Sem musa para inscrever, sem vontade para dissertar, cabisbaixo, em baixo sem vista para a frente, com saudades do passado, sem força para o presente.
é do tempo?, é da vida?, é daquilo que não se fez?, é daquilo que se devia fazer?, sempre à procura do positivo da desculpa do negativo, sem vontade para andar, sem forças para levantar. Apaixonado? ou conformado? com medo do que vem? fraco para mudar? sem força para o presente, cansado para lutar?
é da chuva? da falta de sol? é da ilusão de ter o que não se tem? de não ter o que se tem?.
apagado, acabado?
sem saber o que lá vem?....Down.
sexta-feira, junho 07, 2013
terça-feira, março 19, 2013
A Morte do Conde de Arnoso
Transcrição do diário da nossa Bisavó Matilde sobre os últimos dias do nosso Bisavô Bernardo, feita pela minha Mãe.
BERNARDO
21-5-911
Para os meus queridos Filhos.
Não esqueçam nunca a Santa Morte do seu Pae
Pindella
21 de Maio 1911
A Mãe
Os primeiros symptomas da sua doença manifestaram-se no Mez de Fevereiro – 1911. Os diversos desgostos porque desde – 1906 tinha passado, morte do João, morte de El-Rei D.Carlos, os tristes acontecimentos dos últimos annos da Monarquia todo o sobrehumano esforço quer para A salvar, para rehabilitar a memória do seu querido Rei. Amigo, elle, insulado,e único, empregara em pôr fim um desgraçado desfalque na sua fortuna, por um homem que atraiçoou a sua confiança, tudo isto a pouco e pouco o foi esgotando, a sua sensibilidade verdadeiramente extraordinária ficou profundamente ferida.
De num dia para o outro apareceram symptomas que alertaram os médicos e aquela constituição tão robusta e bella começou a abalar-se com uma rapidez extraordinária. Feita a primeira anályse do seu estado no dia 24 de Março foi desde logo considerado perdido.
Partimos de Cascaes para Pindella no di 10 de Abril.
Alli, pela alegria de se ver entre os seus, na Casa que tanto amava, tendo nos primeiros dias umas ligeiras melhoras, tão ligeiras que eu nem cheguei a alegrar-me! Tinha sempre no ouvido e no coração cruéis palavras que no dia 5 de Abril ouvira da bocca do nosso médico e amigo, que com muita razão entendeu dever dizer-me toda a verdade. Nunca elle se enganara com doente algum da nossa família e desgraçadamente os seus prognósticos foram sempre acertados.
Não me restavam ilusões.
Esperança em Deus nunca a perdi porém. Pois sabia bem que Deus poderia fazer o milagre. Não o quiz porém que a Sua Divina vontade seja feita!
Começou então o seu e o nosso Calvário.
A fraqueza augmentava dia a dia, a vista fugira apressadamente e a tristeza crescia com a convicção cada dia mais arreigada do que o seu fim se aproximava.
Mas resignou-se, como quem tem soffrido muito e, que pela sua fé, vê na morte o princípio de uma melhor vida. Referia-se à sua morte sem amargura, sem desespero, com um socego enorme.
Até ao dia 7 de Maio poude todos os dias dar o seu pequeno passeio no jardim, mas em toda a sua maneira de ser, se notava uma grande differença. Na Capella da Casa fazia-se o Mês de Maria a que elle assistia sempre, todas as manhãs ia à Capella fazer as suas orações, mas depois de algum tempo o seu mau estar era tal que elle dizia: “já nem posso rezar”.
No Domingo 7 foi um péssimo dia. Esteve, vindo de Lisboa o Eduardo Burnay e da vizinhança dois amigos mas o seu soffrimento era bem visível. Durante essa semana augmentaram as agitações a ponto de na quinta feira 11 pedir elle próprio ao médico que lhe desse um narcótico, cousa que elle nunca consentira em tomar, levantando-se de noite muito agitado, tinha excitações tão grandes que eu receava
elle fizesse alguma loucura.
Os diversos calmantes que elle exprimentou só lhe faziam peor. Era afflictivo. Durante essa semana vieram a Pindella ve-lo vários amigos entre elles o Luiz de Magalhães e o Alberto de Oliveira, mas nenhum teve a impressão de que o fim estava próximo. Só eu que me não illudia e como o não largava nem uns instantes e o conhecia bem, via os terríveis progressos da doença. Elle de vez em quando tinha uma esperança, mas logo a perdia. “Como isto é lindo” dizia elle olhando tristemente para as árvores, o jardim, o lindo céu azul todo illuminádo de sol” “parece já o princípio da Glória”. Em Cascaes ao partir tinha ido ao correio despedir-se dos empregados que tantos annos conhecia e disse-lhes “Adeus rapazes, nunca mais cá volto” o mesmo disse ao creado Joaquim.
Foi a pouco e pouco desinteressando-se de tudo como quem já não é deste Mundo.
D’uma meiguice enorme comigo e querendo-me sempre ao seu lado, beyjando-me sempre com tanta ternura! No Domingo 14 levantou-se muito mal disposto mas com a chegada inesperada do Vicente, que elle reclamava sem cessar, alegrou-se muito e passou o dia bem, conversando com vários amigos que de Braga e de Lisboa tinham vindo. Não foi porém néssa tarde ao Mês de Maria – elle e eu sós na sala da torre, fronteira à Capella, ouvíamos as vozes que cantávam e que no meu coração echoavam tão tristemente!
Na Segunda Feira 15 Veio o Carlos Ferreira como era a primeira vez que este vinha a Pindella, quis mostrar-lhe a casa e com elle andou por toda a parte, mas cansando-se bastante! Terça Feira foi ainda até à horta. À noite na sala cheio de tristeza com os seus sofrimentos que ouvia ler dizia:”É isto que eu agora estou a pagar”
Quarta Feira annos da sua afilhada Gracia, não quis levantar-se, sentia-se mto fraco, nto mal disposto. A noite tinha sido medonha de agitações e allucinações. Pelas 3 horas porém, lelvantou-se e n’um grande mau estar foi até à varanda aonde nesse instante se sentou mas logo quis ir para a sala, por sentir mto frio.
Alli passou o resto da tarde n’um grande desassocego, com uns movimentos de louco que mto impressionavam. Não podia parar quieto, tudo o incomodava. Durante o nosso jantar, a todo o momento entrava na sala, receando estar só, ter qualquer cousa O médico assegurava que tudo eram nervos, que o novo narcótico que trazia lhe daria uma boa noite de sonno. Nervos! Chegou esse momento. Tomou com grande repugnância o remédio – adormeceu.
De tarde na sala tinha chegado às 3 janellas que deitam para differentes lados e com a mão fizera o gesto de “Adeus” e voltando-se para o velho creado António disse “Já me despedi de tudo”
O médico a pedido meu ficara no corredor do nosso quarto, para assistir aos terríveis attaques de alucinação que todas as noites o affligiam e que ninguém comprehendia nem explicava. Deitei-me também mas hora e meia depois acordava com o meu Bernardo a levantar-se de um ímpeto dirigindo-se como louco para a janela. Gritei “Bernardo” elle voltou para traz e caiu de bruços meio deitado na
Cama banhado em sangue. Com o barulho a Anna apareceu e veio ver o que era. Eu já a pé gritei-lhe que me trouxesse o médico. Este veio, deitámos o Bernardo, mas logo a seguir elle tornou-se a levantar com uma força hercúlea, empurrando o médico, gritando que o deixassem. Estava fora de si. Logo porém reconheceu a sua impaciência, pediu perdão ao médico e serenamente se tornou a deitar. Mas… pouco durou. Recomeçaram as afflicções, não socegou. Na cama nada o retinha. Vieram todos, então percebi que o momento era grave.. Minha cunhada veio perguntar-me se eu queria um padre! Era então certo! Corri ao médico que tinha deixado o quarto e pedi-lhe que me disséce com toda a franqueza se era grave “gravíssimo” Bastou-me. Agora era preciso pensar na alma, essa sim tão bella e que eu tanto adorava. Mas nada receei! Conhecia de sobra a sua fé em Deus agradar-me-hia. Com o coração despedaçado fui para elle e, como dias antes lhe dissera começaríamos uma Novena de Comunhões por sua intenção e elle me tinha dito que desejava associar-se a ella, foi esse o pretexto que tomei.
Elle nunca se tinha recusado a Cumprir esses Sagrados Deveres … ainda, já mto doente, antes de deixarmos Cascaes, tinha com enorme sacrifício phisico ido receber o Nosso Senhor. Disse-me portanto, que tinha chegado o dia de começar-mos a Novena e que o Padre tinha vindo de madrugada para dar prazer à Mãe e que visto elle me ter dito que tomara parte na Novena – estar agora acordado talvez quizésse ser elle o primeiro. Não se iludiu mas não se espantou, recebeu esta ordem com a maior tranquilidade, sabendo perfeitamente do que se tratava e respondeu logo:”Sim tudo o que tu queres”
Durante esse momento de calma confessou-se e eu cá fora de joelhos contra a porta com as mão sobre o coração para comprimir os meus pecados, pois parecia-me que elle estorava, ouvia de vez em quando: “Não, não tenho” E não tinha com certeza quasi pecados, elle que era tão bom. Quando o Padre sahiu e eu voltei para o pé d’elle disse-me: “ainda bem que me confessei, agora quero receber o Nosso Pae, quero a Extrema Unção, quero tudo”
Com a certeza que lhe démos e que nada lhe faltaria, sossegou e adormeceu. Quando acordou e soube que principiava a Missa na Capella recomeçou desossegadamente a pedir a Santa Comunhão.
Veio enfim e com toda a solenidade. Adeante o João Affonso com o grande Chisto, o Padre com o Santo Sacramento debaixo da Umbella e a seguir toda a família, todos os creados. Não esqueço nunca mais semelhante comovente Comunhão Elle na sua grande cama com a voz mto fraca nessa manhã mto abatido disse: “Vêem todos! Até os creados, obrigada meus Irmãos” Peço perdão a todos,a todos perdou as injustiças que lhe fizeram, perdou à Família toda que foi tão injusta com migo” recebeu o Senhor no seu querido coração repetiu com nosco as orações, recebeu a Santa Unção, agradeceu a todos. A pobre Mãe veio dar-lhe um beijo e elle disse-lhe “Minha Mãezinha o teu filho vae morrer” Não morre não meu filho, mas se morrer vae para o Céu “vou e estimo muito”
Como dá Deus força assim aos que n’Elle confiam! Com que serenidade – com que paz veêem vir a morte aquelles que crêem na Vida Eterna e que deixam nesse Mundo as tristezas para uma felicidade sem egual. Elle que foi neste Mundo tão festejado, que ocupou uma tão linda situação, que teve todo o goso e prazer que um homem póde ambicionar, deixou tudo, sem uma queixa, sem uma lágrima, forças encontrou na sua fé, e na sua paz da sua consciência nessa confiança enorme na terrível viagem. Felizes esse todos. É numa fé assim que eu espero conservar e espero ver nos meus filhos.
Depois dos seus deveres tão cuidadósamente cumpridos socegou e adormeceu, sem contudo que o médico deixasse de ter as mesmas inquietações e que o seu estado conservasse a mesma gravidade. Telegraphámos para toda a família dando parte do tristíssimo estado do meu Bernardo e todo o meu desejo foi conseguir que o nosso filho que estava em Inglaterra viesse receber a última Bênção do tão bom, tão excepcional Pae
O dia de quinta feira 18 foi bastante afflictivo, d’esse grande mau estar e desassocego repetidas vezes dizia como se sentia feliz por ter recebido a Deus no seu coração, por estar tão bem preparado, que não receava morrer, só tinha pena de todos. Chamava mto pelo irmão e dizia-lhe ternamente adeus e virando-se para a Amália, repetia vezes nesses últimos dias:”Amália sou muito seu amigo e custa-me tanto vir aqui para lhe dar este trabalho e desgosto”. Falou com todos os filhos dizendo-lhes e a mim:”sejam sempre mto amigos e unidos como até aqui”
Ao Dr Delphim que foi chamado da Villa e que lhe disse ao chegar:”Então Senhor Dr. Isto o que é? Vamos a tratar de o pôr bom” este respondeu: “Não Doutor não põe, eu vou morrer, mas não tenho medo da morte, já recebi o Senhor e a Estrema Unção e morro com a consciência de ter sempre cumprido o meu dever” o João Afonso veio despedir-se por ter de voltar para Braga para as aulas e lhe disse elle :”Sê sempre muito bom, muito respeitador do teu Pae, que é um grande homem de bem” Adeus meu filho, não me tornas a ver”. A noite foi horrível de sofrimento. Vieram os sobrinhos de Braga que lhe quis ver e pediu perdão à mulher do Sebastião de Lencastre dizendo-lhe elle: “Adeus vou morrer, dá me um beijo e perdoa-me todo o mal que te fiz (referia-se à grande oposição que fizera ao seu casamento com o João) e diz à tua mãe que sempre a respeitei muito”.
Pelas 3 da manhã começou em grande ansiedade pela chegada do Lencastre que esperava n’essa manhã às 10 horas; a todo o momento perguntava as horas e quanto tempo faltava para elle chegar, dizendo sempre: “dizem que só se morre de madrugada, já o Lencastre não vem a tempo”! Chegou porém; elle teve muita alegria em o ver, animou-se com elle, queria-o sempre ao pé de si, mas logo que elle partiu ficou como se já não esperasse nada mais do Mundo! Não mais se referiu ao Lencastre nem à sua promessa de o vir buscar na segunda feira seguinte. Soffreu todo o dia, mas com resignação!
Minha Mãe, o seu grande amigo Themudo quer vir e dar-lhe o último adeus, todos estavam impressionadíssimos. Ao Themudo disse: “Themudo o teu amigo vae morrer vaes ficar só” Agradeceu mto a minha Mãe ter vindo dizer-lhe :”sou mto mto seu amigo. A noite passou-a com essas enormes afflicções, sem ter posição na cama, sempre a levantar-se. Mas sempre com a mesma serenidade e resignação só lamentando não ter “morrido hontem, que eu estava tão bem preparado”.
A Thereza Bretiando trouxe de Braga a Virgem Milagrosa da “Senhora da Torre” dizendo que talvez Ella fizesse o Milagre. Elle pegou na Virgem e disse: “Talvez mas eu soffro muito e era tão bom ter morrido hontem..” de madrugada estando eu estendida sobre a cama de estafada que me sentia adormeci, mas acordei sentindo o debruçado sobre mim, a pedir-me um beijo e meu irmão fez-me levantar pois os médicos sentiam que o pulso falhava e julgavam era chegado o momento. Como de costume pedi-lhe que rezasse com migo o que elle fez sempre da melhor vontade até ao fim. Vieram todos e elle vendo-os à roda da sua cama nem. se impressionava. A todos dizia numa ternura, para todos olhava com uma expressão tão doce. Durante bastante tempo, pensei que a vida lhe fugia. No jardim, ao raiar d’aurora um melro todos os dias nos acordava com o seu cantar tão bello e o Bernardo todos os dias que durou o seu martyrio, tinha uma grande anciedade por ouvir este signal do dia e perguntava mtas vezes se o melro ainda não tinha cantado, tinha sempre a ideia de que morria pela madrugada e desejava mto ouvir o melro.
O melro cantou e elle socegou. Voltou a si, foi-se reanimando e os médicos tornaram a dizer que ainda não seria então. Que robusta constituição a sua! Sim as vezes que o julgavam a morrer! O dia de sábbado foi medonho. Enfraquecia a olhos vistos, mas sofria tanto que não podia estar socegado um momento. Da cama para o sofá e outra vez para a cama, assim passou o dia.
Grandes coágulos de sangue tapavam a respiração e que os expelia com uma difficuldade enorme.
O pulso falhava constantemente e o Eduardo Burnnay que tinha chegado querendo-lhe dar uma injecção de canphora. Quis porém vestir-se e ainda acompanhado foi até à janella mas para logo voltar para a cama e assim se passou o dia de sábbado repetindo nos a todos mtas ternuras, mtos conselhos, gemendo a todo o instante. Ver o “meu irmão que tanto adoro”.
O Vasco e Bertha chegaram também o que muito gostou dizendo lhes que dissessem aos Sabugosas que tanto sentia não os tornar a ver. À Mãe “Mãezinha, custa-me tanto, dar-te este desgosto, voltava-se para mim devez em quando a pedir beijos e dizia “Sou muito teu amigo, vaes ficar viúva”! E repetia-nos mtas vezez a saudade que tinha de nos deixar. Chegou a noite e pelas 11 horas nova crise mais longa ainda do que as outras. Durante horas todos no quarto esperávamos o ultimo suspiro.
Vieram os Padres, recebeu os Escapulários de Nossa Senhora do Carmo que beijou ternamente dizendo-me que queria tudo o que eu quizésse, recebeu as últimas Bênçãos. Rezaram-se as orações da Agonia e elle deitado sobre o lado direito parecia acabar a todo o instante. Eu de pé ao seu lado nem respirava, e de repente, tendo em frente de mim a Imagem da Senhora da Torre toda iluminada, pedi-lhe com extraordinário fervor: “Nossa Senhora da Torre, fazei o Milagre” e logo elle abriu o olhos e disse: “Como custa morrer meu Deus!” Estão todos aqui, vão-se deitar, deixem-me só, não se cansem por minha causa, leva tanto tempo a morrer!
Antes d’esta crise tinha pedido a todos os filhos e à Maria do Carmo disse : sê sempre mto boa, levo-te no meu coração, e voltando se para a Anna sê sempre boa para a tua irmã” Falando-lhe eu nos pequeninos e no nosso Bernardo, que estava fora disse tristemente:” e os pequeninos coitadinhos! Ao Bernardo nada tenho que lhe recomendar, só que seja mto bom rapaz, tudo lhe dizia sempre nas minhas cartas”.
Depois de ter voltado a si da grande crise agradeceu ao Pde. Joaquim que alli estava, tudo o que quer elle fizera repetindo e falando que não tinha medo de morrer, pois tinha sempre cumprido o seu dever.
Como o visse mais socegádo pedi a todos que sahissem, pois os médicos de novo reconheceram que o fatal momento ainda não tinha chegado e disse-lhe a elle: Vaes melhorar, Nossa Senhora da Torre vae fazer o Milagre” olhou-me com imensa ternura e disse: “julgas?” Tenho a certeza,vaes ver que estiveste mto afflicto, mas já estás melhor? “Sim, é verdade, ai se Deus quizer” (repetiu mtas outras vezes esta phrase d’ahí por deante). Com os alívios que sentiu, renasceu a esperança e chegou a ter desejos de se curar. Obrigaram-me a deitar-me um bocado ficando com elle o Eduardo Burnnay, a Anna, e a Maria d’Agonia que abraçava mtas vezes recomendando-nos a todos que nunca o abandonássemos, que nunca lhe faltasse nada.
Logo porém depois de me pegar no sonno, ellecomeçou a chamar por mim e e disse-me que com tal angústia:” A Matilde aonde está ella, chamem a minha Matilde”. Como quizéssem que eu descançasse disseram-lhe que eu dormia, que era melhor não me chamarem “Pois bem vou eu pelo meu pé buscá-la, que tem que eu a vá buscar, ella é a minha mulher”. Pediram para fazer-lhe a vontade e eu hoge deploro bem essas horas que passei longe d’elle . Exegiu que eu me estendesse sobre a cama a seu lado – dei-lhe mtos beijos. Começou então o dia de Domingo, o último d’esta vida, mas o dia da sua Glória! O soffrimento era menor custava-lhe porém mtº a engolir e isso dava-lhe a certeza de que a morte se avisinháva “É bem certo agora que morro, pois se não posso engolir, como posso viver?” O olhar embaciava-se, a voz enfraquecia, a boca um pouco ao lado transtornava-lhe a phisionomia. A voz entramelava-se, mas durante todo o dia começava o Padre Nosso, e a Ave Maria, ou “Dae-lhesSenhor”, nós acabávamos a oração o que mtº o alegrava. Rezou assim constantemente e beijava ternamente o Crucefixo e o Escapulário.
Uma vez voltou-se para mim e ajudado por nós disse (1):Os meus discursos quero que se publiquem.
Ao Bernardo quero que se lhe faça o smoking que elle desejava. Não vendas Tarrio conserva aquilo por causa da minha Mãe, para estarem todos juntos. “d’outra vez disse-me :”sou muito teu amigo, mas vão pedir ao Lencastre para me curar” O nosso Bernardo devia chegar nessa noite e os médicos faziam tudo para lhe prolongar a vida, mas elle fugia a passos largos. 6 horas da tarde, foi nesse dia lindíssimo com as janellas abertas sobre o campo todo em flor. Cheguei as roupas ao Bernardo – arranjando-lhe as almofadas disse-lhe:”Vae dormir um bocado, estas assim comodanente e vae fazer-te bem” “pois sim, talvez”. Nunca mais fallou! Sem mudar de posição, mais duas vezes abriu os olhos, sentindo alguém entrar no quarto, mas não teve mais momento algum consciente. Entrou no estado comatoso – durante 1 ½ horas assistimos ao apagar sereno e calmo d’aquella nobre alma. Ainda recebeu a Bênção Papal e às 7 e 40 do dia 21 de Maio, as mãos sobre as minhas, rodeado de todos os que amava excepto o nosso filho Bernardo, na Casa de seus Paes, como bem justo, n’esse silêncio e d’uma paz imensa deixou este Mundo, para outro melhor e eterno, o melhor dos homens, o mais belo, o mais dedicado aos amigos e o mais adorado dos maridos. Com elle se foi a minha felicidade,a alegria da minha alma. Está no Céu! Seja feita a vontade de Deus! E que a sua vida e a sua morte sirvam d’exemplo aos seus enternecidos filhos
(1) – “Olha que o meu enterro é d’aqui para a estação”
terça-feira, fevereiro 19, 2013
Entre Touros, Touradas, e outras andanças
Sou, como se diz, aficionado. Acho que é a palavra mais associada à Tourada, aos toiros e ao mundo que o rodeia. Estava agorinha mesmo no Facebook a falar sobre isso mesmo, quando me veio à moleirinha esta minha provável dissertação.
