIP Lounge, mas com luzinhas...!! e em vez de almôndegas eram Hambúrguer... nada maus por sinal!!...

Como nessa altura os barquitos já tinham chegado, passamos ali uns tempos um pouco mortos.... mortos de calor....mortos de fome...mortos por saber onde o Benárdo andava...e mortos de cansaço... o que nos valiam eram os debrifings... que nos alimentavam a alma e a mente... houve até uma altura em que fui convidado para ir lá á tal da corporate almoçar...devias ver.... toda a gente de calcinha, camizinha de colarinho engomado e eu tal qual um fachineiro de calção rádios na lapela despenteado, e maltrapilho.... fui um sucesso!!! toda a gente a olhar para mim!!! A sorte é que aí não comi sopa!! senão tinha arrasado!!

Depois mais para o fim, lá tivemos que começar a falar mais em Inglês, derivado o facto de que iam começar as regatas no rio com os barquitos.... barquitos quer dizer.... barcões!! é que de perto são muita maiores do que vistos ao longe...
E prontos... 4 dias dentro do rio cheio de ô yess yess, yess, ô no no no, portboard, starboard vip box, marshal boat, chief marshal boat 1, etc etc.... só comigo iam 4 rádios....eu que não sou DJ... estava doido com tanta tecnologia à minha frente.... mas acho que até me safei nas passagens... a musica era monocórdica, mas lá entendíamos... o perceber o inglês via rádio falado por um Irlandês e respondido por um Alemão a falar inglês, deu-me a oportunidade para aprender Italiano... algumas coisas.

A Verdade, mesmo verdadinha é que se juntou ali na VOR uma agradável grupeta, que hoje em dia nestes zun zuns que existem, soube muito bem e muito bem sabe ter aparecido... cada um na sua, todos na mesma. Mesmo que o Benárdo não apareça...

Se foi bom??? Ó meu querido afilhado Tété, que tens o mesmo nome que eu.... Foi OPTIMO!!!


quinta-feira, dezembro 11, 2014

Os primeiros 25 do Inicio dos 25

Caro Afilhado Tété,
Amando-te aqui uma pequena carta para te contar sem delongas um fim de semana que tive, numa cidade que vivi e que também posso dizer, é minha.
A coisa tinha sido combinada por meio destas tecnologias informáticas que por aí andam que tu de certo bem conheces melhor que eu. Ora umas trocas de piropos, a montagem de um grupo para o evento, umas quantas bocas apalhaçadas entre todos e não é que até houve consenso na data???
O começo parecia auspicioso, já que os dois magníficos organizadores, ligados de tenra idade ao ramo de bem receber, e com a vantagem de serem de uma terra onde o receber bem está nos genes, lá montaram a peça.
Sexta feira seria o inicio com uma grande almoçarada, não fosse um feliz contratempo que tive e que se tudo correr bem te darei noticias no futuro, que me impediu de rumar ao norte a tempo de me sentar sobre a mesa e começar as hostilidade frugalo-gastronomicas, claro está regadas a preceito.
Cheguei à Inbicta já a noite caía naquela terra cinzenta de granito, e cimento, que muitos consideram escura e feia, a esses, considero-os cegos...
É escura, é cinzenta, tem granito, essa nobre pedra basilar da história de Portugal, que nos acompanhou pelo mundo fora também sob a forma de Padrões. Mas é linda nessa escuridão acinzentada. Tem alma, tem história tem segredos e muita energia, tem orgulho e é altiva, e tem gente com carácter e nobreza típicas daquela zona do País.
Pois, portantos querido afilhado Tété. Cheguei e estacionei as malas no quarto do hotel, a correr dei de caras com um dos meus grandes amigos ( em todos os aspectos... Grande de Tamanho, Grande de Coração, Grande de careca.... e ás vezes um grande chato do Caralio.. (hehe) )
Seguimos urgente para uma tasca conhecida, caminhando pelas ruas e pondo os anos em dia, de duas vivências afastadas pór milles de kilométros...
No primeiro embate gastronómico-frugal, dois pregos do lombo em cama de queijo da serra com fino perfeito.
E as conversas seguiam, como se a ausência de estarmos juntos à 6 anos atrás tivesse sido só uma ida á casa de banho.... talvez cagar.... .
Na verdade não parecia que o tempo tivesse passado entre nós os dois. as graças, as histórias e os palavrões. O futuro, o passado e o presente, tudo estava ali naquela altura.
Depois seguimos para o saudoso D. Castro, onde tínhamos combinado o janta, mas sem reservarmos o lugar. Lá chegamos, tudo igual. tudo na mesma...ou quase... a simpática dupla que há 25 anos atrás nos acolhia já lá não estava e quem lá estava agora não estava para nos acolher, nem por simpatia, nem por vontade.... Ali sim. os 25 anos de ausência mudaram qualquer coisa, infelizmente para pior.
Sem estarmos desesperados, mas um bocado decepcionados, lá buscamos os portas e travessas um novo poiso.
E em terra de bem receber, com gentes assim não foi dificil, ligamos a uns, falamos com outras e tudo se arranja num compromisso bastante bom. Bastou a sugestão de mais um 25anista e carregamos o passo para a taberna do Carregal.
Chegamos os dois primeiro, e depois os restantes 4, Um ele e três elas, Tanto ele como elas não víamos mesmo há vinte anos ou mais!!! E outra vez o fenómeno aconteceu.... parecia que tínhamos ido à casa de banho....
Mostram fotos contam histórias, novidades antigas, crianças aparecidas, trabalhos constantes vivências vividas... nada interessa, a amizade o carinho e a satisfação com que estávamos era a mesma quando andávamos vestidos de cozinheiros, a correr do sr.Sá que nos mostrava como o bacalhau estava salgado ou não... coitado do Papá.... e os eclairs, e o embamata ou ru, e as fardas dos restaurantes, e o Lada com o seu primo 2CV que também faziam parte dos 25 anos ( esses coitados morreram entretanto). ....
A janta passou bem regada  bem servida e bem divertida, seguindo para a noite, na Baixa que agora é a zona alta da movida, e um, dois, três...xixi cama cada um consigo mesmo... Nada mudou....