Infelizmente não vou tanto ás corridas como gostaria. É mais correcto dizer que sou um aficionado não praticante. Mas mesmo assim quando vou ao Campo Pequeno, gosto principalmente de admirar o espectáculo triste e a chinfrinada que fazem à porta aqueles papalvos que se dizem defensores dos direitos dos animais...
Gosto de os ver gritar, berrar, chamar nomes, ofender, bater em latas, cuspir no chão, beber cerveja, fumar ganzas e outras coisas ilícitas acenar cartazes. É um espectáculo interessante. Ver que ali estão os verdadeiros "amigos" dos touros.... Dizem eles....estão no seu direito, e eu respeito que façam tal alarido. Gosto de pessoas com convicções. É importante nos dias de hoje ver essas pessoas ...ou coisas...manifestarem-se. Mas sinceramente......
Se fossem verdadeiros "amigos" dos Animais, e então como demonstram ali, amigos dos touros. Não hesitariam em se dirigirem ao campo, às lezirias, aos montados, aos cercados e a outros tantos locais por onde o touro bravo ainda habita, e recolher estes pobres animais, que sim, é verdade, sofrem na praça..
Recolhê-los, apaparicá-los, mimá-los, darem-lhes instalações dignas para estes animais, que coitados vivem à solta sem um tecto para se abrigarem, vivem ao frio, à chuva, sem comida própria, muitas vezes sem água por causa da seca, sem sombra por causa do calor.
Não percebo porque é que as Associações dos direitos dos Animais, ainda não fizeram, campanhas na rádio, tv e outros meios, para promover junto da população em geral e em alguns em particular, a adopção de um exemplar destes. Assim, certamente os pobres animais iriam viver com melhores condições, e acabava-se de uma vez por todas com esta praga da sociedade.
Adoptar um Touro, é na verdade um acto de caridade, livramos os animais de irem para as praças sofrer. Acabamos com as ruidosas manifestações e aglomerados indesejados. As praças, que deixam de servir para as funções podem ser demolidas e assim revitaliza-se a construção civil, no espaço antes ocupado, pode-se sempre construir um Shopping, ou quiçá um condomínio fechado.
Não percebo como é que as Associações dos Direitos dos Animais, ainda não avançaram com uma rede no Facebook para adoptções. Tipo "Tenho um touro, Quero um Touro"
Ter um touro em casa pode ser um sinal de estatuto social, "protejo os animais, sou bom cidadão" e só traz vantagens. Um touro é um óptimo "cão" de guarda. Não estou a ver o larápio entrar em casa com umas couves envenenadas para por o animal a dormir.
É um companheiro infatigável sempre a correr atrás do dono. Tem um jardim? alugue um touro por vários dias, é óptimo para aparar e adubar a relva.
E se tem insónias, não há nada melhor que um touro para o por a dormir!!.
O touro é talvez, um dos melhores amigos do Marido, é o ideal para espantar a sua sogra!!
É também o melhor amigo da mulher, acabam-se os amigos do marido na sala aos berros a ver os jogos da bola.... ficam todos em silencio e muuuito quietinhos.....
Eu, se fosse das Associações dos direitos dos Animais, ia já a correr explorar este filão!!!
Porque se somos mesmo amigos dos animais, não vale só fazer barulho e berrar aos quatro ventos a dizê-lo. Há que mostrar com actos!!!
Senão é fácil......Também sei gritar.
Infelizmente não vou tanto ás corridas como gostaria. É mais correcto dizer que sou um aficionado não praticante. Mas mesmo assim quando vou ao Campo Pequeno, gosto principalmente de admirar o espectáculo triste e a chinfrinada que fazem à porta aqueles papalvos que se dizem defensores dos direitos dos animais...
Gosto de os ver gritar, berrar, chamar nomes, ofender, bater em latas, cuspir no chão, beber cerveja, fumar ganzas e outras coisas ilícitas acenar cartazes. É um espectáculo interessante. Ver que ali estão os verdadeiros "amigos" dos touros.... Dizem eles....estão no seu direito, e eu respeito que façam tal alarido. Gosto de pessoas com convicções. É importante nos dias de hoje ver essas pessoas ...ou coisas...manifestarem-se. Mas sinceramente......
Se fossem verdadeiros "amigos" dos Animais, e então como demonstram ali, amigos dos touros. Não hesitariam em se dirigirem ao campo, às lezirias, aos montados, aos cercados e a outros tantos locais por onde o touro bravo ainda habita, e recolher estes pobres animais, que sim, é verdade, sofrem na praça..
Recolhê-los, apaparicá-los, mimá-los, darem-lhes instalações dignas para estes animais, que coitados vivem à solta sem um tecto para se abrigarem, vivem ao frio, à chuva, sem comida própria, muitas vezes sem água por causa da seca, sem sombra por causa do calor.
Não percebo porque é que as Associações dos direitos dos Animais, ainda não fizeram, campanhas na rádio, tv e outros meios, para promover junto da população em geral e em alguns em particular, a adopção de um exemplar destes. Assim, certamente os pobres animais iriam viver com melhores condições, e acabava-se de uma vez por todas com esta praga da sociedade.
Adoptar um Touro, é na verdade um acto de caridade, livramos os animais de irem para as praças sofrer. Acabamos com as ruidosas manifestações e aglomerados indesejados. As praças, que deixam de servir para as funções podem ser demolidas e assim revitaliza-se a construção civil, no espaço antes ocupado, pode-se sempre construir um Shopping, ou quiçá um condomínio fechado.
Não percebo como é que as Associações dos Direitos dos Animais, ainda não avançaram com uma rede no Facebook para adoptções. Tipo "Tenho um touro, Quero um Touro"
Ter um touro em casa pode ser um sinal de estatuto social, "protejo os animais, sou bom cidadão" e só traz vantagens. Um touro é um óptimo "cão" de guarda. Não estou a ver o larápio entrar em casa com umas couves envenenadas para por o animal a dormir.
É um companheiro infatigável sempre a correr atrás do dono. Tem um jardim? alugue um touro por vários dias, é óptimo para aparar e adubar a relva.
E se tem insónias, não há nada melhor que um touro para o por a dormir!!.
O touro é talvez, um dos melhores amigos do Marido, é o ideal para espantar a sua sogra!!
É também o melhor amigo da mulher, acabam-se os amigos do marido na sala aos berros a ver os jogos da bola.... ficam todos em silencio e muuuito quietinhos.....
Eu, se fosse das Associações dos direitos dos Animais, ia já a correr explorar este filão!!!
Porque se somos mesmo amigos dos animais, não vale só fazer barulho e berrar aos quatro ventos a dizê-lo. Há que mostrar com actos!!!
Senão é fácil......Também sei gritar.
quinta-feira, janeiro 31, 2013
Perditos de 2CV
Estávamos entre os 20 e os 17. Éramos uns quantos, creio que oito. Era a primeira vez que o Lipe ia de Lisboa a guiar o seu 2CV, acabadinho de tirar a carta. Com ele foram mais dois, os restante seguiram como de costume com o João na "já nossa" 504 companheira de aventuras sempre super visionados pelo já dito João.
A viagem foi como sempre alegre, a aprender as modinhas Alentejanas, as cantigas picante que o João pedia para não repetirmos e a ouvir a velha cassete com os Jeferson Airplane.
Era Verão isso lembro-me!! e íamos todos para lá de Beja, lá de Serpa, perto de S. Bento, ainda naquela altura Aldeia Nova, agora com o progresso em marcha promoveram-na a Vila.
As estradas da Aldeia à casa eram ainda de terra batida. 12 kilometros de terra esburacada, poeirenta e quente, onde se contava as vezes que a carrinha caía nos buracos....170 vezes, 190..... 212 foi o record gravado. A lado a planície Alentejana em toda a sua pujança de verão, cigarras a cantar vacas e ovelhas debaixo dos poucos sobreiros e um silencio onde só se ouvia o calor.
Chegados ao monte, a primeira coisa a fazer foi pegar no jeep, e irmos para o rio tomar banho. O rio, de nome Chança, que corre de cima para baixo como todos os rios, e desagua no Guadiana, que desagua no mar como outros tantos. De um lado terras de nuestros hermanos cobertas de esteva. do nosso lado o monte das Latas, posto de guarida de longos anos de vidas de salto e contrabando, naquela altura uma ruína abandonada pela força das foices e martelos que assolaram o País nos tristes anos setenta. Ali continuava sentinela, sem telhado, sem ombreiras sem vida. Actualmente já não é assim, o mesmo que foi roubado e escorraçado voltou a reconstrui-lo e a embelezá-lo.
No rio a água a correr fraca mas fresca daqui para ali, dava sobejamente para nos refrescar. Banhos rápidos em fundo curto, e enquanto nos secávamos despachávamos umas minis providencialmente trazidas na geleira de cortiça atulhada de gelo...e cerveja ou vice-versa.
Acabamos os banhos, voltamos a casa, ou ao monte. E lá á nossa espera naquele terraço grande com vista até ao fim do mundo e mais um bocadinho lá estavam o Lipe e mais os seus dois primeiros passageiros.... brancos, pálidos, zombies...semi-vivos... meio-mortos....
Chiça!! que o gajo é doido!!! viemos a 140 no 2CV a passar tudo e todos...sinais encarnados nem vê-los, na portagem parou 2 metros á frente e fez marcha atrás.... Pourrra!!!
Mas o Lipe calmamente respondeu... Medricas!!
A coisa ficou por ali. Para aproveitar ainda o resto do dia, antes da noite chegar, fizemos-nos á barragem junto ao monte, á cata de cagados. JRM demonstrou uma perícia exímia na arte de apanhar os ditos. No meio do lodo, camuflados nas ervas podres, a boiar entre as bostas das vacas.... foi a todas.
Trouxemos para casa uns 30 ou quase 40, dentro de um balde de água que se tornou pesado.
Chegados ao monte, providencialmente deixamos-os dentro da tina, para se sentirem mais à-vontade e não fugirem.
Durante o jantar, á volta daquela mesa redonda, agora rectangular, lá nos rimos das "estórias" daquela grande aventura de 2CV.
Janta acabada, seguimos para a sala para o café. A lareira não ardia, no Verão, não faz sentido, o calor e o aconchego vinham de fora, das estevas, das cigarras e da terra aquecida pelo sol durante todo o dia.
Conversa para aqui, risada para ali, acabávamos sempre de resolver os grandes dramas e problemas da nação. Nunca tivemos ninguém aproximadamente ligado á musica, ou poesia ( sem ser a brejeira e erótica) que nos embalasse os serões, mas resolvíamos todos os problemas do País e até do mundo.
Divertimento certo era o Cardeal Pafe. Homem de grande espiritualidade e religião que nos consumia serões inteiros a dissertar sobre as suas teorias Baquicas. Muitos sucumbiram , muitos se converteram, e houve um, que tomou os votos com whiskey em vez de vinho.....continua assim!!.
Deitámos-nos, cansados , satisfeitos e contentes. Sendo todos, no fundo miúdos, não houve cerimónia nem mordomias. Tudo para a camarata, onde seis beliches nos esperavam juntos com uns balneários simples mas luxuosos. 3 duches, 2 pias e 4 lavatórios. Siga e Soma!!.
Depois das escolhas, das arrumações da luz apagada, sono profundo...até que, de madrugada, com que se feitiço se tratasse, acordam 4. Os 4 mais velhos. Lusco-fusco, semi claridade, os outros "putos" profundamente a dormir o sono dos justos.... coincidencia ou não foram os 4 mais velhos que se levantaram arranjaram e subiram para o pequeno almoço.
Á volta da mesa, planeando a jornada do dia de férias que estava pela frente... rio.... tiro aos pratos, ... snooker na aldeia..... mais cagados.... Houve um que saiu com uma original.... E se fossemos visitar as gémeas???
Ideia genial, aprovada por unanimidade e assinada 3 vezes por baixo. Siga a marinha!!! 2 CV com eles e cá vamos nós visitar as gémeas!!!.
Mas... no 2Cv só cabem 4!!... e os outros? os outros??, estão a dormir, são mais novos divertem-se entre eles!! Nós os Homens vamos visitar as Gémeas!! tá decidido.
Bora!! tudo pó 2 CV, aqui vamos nós, toalha, fato banho e siga. capota aberta que está calor e siga... e seguimos!! de Perditos até Albufeira... parecia perto, isso parecia... eram só 250km.... mas num 2 Cv, sem autoestradas, fazia-se num instante.... se fossemos a abrir, tipo....100KM/H.... e lá fomos zunga tunfa e pica na burra!!! tanto tanto que o o Lipe, o condutor encartado, quase atropelou uma carroça de burros que calmamente seguia a seu passo na berma. Milagre dos burros, milagres dos 2 cv que a tempo avisamos que se avistava a dita carroça na via de rodagem....
Posto o perigo á superfície, o consenso dos aldeões chegou a uma conclusão... o dono do carro iria dar o lugar ao outro único encartado... e assim foi.... viagem santa até Albufeira para ir ter com as Gémeas que estavam em Sta. Eulália!!!.
É espantoso as combinações sem telemóvel.... só telefonámos antes de sair para a Quinta da Balaia, a dar o recado que íamos lá ter. Fomos lá ter e encontramos-las... deitadas na areia a aproveitar o sol e os banhos quente da praia.
Meia surpresa, as gémeas , disseram.nos, adoraram... lá passamos o dia entre banhos e conversa, entre flirt's e piadas, sem mal nem subentendidos. Um almoço na tasca ali em cima da falésia com o pescador que pescava o pescado ali em frente tal qual um Chanquete.
Dia passado, bem passado, lá nos metemos de novo no 2CV encarnado ( ou vermelho para alguns menos...). Felizes e contentes pela a aventura rodoviária, chegamos ao monte em cima da hora do Jantar. O Putos, nem um sorriso esboçaram, apesar do Lipe ter deixado um bilhete a dizer ao que íamos... os dentes que vimos foi só de raiva.
Depois do jantar, onde o ambiente estava meio morto quase surdo, onde só os anciãos se riam e vangloriavam da aventura, nem o café sobe bem nem o cardeal Pafe apareceu.
Seguimos todos para a cama á espera da famosa cama á espanhola em cada um....mas nada.... afinal os putos não ficaram tão chateados como pareciam...pensamos.
Pijama vestido, dentes lavados, lá nos deitamos á espera de qualquer represália....nada....dormiam que nem uns anjinhos de sorriso casto.
Logo pela manhã ao levantar como todos os dias e os seguintes, cada um seguiu para o lavatório, toca a lavar a cara, os dentes as mãos, e seguir para o pequeno almoço....e....nada....
Foi giro ontem divertiram-se? ainda bem....
Os dias foram passados assim num misto de expectativa e desconfiança, que eram absorvidas pela amizade que nos unia e as brincadeiras que nos divertiam....
Nada, ...nenhuma represália, nada....
Voltamos felizes das ferias das aventuras e das colectas de cágados que trouxemos e vendemos a umas quantas lojas de Lisboa e Cascais. Orgulhosos e felizes pela venda e o dinheiro colectado, logo pensamos numa nova ida ao monte. Logo imaginámos riquezas exuberantes à conta dos cágados!!!
Até que um ou dois anos depois nos contaram....
Sabem porque é que venderam tão bem os cagados?..... Foram todos limpos e lavados com as vossas escovas de dentes!!!
A viagem foi como sempre alegre, a aprender as modinhas Alentejanas, as cantigas picante que o João pedia para não repetirmos e a ouvir a velha cassete com os Jeferson Airplane.
Era Verão isso lembro-me!! e íamos todos para lá de Beja, lá de Serpa, perto de S. Bento, ainda naquela altura Aldeia Nova, agora com o progresso em marcha promoveram-na a Vila.
As estradas da Aldeia à casa eram ainda de terra batida. 12 kilometros de terra esburacada, poeirenta e quente, onde se contava as vezes que a carrinha caía nos buracos....170 vezes, 190..... 212 foi o record gravado. A lado a planície Alentejana em toda a sua pujança de verão, cigarras a cantar vacas e ovelhas debaixo dos poucos sobreiros e um silencio onde só se ouvia o calor.
Chegados ao monte, a primeira coisa a fazer foi pegar no jeep, e irmos para o rio tomar banho. O rio, de nome Chança, que corre de cima para baixo como todos os rios, e desagua no Guadiana, que desagua no mar como outros tantos. De um lado terras de nuestros hermanos cobertas de esteva. do nosso lado o monte das Latas, posto de guarida de longos anos de vidas de salto e contrabando, naquela altura uma ruína abandonada pela força das foices e martelos que assolaram o País nos tristes anos setenta. Ali continuava sentinela, sem telhado, sem ombreiras sem vida. Actualmente já não é assim, o mesmo que foi roubado e escorraçado voltou a reconstrui-lo e a embelezá-lo.
No rio a água a correr fraca mas fresca daqui para ali, dava sobejamente para nos refrescar. Banhos rápidos em fundo curto, e enquanto nos secávamos despachávamos umas minis providencialmente trazidas na geleira de cortiça atulhada de gelo...e cerveja ou vice-versa.
Acabamos os banhos, voltamos a casa, ou ao monte. E lá á nossa espera naquele terraço grande com vista até ao fim do mundo e mais um bocadinho lá estavam o Lipe e mais os seus dois primeiros passageiros.... brancos, pálidos, zombies...semi-vivos... meio-mortos....
Chiça!! que o gajo é doido!!! viemos a 140 no 2CV a passar tudo e todos...sinais encarnados nem vê-los, na portagem parou 2 metros á frente e fez marcha atrás.... Pourrra!!!
Mas o Lipe calmamente respondeu... Medricas!!
A coisa ficou por ali. Para aproveitar ainda o resto do dia, antes da noite chegar, fizemos-nos á barragem junto ao monte, á cata de cagados. JRM demonstrou uma perícia exímia na arte de apanhar os ditos. No meio do lodo, camuflados nas ervas podres, a boiar entre as bostas das vacas.... foi a todas.
Trouxemos para casa uns 30 ou quase 40, dentro de um balde de água que se tornou pesado.
Chegados ao monte, providencialmente deixamos-os dentro da tina, para se sentirem mais à-vontade e não fugirem.
Durante o jantar, á volta daquela mesa redonda, agora rectangular, lá nos rimos das "estórias" daquela grande aventura de 2CV.
Janta acabada, seguimos para a sala para o café. A lareira não ardia, no Verão, não faz sentido, o calor e o aconchego vinham de fora, das estevas, das cigarras e da terra aquecida pelo sol durante todo o dia.
Conversa para aqui, risada para ali, acabávamos sempre de resolver os grandes dramas e problemas da nação. Nunca tivemos ninguém aproximadamente ligado á musica, ou poesia ( sem ser a brejeira e erótica) que nos embalasse os serões, mas resolvíamos todos os problemas do País e até do mundo.
Divertimento certo era o Cardeal Pafe. Homem de grande espiritualidade e religião que nos consumia serões inteiros a dissertar sobre as suas teorias Baquicas. Muitos sucumbiram , muitos se converteram, e houve um, que tomou os votos com whiskey em vez de vinho.....continua assim!!.
Deitámos-nos, cansados , satisfeitos e contentes. Sendo todos, no fundo miúdos, não houve cerimónia nem mordomias. Tudo para a camarata, onde seis beliches nos esperavam juntos com uns balneários simples mas luxuosos. 3 duches, 2 pias e 4 lavatórios. Siga e Soma!!.
Depois das escolhas, das arrumações da luz apagada, sono profundo...até que, de madrugada, com que se feitiço se tratasse, acordam 4. Os 4 mais velhos. Lusco-fusco, semi claridade, os outros "putos" profundamente a dormir o sono dos justos.... coincidencia ou não foram os 4 mais velhos que se levantaram arranjaram e subiram para o pequeno almoço.
Á volta da mesa, planeando a jornada do dia de férias que estava pela frente... rio.... tiro aos pratos, ... snooker na aldeia..... mais cagados.... Houve um que saiu com uma original.... E se fossemos visitar as gémeas???
Ideia genial, aprovada por unanimidade e assinada 3 vezes por baixo. Siga a marinha!!! 2 CV com eles e cá vamos nós visitar as gémeas!!!.
Mas... no 2Cv só cabem 4!!... e os outros? os outros??, estão a dormir, são mais novos divertem-se entre eles!! Nós os Homens vamos visitar as Gémeas!! tá decidido.
Bora!! tudo pó 2 CV, aqui vamos nós, toalha, fato banho e siga. capota aberta que está calor e siga... e seguimos!! de Perditos até Albufeira... parecia perto, isso parecia... eram só 250km.... mas num 2 Cv, sem autoestradas, fazia-se num instante.... se fossemos a abrir, tipo....100KM/H.... e lá fomos zunga tunfa e pica na burra!!! tanto tanto que o o Lipe, o condutor encartado, quase atropelou uma carroça de burros que calmamente seguia a seu passo na berma. Milagre dos burros, milagres dos 2 cv que a tempo avisamos que se avistava a dita carroça na via de rodagem....
Posto o perigo á superfície, o consenso dos aldeões chegou a uma conclusão... o dono do carro iria dar o lugar ao outro único encartado... e assim foi.... viagem santa até Albufeira para ir ter com as Gémeas que estavam em Sta. Eulália!!!.
É espantoso as combinações sem telemóvel.... só telefonámos antes de sair para a Quinta da Balaia, a dar o recado que íamos lá ter. Fomos lá ter e encontramos-las... deitadas na areia a aproveitar o sol e os banhos quente da praia.
Meia surpresa, as gémeas , disseram.nos, adoraram... lá passamos o dia entre banhos e conversa, entre flirt's e piadas, sem mal nem subentendidos. Um almoço na tasca ali em cima da falésia com o pescador que pescava o pescado ali em frente tal qual um Chanquete.
Dia passado, bem passado, lá nos metemos de novo no 2CV encarnado ( ou vermelho para alguns menos...). Felizes e contentes pela a aventura rodoviária, chegamos ao monte em cima da hora do Jantar. O Putos, nem um sorriso esboçaram, apesar do Lipe ter deixado um bilhete a dizer ao que íamos... os dentes que vimos foi só de raiva.
Depois do jantar, onde o ambiente estava meio morto quase surdo, onde só os anciãos se riam e vangloriavam da aventura, nem o café sobe bem nem o cardeal Pafe apareceu.
Seguimos todos para a cama á espera da famosa cama á espanhola em cada um....mas nada.... afinal os putos não ficaram tão chateados como pareciam...pensamos.
Pijama vestido, dentes lavados, lá nos deitamos á espera de qualquer represália....nada....dormiam que nem uns anjinhos de sorriso casto.
Logo pela manhã ao levantar como todos os dias e os seguintes, cada um seguiu para o lavatório, toca a lavar a cara, os dentes as mãos, e seguir para o pequeno almoço....e....nada....
Foi giro ontem divertiram-se? ainda bem....
Os dias foram passados assim num misto de expectativa e desconfiança, que eram absorvidas pela amizade que nos unia e as brincadeiras que nos divertiam....
Nada, ...nenhuma represália, nada....
Voltamos felizes das ferias das aventuras e das colectas de cágados que trouxemos e vendemos a umas quantas lojas de Lisboa e Cascais. Orgulhosos e felizes pela venda e o dinheiro colectado, logo pensamos numa nova ida ao monte. Logo imaginámos riquezas exuberantes à conta dos cágados!!!
Até que um ou dois anos depois nos contaram....
Sabem porque é que venderam tão bem os cagados?..... Foram todos limpos e lavados com as vossas escovas de dentes!!!
quarta-feira, janeiro 30, 2013
Pindela
A olhar para o vale verde dos campos onde as vacas por lá pastavam, passeiam agora os cavalos e algumas cabras. A casa, encostada à mata, velha de 600 anos aponta ao por do sol e envolve um terreiro grande como se o abraçasse. No meio, bem no meio, a fonte de três andares com o leão a segurar o escudo de armas daquela, e minha também, família.
A correr ainda pouco sujo junto á grande parede de pedra passa o ribeiro que em tempos atropelava o moinho de onde saia a farinha para alimentar a casa.
De um lado a torre de menagem do outro a capela, ao lado dos portões os Castanheiros da Índia copiam os sons das ondas do mar nas suas folhas ao vento.
Por baixo da torre a passagem para a cavalariça, um túnel alto e estreito por onde os cavalos passavam dá agora passagem ás bicicletas das crianças e aos muitos beagles e outros cães de raça que por ali passam em correrias e tropelias.
no meio do corpo do meio da casa, umas escadas de granito sobem à porta da entrada protegida pelo alpendre que nos protege das chuvas invernais.
Ao lado cá em baixo por baixo da casa atravessa-se outro túnel que desagua no jardim, cheio de buxos camélias e aquelas gardénias que dão o típico cheiro daquela casa. Sobe-se as escadas também bem cobertas e chegamos à varanda forrada de azulejos com temas de caça, caçadores, cães e bosques. Ali, naquela longa varanda tomávamos o café a seguir ao almoço e o lanche. A olhar para a mata e para a Tílias gigantes lá ao fundo onde o aqueduto desemboca na fonte de S. João.
Passei muitos anos bons durante muito tempo ali naquela casa que não sendo minha faz parte de mim. Lá dentro a família a receber-nos de braços abertos, sorriso fácil e simpatia abastada. Que bom que era!! As saudades que tenho das aventuras na mata, dos mergulhos no lago que mais parece uma pista de remo.
As cavalgadas nos campos a guardar o gado. As idas ao Sobreiro Grosso, pela mata fora beber um fino ás escondidas.
As noites na cozinha, a planear aventuras guerreiras, expedições contra o inimigo imaginário.
As tarde a mudar a cama aos cavalos, a procura dos ovos no galinheiro. As tendas montadas no meio dos bambus. As quedas dos cavalos, a vacaria onde todos os dias tirávamos o leite.
E as noites dormidas naqueles quartos da casa, com namoradeiras á janela. A lareira da sala a arder. A excitação de já termos idade para entrar na sala de armas e passarmos para o terraço á tardinha para ver os campos verdes a dourarem com o sol do fim do dia.
E á noite, o aconchego dos jantares com os primos e os tios todos á volta a rir, rir, rir. A ouvir histórias do Rei, do pescador do marinheiro, do caseiro.
Pindela. foi é e será para mim um bocado grande do que sou. Não é só a casa, não é só a mata, não é só o Aranhiço e a Maestra. É a tia Carrucha o Tio Vicente a Tia Petenu, e os primos todos.
Hoje, não sei porquê deu-me para isto. Talvez esteja a ficar velho, e a ficar longe.....a querer voltar.
A correr ainda pouco sujo junto á grande parede de pedra passa o ribeiro que em tempos atropelava o moinho de onde saia a farinha para alimentar a casa.
De um lado a torre de menagem do outro a capela, ao lado dos portões os Castanheiros da Índia copiam os sons das ondas do mar nas suas folhas ao vento.
Por baixo da torre a passagem para a cavalariça, um túnel alto e estreito por onde os cavalos passavam dá agora passagem ás bicicletas das crianças e aos muitos beagles e outros cães de raça que por ali passam em correrias e tropelias.
no meio do corpo do meio da casa, umas escadas de granito sobem à porta da entrada protegida pelo alpendre que nos protege das chuvas invernais.
Ao lado cá em baixo por baixo da casa atravessa-se outro túnel que desagua no jardim, cheio de buxos camélias e aquelas gardénias que dão o típico cheiro daquela casa. Sobe-se as escadas também bem cobertas e chegamos à varanda forrada de azulejos com temas de caça, caçadores, cães e bosques. Ali, naquela longa varanda tomávamos o café a seguir ao almoço e o lanche. A olhar para a mata e para a Tílias gigantes lá ao fundo onde o aqueduto desemboca na fonte de S. João.
Passei muitos anos bons durante muito tempo ali naquela casa que não sendo minha faz parte de mim. Lá dentro a família a receber-nos de braços abertos, sorriso fácil e simpatia abastada. Que bom que era!! As saudades que tenho das aventuras na mata, dos mergulhos no lago que mais parece uma pista de remo.
As cavalgadas nos campos a guardar o gado. As idas ao Sobreiro Grosso, pela mata fora beber um fino ás escondidas.
As noites na cozinha, a planear aventuras guerreiras, expedições contra o inimigo imaginário.
As tarde a mudar a cama aos cavalos, a procura dos ovos no galinheiro. As tendas montadas no meio dos bambus. As quedas dos cavalos, a vacaria onde todos os dias tirávamos o leite.
E as noites dormidas naqueles quartos da casa, com namoradeiras á janela. A lareira da sala a arder. A excitação de já termos idade para entrar na sala de armas e passarmos para o terraço á tardinha para ver os campos verdes a dourarem com o sol do fim do dia.
E á noite, o aconchego dos jantares com os primos e os tios todos á volta a rir, rir, rir. A ouvir histórias do Rei, do pescador do marinheiro, do caseiro.
Pindela. foi é e será para mim um bocado grande do que sou. Não é só a casa, não é só a mata, não é só o Aranhiço e a Maestra. É a tia Carrucha o Tio Vicente a Tia Petenu, e os primos todos.
Hoje, não sei porquê deu-me para isto. Talvez esteja a ficar velho, e a ficar longe.....a querer voltar.
segunda-feira, janeiro 28, 2013
Sevilha via Comporta
Na vespera tinhamos, para não variar muito que na verdade apesar de gostar de muita variedade em muitas coisas ele há coisas que pouco variavam...já não me lembro quando foi, mas foi um sabado de manhã, eram praí uma da tarde. Naquele tempo a manhã durava bem mais que o meio dia.
Na vespera, dizia, tinha andado feito salta pocinhas pocinhando aqui e ali. Ora depenicando, ora saboreando, ora observando, ora gostando ora provando ou tentando provar entre um copo de whiskey e uns olhares para a fauna lacustre que deanbulava deambuleando perto de mim.
Não me lembro da noite, facto devido talvez à ventania apanhada. Lembro que de manhã já tarde a modos de curar as maleitas da vespera que tinha acabado há um par de horas, voltei a ligar para o meu amigo Fred.
Tás onde? tás bem? chegaste a casa? com quem? como é que ela se chamava?...ganda pinta... expectáculo.... Bora à praia? Vamos? vamos!!
E lá fomos, chanatas nos pés, fato banho vestido, t shirt e uma toalha e uma camilosita não viessemos com o frio....
Apanhei o Fred, a cheirar ainda a destilado, e lá arrancamos, rumo á Comporta, porque praia que é praia ás portas de Lisboa naquela altura só a Comporta e o Aqui há Peixe....
Entre a ponte, a portagem e a rodagem na Autoestrada lá cavaqueamos sobre a noite deixa atrás havia pouco...esta aquilo, aquela isto, o outro mais não sei o quê...enfim cavaqueando....
Já ali entre a Marateca e o desvio para Évora, saí-me com um inevitavel.... e se fossemos a Sevilha??
Não está lá assim muito bom tempo para praia, é tarde... já não almoçamos convenientemente.... e Sevilha...a bem dizer é aqui ao lado.... e ainda trincamos umas orelheiras com a famosa imperial no Lebrinha em Serpa....
O Fred olhou, achou que estava a gozar...eu olhei e disse que não, que estava a falar a sério. Dois descomprometidos, sem afazeres nem compromissos de qualquer especie, com dinheiro na carteira e vontade de variar.... Porque não? Pois Porque não?? BORA!!! lá fomos....
Seguindo a Auto-Estrada saimos na saida de Beja, quando, percebemos que era sabado e que não tinhamos mais do que tinhamos no corpo, as chanatas, o fato de banho e a t'shirt...
Bem ...pelo menos não estamos nus..... A coisa resolve-se....paramos na fronteira e compramos umas calças e uma camisa e uns sapatos....Pensamos.
Mas, assim como que de repente, entramos em Beja, e fez-se em mim na alembradura uma alembrança... vamos á Modalfa!!, ao lado do Continente de certeza que esta aberta. E é certo que estava. Ao descobrirmos uma tal variedade de roupa com um preço tão apetecivel em vez do par de calças, dos sapatos e de uma camisa, quase que compramos a loja toda... até parecia que iamos de férias por dois meses ou três.
Compras feitas risadas dadas paleios e flirts inocentes lançados ás Modistas da Modalfa, lá nos fizemos á estrada. Eis senão quando, aí uns vinte minutos depois, nova paragem.
Esta obrigatória e necessária. Gasolina no pópó, e uma já referida imperial e salada de orelha no Lebrinha.
Refeitos e satisfeitos.... ála que é cardoso, a estrada outra vez, agora paragem só em Sevilha...dissemos...
Para, logo depois de passarmos a fronteira pararmos em Rosal de La frontera, para comprar uns presentes... tinha o Fred que animar a sua pseudo-amada que distava distante em terras nortenhas. Uma mantilha sevilhana a dar modos de olés fez o trabalho.
De novo na estrada e desta vez juramos, só paramos em Sevilha!! Assim foi...mas até lá....
A fome voltou a apertar, e como que de repente nos lembramos, mas perái...a ultima vez que vim a Sevilha foi na Expo 92 e pouco ou nada conheço..onde há o Tal restaurante, ,onde é aquela disconightclubfunckytrukytruky? Toca a pegar no telelé e fazer uns telefonemas providenciais. Nisto o Fred é eximio!!
Marcamos o restaurante , com recado dado de irmos ter com o Manolo, esse criado ás nossas ordens...que se revelou incansavel e atencioso e muito disponibilizado para nos ajudar em tudo, ou quase tudo.
Faltava agora o Hotel..busca daqui, busca dali... um é isto...outro é muita caro .... outro só com escorts....
Fomos nisto até Sevilha, e nisto ao passar a ponte do cinquentenário, ali ao lado do Hotel como mesmo nome... vamos lá... um 5 estrelas...deve ser caro mas bora tentar.
Chegamos, paramos à porta ( geralmente não deixam entrar os carros no hall) e lá fui á recepção...
Num espanhol apardalado, lá consegui saber a tarifa...nada mal não senhora...até muiito em conta, tendo conta que nos ofereceram uma suite especial...
Pois cada um com um quarto...pois uma sala, pois um wc pós hospedes, pois cada um com casa de banho privada...pois nada mau por 75€ a noite... Mesmo nada!!
Banho tomado, roupa estendida na cama para fazer a toilette Modalfa mais bonita e até um parfum eau de toillete... cá vamos nós prá movida sevilhana.
De repente...trimm triiimmm, trimmm!! Tou? quem? Epa´!! tens razão...esqueci-me... daqui a quanto tempo?? não consigo mesmo ir ái jantar à Lapa... pois...eu sei...desculpa.... os queijos e os vinhos??? já abertos??? chiiii...desculpa mesmo...!! É impossivel.... Onde??? Fui para a Comporta e depois... a voltar?? não...só amanhã.... Parei em Sevilha...tou aqui com o Fred, vamos para a ramboia.... Desculpa....
Era o meu primo que tinha feito uma janta de vinhos e petiscos com umas amigas da mulher.... azares....
Lá saímos, de taxi pois claro e seguimos para o Restaurante onde o Manolo nos esperava para nos servir um Rabo de Boi, en salsa de Jerez...que maravilha!!!
Depois do rabo do boi, fomos ao chuleton do mesmo. Regados com um crianza, e degestivado com um par de tercios de whiskey. e dali partimos á aventura da movida.
Junto ao rio, nuns bares, até que nos deram a indicação da discoteca da moda.
Longe de onde estavamos, lá nos entaxicamos até lá... Ao sair, nem queriamos acreditar. Á porta estava uma bicha ( agora dizem fila) que parecia as filas na segurança social, infelizmente.)
Tal Vasco da Gama,e Pedro Alvares Cabral, o melhor que tinhamos era ser diferentes, ficar na bicha-fila não era opção, por isso, dando um arranjo á toillette Modalfa, lá nos afiançamos á porta.
Usted tienne nombre en la guest list?? Piós!! Por supiuesto!! Nós Ótros vinémus de Portugal de Lisboa, nuestra assafata ay amandado un fax con nustros nombres a pédir una mesa vip.
-Pues perdona pero no tenemos el fax. El nombre por favor!!
-Yo soy Afonso Albuquerque, este és Mario Soares Y Silva. Somos los duenos de la graã maior discoteca de Lisboa.
-Haaa buenno.... por favor siga-nosotros.
E lá fomos, deixamos a bicha-fila para trás, e deram-nos uma mesa vip, cheia de vodka, champagne, whiskey e mais umas coisas esquisitas, incolores e sem sabor...vim a saber era água....
Ali ficamos a desfrutar mais uma noitada, na grande Discoteca Babilonia... Um oasis..como dizem las chicas!!
....O resto....é história.......
Na vespera, dizia, tinha andado feito salta pocinhas pocinhando aqui e ali. Ora depenicando, ora saboreando, ora observando, ora gostando ora provando ou tentando provar entre um copo de whiskey e uns olhares para a fauna lacustre que deanbulava deambuleando perto de mim.
Não me lembro da noite, facto devido talvez à ventania apanhada. Lembro que de manhã já tarde a modos de curar as maleitas da vespera que tinha acabado há um par de horas, voltei a ligar para o meu amigo Fred.
Tás onde? tás bem? chegaste a casa? com quem? como é que ela se chamava?...ganda pinta... expectáculo.... Bora à praia? Vamos? vamos!!
E lá fomos, chanatas nos pés, fato banho vestido, t shirt e uma toalha e uma camilosita não viessemos com o frio....
Apanhei o Fred, a cheirar ainda a destilado, e lá arrancamos, rumo á Comporta, porque praia que é praia ás portas de Lisboa naquela altura só a Comporta e o Aqui há Peixe....
Entre a ponte, a portagem e a rodagem na Autoestrada lá cavaqueamos sobre a noite deixa atrás havia pouco...esta aquilo, aquela isto, o outro mais não sei o quê...enfim cavaqueando....
Já ali entre a Marateca e o desvio para Évora, saí-me com um inevitavel.... e se fossemos a Sevilha??
Não está lá assim muito bom tempo para praia, é tarde... já não almoçamos convenientemente.... e Sevilha...a bem dizer é aqui ao lado.... e ainda trincamos umas orelheiras com a famosa imperial no Lebrinha em Serpa....
O Fred olhou, achou que estava a gozar...eu olhei e disse que não, que estava a falar a sério. Dois descomprometidos, sem afazeres nem compromissos de qualquer especie, com dinheiro na carteira e vontade de variar.... Porque não? Pois Porque não?? BORA!!! lá fomos....
Seguindo a Auto-Estrada saimos na saida de Beja, quando, percebemos que era sabado e que não tinhamos mais do que tinhamos no corpo, as chanatas, o fato de banho e a t'shirt...
Bem ...pelo menos não estamos nus..... A coisa resolve-se....paramos na fronteira e compramos umas calças e uma camisa e uns sapatos....Pensamos.
Mas, assim como que de repente, entramos em Beja, e fez-se em mim na alembradura uma alembrança... vamos á Modalfa!!, ao lado do Continente de certeza que esta aberta. E é certo que estava. Ao descobrirmos uma tal variedade de roupa com um preço tão apetecivel em vez do par de calças, dos sapatos e de uma camisa, quase que compramos a loja toda... até parecia que iamos de férias por dois meses ou três.
Compras feitas risadas dadas paleios e flirts inocentes lançados ás Modistas da Modalfa, lá nos fizemos á estrada. Eis senão quando, aí uns vinte minutos depois, nova paragem.
Esta obrigatória e necessária. Gasolina no pópó, e uma já referida imperial e salada de orelha no Lebrinha.
Refeitos e satisfeitos.... ála que é cardoso, a estrada outra vez, agora paragem só em Sevilha...dissemos...
Para, logo depois de passarmos a fronteira pararmos em Rosal de La frontera, para comprar uns presentes... tinha o Fred que animar a sua pseudo-amada que distava distante em terras nortenhas. Uma mantilha sevilhana a dar modos de olés fez o trabalho.
De novo na estrada e desta vez juramos, só paramos em Sevilha!! Assim foi...mas até lá....
A fome voltou a apertar, e como que de repente nos lembramos, mas perái...a ultima vez que vim a Sevilha foi na Expo 92 e pouco ou nada conheço..onde há o Tal restaurante, ,onde é aquela disconightclubfunckytrukytruky? Toca a pegar no telelé e fazer uns telefonemas providenciais. Nisto o Fred é eximio!!
Marcamos o restaurante , com recado dado de irmos ter com o Manolo, esse criado ás nossas ordens...que se revelou incansavel e atencioso e muito disponibilizado para nos ajudar em tudo, ou quase tudo.
Faltava agora o Hotel..busca daqui, busca dali... um é isto...outro é muita caro .... outro só com escorts....
Fomos nisto até Sevilha, e nisto ao passar a ponte do cinquentenário, ali ao lado do Hotel como mesmo nome... vamos lá... um 5 estrelas...deve ser caro mas bora tentar.
Chegamos, paramos à porta ( geralmente não deixam entrar os carros no hall) e lá fui á recepção...
Num espanhol apardalado, lá consegui saber a tarifa...nada mal não senhora...até muiito em conta, tendo conta que nos ofereceram uma suite especial...
Pois cada um com um quarto...pois uma sala, pois um wc pós hospedes, pois cada um com casa de banho privada...pois nada mau por 75€ a noite... Mesmo nada!!
Banho tomado, roupa estendida na cama para fazer a toilette Modalfa mais bonita e até um parfum eau de toillete... cá vamos nós prá movida sevilhana.
De repente...trimm triiimmm, trimmm!! Tou? quem? Epa´!! tens razão...esqueci-me... daqui a quanto tempo?? não consigo mesmo ir ái jantar à Lapa... pois...eu sei...desculpa.... os queijos e os vinhos??? já abertos??? chiiii...desculpa mesmo...!! É impossivel.... Onde??? Fui para a Comporta e depois... a voltar?? não...só amanhã.... Parei em Sevilha...tou aqui com o Fred, vamos para a ramboia.... Desculpa....
Era o meu primo que tinha feito uma janta de vinhos e petiscos com umas amigas da mulher.... azares....
Lá saímos, de taxi pois claro e seguimos para o Restaurante onde o Manolo nos esperava para nos servir um Rabo de Boi, en salsa de Jerez...que maravilha!!!
Depois do rabo do boi, fomos ao chuleton do mesmo. Regados com um crianza, e degestivado com um par de tercios de whiskey. e dali partimos á aventura da movida.
Junto ao rio, nuns bares, até que nos deram a indicação da discoteca da moda.
Longe de onde estavamos, lá nos entaxicamos até lá... Ao sair, nem queriamos acreditar. Á porta estava uma bicha ( agora dizem fila) que parecia as filas na segurança social, infelizmente.)
Tal Vasco da Gama,e Pedro Alvares Cabral, o melhor que tinhamos era ser diferentes, ficar na bicha-fila não era opção, por isso, dando um arranjo á toillette Modalfa, lá nos afiançamos á porta.
Usted tienne nombre en la guest list?? Piós!! Por supiuesto!! Nós Ótros vinémus de Portugal de Lisboa, nuestra assafata ay amandado un fax con nustros nombres a pédir una mesa vip.
-Pues perdona pero no tenemos el fax. El nombre por favor!!
-Yo soy Afonso Albuquerque, este és Mario Soares Y Silva. Somos los duenos de la graã maior discoteca de Lisboa.
-Haaa buenno.... por favor siga-nosotros.
E lá fomos, deixamos a bicha-fila para trás, e deram-nos uma mesa vip, cheia de vodka, champagne, whiskey e mais umas coisas esquisitas, incolores e sem sabor...vim a saber era água....
Ali ficamos a desfrutar mais uma noitada, na grande Discoteca Babilonia... Um oasis..como dizem las chicas!!