No dia seguinte avizinhava-se grande actividade lúdico-gastro-intelectual pelo almoço, mas aí os 25 anos pesam!! ui aí sim, sente-se a diferença....
Sem desarmar, claro porque a parte fraca não se mostra numa ocasião 25anual, O meu caro amigo que vive sobre a linha Equatoriana em perfeito equilíbrio e amais eu , que muitas vezes perco o equilibro a andar sobre uma linha, lá seguimos taxicamente para a Foz!!

Haa!! A Foz, a praia da Luz, esse recanto encantado de belas vistas de bons ares de maravilhosas aragens e bons petiscos e óptimos cocktails e sempre sempre com um serviço...digamos...fraquinho...
Tal qual com há 25 Anos. Nada mudou!! Nem esta nossa amiga esplanada...tudo muito igual, com alguns melhoramentos mas  o núcleo sempre adoravelmente igual.

Venham petiscos e dois Bloody Marys!! Gritamos em conjunto para a empregada coitada que não percebia se queríamos mesmo um charro ou estávamos a gozar ( até agora nem nós percebemos....)
E chegaram as pataniscas os croquetes de alheira e dois magníficos Bloody Marys, com tempero ao lado...mas faltava o gelo.... e veio o gelo e ficaram excelentes, tal como as pataniscas e os croquetes!!
E Venha mais uma rodada igualzinha á anterior, mas com pimentos do patron, presunto com crutons ( ali chamaram-nas tostas...talvez erro de tradução...) e mais dois Blody Marys que estavam excelentes!!.

Não, desculpem mas não caros senhores, Bloody Marys não podemos... não temos mais sumo de tomate.... A grande Praia da Luz no seu melhor!!

Venha vinho pois então!! e os petiscos também vinho verde por favor porque o gajo do Equador não tem deste na sua terra!! E tudo se recompôs.

Chegados ali pelas 12.00 partimos dali pelas 17.00 de volta para o Hotel onde mais 25anistas compareceram para seguirmos para o lauto jantar petiscador preparado pelos Magníficos anfitriões.
E lá estavam mais uns quantos, não sei , mas eram muitos!! E desses muitos , muitos não se viam... desde que tinham ido á casa de banho...

Ahaha, hihi, cricricri um fino umas tostas água e seguimos pé ante pé para a maior grande novidade dos últimos 25 anos. o Metro!! Apanha-se aqui deste lado, paramos no outro lado mesmo perto do mercado. Vamos lá rapaziada!! Lá fomos!! todos juntos parecíamos muitos!!
Mercado do Bom Sucesso, vinhos tapas e petiscos de novo, e de novo novas velhas caras a chegar da casa de banho... aqui confesso, de algumas não me alembrava a memória, mas bastou uma nota para tirar os esquecimentos.

hahah Hihihi e segue-se para o jantar. Maravilha!! Todos a rir , todos a gritar, todos a bater palmas, todos contentes a ver um painel na parede com fotos de época, (aí sim...tinham passado 25 anos, não tinha sido uma ida à casa de banho.!! Estávamos parecidos por dentro, diferentes por fora, mas iguais uns com os outros.!!