....O resto....é história.......
segunda-feira, novembro 05, 2012
Alto Duorum Superior
Ele há ás vezes profissões bastante agradáveis no meio de tantas outras menos tais.
Já lá tinha ido ainda o projecto rondava o principio de um principio de anos. As encostas já tinham sido domadas e socalcadas, as vistas já se viam, o verde já lá estava, o rio já lá passava, mas ainda não se via as vinhas encarriladas nos arames nos socalcos. Só se imaginava o que daí viria, só sonhava o que daí se provaria.
Agora, passados uns anos, deram-me a oportunidade de lá voltar e acabar com todas as duvidas. A ultima vindima, já dali vai fazer-nos provar e aprovar degustar com gosto o gosto posto neste projecto ali, nas encostas do Douro Superior num sitio do outro mundo onde sendo Portugal nada tem a haver com o nosso País e o seu triste fado.
Duorum é um projecto , um sonho, uma aventura!!! e Agora é uma prova viva da vontade de duas pessoas, duas Grandes pessoas. Daquelas que mostram ainda o que é ser Português.Duorum leva-nos a sentir que afinal, apesar de todas as crises, todos os obstáculos e dificuldades ainda se consegue criar belas criações e sonhos que se tornam realidade.
A entrada com dois valentes e majestosos muros de pedra leva-nos por uma alameda de calçada direitos ao que agora é o pavilhão da Quinta de Castelo Melhor, a única construção que alberga uma sala de grande vidraças viradas a Norte e a Sul, onde um terraço se esplana para a vista magnifica dos vinhedos, são 300 metros até lá abaixo ao Douro, aquele rio onde nascem sonhos e vinhos. Ao fim do dia conseguimos ver o ouro do Douro reflectido no Sol, assim como de manhã quando o astro aparece lá no fundo escondido pelo monte Calabrica, como que anunciando mais um ciclo.
Os socalcos caiem desde o terraço, directos até ao rio, bem regados com uma rega gota a gota que deixa todos os dias um milhão de litros nos pés das vides. Da obra para a rega, um deposito construído no ermo mais alto da quinta, é cheio todos os dias por fortes estações de bombagem elevatória que fazem subir do rio até ao pico as águas necessárias.
No casão da Quinta, qual pavilhão de caça encontramos uma sala de estar para receber os convivas, equipada com cozinha e sala de jantar, ou almoço, ali está-se bem. muito bem. Com sofás convidativos ao remanso entre uma boa refeição e um bom excelente vinho.
A sul do pavilhão um busquete começa a surgir, entre carvalhos, magnólias, tílias, alguns cedros, oliveiras e castanheiros ali plantados para num futuro abrigar uma sombra convidativa ao descanso dos afazeres diários.
Descendo a encosta socalcada até ao rio chegamos à antiga plataforma da antiga estação de Castelo Melhor, hoje em dia toda desfeita, mostrando um Portugal infelizmente actual. Mas aqui a vontade é mais forte que a realidade e um projecto turístico, ligado ao grandioso projecto vínico está ligado mano a mano, com a força de grandes feitos. Dos edifícios agora descalços de soalho, destapados de telhas e mas ainda vestidos com cal e azulejos, espera-se que o nascer de um pois para os barcos que sobem o rio carregados de turistas ávidos a provar aqueles nectares e saborear aquelas gastronomias que só ali fazem sentido ao gosto. Das casas dos chefes de estação do antigo armazém dos vinhos e azeites, das cortes do gado agora em ruínas absolutas irá nascer um núcleo turístico, enofilo e gastronómico para acolher felizardos prontos a experimentar todas as grandiosas esxperiencias do local.
Para jusante, junto ao rio vemos a boca de um velho túnel, construído à força de braços galegos dinamite e quiçá vidas para vencerem a natureza e dar a estes povos afastados do mundo um bocado de mundo de há dois séculos passados. Agora tudo voltou ao antigamente, tudo parado tudo adormecido e ali, aquele túnel vai continuar, para poder dar a gerações futuras de aves de rapina, e outras locais, uma vida futura. Onde os amantes da natureza vão poder ver exemplares únicos no mundo.
Este é o Duorum de hoje que eu conheci, e com esperança de muitas vezes mais poder passar por ali para ver o Duorum de amanhã crescer, e voar.
Já lá tinha ido ainda o projecto rondava o principio de um principio de anos. As encostas já tinham sido domadas e socalcadas, as vistas já se viam, o verde já lá estava, o rio já lá passava, mas ainda não se via as vinhas encarriladas nos arames nos socalcos. Só se imaginava o que daí viria, só sonhava o que daí se provaria.
Agora, passados uns anos, deram-me a oportunidade de lá voltar e acabar com todas as duvidas. A ultima vindima, já dali vai fazer-nos provar e aprovar degustar com gosto o gosto posto neste projecto ali, nas encostas do Douro Superior num sitio do outro mundo onde sendo Portugal nada tem a haver com o nosso País e o seu triste fado.
Duorum é um projecto , um sonho, uma aventura!!! e Agora é uma prova viva da vontade de duas pessoas, duas Grandes pessoas. Daquelas que mostram ainda o que é ser Português.Duorum leva-nos a sentir que afinal, apesar de todas as crises, todos os obstáculos e dificuldades ainda se consegue criar belas criações e sonhos que se tornam realidade.
A entrada com dois valentes e majestosos muros de pedra leva-nos por uma alameda de calçada direitos ao que agora é o pavilhão da Quinta de Castelo Melhor, a única construção que alberga uma sala de grande vidraças viradas a Norte e a Sul, onde um terraço se esplana para a vista magnifica dos vinhedos, são 300 metros até lá abaixo ao Douro, aquele rio onde nascem sonhos e vinhos. Ao fim do dia conseguimos ver o ouro do Douro reflectido no Sol, assim como de manhã quando o astro aparece lá no fundo escondido pelo monte Calabrica, como que anunciando mais um ciclo.
Os socalcos caiem desde o terraço, directos até ao rio, bem regados com uma rega gota a gota que deixa todos os dias um milhão de litros nos pés das vides. Da obra para a rega, um deposito construído no ermo mais alto da quinta, é cheio todos os dias por fortes estações de bombagem elevatória que fazem subir do rio até ao pico as águas necessárias.
No casão da Quinta, qual pavilhão de caça encontramos uma sala de estar para receber os convivas, equipada com cozinha e sala de jantar, ou almoço, ali está-se bem. muito bem. Com sofás convidativos ao remanso entre uma boa refeição e um bom excelente vinho.
A sul do pavilhão um busquete começa a surgir, entre carvalhos, magnólias, tílias, alguns cedros, oliveiras e castanheiros ali plantados para num futuro abrigar uma sombra convidativa ao descanso dos afazeres diários.
Descendo a encosta socalcada até ao rio chegamos à antiga plataforma da antiga estação de Castelo Melhor, hoje em dia toda desfeita, mostrando um Portugal infelizmente actual. Mas aqui a vontade é mais forte que a realidade e um projecto turístico, ligado ao grandioso projecto vínico está ligado mano a mano, com a força de grandes feitos. Dos edifícios agora descalços de soalho, destapados de telhas e mas ainda vestidos com cal e azulejos, espera-se que o nascer de um pois para os barcos que sobem o rio carregados de turistas ávidos a provar aqueles nectares e saborear aquelas gastronomias que só ali fazem sentido ao gosto. Das casas dos chefes de estação do antigo armazém dos vinhos e azeites, das cortes do gado agora em ruínas absolutas irá nascer um núcleo turístico, enofilo e gastronómico para acolher felizardos prontos a experimentar todas as grandiosas esxperiencias do local.
Para jusante, junto ao rio vemos a boca de um velho túnel, construído à força de braços galegos dinamite e quiçá vidas para vencerem a natureza e dar a estes povos afastados do mundo um bocado de mundo de há dois séculos passados. Agora tudo voltou ao antigamente, tudo parado tudo adormecido e ali, aquele túnel vai continuar, para poder dar a gerações futuras de aves de rapina, e outras locais, uma vida futura. Onde os amantes da natureza vão poder ver exemplares únicos no mundo.
Este é o Duorum de hoje que eu conheci, e com esperança de muitas vezes mais poder passar por ali para ver o Duorum de amanhã crescer, e voar.
quinta-feira, outubro 18, 2012
Dama Cascas Barcelona
Ela veio uns dois dias antes a modos de preparação para o acontecimento. Deixei-a no aerioporto da Portela com a sua mala de rodas coitadas já carcumidas de tanto viajar por arrasto.
Passara a noite toda a escolher um hotel que lhe parecesse cousy e perto do ninho da cegonha, onde iria logo directo mal chegasse. Assim fez feliz e desenvencelhada como é mas acha que não.
Eu segui um dia e meio depois com malinha azul a caber na cabine, milagre para uma semana de temporada. Também trouxe uma mochila aos ombros, vá.
E cheguei ao hotel e ao quarto e deprimi. tão pequeno que era tão abafado e escuro fez me lembrar uma certa estadia na neve com 8 pessoas num quarto igual e com um gaijo doente. Passei-me assustei-me mas lá resignei-me sem antes ter sido bruto com ela. E ela não merecia, são as injustezas dos impulsos...Um beijinho Dama.
No dia seguinte de manhã lá seguimos os dois troc troc passo a passo até ao ninho. Falamos com o mestre mocho que nos explicou tudo, tintin por tintin e depois da punção seguimos para um novo hotel, com um quarto maior, spa, piscina e room serviçe. Maravilha para mim, óptimo para ela. Aí ficamos uma noite a descansar e saímos para andar 600 metros para casa de uma amiga que é amiga de uma amiga casada com um amigo meu, que também é nossa amiga claro está. Um anjo caído do céu, já que Barcelona não é propriamente a Reboleira ( embora tenha parecenças) e os preços das coisas é tipo Quinta do Lago em Agosto todo o Ano. Por isso este AP foi uma bênção.
Aproveitamos e passeamos, rambla abaixo, rambla acima tapas abaixo cerveza arriba, e tal e coiso, bom e cansativo, mas no fundo sabíamos que iria ser o único dia de "folga". O Jantar foi caseiro, a passeio pela Paral lel paramos no supermarcat, e de lá trouxemos alguns viveres para a semana. Hamburguers de porco preto que são uma delicia e um arroz malandro á moda de .... nós mesmos, acompanhados com uns montaditos de jamon iberico e queijo de cabra derretido. Nada mal para empenzar a vida nestas terras.
De manhã já recuperados partimos de novo ter com a cegonha, e fazer a transferencia.
Ansiosos estávamos e entre conversas e risos nervosos lá alinhavamos a vida que vem a seguir, e todas as hipóteses que apesar de tudo não eram as mais melhores boas. Mas afinal de tudo não eram de forma alguma as mais piores más. Das oito que apareceram à festa só cinco poderam entrar na discoteca. Dessas cinco só duas é que se deixaram engatar, no final, só uma é que se apaixonou loucamente, e foi esse casalito que se transferiu.
Para ela foi triste porque queria mais que um, para mim foi maçador porque gostava de ter mais que um, mas a verdade é que para os dois foi óptimo ter vindo um connosco.
E connosco continua apesar dela estar como que bastante dolorida e constantemente incomodada. passaram dois dias e o estado continua continuo, pelo que fomos de novo lá para ver como é que paravam as ultimas modas.
E as tendências da moda ditaram que ela ficasse tranquila, deitadinha, a descansar. É o que temos pois portantos feito. Aqui quietinhos no AP a ver as traseiras dos outros prédios, agarrados ao computador a ver o tempo passar. Ela de vez em quando lá se levanta vai até ao fim do corredor e volta. Eu entretenho-me a escrevinhar estas coisas, preparo o almoço e sigo á rua para fazer compras para o jantar. Das ramblas dos bons restaurantes dos mercados e das vistas já nos convencemos que vai ser para uma próxima oportunidade porque Barcelona se queda aqui, e nosostros tenemos que reposar reposar reposar.
Não sem termos umas pequenas aventuras dignas de registo. Como aquele jantar supimpa que não foi mais que um bluf numa qualquer cervezaria, das 6 tapas dignas de registo todas sabiam ao mesmo, a cerveja é que não, é boa esta Damm, "damm good" como dizia o casal sentado ao lado. O passeio pelo passeio marítimo a quase a molhar os pezinhos no mediterraneo também foi de um bom gosto, principalmente pelo restaurante escolhido ao fim da caminhada, uma esplanada com vista para o mar praia e paseig, rodeada de palmeiras cheias de ninhos de papagaios ou periquitos ( não sei bem). e uma comida fora de serie, que deixa água na boca só de lembrar e mesmo depois de termos comido mais uns belos embergues. Giro giro foi a vinda para casa nas escaleras do metro onde um casalinho lá me abriu a mochila e por pouco não sacava a bolsa que tínhamos com os parcos haveres. A lata deles a fazerem-se coitadinhos... não levaram um tabefe porque não sou de violências, mas era merecido. A reacção do resto das pessoas é que foi de notar, pararam todos para ajudar e prontos a desfazer os larápios de fosse preciso. Devia ter sido para aprenderem a lição. Ainda bem que não foi, não fosse a coisa dar para o torto ou para o tiro já que não sabemos como são as modas e costumes destas gentes nestes afazeres criminais.
De resto um telefonema ou outro lá vem aparecendo, mas o mais importante é o contacto constante com o ninho da cegonha que nos tem descansado as incertezas e duvidas a acalmados as ansiedades.
No porto, onde passamos não vimos nada de especial fora os 200 barcalhões particulares que fazem um vistão e nos fazem sonhar com um mundo lá muitaaa longe.
Ainda não saboreei um Gin Tony daqueles de bradar aos céus, mas o tempo agora também não convida. Talvez daqui um dia ou dois, possa apreciar a pomada com todo o seu esplendor, já que locais não faltam, e com a quantidade de sugestões enviadas via FB, para correr a todas só daqui a dois meses e.... conseguisse sair desta Ciudat. Hoje por falar nisso era dia de Ciudat Condal e Vaso de Oro, dois marcos que marco para uma próxima vinda mais desafogada em tempo e tempo.
Corrermos as montras e lojas da diagonal parecia também um afazer bastante interessante e divertido, mas como estamos , corremos via Internet os museus e monumentos, vemos na pantala, que nunca é o mesmo que os sentir, mas ajuda a descontrair e passar o dia. Já fomos ao Louvre, ao Tyssen, à torre de Belém e demos um salto à Sagrada Família, já que estamos na terra dela não fico bonito irmos à concorrencia....
Passara a noite toda a escolher um hotel que lhe parecesse cousy e perto do ninho da cegonha, onde iria logo directo mal chegasse. Assim fez feliz e desenvencelhada como é mas acha que não.
Eu segui um dia e meio depois com malinha azul a caber na cabine, milagre para uma semana de temporada. Também trouxe uma mochila aos ombros, vá.
E cheguei ao hotel e ao quarto e deprimi. tão pequeno que era tão abafado e escuro fez me lembrar uma certa estadia na neve com 8 pessoas num quarto igual e com um gaijo doente. Passei-me assustei-me mas lá resignei-me sem antes ter sido bruto com ela. E ela não merecia, são as injustezas dos impulsos...Um beijinho Dama.
No dia seguinte de manhã lá seguimos os dois troc troc passo a passo até ao ninho. Falamos com o mestre mocho que nos explicou tudo, tintin por tintin e depois da punção seguimos para um novo hotel, com um quarto maior, spa, piscina e room serviçe. Maravilha para mim, óptimo para ela. Aí ficamos uma noite a descansar e saímos para andar 600 metros para casa de uma amiga que é amiga de uma amiga casada com um amigo meu, que também é nossa amiga claro está. Um anjo caído do céu, já que Barcelona não é propriamente a Reboleira ( embora tenha parecenças) e os preços das coisas é tipo Quinta do Lago em Agosto todo o Ano. Por isso este AP foi uma bênção.
Aproveitamos e passeamos, rambla abaixo, rambla acima tapas abaixo cerveza arriba, e tal e coiso, bom e cansativo, mas no fundo sabíamos que iria ser o único dia de "folga". O Jantar foi caseiro, a passeio pela Paral lel paramos no supermarcat, e de lá trouxemos alguns viveres para a semana. Hamburguers de porco preto que são uma delicia e um arroz malandro á moda de .... nós mesmos, acompanhados com uns montaditos de jamon iberico e queijo de cabra derretido. Nada mal para empenzar a vida nestas terras.
De manhã já recuperados partimos de novo ter com a cegonha, e fazer a transferencia.
Ansiosos estávamos e entre conversas e risos nervosos lá alinhavamos a vida que vem a seguir, e todas as hipóteses que apesar de tudo não eram as mais melhores boas. Mas afinal de tudo não eram de forma alguma as mais piores más. Das oito que apareceram à festa só cinco poderam entrar na discoteca. Dessas cinco só duas é que se deixaram engatar, no final, só uma é que se apaixonou loucamente, e foi esse casalito que se transferiu.
Para ela foi triste porque queria mais que um, para mim foi maçador porque gostava de ter mais que um, mas a verdade é que para os dois foi óptimo ter vindo um connosco.
E connosco continua apesar dela estar como que bastante dolorida e constantemente incomodada. passaram dois dias e o estado continua continuo, pelo que fomos de novo lá para ver como é que paravam as ultimas modas.
E as tendências da moda ditaram que ela ficasse tranquila, deitadinha, a descansar. É o que temos pois portantos feito. Aqui quietinhos no AP a ver as traseiras dos outros prédios, agarrados ao computador a ver o tempo passar. Ela de vez em quando lá se levanta vai até ao fim do corredor e volta. Eu entretenho-me a escrevinhar estas coisas, preparo o almoço e sigo á rua para fazer compras para o jantar. Das ramblas dos bons restaurantes dos mercados e das vistas já nos convencemos que vai ser para uma próxima oportunidade porque Barcelona se queda aqui, e nosostros tenemos que reposar reposar reposar.
Não sem termos umas pequenas aventuras dignas de registo. Como aquele jantar supimpa que não foi mais que um bluf numa qualquer cervezaria, das 6 tapas dignas de registo todas sabiam ao mesmo, a cerveja é que não, é boa esta Damm, "damm good" como dizia o casal sentado ao lado. O passeio pelo passeio marítimo a quase a molhar os pezinhos no mediterraneo também foi de um bom gosto, principalmente pelo restaurante escolhido ao fim da caminhada, uma esplanada com vista para o mar praia e paseig, rodeada de palmeiras cheias de ninhos de papagaios ou periquitos ( não sei bem). e uma comida fora de serie, que deixa água na boca só de lembrar e mesmo depois de termos comido mais uns belos embergues. Giro giro foi a vinda para casa nas escaleras do metro onde um casalinho lá me abriu a mochila e por pouco não sacava a bolsa que tínhamos com os parcos haveres. A lata deles a fazerem-se coitadinhos... não levaram um tabefe porque não sou de violências, mas era merecido. A reacção do resto das pessoas é que foi de notar, pararam todos para ajudar e prontos a desfazer os larápios de fosse preciso. Devia ter sido para aprenderem a lição. Ainda bem que não foi, não fosse a coisa dar para o torto ou para o tiro já que não sabemos como são as modas e costumes destas gentes nestes afazeres criminais.
De resto um telefonema ou outro lá vem aparecendo, mas o mais importante é o contacto constante com o ninho da cegonha que nos tem descansado as incertezas e duvidas a acalmados as ansiedades.
No porto, onde passamos não vimos nada de especial fora os 200 barcalhões particulares que fazem um vistão e nos fazem sonhar com um mundo lá muitaaa longe.
Ainda não saboreei um Gin Tony daqueles de bradar aos céus, mas o tempo agora também não convida. Talvez daqui um dia ou dois, possa apreciar a pomada com todo o seu esplendor, já que locais não faltam, e com a quantidade de sugestões enviadas via FB, para correr a todas só daqui a dois meses e.... conseguisse sair desta Ciudat. Hoje por falar nisso era dia de Ciudat Condal e Vaso de Oro, dois marcos que marco para uma próxima vinda mais desafogada em tempo e tempo.
Corrermos as montras e lojas da diagonal parecia também um afazer bastante interessante e divertido, mas como estamos , corremos via Internet os museus e monumentos, vemos na pantala, que nunca é o mesmo que os sentir, mas ajuda a descontrair e passar o dia. Já fomos ao Louvre, ao Tyssen, à torre de Belém e demos um salto à Sagrada Família, já que estamos na terra dela não fico bonito irmos à concorrencia....
terça-feira, outubro 09, 2012
Outubro de 5 O
Esta foi a carta que enviei ao Presidente da Republica sobre o maravilhoso hastear da Bandeira Nacional.
Tomo a liberdade de dirigir a V. Excia estas pequenas linhas sobre os acontecimentos na cerimónia do hastear da Bandeira Nacional no passado 5 de Outubro.
Não venho de modo nenhum querer reivindicar qualquer coisa para o meu bem pessoal, ou particular. Como cidadão Português, nascido e criado neste País, sinto uma obrigação moral de me dirigir a V. Excia. Devido ao que vi no passado 5 de Outubro.
Não sou partidário nem filiado em nenhum partido. E não é nenhum motivo politico que me faz escrever estas linhas. Não sou Republicano, mas desde o meu nascimento foi-me incutido o respeito pelas instituições, símbolos e princípios que formam o nosso País.
Sou Português, orgulhoso da nossa Historia, que não a nego nem tento esconder ou deturpar. Assumo como Português todos os nossos valores e erros que cometemos desde 1143. E embora possa não concordar com muitos acontecimentos e evolução histórica que tivemos, tenho sempre em mim a consciência do peso da História e acima de mim os valores da Pátria.
Apesar de ter tido a sorte de nascer no seio de uma família com uma longa descendência, fez de mim uma pessoa respeitadora de todos e humilde perante todos. É nesse sentido que tenho pautado a minha vida. Respeitando quem respeita, ajudando quem precisa, colocando-me sempre ao serviço dos outros. Nunca me senti senhor da palavra e sempre tentei formar o meu pensamento ouvindo os outros , sabendo aceitar os meus erros, e humildemente pedir desculpa pelos mesmos, sempre com a intenção de melhor formar a minha pessoa, de forma a evitar erros no futuro e nunca esquecer os passados.