A janta a meio teve um momento alto de trombonofonia quase a por toda a gente de pé a dançar, e que maravilha foi ouvi-los a tocar, assim de repente lá demos um salto para os 25 anos atrás, e revivemos mais memórias , estórias e desventuras.
No painel passavam as fotos, de todos todinhos novinhos e sempre bem dispostos. Era a festa de Carnaval, eram os trabalhos extras, eram as festas e folias nocturnas eram os fins de semana de grupos eram os baptismos e estudos ( raros é certo, mas também houve disso.)

E dali seguimos para a Baixa, atulhada, cheia de fumo e boa musica. Estourados mas contentes por estarmos juntos, lá nos fomos deitar de novo, para estarmos quase frescos para o almoço e a volta.

No dia seguinte de novo nos encontramos, com um momento cultural, para fazermos uma viagem pelo nosso passado de à mais de 25 anos!! tal como o nosso passado de 25 anos aquele outro nosso passado foi grandioso, sete partilhas do mundo, conquistas e novas terras. Igualzinho aos nossos 25anistas!!

Depois, foi o ultimo almoço, o Agradecimento aos anfitriões , as fotos da praxe e cada um o rumo a seu mundo. Não sem antes se alinhavar a data de Junho ou Julho para uma nova Magna reunião!!

Em 3 dias, vivemos 25 anos. Onde o mais importante foi a amizade e a união que todos temos uns pelos outros, que não se desvaneceu num quarto de século. Foram 25 anos, mas pareceu uma ida à casa de banho.
Que continue assim, porque para mim, e de certeza para todos são estes emoções e sensações que nos fazem ricos!!  Bem hajam a todos!!

E é isso Tété, é isso que tens que querer da vida. Amizades que duram uma vida porque foram construídas sem interesses, só por amizade, e nada mais. É isso que interessa, é esse o único interesse.
Por isso Tété, se no dia que conseguires ter dessas amizades, considera-te uma pessoa rica.

quarta-feira, dezembro 03, 2014

O Nós e o Eles......

Tanta coisa passa por este pequeno País em tão pouco tempo que passa uma catrefada de tempo que não passa nada.
Mas pelo que se passou, passou o País a estar eufórico ( tanto para um lado como para o outro) como se um grande acontecimento anormal tivesse acontecido. A Noticia lá do inquilino de Évora passou a ser importante, mas só depois de levarmos com outra catrefada de peças sobre o impacto internacional da noticia e a cobertura pelos média estrangeiros é que para os Jornalistas é que a noticia passou a ser importante.
À conta delas ( da noticia e da cobertura internacional) os nossos rapazes sentiram-se o centro do mundo!! Agora sim, temos as atenções mundiais!! qual E. I., qual guerras no médio oriente, qual Palestina, qual Turquia ou Israel....
O que tá a dar é Évora!! e a linda porta esverdeada de chapa sempre guardada pelos vetustos barrigudos guarda do belo estabelecimento.
Se nos sentarmos num restaurante com uma televisão acesa, sem som, as imagens que aparecem são deprimentes.... Uma catrefada de jornalistas a filmar um muro branco a fazerem um jogo do empurra empurra para espetar um micro na boca de qualquer pseudo personalidade fideputapolitica que por lá aparece para ganhar um tempo de antena a fazer um basqueiro de injurias contra a tal da Justiça, o tal do juiz, o tal do tal qualquer que seja...
A imagem é linda!! Parede grande muro alto todo caiado de branco branquinho a reflectir a luz do inverno Alentejano ali numa das capitais do Internacional Cante!!
Essa é outra!! Agora, é que é!!! O cante agora é importante porque foi considerado importante lá fora!! e lá voltam as hordas de jornalistas, de pseudointlectuais a delirar por tamanha conquista que se junta ao Fado também...
Pobre País este... que só dá valor ao que temos cá dentro quando vem de fora..e acha que a nossa História não nos pertence...
Mas não é de agora, já tem muitos anos esta sina. também não é do tempo do velho senhor que caiu da cadeira no forte ( onde estava a passar férias, e não tinha sido mandado para lá...).
Também não vem da altura épica da infame carbonária e sua mãe, responsável primeira pelo descalabro a que chegamos.
Faz parte de nós, talvez desde as invasões francesas e do grito do ipiranga. É uma sina que se tornou intrínseca no nosso DNA  que separou o Portugal de antes com o Portugal de agora, e que ainda chega ao nossos dias.!!
Basta ver os programas de televisão sobre os nossos descobrimentos e as nossas aventuras pelo mundo. Nunca ninguém, nenhum apresentador, nenhum historiador, nenhum comentador fala na primeira pessoa do plural quando se refere aos nossos feitos pelo mundo. "Nós chegamos a Malaca..."
Falam sempre na terceira pessoa do plural  "Os Portugueses chegaram a Malaca..."
É por este pequeno e importante pormenor que NÓS vamos continuar pequenos. Porque NÓS não admitimos que FOMOS grandes. E SOMOS Portugueses, os mesmos que chegamos a todos os cantos, muito antes que outros.


quinta-feira, outubro 30, 2014

Irmã Mesmo

Eu tenho uma irmã, aliás...tenho duas, uma emprestada que é querida também e outra apresentada.
A minha irmã apresentada, é irmã mesmo, mas só de metade. Daquela metade que não quis saber dela nem de mim, mas que antes de eu me apresentar à metade, quis a minha irmã que me foi apresentada, apresentar-se a mim!!
Não me esqueço, era Inverno e num dia depois das aulas , tinha aí os meus 16 anos acho ou 14... já não me lembro bem.... A minha Mãe dá-me a noticia assim um bocado tremelicoques, á espera da minha reacção...
Reagi feliz, contente e com lágrima no olho, porque uma irmã mesmo irmã sempre tinha sido coisa que me apetecia ter tido e nunca tinha aparecido, e agora assim de repente quase do nada caía-me uma irmã ao colo. E claro que sim claro que a queria conhecer!!
Foi no Inverno , no mesmo Inverno pouco tempo depois, que se marcou o encontro. Ainda me lembro ir na auto-estrada de Lisboa para Miraflores a ver aqueles eucaliptos enorme na berma e a dizer à minha Mãe " ainda não me habituei à ideia, é muita esquisito..."
Mas lá fomos, lá chegamos, lá subimos, lá entrámos. E bem recebidos pela Mãe dela e pelos dois irmãos que são dela mas não são meus e pelo Dusty
E lá estava ela, olhos esbugalhados a olhar para mim, a rir nervosa como eu, sem sabermos o que dizer, sem sabermos o que fazer. Mas nunca mais me esqueci daqueles olhos e daquele sorriso, os mesmos que ela ainda tem sempre que a vejo e derreto-me numa mistura de carinho, orgulho, e saudade por não nos vermos mais vezes.
Fomos para a sala e lá falamos, tinha 14 ou 12 anos, já não me lembro também, mas tem menos dois anos que eu.
Começamos timidamente a dar-nos e a fazer programas com a família dela. Sempre a rir, sempre bem disposta sempre contente, sempre com aquele sorriso e aqueles olhos. E crescemos, não juntos, não separados, não nos vendo, não nos deixando de ver. Eu nunca a deixando de a esquecer, porque é a minha irmã mesmo, mesmo que só seja metade e nós mal nos vejamos.
Quando me apresentei à nossa metade comum que nunca nos quis conhecer, sempre que falava no assunto era posto de parte, e nunca daquela metade consegui uma resposta clara e concisa para juntarmos todas as metades como a minha irmã tinha feito comigo. Combinamos não falar mais em metades, para nos continuar a dar, e assim fizemos nos 8 anos que me dei com a nossa metade comum.
Mas com a minha irmã mesmo falava algumas coisas, poucas da nossa metade comum, e ainda falamos, pouco é certo, porque bem ou mal é por causa daquela metade que somos irmãos.
No fundo, vendo as coisas de longe, tanto a minha irmã como eu estamos rodeados de metades.
Gosto de dizer ás pessoas, "a minha meia irmã é meia irmã de meios irmãos de primos segundos meus", o que é verdade, e nada de incestuoso tem, e para explicar é preciso aí uns vinte minutos....
Mas é um pormenor...
O que gosto mesmo é da minha irmã. que é mãe, tia, mulher, e a melhor herança que a nossa metade comum me deixou!!