Creio que é assim que se forma uma pessoa, um País e uma sociedade civil. Respeitando e aceitando os outros.
O erro cometido por V. Excia no passado dia 5 de Outubro, ao hastear a Bandeira Nacional daquela forma, que não foi senão um incidente despropositado, não passa disso mesmo. Mas a verdade é que no estado que a Nação se encontra tudo é motivo para criar celeuma e exagerar os pequenos erros, inflacionado claro por toda uma comunicação social que está vendida ao escândalo e à noticia fácil.
A verdade é que não tendo sido intencional, foi um desrespeito pelo nosso Simbolo Nacional. Que deveria ter sido prontamente ser assumido por V. Excia, sem desculpas e sem subterfúgios.
Peço desculpa a V. Excia. Pelo assomo de lhe dirigir a minha opinião, mas considero que seria de grande valor V. Excia dirigir-se ao País a pedir desculpa pelo gesto não intencional.
Na minha modesta opinião este gesto mostrará ao Povo Português que o nosso máximo representante tem a hombridade e humildade de assumir os erros . E Portugal nestes momentos difíceis que está a passar, precisa de um exemplo, de muitos exemplos e principalmente de muita humildade por parte de quem os deve dar .
Os tempos em que estamos a viver são difíceis para todos, e ninguém pode estar à margem dos sacrifícios exigidos e necessários para que Portugal passe por mais este desafio na sua longa existência.
Não duvido que iremos vencer estas “tormentas”,(...) acredito que é nestas alturas que o Povo Português melhor mostra a sua raça. Vivemos um momento histórico onde as revoluções ainda não estão na rua, mas na cabeça de muitos jovens. Não há alternativa ao rumo que tomamos mas temos que ter firmeza nas acções e humildade nos erros.
Agradecendo desde já a V.Excia o tempo dispensado,
Tomo a liberdade de dirigir a V. Excia estas pequenas linhas sobre os acontecimentos na cerimónia do hastear da Bandeira Nacional no passado 5 de Outubro.
Não venho de modo nenhum querer reivindicar qualquer coisa para o meu bem pessoal, ou particular. Como cidadão Português, nascido e criado neste País, sinto uma obrigação moral de me dirigir a V. Excia. Devido ao que vi no passado 5 de Outubro.
Não sou partidário nem filiado em nenhum partido. E não é nenhum motivo politico que me faz escrever estas linhas. Não sou Republicano, mas desde o meu nascimento foi-me incutido o respeito pelas instituições, símbolos e princípios que formam o nosso País.
Sou Português, orgulhoso da nossa Historia, que não a nego nem tento esconder ou deturpar. Assumo como Português todos os nossos valores e erros que cometemos desde 1143. E embora possa não concordar com muitos acontecimentos e evolução histórica que tivemos, tenho sempre em mim a consciência do peso da História e acima de mim os valores da Pátria.
Apesar de ter tido a sorte de nascer no seio de uma família com uma longa descendência, fez de mim uma pessoa respeitadora de todos e humilde perante todos. É nesse sentido que tenho pautado a minha vida. Respeitando quem respeita, ajudando quem precisa, colocando-me sempre ao serviço dos outros. Nunca me senti senhor da palavra e sempre tentei formar o meu pensamento ouvindo os outros , sabendo aceitar os meus erros, e humildemente pedir desculpa pelos mesmos, sempre com a intenção de melhor formar a minha pessoa, de forma a evitar erros no futuro e nunca esquecer os passados.
Creio que é assim que se forma uma pessoa, um País e uma sociedade civil. Respeitando e aceitando os outros.
O erro cometido por V. Excia no passado dia 5 de Outubro, ao hastear a Bandeira Nacional daquela forma, que não foi senão um incidente despropositado, não passa disso mesmo. Mas a verdade é que no estado que a Nação se encontra tudo é motivo para criar celeuma e exagerar os pequenos erros, inflacionado claro por toda uma comunicação social que está vendida ao escândalo e à noticia fácil.
A verdade é que não tendo sido intencional, foi um desrespeito pelo nosso Simbolo Nacional. Que deveria ter sido prontamente ser assumido por V. Excia, sem desculpas e sem subterfúgios.
Peço desculpa a V. Excia. Pelo assomo de lhe dirigir a minha opinião, mas considero que seria de grande valor V. Excia dirigir-se ao País a pedir desculpa pelo gesto não intencional.
Na minha modesta opinião este gesto mostrará ao Povo Português que o nosso máximo representante tem a hombridade e humildade de assumir os erros . E Portugal nestes momentos difíceis que está a passar, precisa de um exemplo, de muitos exemplos e principalmente de muita humildade por parte de quem os deve dar .
Os tempos em que estamos a viver são difíceis para todos, e ninguém pode estar à margem dos sacrifícios exigidos e necessários para que Portugal passe por mais este desafio na sua longa existência.
Não duvido que iremos vencer estas “tormentas”,(...) acredito que é nestas alturas que o Povo Português melhor mostra a sua raça. Vivemos um momento histórico onde as revoluções ainda não estão na rua, mas na cabeça de muitos jovens. Não há alternativa ao rumo que tomamos mas temos que ter firmeza nas acções e humildade nos erros.
Agradecendo desde já a V.Excia o tempo dispensado,
segunda-feira, setembro 24, 2012
Acordo Orthographic
Fim de semana no Reino dos Algarves, traz de lá sempre bons momentos. E este não foi excepção. O momento mais precisamente foi mesmo o fim de semana todo, a começar na terça e acabar, vamos lá...no Domingo.
O mote, lá está, esteve a corte toda que se reunir para as alegres comemorações do Reino, Bernardo de sua Graça.
Fugindo ao trivial, não vou por-me aqui a descascar resumidamente os "perumenores" de toda uma semana de comemorações.Basta dizer que a corte esteve reunida, e isso basta. Porque de resto, sabemos todos o quanto foi bom, agradável, bonito e esfuziante, a tertúlia gerada à volta daquele palaçio em plena Ria Formosa plantando. Ali tudo passa ao lado, lá longe como um filme de ficção. Ali todas as coisas más da vida, do país ou do mundo se esfumam entre uns carabineros ou uma sopa de tamboril, ali tudo é baril!!
No meio de tantos dizeres tantos risos e conversas sérias chegou-se ao tópico que dá hoje tintalu ao post ( ou melhor...disposto). O Acordo ortográfico. vulgo A.O.
Sem querer entrar pelas normais certezas sobre se é mau, péssimo ou não presta para nada, e é mais uma facada na nossa Identidade Nacional, donos de uma Língua Universal, donos de uma Herança Histórica, mundial, só podemos no fundo, rir.
E como nestes tempos rir está cada vez mais difícil, a verdade é que foi a rir que passamos todo o Fim de Semana.
Portugal foi o primeiro País com o primeiro povo Global, anos antes de se falar em globalização já nós passeávamos por todo o lado. E à conta disso fomos deixando aqui e ali muito de nós.
A mulata no Brasil, a tempura espingardas e palavras no Japão. Nomes e línguas a países e novos povos. Estrelas, instrumentos marítimos e afins... Enfim, deixamos um pouco por muito lado.
Com o passar dos tempos o contrário aconteceu. Os anglicismos apareceram à uns séculos, depois nos anos setenta vieram os francesismos com a volta dos emigrantes.
Eram as janelas estilo fenetre, as casas estilo maison e os cães estilo chiens.
Entrámos na Europa ( como se alguma vez tivéssemos fora deste continente...) e o progresso chegou.
Portugal passou a ser um membro de pleno direito, evoluído com um desenvolvimento extródinario dentro dos padrões da Europa e do mundo. e Tunga!!... para voltarmos a ser alguém toca , a evoluir também na língua e nas palavras.
Como na realidade nada mudou, nada melhor que mudar os nomes para parecermos evoluídos e desenvolvidos.
Assim de repente, um qualquer Aldeamento Turístico, passou-se a chamar Resort.
de repente de norte a sul e até nas ilhas, a evolução foi expectacular!!! foi só ver Resorts a aparecer!!!
E como a moda pegou...pimba!! toca a espalhar de Norte a Sul e também nas ilhas, SPAs ( que não são mais que as tradicionais Termas).
O meu medo é que Termas e Caldas são praticamente a mesma coisa, mudando ( ou Evoluindo) para SPAs vamos ter, não tarda uma catrefada de terriolas novas, que continuam atrasadas, mas com o novo nome passam a ser uma condição. Imaginem ir às SPAs da Rainha, comprar loiça do Bordalo.... e que tal ir comprar ouro às SPAS das Taipas bem ao lado de Guimarães.???
Bom mesmo é aproveitar toda esta evolução e desenvolvimento e em vez de irmos para a esplanada ver o Por do Sol. Vamos mazé pró LOUNGE curtir o SUNSET.
E se tivermos fome, em vez de irmos ao Restaurante ( que já de si é um Anglicismo) vamos ao Bistrot!! ou ao BUFFET.....
Se, o Aldeamento passa a Resort, a esplanada a Lounge, as Termas a Spa e o por do sol a Sunset.... vou fazer um coffe break....
O mote, lá está, esteve a corte toda que se reunir para as alegres comemorações do Reino, Bernardo de sua Graça.
Fugindo ao trivial, não vou por-me aqui a descascar resumidamente os "perumenores" de toda uma semana de comemorações.Basta dizer que a corte esteve reunida, e isso basta. Porque de resto, sabemos todos o quanto foi bom, agradável, bonito e esfuziante, a tertúlia gerada à volta daquele palaçio em plena Ria Formosa plantando. Ali tudo passa ao lado, lá longe como um filme de ficção. Ali todas as coisas más da vida, do país ou do mundo se esfumam entre uns carabineros ou uma sopa de tamboril, ali tudo é baril!!
No meio de tantos dizeres tantos risos e conversas sérias chegou-se ao tópico que dá hoje tintalu ao post ( ou melhor...disposto). O Acordo ortográfico. vulgo A.O.
Sem querer entrar pelas normais certezas sobre se é mau, péssimo ou não presta para nada, e é mais uma facada na nossa Identidade Nacional, donos de uma Língua Universal, donos de uma Herança Histórica, mundial, só podemos no fundo, rir.
E como nestes tempos rir está cada vez mais difícil, a verdade é que foi a rir que passamos todo o Fim de Semana.
Portugal foi o primeiro País com o primeiro povo Global, anos antes de se falar em globalização já nós passeávamos por todo o lado. E à conta disso fomos deixando aqui e ali muito de nós.
A mulata no Brasil, a tempura espingardas e palavras no Japão. Nomes e línguas a países e novos povos. Estrelas, instrumentos marítimos e afins... Enfim, deixamos um pouco por muito lado.
Com o passar dos tempos o contrário aconteceu. Os anglicismos apareceram à uns séculos, depois nos anos setenta vieram os francesismos com a volta dos emigrantes.
Eram as janelas estilo fenetre, as casas estilo maison e os cães estilo chiens.
Entrámos na Europa ( como se alguma vez tivéssemos fora deste continente...) e o progresso chegou.
Portugal passou a ser um membro de pleno direito, evoluído com um desenvolvimento extródinario dentro dos padrões da Europa e do mundo. e Tunga!!... para voltarmos a ser alguém toca , a evoluir também na língua e nas palavras.
Como na realidade nada mudou, nada melhor que mudar os nomes para parecermos evoluídos e desenvolvidos.
Assim de repente, um qualquer Aldeamento Turístico, passou-se a chamar Resort.
de repente de norte a sul e até nas ilhas, a evolução foi expectacular!!! foi só ver Resorts a aparecer!!!
E como a moda pegou...pimba!! toca a espalhar de Norte a Sul e também nas ilhas, SPAs ( que não são mais que as tradicionais Termas).
O meu medo é que Termas e Caldas são praticamente a mesma coisa, mudando ( ou Evoluindo) para SPAs vamos ter, não tarda uma catrefada de terriolas novas, que continuam atrasadas, mas com o novo nome passam a ser uma condição. Imaginem ir às SPAs da Rainha, comprar loiça do Bordalo.... e que tal ir comprar ouro às SPAS das Taipas bem ao lado de Guimarães.???
Bom mesmo é aproveitar toda esta evolução e desenvolvimento e em vez de irmos para a esplanada ver o Por do Sol. Vamos mazé pró LOUNGE curtir o SUNSET.
E se tivermos fome, em vez de irmos ao Restaurante ( que já de si é um Anglicismo) vamos ao Bistrot!! ou ao BUFFET.....
Se, o Aldeamento passa a Resort, a esplanada a Lounge, as Termas a Spa e o por do sol a Sunset.... vou fazer um coffe break....
segunda-feira, agosto 27, 2012
Milhas de mar
A combinação parecia estar bem feita e rea facil. Buscar um barco a Vilamoura, trazê-lo para Lisboa, por mar já se vê e à vela claro está.
Simples, facil e bastante apetecivel. Lá se arranjou tripulação, marcou-se passagem de comboio para baixo e arrancou-se para a marina. O dono do barco tinha-o comprado há 3 dias atrás, desejoso de se aventurar pelo mar adentro. Ainda pouco experiente nas coisas maritimas, mas com vontade de aprender e ganhar milhas. Na vespera um contratempo no motor fora resolvido e tudo indicava que a viagem seria um passeio no parque. O tempo estava bom, o vendo embora contrario não punha obstáculos, o barco parecia em estado de navegar.
Depois de instrucções dadas para o abastecimento de combustivel e viveres, lá chegamos à amarração. sem confirmar os viveres, acreditando na electronica e fazendo uma rápida vistoria aos cabos e meios de salvação, largamos amarras rumo ao norte. eram já sete da tarde e a viagem à noite seria uma certeza. Passariamos S. Vicente pelas 4 da madrugada, com bom vento. Depois seria subir a norte acompanhados pelo nascer do Sol com um belo dia quente que nos levaria até Lisboa ao fim da noite. Nada previa o contrário.
Mas no mar, o mar manda o vento comanda e é preciso sempre fazer adaptações. Ao largo de Lagos, já com o rumo a S. Vicente, umas 4 milhas fora da costa a ventania entre os 27 e 31 nós apareceu, o mar encrespou, nada de violento mas cavado e muito mexido. A tripulação, cansada da viagem ressentiu-se e por bem e bem resolveu aportar em Lagos para passar a noite, eram onze da noite, daria para comermos qualquer coisa e zarpar logo pela alvorada.
Chegamos a terra aportamos no pontão de espera da Marina, já que aquela hora não se justificava e era impossivel pedir um cais de amarração.
Bem amarrados passamos a ponte para um jantar bastante agradavel de bifes grelhados...fritos na grelha...especialidade da casa talvez, mas de agradável sabor e teixtura. Recolhemos eram uma da manhã e dormimos até ás 6. Hora que zarpamos.
O motor comportava-se bem, os instrumentos marcavam a rota e a velocidade de 6 nós fazia prever uma viagem já mais longa do que o esperado. Mas tudo seguia bem.
A comida, não verificada e confiada mostrou-se parca, um pacote de pão rico e umas fatias de fiambre, mortadela e pouco mais. Àgua havia suficiente, e em grande quantidade, coca-colas. Mas como as previsões estavam agradáveis, pareceu não ser relevante a falta de substancia alimentar.
O vento que acalmou durante a noite, voltou a aparecer mas sem a intensidade da vespera, estava a bater os 12 15 nós, ideal para aquele barco navegar.
Foram rápidas as 3 horas e meia até ao Cabo, e quando já estavamos entre a ponta de Sagres e S. Vicente, com o motor a 3.000 rotações para desviarmo-nos de um arrastão, o primeiro sinal apareceu.
Sem razão aparente, já que não ia em seforço, o motor sobre-aqueceu, e todos os alarmes de temperatura, pressão do óleo e baterias apitaram. Imediatamente um cheiro a quente e queimado apareceu no poço, automaticamente, desligamos o motor, abrimos a coberta e esperamos para ver se alguma coisa estava a arder. Nada. tudo normal fora a temperatura e o cheiro a quente do motor. Por bem não o ligámos de novo e deixamos arrefecer umas horas enquanto seguiamos rumo a norte.
Nesta altura ainda pensei em voltar atrás e parar em Sagres, logo ali escondida pela ponta. Decidimos avançar, havia vento, o motor mesmo que fosse necessário seria pouco tempo, em vez de rumarmos a Lisboa, apontamos a Sines, subbindo junto à costa com bordos curtos. Assim se passou o dia até chegarmos ao largo da Arrifana, onde repentinamente todos os aparelhos de navegação se calaram e desligaram, tinhamos acabao de ficar sem bateria. Não uma mas as duas!!
Ao verificar os istrumentos demos pelo frigorifico ligado, tinha estado ligado toda a noite, e todo o dia, ajudando, a descarregar mais depressa as baterias, embora esse não tivesse sido a principal causa.
Confiante na passagem de testemunho o dono do barco acreditou no antigo dono que as baterias estavam em condições, condição que se provou não ser a verdade.
Assim, ao largo, talvez umas 6 milhas da costa, junto a Arrifana e Monte Clérigo, só com as baterias dos telemoveis carregadas ainda continuamos a navegar para norte, a fazer os 5 nós quando o vento deixava, mas a fazermos uma média de 3 nós.
A viagem começava a mostrar-se ainda mais longa. Sines era agora o nosso porto obrigatório.
Especulou-se em fazer meia volta e regressar a Sagres ou Lagos, concertar o motor e de novo arrancar, mas a distancia entre os dois portos e a noticia de ventos mais fortes a sul , manteve-nos na decisão de rumar a norte a Sines.
Um bordo para fora seriu para apanharmos mais vento e apreciarmos a pesca de uma baleia piloto junto com alguns gansos patolas, um bom fim de tarde, que agoirava uma bela noite.
Sem piloto automatico, sem instrumentos, segurei-me ao leme o maior tempo possivel, revessando-me varias vezes com o dono que , além de mim era o único que percebia pouco de vela. Subimos a costa sempre com o Cabo Sardão à vista a noite toda. De madrugada, já umas 10 milhas passadas do Sardão, o vento caiu com o nascer do Sol. Ali ficamos 6 horas à espera de uma brisa, que nos levasse junto das chaminés de Sines, já à vista.
Não avistamos brisa nem sentimos um vento amigo a levarnos a bom porto. Estando ao largo de Vila Nova Milfontes, com os telemoveis ainda com alguma bateria, sem rádio para comunicarmos, começamos a fazer telefonemas para o seguro, para os amigos para a capitania, para Deus e para o Diabo a fim de nos socorrerem. Não estavando em perigo de vida as autoridades não podem socorrer.....Belo País este!!!
Ao fim de quatro horas à deriva, sem vento, depois de largarmos um very light, de sinalizarmos barcos que passavam ao largo, barcos que pescavam mais perto da costa e que viram os sinais de pedido de ajuda nenhum, se mexeu nenhum virou a proa na nossa direcção, nenhum fez nada, e a corrente calmamente nos levava para sul onde tinhamos passado há 8 horas atrás.
Por fim, depois de esgotarmos as baterias dos telemoveis, lá recebemos noticias.
Da capitania, como não havia vidas em perigo...nada. de Sines, a fantástica companhia de seguros depois de se fazerem pelo menos 45 chamadas telefónicas informa-nos que participam no reboque com 125€....fantástico...tendo em conta que um orçamento que nos cehgou via telemovel pedia 6.000€. O vento esse também não aparecia.
Até que, depois de um telefonema para Vila Nova e uma resposta de Vila Novo feita por uma pessoa de caracter, honestidade e integridade lá nos conseguiu pro portas e travessas mover a boa-vontade do Eduardo, que no fundo é isso mesmo, uma pessoa do mar com boa vontade em ajudar.
Apareceu-nos um semi-rigido do ISN conduzido pelo grande Eduardo Minhoca, o Minhoca, conhecido pelas gentes de Vila Nova e arredores. Homem são. Sem maldade com viviencia na barra de Vila Nova, cabelo curto e grisalho seco mas sem ser demasiado mosculado, bem moreno do sol e das ondes com quem toda a vida conviveu. Sorriso e conversa facil e afafél, chegou, acompanhado por um Papa Mike que mal se percebia o que dizia, farda suja e gasta, barba por fazer dentes por caír, e não fosse a distancia, a certeza de ter halito a bebida, já que é passatempo diario em forma de matar o tempo. No fundo igual a muitos outros seus colegas.
Do semi rigido logo nos perguntou Eduardo como estavamos, enquanto respondiamos o Papa Mike agarrado ao rádio transmitia para a capitania o desenrolar das coisas.
Ao leme, Minhoca não deu tempo, exigiu-nos um cabo para fazer o reboque até à barra. Borucracias tratariam-se mais tarde, como homem do mar vivido que é sabe das coisas. Primeiro salva-se e aruma-se , depois conversa-se.
Mas....num gesto de profissional de meia tigela, dentro de uma farda amafarnhada, impondo todo o seu poder burucrático sobre a situação e valendo-se da instiutição que tristemente representa, Papa Mike, balbuciou; "O seguro? já comunicaram ao seguro? são 300€ de reboque, sem o OK do seguro não rebocamos", já estavam a rebocar, o seguro nada tinha comunicado à capitania e zás!!! toca de largar as amarras de novo ao mar...."desemerdem-se" foi o que obtivemos da autoridade maritima!!!
Expectacular desenlace para um fim breve à vista.
Rebocados pela boa vontade do Minhoca do ISN, fomos de novo deixados à deriva pelo zelo profissional da policia maritima!!! e....desemerdem-se....
Desemerdamo-nos claro!! graças aos telefonemoas feitos para terra para certa pessoa de Vila Nova o Minhoca desemerdou-nos e cagou na autoridade. Graças a eles fomos rebocados até porto seguro, barra de Vila Nova Milfontes a dentro onde calmamente fundeamos para reparações.
Logo no seu zelo maxim, os colgas Papa Mike apareceram para fazer uma inspecção aos meios de salvamento do barco. Meios que estão claro, está todos em ordem, mas se a vontade que nos têm em inspeccionar em porto seguro, fosse a mesma que poderiam ter tido em nos rebocar, de certeza que em vez de 9 horas no mar à deriva, tinhamos passado somente 2 ou menhos.
Infelizmente é assim neste País. Felizmente à gente como o Minhoca, como o Lipão e como muitos mais anónimos que vão fazendo o melhor que nós portugueses temos...desenrascando, contrariamente a leis e borucracias criadas por paspalhos de gravata sentados em gabinetes onde ninguém tem tomates para tomar decisões.
A Lição foi aprendida. se for para o mar avio-me em terra, se estiver no mar não contes com nenhuma autoridade oficial. Conta com os teus amigos e amigos dos teus amigos, porque esses são HOMENS.
tudo o mais é ralé.
Simples, facil e bastante apetecivel. Lá se arranjou tripulação, marcou-se passagem de comboio para baixo e arrancou-se para a marina. O dono do barco tinha-o comprado há 3 dias atrás, desejoso de se aventurar pelo mar adentro. Ainda pouco experiente nas coisas maritimas, mas com vontade de aprender e ganhar milhas. Na vespera um contratempo no motor fora resolvido e tudo indicava que a viagem seria um passeio no parque. O tempo estava bom, o vendo embora contrario não punha obstáculos, o barco parecia em estado de navegar.
Depois de instrucções dadas para o abastecimento de combustivel e viveres, lá chegamos à amarração. sem confirmar os viveres, acreditando na electronica e fazendo uma rápida vistoria aos cabos e meios de salvação, largamos amarras rumo ao norte. eram já sete da tarde e a viagem à noite seria uma certeza. Passariamos S. Vicente pelas 4 da madrugada, com bom vento. Depois seria subir a norte acompanhados pelo nascer do Sol com um belo dia quente que nos levaria até Lisboa ao fim da noite. Nada previa o contrário.
Mas no mar, o mar manda o vento comanda e é preciso sempre fazer adaptações. Ao largo de Lagos, já com o rumo a S. Vicente, umas 4 milhas fora da costa a ventania entre os 27 e 31 nós apareceu, o mar encrespou, nada de violento mas cavado e muito mexido. A tripulação, cansada da viagem ressentiu-se e por bem e bem resolveu aportar em Lagos para passar a noite, eram onze da noite, daria para comermos qualquer coisa e zarpar logo pela alvorada.
Chegamos a terra aportamos no pontão de espera da Marina, já que aquela hora não se justificava e era impossivel pedir um cais de amarração.
Bem amarrados passamos a ponte para um jantar bastante agradavel de bifes grelhados...fritos na grelha...especialidade da casa talvez, mas de agradável sabor e teixtura. Recolhemos eram uma da manhã e dormimos até ás 6. Hora que zarpamos.
O motor comportava-se bem, os instrumentos marcavam a rota e a velocidade de 6 nós fazia prever uma viagem já mais longa do que o esperado. Mas tudo seguia bem.
A comida, não verificada e confiada mostrou-se parca, um pacote de pão rico e umas fatias de fiambre, mortadela e pouco mais. Àgua havia suficiente, e em grande quantidade, coca-colas. Mas como as previsões estavam agradáveis, pareceu não ser relevante a falta de substancia alimentar.
O vento que acalmou durante a noite, voltou a aparecer mas sem a intensidade da vespera, estava a bater os 12 15 nós, ideal para aquele barco navegar.
Foram rápidas as 3 horas e meia até ao Cabo, e quando já estavamos entre a ponta de Sagres e S. Vicente, com o motor a 3.000 rotações para desviarmo-nos de um arrastão, o primeiro sinal apareceu.
Sem razão aparente, já que não ia em seforço, o motor sobre-aqueceu, e todos os alarmes de temperatura, pressão do óleo e baterias apitaram. Imediatamente um cheiro a quente e queimado apareceu no poço, automaticamente, desligamos o motor, abrimos a coberta e esperamos para ver se alguma coisa estava a arder. Nada. tudo normal fora a temperatura e o cheiro a quente do motor. Por bem não o ligámos de novo e deixamos arrefecer umas horas enquanto seguiamos rumo a norte.
Nesta altura ainda pensei em voltar atrás e parar em Sagres, logo ali escondida pela ponta. Decidimos avançar, havia vento, o motor mesmo que fosse necessário seria pouco tempo, em vez de rumarmos a Lisboa, apontamos a Sines, subbindo junto à costa com bordos curtos. Assim se passou o dia até chegarmos ao largo da Arrifana, onde repentinamente todos os aparelhos de navegação se calaram e desligaram, tinhamos acabao de ficar sem bateria. Não uma mas as duas!!
Ao verificar os istrumentos demos pelo frigorifico ligado, tinha estado ligado toda a noite, e todo o dia, ajudando, a descarregar mais depressa as baterias, embora esse não tivesse sido a principal causa.
Confiante na passagem de testemunho o dono do barco acreditou no antigo dono que as baterias estavam em condições, condição que se provou não ser a verdade.
Assim, ao largo, talvez umas 6 milhas da costa, junto a Arrifana e Monte Clérigo, só com as baterias dos telemoveis carregadas ainda continuamos a navegar para norte, a fazer os 5 nós quando o vento deixava, mas a fazermos uma média de 3 nós.
A viagem começava a mostrar-se ainda mais longa. Sines era agora o nosso porto obrigatório.
Especulou-se em fazer meia volta e regressar a Sagres ou Lagos, concertar o motor e de novo arrancar, mas a distancia entre os dois portos e a noticia de ventos mais fortes a sul , manteve-nos na decisão de rumar a norte a Sines.
Um bordo para fora seriu para apanharmos mais vento e apreciarmos a pesca de uma baleia piloto junto com alguns gansos patolas, um bom fim de tarde, que agoirava uma bela noite.
Sem piloto automatico, sem instrumentos, segurei-me ao leme o maior tempo possivel, revessando-me varias vezes com o dono que , além de mim era o único que percebia pouco de vela. Subimos a costa sempre com o Cabo Sardão à vista a noite toda. De madrugada, já umas 10 milhas passadas do Sardão, o vento caiu com o nascer do Sol. Ali ficamos 6 horas à espera de uma brisa, que nos levasse junto das chaminés de Sines, já à vista.
Não avistamos brisa nem sentimos um vento amigo a levarnos a bom porto. Estando ao largo de Vila Nova Milfontes, com os telemoveis ainda com alguma bateria, sem rádio para comunicarmos, começamos a fazer telefonemas para o seguro, para os amigos para a capitania, para Deus e para o Diabo a fim de nos socorrerem. Não estavando em perigo de vida as autoridades não podem socorrer.....Belo País este!!!
Ao fim de quatro horas à deriva, sem vento, depois de largarmos um very light, de sinalizarmos barcos que passavam ao largo, barcos que pescavam mais perto da costa e que viram os sinais de pedido de ajuda nenhum, se mexeu nenhum virou a proa na nossa direcção, nenhum fez nada, e a corrente calmamente nos levava para sul onde tinhamos passado há 8 horas atrás.
Por fim, depois de esgotarmos as baterias dos telemoveis, lá recebemos noticias.
Da capitania, como não havia vidas em perigo...nada. de Sines, a fantástica companhia de seguros depois de se fazerem pelo menos 45 chamadas telefónicas informa-nos que participam no reboque com 125€....fantástico...tendo em conta que um orçamento que nos cehgou via telemovel pedia 6.000€. O vento esse também não aparecia.
Até que, depois de um telefonema para Vila Nova e uma resposta de Vila Novo feita por uma pessoa de caracter, honestidade e integridade lá nos conseguiu pro portas e travessas mover a boa-vontade do Eduardo, que no fundo é isso mesmo, uma pessoa do mar com boa vontade em ajudar.
Apareceu-nos um semi-rigido do ISN conduzido pelo grande Eduardo Minhoca, o Minhoca, conhecido pelas gentes de Vila Nova e arredores. Homem são. Sem maldade com viviencia na barra de Vila Nova, cabelo curto e grisalho seco mas sem ser demasiado mosculado, bem moreno do sol e das ondes com quem toda a vida conviveu. Sorriso e conversa facil e afafél, chegou, acompanhado por um Papa Mike que mal se percebia o que dizia, farda suja e gasta, barba por fazer dentes por caír, e não fosse a distancia, a certeza de ter halito a bebida, já que é passatempo diario em forma de matar o tempo. No fundo igual a muitos outros seus colegas.
Do semi rigido logo nos perguntou Eduardo como estavamos, enquanto respondiamos o Papa Mike agarrado ao rádio transmitia para a capitania o desenrolar das coisas.
Ao leme, Minhoca não deu tempo, exigiu-nos um cabo para fazer o reboque até à barra. Borucracias tratariam-se mais tarde, como homem do mar vivido que é sabe das coisas. Primeiro salva-se e aruma-se , depois conversa-se.
Mas....num gesto de profissional de meia tigela, dentro de uma farda amafarnhada, impondo todo o seu poder burucrático sobre a situação e valendo-se da instiutição que tristemente representa, Papa Mike, balbuciou; "O seguro? já comunicaram ao seguro? são 300€ de reboque, sem o OK do seguro não rebocamos", já estavam a rebocar, o seguro nada tinha comunicado à capitania e zás!!! toca de largar as amarras de novo ao mar...."desemerdem-se" foi o que obtivemos da autoridade maritima!!!
Expectacular desenlace para um fim breve à vista.
Rebocados pela boa vontade do Minhoca do ISN, fomos de novo deixados à deriva pelo zelo profissional da policia maritima!!! e....desemerdem-se....
Desemerdamo-nos claro!! graças aos telefonemoas feitos para terra para certa pessoa de Vila Nova o Minhoca desemerdou-nos e cagou na autoridade. Graças a eles fomos rebocados até porto seguro, barra de Vila Nova Milfontes a dentro onde calmamente fundeamos para reparações.
Logo no seu zelo maxim, os colgas Papa Mike apareceram para fazer uma inspecção aos meios de salvamento do barco. Meios que estão claro, está todos em ordem, mas se a vontade que nos têm em inspeccionar em porto seguro, fosse a mesma que poderiam ter tido em nos rebocar, de certeza que em vez de 9 horas no mar à deriva, tinhamos passado somente 2 ou menhos.
Infelizmente é assim neste País. Felizmente à gente como o Minhoca, como o Lipão e como muitos mais anónimos que vão fazendo o melhor que nós portugueses temos...desenrascando, contrariamente a leis e borucracias criadas por paspalhos de gravata sentados em gabinetes onde ninguém tem tomates para tomar decisões.
A Lição foi aprendida. se for para o mar avio-me em terra, se estiver no mar não contes com nenhuma autoridade oficial. Conta com os teus amigos e amigos dos teus amigos, porque esses são HOMENS.
tudo o mais é ralé.
segunda-feira, agosto 20, 2012
Sardinha na Mão...Pois então!!
Estava calor naquele Domingo, quando se levantaram para preparar o Banquete. Eram as festas na aldeia e por isso tinham dispensado a criadagem, não valia a pena e o banquete era fácil, assim como assim ainda lhes saberia melhor serem eles a preparar tudo.
Depois do pequeno almoço, tomado na soleira da casa de jantar, ali com vista para o monte, acompanhados pelas cigarras que começavam a anunciar o calor que chegaria, seguiu ele para a horta colher os legumes. Alface, tomate e manjericão para a salada, pepino para o gin e também para a salada, pimentos para acompanhamentos com a batata nova já arrumada no celeiro.
Ela ficou-se pela cozinha, lavando, cortando, picando, e arranjando o cesto trazido da horta. Ele correu á lenha, apanhou algumas pinhas e trouxe uns bons tarolos para fazer o carvão, na casa do pão ao lado do forno, ainda quente da fornada da véspera apanhou mais umas achas e acendeu o grelhador. Enquanto lá dentro na cozinha da casa o calor começava a apertar, as persianas da janela estavam corridas como que filtrando o ar e deixando o quente de fora, mas nem uma aragem corria. Por bem resolveram fazer o banquete ao ar livre, na varanda arejada a sul com a vista para a serra e as vinhas. sem cerimonias puseram uma velha vela do barco que tinham para dar algum conforto e sombra.
Depois foi a vez das sardinhas da D. Emília, vindas de Peniche trazidas na gamela, ainda como que a saltar. Sal para cima delas e cobertas com água do mar para mantê-las frescas até à hora de assar.
Os convivas começaram a chegar, esbaforidos com o calor, era uma da tarde. Uns de Cascais, outros de Lisboa, e outros do vizinho casal de Sta. Teresa.
Como que a recebê-los umas garrafas de vinho verde branco para apaziguar o calor foram servidas e bebidas na varanda à sombra da vela para acalmar a fome os percebes trazidos foram devorados alegremente.
As brasas pareciam estar prontas e chamavam pelas sardinhas, que prontamente foram postas na grelha. Talvez por fraca noção as brasas atearam de novo fogo, alimentadas pela maravilhosa gordura que caía do peixe. Não estorricaram e a primeira leva deu o mote ás seguintes. Muito fumo mas a grelharem bem e no ponto. Os pimentos, colocados nas brasas deram um aroma à volta do grelhador que fazia crescer água na boca. descascados , e cortados foram postos na mesa temperados com o azeite do último ano. Um pitéu.
Sardinha a sardinha, lá se foram abrindo uma atrás da outra as garrafas do vinho branco que estava no frio desde a véspera. E assim se passou aquela tarde de Domingo na varanda.
A criançada entretanto aproveitou o calor e rumou ao lago para se refrescar, onde por lá se entreteram um bom par de horas.
Seguiu-se o café, e como o calor apertava, os digestivos foram deixados. Como refugiu passaram todos para o jardim, onde o fresco estava mais apetecível.
Ali, debaixo do alpendre á sombra, sentados no banco de Cascais, a amena cavaqueira prolongou-se pelo resto do dia. Alguns aproveitaram e foram fazer um passeio higiénico pela quinta, aproveitando para ver o andar das vinhas, fazerem conjunturas sobre as vindimas que se avizinham, o calor nesta altura pode trazer qualidade, as chuvas podem ajudar a crescer a quantidade, os prógnosticos parecem bons. Mas só daqui a um mês ou dois é que se vai saber. A caça passa a passo de caracol, escondida entre as sombras das estevas e dos arbustos, no ar uma águia vigia algum coelho mais distraído e as galinholas nos canaviais junto à lagoa refrescam-se tranquilamente.
De volta a casa, a conversa anima-se entre um copo de rum e hortelã, servido como refresco. Um chá gelado e água com limão apazigua a sede. E a tarde avança para o principio da noite. É a hora de recolher, voltar à estrada e acender os candeeiros.
Os convivas partem, contentes com o dia bem passado, os anfitriões felizes com a recepção e ao mesmo tempo cansados com o dia.
Num resumo curto, foi bom. Muito bom e a pedir uma repetição.
Depois do pequeno almoço, tomado na soleira da casa de jantar, ali com vista para o monte, acompanhados pelas cigarras que começavam a anunciar o calor que chegaria, seguiu ele para a horta colher os legumes. Alface, tomate e manjericão para a salada, pepino para o gin e também para a salada, pimentos para acompanhamentos com a batata nova já arrumada no celeiro.
Ela ficou-se pela cozinha, lavando, cortando, picando, e arranjando o cesto trazido da horta. Ele correu á lenha, apanhou algumas pinhas e trouxe uns bons tarolos para fazer o carvão, na casa do pão ao lado do forno, ainda quente da fornada da véspera apanhou mais umas achas e acendeu o grelhador. Enquanto lá dentro na cozinha da casa o calor começava a apertar, as persianas da janela estavam corridas como que filtrando o ar e deixando o quente de fora, mas nem uma aragem corria. Por bem resolveram fazer o banquete ao ar livre, na varanda arejada a sul com a vista para a serra e as vinhas. sem cerimonias puseram uma velha vela do barco que tinham para dar algum conforto e sombra.
Depois foi a vez das sardinhas da D. Emília, vindas de Peniche trazidas na gamela, ainda como que a saltar. Sal para cima delas e cobertas com água do mar para mantê-las frescas até à hora de assar.
Os convivas começaram a chegar, esbaforidos com o calor, era uma da tarde. Uns de Cascais, outros de Lisboa, e outros do vizinho casal de Sta. Teresa.
Como que a recebê-los umas garrafas de vinho verde branco para apaziguar o calor foram servidas e bebidas na varanda à sombra da vela para acalmar a fome os percebes trazidos foram devorados alegremente.
As brasas pareciam estar prontas e chamavam pelas sardinhas, que prontamente foram postas na grelha. Talvez por fraca noção as brasas atearam de novo fogo, alimentadas pela maravilhosa gordura que caía do peixe. Não estorricaram e a primeira leva deu o mote ás seguintes. Muito fumo mas a grelharem bem e no ponto. Os pimentos, colocados nas brasas deram um aroma à volta do grelhador que fazia crescer água na boca. descascados , e cortados foram postos na mesa temperados com o azeite do último ano. Um pitéu.
Sardinha a sardinha, lá se foram abrindo uma atrás da outra as garrafas do vinho branco que estava no frio desde a véspera. E assim se passou aquela tarde de Domingo na varanda.
A criançada entretanto aproveitou o calor e rumou ao lago para se refrescar, onde por lá se entreteram um bom par de horas.
Seguiu-se o café, e como o calor apertava, os digestivos foram deixados. Como refugiu passaram todos para o jardim, onde o fresco estava mais apetecível.
Ali, debaixo do alpendre á sombra, sentados no banco de Cascais, a amena cavaqueira prolongou-se pelo resto do dia. Alguns aproveitaram e foram fazer um passeio higiénico pela quinta, aproveitando para ver o andar das vinhas, fazerem conjunturas sobre as vindimas que se avizinham, o calor nesta altura pode trazer qualidade, as chuvas podem ajudar a crescer a quantidade, os prógnosticos parecem bons. Mas só daqui a um mês ou dois é que se vai saber. A caça passa a passo de caracol, escondida entre as sombras das estevas e dos arbustos, no ar uma águia vigia algum coelho mais distraído e as galinholas nos canaviais junto à lagoa refrescam-se tranquilamente.
De volta a casa, a conversa anima-se entre um copo de rum e hortelã, servido como refresco. Um chá gelado e água com limão apazigua a sede. E a tarde avança para o principio da noite. É a hora de recolher, voltar à estrada e acender os candeeiros.
Os convivas partem, contentes com o dia bem passado, os anfitriões felizes com a recepção e ao mesmo tempo cansados com o dia.
Num resumo curto, foi bom. Muito bom e a pedir uma repetição.
sexta-feira, agosto 17, 2012
Do Capitão ao Barão
Altivo no porte, grisalho no cabelo, cigarro na mão e vespa entre as pernas. É assim que agora vejo o meu amigo Barão, sempre preocupado com a sua aparencia, não tem o pente no bolso, mas as camisas engomadas e pólos sem vincos fazem parte dele como os jeans e as botas de caneleira alta bem ensebadas.
Conheci-o nas andanças nocturnas já vai para alguns anos, talvez no Ad-Lib acompanhado pelo Diogo e o saudoso amigo Xico, aquele Metralha de grande porte e suave no trato.
Passado pouco tempo já convivíamos trocando opiniões sobre esta ou aquela parola que deambulavam pelos nossos poisos a quererem ser gente....
Reencontramos-nos no Porto, onde o Barão recebeu o posto de Capitão. Aí vendia cosméticos e afins, depois de ter deixado em Lisboa uma carreira brilhante no automobilismo nacional. ( Vendia carros). Os negócios fazia-os à noite junto ao bar a olhar para a pista de dança. Dançar francamente vi-o pouco, só quando uma presa se atravessava nas garras.
No reencontro no Porto, já feito Capitão das artes do flirt , o Barão aí já dançava, vivia na foz, no Passeio Alegre e o seu modesto apartamento transbordava vida, esplanada na rua, musica na sala, bebida na mão via as catraias passar. Á noite lá recolhia ao seu refugio mesmo ali ao lado, o Twins, ainda com a traça original, onde o disco Jockey ( agora DJ) imediatamente ponha a musica dos Roxette como que anunciando a entrada do Capitão.
Mostrou-me em três semanas todo o Porto que não conheci em 3 anos de estudos, levou-me aos restaurantes da moda, ás tasquinhas dos bairros às casas dos amigos,que se tornaram meus amigos também. Fez-me gostar da Invicta, de tal forma como a odiava no passado. Tornou-me também um Homem do Nuorte! Uma honra!!.
Deixei-o nessas terras e rumei para os ilhéus, ele rumou de novo a sul. Deixamo-nos de nos ver uns tempos, até que quando voltei das ilhas e depois de uma breve temporada de um ano de novo na Invicta, onde já nada era igual, voltei também ao sul.
Lisboa tornou-se o nosso poiso comum, mas as vidas tinham mudado. Empreendedor, o Barão deixou o titulo de Capitão. Montou negócio, assentou arraiais e casou. Via-o exporádicamente em minha casa, quando organizava os jantares de caça para um restrito grupo de amigos. Depois das jantas saiamos para as farras, o Barão regressava ao lar desconsolado....
Duraram alguns anos esses regressos, até que um dia, ou noite, vi-o de novo com o titulo de Capitão. O negócio prosperava, o casamento terminava. Tempos difíceis e chato passou mas lá se aguentou, nobre e altivo como é não perdeu a pose nem o jeito.
Lisboa tinha de novo o Capitão!! todos trememos, todos nos ressentimos, as nossas médias vieram parar cá para baixo. Não havia modo de segurar o Capitão. Mas manteve-nos sempre perto, sempre juntos sempre unidos. Na sua nova casa, ali posta no alto da calçada da Estrela construiu uma alegre tertúlia de bons amigos, pensávamos.... Bons tempos passamos nessa altura, tudo era "azul"....
Até que lentamente começou a desmoronar o castelo. O Barão rumou de novo para o Porto, o seu coração assim o chamava. Instalou-se de novo na Foz, montou escritório, e começou a fazer crescer o seu negócio de Lisboa. Durou ainda alguns anos e a sua vida foi, tranquila, mais calma mas vivida, como sempre.
O Fado que andava lado a lado com ele já há muitos anos reapareceu em força e tornou-se a sua alma. Com ele tudo o que Portugal e o Norte têm de bom; Guitarradas, tertúlias até de madrugada, Achegas de bois, almoçaradas de lampreia, onde o Barão se deliciava...a ver os outros comer....passeios ao Gerês, passeios na vespa, romarias, Ponte de Lima, Ponte da Barca, de Capitão fez-se Barão!!
O Norte era de novo dele. E no norte duas coisas eram ele. A Quinta do Passadiço e Vila do Conde.
Mas no sul as coisas não seguiram o rumo do norte e o Barão de novo embalou e abalou para baixo. Agora com um peso nos ombros e uma responsabilidade maior para lutar por ele contra fracos.
Está aí. continua altivo, forte e orgulhoso, humilde honesto e bom amigo. Não se deixa ir abaixo, não vai a baixo. Lentamente vai-se levantado e a prova é o dia de hoje. Que é o seu dia, que espero que o seja por muitos mais e que possa eu estar ao seu lado.
Conheci-o nas andanças nocturnas já vai para alguns anos, talvez no Ad-Lib acompanhado pelo Diogo e o saudoso amigo Xico, aquele Metralha de grande porte e suave no trato.
Passado pouco tempo já convivíamos trocando opiniões sobre esta ou aquela parola que deambulavam pelos nossos poisos a quererem ser gente....
Reencontramos-nos no Porto, onde o Barão recebeu o posto de Capitão. Aí vendia cosméticos e afins, depois de ter deixado em Lisboa uma carreira brilhante no automobilismo nacional. ( Vendia carros). Os negócios fazia-os à noite junto ao bar a olhar para a pista de dança. Dançar francamente vi-o pouco, só quando uma presa se atravessava nas garras.
No reencontro no Porto, já feito Capitão das artes do flirt , o Barão aí já dançava, vivia na foz, no Passeio Alegre e o seu modesto apartamento transbordava vida, esplanada na rua, musica na sala, bebida na mão via as catraias passar. Á noite lá recolhia ao seu refugio mesmo ali ao lado, o Twins, ainda com a traça original, onde o disco Jockey ( agora DJ) imediatamente ponha a musica dos Roxette como que anunciando a entrada do Capitão.
Mostrou-me em três semanas todo o Porto que não conheci em 3 anos de estudos, levou-me aos restaurantes da moda, ás tasquinhas dos bairros às casas dos amigos,que se tornaram meus amigos também. Fez-me gostar da Invicta, de tal forma como a odiava no passado. Tornou-me também um Homem do Nuorte! Uma honra!!.
Deixei-o nessas terras e rumei para os ilhéus, ele rumou de novo a sul. Deixamo-nos de nos ver uns tempos, até que quando voltei das ilhas e depois de uma breve temporada de um ano de novo na Invicta, onde já nada era igual, voltei também ao sul.
Lisboa tornou-se o nosso poiso comum, mas as vidas tinham mudado. Empreendedor, o Barão deixou o titulo de Capitão. Montou negócio, assentou arraiais e casou. Via-o exporádicamente em minha casa, quando organizava os jantares de caça para um restrito grupo de amigos. Depois das jantas saiamos para as farras, o Barão regressava ao lar desconsolado....
Duraram alguns anos esses regressos, até que um dia, ou noite, vi-o de novo com o titulo de Capitão. O negócio prosperava, o casamento terminava. Tempos difíceis e chato passou mas lá se aguentou, nobre e altivo como é não perdeu a pose nem o jeito.
Lisboa tinha de novo o Capitão!! todos trememos, todos nos ressentimos, as nossas médias vieram parar cá para baixo. Não havia modo de segurar o Capitão. Mas manteve-nos sempre perto, sempre juntos sempre unidos. Na sua nova casa, ali posta no alto da calçada da Estrela construiu uma alegre tertúlia de bons amigos, pensávamos.... Bons tempos passamos nessa altura, tudo era "azul"....
Até que lentamente começou a desmoronar o castelo. O Barão rumou de novo para o Porto, o seu coração assim o chamava. Instalou-se de novo na Foz, montou escritório, e começou a fazer crescer o seu negócio de Lisboa. Durou ainda alguns anos e a sua vida foi, tranquila, mais calma mas vivida, como sempre.
O Fado que andava lado a lado com ele já há muitos anos reapareceu em força e tornou-se a sua alma. Com ele tudo o que Portugal e o Norte têm de bom; Guitarradas, tertúlias até de madrugada, Achegas de bois, almoçaradas de lampreia, onde o Barão se deliciava...a ver os outros comer....passeios ao Gerês, passeios na vespa, romarias, Ponte de Lima, Ponte da Barca, de Capitão fez-se Barão!!
O Norte era de novo dele. E no norte duas coisas eram ele. A Quinta do Passadiço e Vila do Conde.
Mas no sul as coisas não seguiram o rumo do norte e o Barão de novo embalou e abalou para baixo. Agora com um peso nos ombros e uma responsabilidade maior para lutar por ele contra fracos.
Está aí. continua altivo, forte e orgulhoso, humilde honesto e bom amigo. Não se deixa ir abaixo, não vai a baixo. Lentamente vai-se levantado e a prova é o dia de hoje. Que é o seu dia, que espero que o seja por muitos mais e que possa eu estar ao seu lado.
segunda-feira, agosto 13, 2012
Ferros em Ferrel
Aquela noite estava aprazível, como que se a despedir de um dia de praia magnifico, onde as ondas daquela capital das mesmas mesmo ali ao lado não marcaram presença naquele dia. A praia esteve cheia e tudo apontava para uma grande enchente.
Confirmou-se, pela primeira vez, e creio que pelo resultado não será a última.
Ferrel com a sua provisória Monumental estacionada entre os quatro holofotes do campo da bola ainda pelada de relva, cumpriu e iniciou talvez uma nova tradição.
Agora naquelas bandas aquele lugar, aquele vilarejo já se pode orgulhar de novo. Não precisa de viver á sombra do surf, das ondas, do peixe e de outras iguarias menos licitas.
.
Já é capital do toiro no Oeste!! Ferrel na noite de 10 de agosto cresceu e mostrou ao mundo a sua vocação, a sua afficion, a sua tradição. Sim! Porque ali, terra de gentes do mar, gentes das terras , gentes do campo e das hortas, que se sentem como súbditos do reino das ondas onde a rainha ilha do Baleal, com o rei dos supertubos de Peniche, sempre os enviam para segundo plano, mostrou que tem nobreza também.
A Monumental encheu, os toiros cumpriram, o cartel, embora modificado à ultima hora, mostrou-se capaz frente a publico tão exigente. Os forcados, foram os senhores, a surfar na cara dos bravos toiros mostraram a valentia e bravura igual ou maior do que aqueles outros que todos os dia dão a cara ás ondas.
Os cavaleiros, em vez de dois Bastinhas só um já que o progenitor, devido a uma colhida infeliz numa outra arena gloriosa não pode mostrar a sua arte em tão grande estreia. Substituido e bem por um mancebo da corte Ribeiro Telles, mostrou que o que corre nas suas veias, não está deixado ao acaso.
O júnior Bastinhas cumpriu, brilhou, e quase saiu vitorioso, não fosse a grande lide projectada pelo Mendes bem aconchegado na magnifica montada russa, de seu nome e estilo Único, que foi na verdade a grande estrela da Noite.
Dos forcados, a segunda péga saiu vencedora, mas os dois grupos de Alenquer e do Aposento da Chamusca, se não me falha a memória, a mostraram bem o seu valor frente aos Pinto Barreiros, que de ave, só têm o nome e se mostraram em toda a sua bravura.
Naquela noite histórica de 10 de Agosto de 2012 Ferrel cumpriu, e encheu o peito com tanta grandeza e afficion taurina. As ondas que dali saíram não vão ser dominadas por valentes cavaleiros de cabelo loiro do wax, corpo escuro do sol, e mente vaga da erva. Mas vão navegar na memória de muitos.
Ali cumpriu-se tradição ali fez-se história, coragem e honra.
Viva Ferrel e à sua pequena grande Monumental!!
Confirmou-se, pela primeira vez, e creio que pelo resultado não será a última.
Ferrel com a sua provisória Monumental estacionada entre os quatro holofotes do campo da bola ainda pelada de relva, cumpriu e iniciou talvez uma nova tradição.
Agora naquelas bandas aquele lugar, aquele vilarejo já se pode orgulhar de novo. Não precisa de viver á sombra do surf, das ondas, do peixe e de outras iguarias menos licitas.
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Já é capital do toiro no Oeste!! Ferrel na noite de 10 de agosto cresceu e mostrou ao mundo a sua vocação, a sua afficion, a sua tradição. Sim! Porque ali, terra de gentes do mar, gentes das terras , gentes do campo e das hortas, que se sentem como súbditos do reino das ondas onde a rainha ilha do Baleal, com o rei dos supertubos de Peniche, sempre os enviam para segundo plano, mostrou que tem nobreza também.
A Monumental encheu, os toiros cumpriram, o cartel, embora modificado à ultima hora, mostrou-se capaz frente a publico tão exigente. Os forcados, foram os senhores, a surfar na cara dos bravos toiros mostraram a valentia e bravura igual ou maior do que aqueles outros que todos os dia dão a cara ás ondas.
Os cavaleiros, em vez de dois Bastinhas só um já que o progenitor, devido a uma colhida infeliz numa outra arena gloriosa não pode mostrar a sua arte em tão grande estreia. Substituido e bem por um mancebo da corte Ribeiro Telles, mostrou que o que corre nas suas veias, não está deixado ao acaso.
O júnior Bastinhas cumpriu, brilhou, e quase saiu vitorioso, não fosse a grande lide projectada pelo Mendes bem aconchegado na magnifica montada russa, de seu nome e estilo Único, que foi na verdade a grande estrela da Noite.
Dos forcados, a segunda péga saiu vencedora, mas os dois grupos de Alenquer e do Aposento da Chamusca, se não me falha a memória, a mostraram bem o seu valor frente aos Pinto Barreiros, que de ave, só têm o nome e se mostraram em toda a sua bravura.
Naquela noite histórica de 10 de Agosto de 2012 Ferrel cumpriu, e encheu o peito com tanta grandeza e afficion taurina. As ondas que dali saíram não vão ser dominadas por valentes cavaleiros de cabelo loiro do wax, corpo escuro do sol, e mente vaga da erva. Mas vão navegar na memória de muitos.
Ali cumpriu-se tradição ali fez-se história, coragem e honra.
Viva Ferrel e à sua pequena grande Monumental!!
sexta-feira, agosto 03, 2012
No Campo... Real Fidalgia
Já lá vai um mês ou quasi que os dois encaixotaram os pertences no furgão do sr. Cotrim. Nesse dia a azafama foi grande e comprida a começar logo pela manhã a acabar quase ao por do sol.
Na rua defronte ao palacete a multidão de curiosos, uns cinco ou três pararam para ver o sobe e desce , entra e sai dos carregadores. Durou talvez umas três horas o desfazer de de duas vidas de um par de anos.
Tudo acondicinonado, lá partiu a charrete para terras do Oeste. para o novo lar, a nova vida, as novas vivencias, as novas paisagens. Abadonaram Lisboa, não por obrigação mas também, não por gosto mas também. E com a casa às costas partiram, não para longe mas também.
O novo palacete, mais arejado onde o sol bate todas as manhãs à janela do quarto, espreita na cozinha e na grande sala de jantar a convidar para o pequeno almoço, ainda a embalar as almas adormecidas de uma noite bem dormida, está virado a sul, da janela da sala vê-se toda a propriedade, toda verde neste altura do ano, com vinhedos a correr encosta acima, árvores antigas a acolchoarem o vale onde corre a medo um ribeiro agora seco. Casario espalhado á esquerda e á direita, bem disfarçados entre os eucaliptos acompanham o vale, e no cimo de cada monte um moinho navega parado com as velas ao vento.
A montanha majestosa estende-se até ao vale, bate na encosta da casa e lá em cima no pico vê-se a Ermida da Sra. do Socorro onde em tempos alguns aventureiros atiravam-se de para pente e asa delta.
Logo pela manhã com o cantarolar da cotovia, o discurso do melro e o chamamento de um ou outro pardalito, tomam o pequeno almoço, uns dias no jardim sentados no banco de Cascais, onde de certo nobreza e fidalguia assentaram o rabiosque farto. Quando o tempo está mais encorpado com a nuvens que vêm a correr do Carvoeiro, sentam-se lá dentro na cozinha frente a frente a partilhar as torradas do pão saloio acabado de sair do forno de lenha.
Durante o dia, quando estão em casa, aproveitam para passear nas redondezas, ou refrescarem-se num dos três lagos, construidos para o efeito. A porta de casa raramente se fecha, e á volta os aldeões cumprimentam-se. O sol aquece todo aquele vale, que se refresca com uma brisa uns dias mais forte outros dias menos animada. Mas nos dias que o vento adormece, o bafo de calor só pode ser aturado nos lagos.
Quando o sol percorre todo o caminho e prepara-se para se recolher, todo o vale e a fachada se iluminam de cor de tijolo e no terraço fronteiro da sala tomam o seu Gin Tonico a saborear aquele momento. Ao longe vêm-se e ouvem-se as perdizes a depenicar o campo verde de relva, uma curuja das torres poisa no pinheiro bravo, enquanto os coelhos se entretêm com os rebentos frescos da relva acabada de regar.
Chega a noite e o casario ao longo do vale e das encostas ilumina-se, o moinho continua o seu caminho e os dois, recolhem-se para o jantar.
A lareira ainda não foi acesa, o tempo ainda não justifica, mas mais uns meses, na sala vai-se ouvir o repenicar das chamas nos tarolos secos. Um cheirnho a campo invade a casa cai a humidade e o aconchego dos sofás convida a um romanso depois do jantar, e antes da subida para os quartos.
Vive-se bem, sem pressa nem preocupação, não há buzinas, nem carros, á noite não se ouve o lixo, nem de manhã o autocarro. E quando se quer vir á cidade, ela está ali ao lado.
Que mais se quer?
Na rua defronte ao palacete a multidão de curiosos, uns cinco ou três pararam para ver o sobe e desce , entra e sai dos carregadores. Durou talvez umas três horas o desfazer de de duas vidas de um par de anos.
Tudo acondicinonado, lá partiu a charrete para terras do Oeste. para o novo lar, a nova vida, as novas vivencias, as novas paisagens. Abadonaram Lisboa, não por obrigação mas também, não por gosto mas também. E com a casa às costas partiram, não para longe mas também.
O novo palacete, mais arejado onde o sol bate todas as manhãs à janela do quarto, espreita na cozinha e na grande sala de jantar a convidar para o pequeno almoço, ainda a embalar as almas adormecidas de uma noite bem dormida, está virado a sul, da janela da sala vê-se toda a propriedade, toda verde neste altura do ano, com vinhedos a correr encosta acima, árvores antigas a acolchoarem o vale onde corre a medo um ribeiro agora seco. Casario espalhado á esquerda e á direita, bem disfarçados entre os eucaliptos acompanham o vale, e no cimo de cada monte um moinho navega parado com as velas ao vento.
A montanha majestosa estende-se até ao vale, bate na encosta da casa e lá em cima no pico vê-se a Ermida da Sra. do Socorro onde em tempos alguns aventureiros atiravam-se de para pente e asa delta.
Logo pela manhã com o cantarolar da cotovia, o discurso do melro e o chamamento de um ou outro pardalito, tomam o pequeno almoço, uns dias no jardim sentados no banco de Cascais, onde de certo nobreza e fidalguia assentaram o rabiosque farto. Quando o tempo está mais encorpado com a nuvens que vêm a correr do Carvoeiro, sentam-se lá dentro na cozinha frente a frente a partilhar as torradas do pão saloio acabado de sair do forno de lenha.
Durante o dia, quando estão em casa, aproveitam para passear nas redondezas, ou refrescarem-se num dos três lagos, construidos para o efeito. A porta de casa raramente se fecha, e á volta os aldeões cumprimentam-se. O sol aquece todo aquele vale, que se refresca com uma brisa uns dias mais forte outros dias menos animada. Mas nos dias que o vento adormece, o bafo de calor só pode ser aturado nos lagos.
Quando o sol percorre todo o caminho e prepara-se para se recolher, todo o vale e a fachada se iluminam de cor de tijolo e no terraço fronteiro da sala tomam o seu Gin Tonico a saborear aquele momento. Ao longe vêm-se e ouvem-se as perdizes a depenicar o campo verde de relva, uma curuja das torres poisa no pinheiro bravo, enquanto os coelhos se entretêm com os rebentos frescos da relva acabada de regar.
Chega a noite e o casario ao longo do vale e das encostas ilumina-se, o moinho continua o seu caminho e os dois, recolhem-se para o jantar.
A lareira ainda não foi acesa, o tempo ainda não justifica, mas mais uns meses, na sala vai-se ouvir o repenicar das chamas nos tarolos secos. Um cheirnho a campo invade a casa cai a humidade e o aconchego dos sofás convida a um romanso depois do jantar, e antes da subida para os quartos.
Vive-se bem, sem pressa nem preocupação, não há buzinas, nem carros, á noite não se ouve o lixo, nem de manhã o autocarro. E quando se quer vir á cidade, ela está ali ao lado.
Que mais se quer?
quinta-feira, julho 19, 2012
Medida Padrão Portuguesa
Desculpem a linguagem as senhoras leitoras, mas não há outra maneira de por nestas linhas este meu Post.
Ando à dias a matutar, talvez devido ás companhias com que profissionalmente tenho sido obrigado a acompanhar. Tudo boa gente, tudo de bon coração tudo de fala facil e trato leve.
Reunimo-nos em assembleias gerais à volta da mesa da refeição do dia, somos uns quantos tantos mais de 5 menos de vinte, e eu lá no meio, um bocado acabrunhado já que estou fora do meio. Oiço muito e falo pouco.
Ontem, a dissertação correu á volta da fantástica Medida Padrão Portuguesa que é o...Caralho!.
O Caralho serve para medir tudo, para expressar tudo, o bom o mau, o muito bom e até o optimo ou o péssimo. Não há, creio eu noutra lingua, medida mais flexivel e eloquente que o nosso Caralho!
Sempre acompanhado claro está com o ponto de exclamação.
Caralho sem ponto de exclamação é somente calão para o orgão sexual masculino, mas também universal para todo o reino animal.
O Caracol tem caralho, os pássaros têm caralho, até os peixinhos do mar têm caralho.
Embora haja certas afirmações que se use o Caralho sem o ponto, como claro está...a excepção confirma o Caralho da regra.
Mas não é de sexologia que para aqui vim escrever.
Venho dissertar sobre a expressão Caralho!! Caralho!! ( agora estou a chamar à atenção).
Quando dizemos " Aquela é feia comó Caralho!!" estamos a falar de beleza...ou da falta dela.
Mas se dissermos "Caralho! olha-me aquela gaja!!" já estamos a falar de beleza em toda a sua sumptuosidade!!
"tu não estudas um Caralho!!" lá está...pegamos na medida e comparamos que o sujeito é mandrião...ou é o Relvas... ou o Sócrates...
"És engenheiro? És mas é o caralho!!!". Outro exemplo da medida padrão, o Caralho! não é formado... ou talvez seja quando dizemos "Aquele é um economista do Caralho!!"....
Mas até em gastronomia a Medida Padrão Portuguesa ( MPP) é usada e referenciada...
"Este frango é bom pa Caralho!!"...cá está o elogio, e se juntarmos um piri-piri do Caralho! então o Caralho do frango ainda é melhor!! ( e aqui mais uma vez não estamos na vertente sexual da coisa).
Pessoalmente gosto de usar a MPP na enologia, depois de escutar aqueles enofilos eruditos comó Caralho!! a dissertar sobre taninos, corpo, aromas castas que o Caralho do Vinho tem, remato sempre que posso, que é um Vinho do Caralho!! ou então Caralho de vinho.
A MPP também serve para meteriologia, como acontece nestes dias quentes...pa Caralho!!
ou no Inverno quando está um frio do Caralho!!
Em economia, nas finanças, tudo está relacionado com a MPP. "Vou pagar mais impostos o Caralho!" a nossa balança comercial está positiva pa Caralho!!
Enfim , a nossa MPP é talvez, quase de certeza a base da nossa Identidade de povo com mais de 1.000 Anos de história...Somos velhos pa Caralho!!
Na educação militar principalmente, nunca falha a MPP, em recruta somos todos uns Caralhos!! Não valemos nem um Caralho!! MAs ao longo da vida podemo-nos tornar ricos comó Caralho!! ou até espertos comó Caralho!!.
Vendo bem, uma Nação como a nossa, com um Povo do Caralho!! não tem nada a temer. Somos Grandes comó Caralho, e seremos sempre um Caralho de País!!
depois disto, mando aqueles que não gosto para o Caralho!!
Ando à dias a matutar, talvez devido ás companhias com que profissionalmente tenho sido obrigado a acompanhar. Tudo boa gente, tudo de bon coração tudo de fala facil e trato leve.
Reunimo-nos em assembleias gerais à volta da mesa da refeição do dia, somos uns quantos tantos mais de 5 menos de vinte, e eu lá no meio, um bocado acabrunhado já que estou fora do meio. Oiço muito e falo pouco.
Ontem, a dissertação correu á volta da fantástica Medida Padrão Portuguesa que é o...Caralho!.
O Caralho serve para medir tudo, para expressar tudo, o bom o mau, o muito bom e até o optimo ou o péssimo. Não há, creio eu noutra lingua, medida mais flexivel e eloquente que o nosso Caralho!
Sempre acompanhado claro está com o ponto de exclamação.
Caralho sem ponto de exclamação é somente calão para o orgão sexual masculino, mas também universal para todo o reino animal.
O Caracol tem caralho, os pássaros têm caralho, até os peixinhos do mar têm caralho.
Embora haja certas afirmações que se use o Caralho sem o ponto, como claro está...a excepção confirma o Caralho da regra.
Mas não é de sexologia que para aqui vim escrever.
Venho dissertar sobre a expressão Caralho!! Caralho!! ( agora estou a chamar à atenção).
Quando dizemos " Aquela é feia comó Caralho!!" estamos a falar de beleza...ou da falta dela.
Mas se dissermos "Caralho! olha-me aquela gaja!!" já estamos a falar de beleza em toda a sua sumptuosidade!!
"tu não estudas um Caralho!!" lá está...pegamos na medida e comparamos que o sujeito é mandrião...ou é o Relvas... ou o Sócrates...
"És engenheiro? És mas é o caralho!!!". Outro exemplo da medida padrão, o Caralho! não é formado... ou talvez seja quando dizemos "Aquele é um economista do Caralho!!"....
Mas até em gastronomia a Medida Padrão Portuguesa ( MPP) é usada e referenciada...
"Este frango é bom pa Caralho!!"...cá está o elogio, e se juntarmos um piri-piri do Caralho! então o Caralho do frango ainda é melhor!! ( e aqui mais uma vez não estamos na vertente sexual da coisa).
Pessoalmente gosto de usar a MPP na enologia, depois de escutar aqueles enofilos eruditos comó Caralho!! a dissertar sobre taninos, corpo, aromas castas que o Caralho do Vinho tem, remato sempre que posso, que é um Vinho do Caralho!! ou então Caralho de vinho.
A MPP também serve para meteriologia, como acontece nestes dias quentes...pa Caralho!!
ou no Inverno quando está um frio do Caralho!!
Em economia, nas finanças, tudo está relacionado com a MPP. "Vou pagar mais impostos o Caralho!" a nossa balança comercial está positiva pa Caralho!!
Enfim , a nossa MPP é talvez, quase de certeza a base da nossa Identidade de povo com mais de 1.000 Anos de história...Somos velhos pa Caralho!!
Na educação militar principalmente, nunca falha a MPP, em recruta somos todos uns Caralhos!! Não valemos nem um Caralho!! MAs ao longo da vida podemo-nos tornar ricos comó Caralho!! ou até espertos comó Caralho!!.
Vendo bem, uma Nação como a nossa, com um Povo do Caralho!! não tem nada a temer. Somos Grandes comó Caralho, e seremos sempre um Caralho de País!!
depois disto, mando aqueles que não gosto para o Caralho!!
quinta-feira, junho 14, 2012
GIJA
Minha Querida,
há muitos anos que não lhe escrevo uma carta, pensando bem acho que nunca lhe escrevi. Não precisava, achava eu, porque a tinha comigo sempre ao meu lado.
hoje tenho-a sempre comigo também, bem dentro de mim. eu sei que está porque ainda falamos muito um com o outro.
Gostava de lhe poder mostras todas as coisas que me têm acontecido desde que se foi embora. Se calhar, muitas delas não ia gostar mas acredito que a maioria a fazia contente.
Ultimamente, tenho andado a pensar muito em si, minha querida, talvez seja por estarmos a chegar aquela altura do ano que mostrava ser a mais importante.
Todas as tardes conseguia-me contar uma pequena historia do Menino, que cresceu e se tornou grande. Hoje infelizmente ficava triste de saber que raramente vou à missa ao Domingo, continuo a falar com o Menino todas as noites antes de adormecer, e talvez não chegue. Tenho a certeza que não chega.
Mas , não me esqueço dele nunca, nem de si. Daquelas aulas de catequese que me dava no sofá da sala, e a seguir as lições de inglês antes de poder ir brincar e depois de já ter feito os trabalhos de casa.
Lembro-me daqueles chás ás cinco em ponto no terraço de Perfurada, que eu lhe fazia companhia, só porque gostava. Lembro-me daquela luz de fim de verão, a calma do campo a chegar o outouno, e as histórias que me contava.
Lembro-me tão bem da lata de bolachas que tinha na comoda da sala, naquela gaveta de cima, que eu chegava em bicos dos pés. Pedia-lhe uma tirava mais do que uma. Desculpe, mas acho que sabia e não se importava.
Gostava de lhe mostrar agora quem caminha ao meu lado, eu sei que a conhece, também sei que gosta dela, mas gostava que a tivesse visto.
Lembra-se aquela tarde no Peru? quando a vi a nadar? foi a única vez que a vi nadar ou tomar banho na piscina, ou no mar. Mas lembro-me tão bem.
Sabe? até hoje nada do que sonhei para mim tem acontecido, mas de uma maneira ou de outra tudo tem seguindo um bom, optimo caminho, não me queixo, só tenho pena e tento melhorar. Mas ainda nada que esperava aconteceu.
Não faz mal, tenho estado bem, com alguns desvios e uns quantos deslizes, mas acho que é natural. Ultimamente tenho tido muitas saudades suas, não sei porquê, acho que lhe digo isto todos os dias.
Sei que está com quem gosta, e aposto que tem encontrado também algumas pessoas que gosta menos, mas acredito que esteja bem. e a fazer aquilo que sempre fez melhor, olhar por nós. Eu sei que sim.
Gosto muito de si minha Querida.
Muito obrigado por tudo, porque a verdade é que cada dia que passa dou mais valor a tudo o que me passou. Só espero poder passar a alguém também.
Um beijo muito querido minha querida.
Lembro-me daqueles chás ás cinco em ponto no terraço de Perfurada, que eu lhe fazia companhia, só porque gostava. Lembro-me daquela luz de fim de verão, a calma do campo a chegar o outouno, e as histórias que me contava.
Lembro-me tão bem da lata de bolachas que tinha na comoda da sala, naquela gaveta de cima, que eu chegava em bicos dos pés. Pedia-lhe uma tirava mais do que uma. Desculpe, mas acho que sabia e não se importava.
Gostava de lhe mostrar agora quem caminha ao meu lado, eu sei que a conhece, também sei que gosta dela, mas gostava que a tivesse visto.
Lembra-se aquela tarde no Peru? quando a vi a nadar? foi a única vez que a vi nadar ou tomar banho na piscina, ou no mar. Mas lembro-me tão bem.
Sabe? até hoje nada do que sonhei para mim tem acontecido, mas de uma maneira ou de outra tudo tem seguindo um bom, optimo caminho, não me queixo, só tenho pena e tento melhorar. Mas ainda nada que esperava aconteceu.
Não faz mal, tenho estado bem, com alguns desvios e uns quantos deslizes, mas acho que é natural. Ultimamente tenho tido muitas saudades suas, não sei porquê, acho que lhe digo isto todos os dias.
Sei que está com quem gosta, e aposto que tem encontrado também algumas pessoas que gosta menos, mas acredito que esteja bem. e a fazer aquilo que sempre fez melhor, olhar por nós. Eu sei que sim.
Gosto muito de si minha Querida.
Muito obrigado por tudo, porque a verdade é que cada dia que passa dou mais valor a tudo o que me passou. Só espero poder passar a alguém também.
Um beijo muito querido minha querida.
V.O.R ta...!!
tive a sorte, de estar duas semanas à volta do maior evento de vela do mundo, uma paragemzita em Lisboa de seis Barcos com tripulações valentes que há meses anda a dar a volta ao mundo. A Volvo Ocean Race parou em Lisboa, e eu estive lá. Por dentro e por fora. E saí de lá ao fim de 14 dias com um sentimento de dever cumprido, e com o Ego cheio de orgulho de ser Português.
Neste País, de gente pequena de espirito onde quem manda é a bola, onde quem comanda nunca soube comandar, houve , ou melhor...houveram durante uns dias reunidos no mesmo espaço um grupo de carolas que conseguiu montar, organizar e partilhar com quem lá passou a melhor paragem de toda a V.O.R. no mundo inteiro.
Fomos os melhores, fomos muita bons!! Tanto tanto que os grandes do evento querem voltar a Lisboa, querem mais, muito mais, imenso mais, porque Nós Portugueses fomos os Melhores, Nós somos Bons!!! e mai nada!!!....
Pena é que estas gentes das noticias, mais conhecidos por fideputaruins só pensem em Bola, em relvados e nas botas de um tal Cristiano, triste sina a nossa, mas acho que Portugal é assim mesmo....
Neste País, de gente pequena de espirito onde quem manda é a bola, onde quem comanda nunca soube comandar, houve , ou melhor...houveram durante uns dias reunidos no mesmo espaço um grupo de carolas que conseguiu montar, organizar e partilhar com quem lá passou a melhor paragem de toda a V.O.R. no mundo inteiro.
Fomos os melhores, fomos muita bons!! Tanto tanto que os grandes do evento querem voltar a Lisboa, querem mais, muito mais, imenso mais, porque Nós Portugueses fomos os Melhores, Nós somos Bons!!! e mai nada!!!....
Pena é que estas gentes das noticias, mais conhecidos por fideputaruins só pensem em Bola, em relvados e nas botas de um tal Cristiano, triste sina a nossa, mas acho que Portugal é assim mesmo....
segunda-feira, abril 30, 2012
42 Anos, entre Extravagantes algarvios de primeiro calibre
"Obriga-me" a modéstia não partilhar nomes dos envolvidos, "obriga-me" a educação não expor em claro protagonistas, obriga-me a moral e a consciência a postar aqui um post, para que de futuro possamos todos rir e nos relembrar
. Na verdade nada me obriga. Simplesmente me apetece. Porque o que ficou cá dentro é que conta.
Foi no próprio dia que fui presenteado com um daqueles presentes que irão ficar na memória de muitos anos. Tanto pelo gesto , como pela companhia como pelo motivo.
A modos de ultimato, que sem reservas e com todo o prazer acedi lá tive que arrancar para terras do sul, a mais a minha querida Mulher. Partimos logo pela manhã, a caminho do Reino dos Algarves, carro carregadinho e atestado da liquida mais que necessária para o evento,. Na mala, tioletes improváveis pois nesta altura está difícil adivinhar os temperamentos do S. Pedro.
De cá partimos rumo a sul ,já disse. O que não disse mas vou dizer é que no Sul fomos parar mesmo no meio dos aposentos do Rei daquele Reino, chegamos ao seu Palácio, ali, sobre as dunas entre a ria e o mar, com uma vista de tirar o fôlego, e com uma ponte, que não é levadiça faz inveja a muitos castelos e chalets por este mundo a fora.
O Palácio sobre estacas, mais se assemelha um um xiringuito todo coberto de colmo, com um varandi á volta onde os Reis deste Reino nos recebem de braços abertos, sorriso a acompanhar. Sua Majestade sempre de colete e calção. E nós estafados da dura travessia feita a transporta a liquida necessária para a ocasião.
Já lá estavam alguns convivas que prontamente nos ajudaram a secar a liquida. e logo depois começou o repasto...nada de especial.... tudo expectacular!!!
Aquele conjunto de entradas a modos de abridor de apetites deu que falar, ovas de choco, salada de ovas, salada de polvo, uma salada de salada mas que sabia a mar a sal à companhia, ao local.
Sem grande alarido uma garrafa de xampã chegou, aberta a sabre, por quem "sabre". o vinho correu, fresco leve frutado aromatizado. O xampã encantou!!
Depois, da mesma forma que o xampã apareceu e desapareceu o mesmo aconteceu ao magnifico prato de "cabrões" de quarteira que ali se apresentaram de risco ao meio bem regadinhos com molho de manteiga limão e salsa, a segurar o penteado....o Xampã encantou...
Já todos nos sentiamos aconchegados,satisfeitos, e felizes. Pensamos em partir para os digestivos a modes de animar a festa, mesmo estando já animada. Não era agora...
Agora tínhamos em todo o seu esplendor um belo exemplar de massada de Peixe, que foi daquelas maçadas nada chatas de dar cabo delas...Não conseguimos chegar ao fundo do prato tal era a quantidade, mas a verdade é que também não deixamos a suficiente para, como está na moda agora, levar no "tamparuaware" tal era o sabor, a frescura e a qualidade. Tudo Bom, mesmo Tudo muito Bom!!
Para rematar, e como somos todos gulosos apareceu o quindy...desapareceu logo....´duas trincas e zásss tássss...será preciso dizer que estava delicioso? ou dá para perceber?
Venha o uisque, venham os cafés. venha o convívio, venham as histórias de agora de antes e de sempre. vieram as fotos, a preto e branco doutros tempos que já lá vão, mas que ficaram no coração. Veio a nostalgia....mas ficou o nosso coração cheio a nossa mente feliz. Veio a felicidade a calmaria , ali o tempo parou. ficamos em suspenso longe do mundo de hoje longe de tudo longe de todos. Perto daqueles que gostamos e que nos são e foram importantes.
Chegou a hora da tarde em que o frio chegou. Saímos do Reino dos Reino dos Algarves, e parámos de novo em casa, não nossa mas como sendo. Ali já longe do mar mas acolhedora também. E lá ficamos deambulando pelo balcão pela esplanada pelo pateo, a ver, a rir a conviver e a espairecer.
Este foi o primeiro dos dias. Não foi o ultimo. Não vai ser o único. Mas este foi único. Pela companhia pela amizade.
Sabe bem encontrar na vida pessoas assim, daquelas que conhecemos toda a vida um bocado de longe. Mas quando chegamos perto percebemos o quanto são grandes.
Há quem herde milhões, lute por mais e perda tudo. Aquilo que herdei, ninguém me tira e vale demais.
Bem Hajam.
. Na verdade nada me obriga. Simplesmente me apetece. Porque o que ficou cá dentro é que conta.
Foi no próprio dia que fui presenteado com um daqueles presentes que irão ficar na memória de muitos anos. Tanto pelo gesto , como pela companhia como pelo motivo.
A modos de ultimato, que sem reservas e com todo o prazer acedi lá tive que arrancar para terras do sul, a mais a minha querida Mulher. Partimos logo pela manhã, a caminho do Reino dos Algarves, carro carregadinho e atestado da liquida mais que necessária para o evento,. Na mala, tioletes improváveis pois nesta altura está difícil adivinhar os temperamentos do S. Pedro.
De cá partimos rumo a sul ,já disse. O que não disse mas vou dizer é que no Sul fomos parar mesmo no meio dos aposentos do Rei daquele Reino, chegamos ao seu Palácio, ali, sobre as dunas entre a ria e o mar, com uma vista de tirar o fôlego, e com uma ponte, que não é levadiça faz inveja a muitos castelos e chalets por este mundo a fora.
O Palácio sobre estacas, mais se assemelha um um xiringuito todo coberto de colmo, com um varandi á volta onde os Reis deste Reino nos recebem de braços abertos, sorriso a acompanhar. Sua Majestade sempre de colete e calção. E nós estafados da dura travessia feita a transporta a liquida necessária para a ocasião.
Já lá estavam alguns convivas que prontamente nos ajudaram a secar a liquida. e logo depois começou o repasto...nada de especial.... tudo expectacular!!!
Aquele conjunto de entradas a modos de abridor de apetites deu que falar, ovas de choco, salada de ovas, salada de polvo, uma salada de salada mas que sabia a mar a sal à companhia, ao local.
Sem grande alarido uma garrafa de xampã chegou, aberta a sabre, por quem "sabre". o vinho correu, fresco leve frutado aromatizado. O xampã encantou!!
Depois, da mesma forma que o xampã apareceu e desapareceu o mesmo aconteceu ao magnifico prato de "cabrões" de quarteira que ali se apresentaram de risco ao meio bem regadinhos com molho de manteiga limão e salsa, a segurar o penteado....o Xampã encantou...
Já todos nos sentiamos aconchegados,satisfeitos, e felizes. Pensamos em partir para os digestivos a modes de animar a festa, mesmo estando já animada. Não era agora...
Agora tínhamos em todo o seu esplendor um belo exemplar de massada de Peixe, que foi daquelas maçadas nada chatas de dar cabo delas...Não conseguimos chegar ao fundo do prato tal era a quantidade, mas a verdade é que também não deixamos a suficiente para, como está na moda agora, levar no "tamparuaware" tal era o sabor, a frescura e a qualidade. Tudo Bom, mesmo Tudo muito Bom!!
Para rematar, e como somos todos gulosos apareceu o quindy...desapareceu logo....´duas trincas e zásss tássss...será preciso dizer que estava delicioso? ou dá para perceber?
Venha o uisque, venham os cafés. venha o convívio, venham as histórias de agora de antes e de sempre. vieram as fotos, a preto e branco doutros tempos que já lá vão, mas que ficaram no coração. Veio a nostalgia....mas ficou o nosso coração cheio a nossa mente feliz. Veio a felicidade a calmaria , ali o tempo parou. ficamos em suspenso longe do mundo de hoje longe de tudo longe de todos. Perto daqueles que gostamos e que nos são e foram importantes.
Chegou a hora da tarde em que o frio chegou. Saímos do Reino dos Reino dos Algarves, e parámos de novo em casa, não nossa mas como sendo. Ali já longe do mar mas acolhedora também. E lá ficamos deambulando pelo balcão pela esplanada pelo pateo, a ver, a rir a conviver e a espairecer.
Este foi o primeiro dos dias. Não foi o ultimo. Não vai ser o único. Mas este foi único. Pela companhia pela amizade.
Sabe bem encontrar na vida pessoas assim, daquelas que conhecemos toda a vida um bocado de longe. Mas quando chegamos perto percebemos o quanto são grandes.
Há quem herde milhões, lute por mais e perda tudo. Aquilo que herdei, ninguém me tira e vale demais.
Bem Hajam.
terça-feira, abril 24, 2012
Alhos e Bogalhos
Na revista Sabado nº416 de 19 a 25 de Abril 2012
Anos 70
O excêntrico
4/23/2012
Manuel Kelecom de Sousa Eusébio, conhecido como Manecas Mocelek, tornou-se o maior empresário da noite nos anos 70 – abriu a boîte Van Gogo, em Cascais, e o Ad Lib e o Stones, em Lisboa. Em 1973, ele e uns amigos disfarçaram-se de árabes milionários e chegaram de Rolls Royce ao restaurante Tavares Rico. Os jornalistas caíram na brincadeira – e isso acabou por custar o emprego ao chefe de redacção de O Século.
Hoje, o título de excêntrico é, claro, de José Castelo Branco. Nem vamos explicar porquê (e não, não vamos escrever uma linha sequer sobre aquele vídeo). (Susana Lucio)
Assunto: Direito de Resposta
No seguimento do artigo por vós publicado na revista Sábado nº 416, na secção Social com o titulo “Quem eram os Famosos há 40 anos”, paginas 102 e 103, serve o presente para expressar o meu mais profundo desagrado à peça escrita pela vossa colaboradora Susana Lúcio sobre o Sr. Manuel Kelecon de Sousa Eusébio com o titulo de “Excentrico” (pag. 103), comparando este Senhor com o Sr. José Castelo Branco.
Não preciso defender a memoria do meu Pai, porque essa está bem viva na alma de muito boa gente que com ele conviveu.
Não posso é deixar passar em branco uma comparação feita sem sentido nenhum, nem com um único ponto comparável. Tanto ao nível de personalidades das duas pessoas como ao nível do conhecimento publico.
Somente demonstra uma extrema ignorância da vossa colaboradora sobre a vida e a pessoa do Sr. Manecas Mocelek.
"Porque quem não sente não é filho de boa gente" considero uma afronta e uma ofensa à sua memória e bom nome a tentativa de ligar estes dois senhores.
Se para a vossa Revista , excentricidade é mascararem-se no Carnaval com alguns amigos e combinarem um jantar no restaurante Tavares, então , se me permitem, vivam mais!! E se possível vivam como o Manecas Mocelek..
Com os melhores Cumprimentos
Anos 70
O excêntrico
4/23/2012
Manuel Kelecom de Sousa Eusébio, conhecido como Manecas Mocelek, tornou-se o maior empresário da noite nos anos 70 – abriu a boîte Van Gogo, em Cascais, e o Ad Lib e o Stones, em Lisboa. Em 1973, ele e uns amigos disfarçaram-se de árabes milionários e chegaram de Rolls Royce ao restaurante Tavares Rico. Os jornalistas caíram na brincadeira – e isso acabou por custar o emprego ao chefe de redacção de O Século.
Hoje, o título de excêntrico é, claro, de José Castelo Branco. Nem vamos explicar porquê (e não, não vamos escrever uma linha sequer sobre aquele vídeo). (Susana Lucio)
Depois de ter visto este artigo na Sabado. Mandei-lhes a resposta:
Exmo. Sr. Miguel Pinheiro
Director Revista SabadoAssunto: Direito de Resposta
No seguimento do artigo por vós publicado na revista Sábado nº 416, na secção Social com o titulo “Quem eram os Famosos há 40 anos”, paginas 102 e 103, serve o presente para expressar o meu mais profundo desagrado à peça escrita pela vossa colaboradora Susana Lúcio sobre o Sr. Manuel Kelecon de Sousa Eusébio com o titulo de “Excentrico” (pag. 103), comparando este Senhor com o Sr. José Castelo Branco.
Não preciso defender a memoria do meu Pai, porque essa está bem viva na alma de muito boa gente que com ele conviveu.
Não posso é deixar passar em branco uma comparação feita sem sentido nenhum, nem com um único ponto comparável. Tanto ao nível de personalidades das duas pessoas como ao nível do conhecimento publico.
Somente demonstra uma extrema ignorância da vossa colaboradora sobre a vida e a pessoa do Sr. Manecas Mocelek.
"Porque quem não sente não é filho de boa gente" considero uma afronta e uma ofensa à sua memória e bom nome a tentativa de ligar estes dois senhores.
Se para a vossa Revista , excentricidade é mascararem-se no Carnaval com alguns amigos e combinarem um jantar no restaurante Tavares, então , se me permitem, vivam mais!! E se possível vivam como o Manecas Mocelek..
Com os melhores Cumprimentos
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