quarta-feira, dezembro 04, 2024

Chaga Dezembro

A Dezembro chegamos, um final de quase um ano compressas iniciado
Mas muito pouco realizado.
O que vale a pena são as luzes, luizinhas, estrelas e estrelinhas.. Até anões, bichos estranhos e outros matulões.
Umas renas em trenós. E ali ao pé atras de nós um gajo balofo vestido de coca cola, com barba grande e grisalha, leva no dorso uma sacola.
Que bonito que alegria! Vai trazer presentes à pequenada... Felizes e contentes recebem sem perceber nada.
E cada ano que passa, mais o Menino é esquecido e se disfarça.
Triste mundo este. Em que Natal com sentimento, não é a graça do Nascimento!
Aquele que comemoramos, está entregue ao esquecimento.
Venham as luzes, luizinhas e outras porcarias. Venha o gordo anafado com o seu saco carregado.
Mas para mim isso tudo o que é. Só serve para usar no bidé!
O Menino, cá eu sei. Não quer luzes nem foguetes, não quer faixas nem presentes. Só quer é pede que tenhamos todos Fé.

será assim?

Da verdade nunca serei dono nem senhor.
Porque a verdade, como os homens, pode se corromper.
Mas das crenças e verdades que tenho serei sempre defensor até prova em contrário. Porque os bons homens sabem reconhecer que uma verdade por vezes é mentira. E essa é uma verdade que ninguém me tira! 

segunda-feira, outubro 28, 2024

Deixai - os

Deixai-os matar! . Deixai-os destruir, queimar mutilar¡ Deixai-os gritar e lutar por não valores.
Deixai-os matar, ameaçar. Deixai-os fazer tudo o que querem.... Deixai-os incentivar o racismo, o antagonismo, o comunismo! Deixai! Deixai!
E quando tudo se esgotar... Quando tudo se desvanecer.... Deixai-os apodrecer.... Até morrer!.
Não tenham compaixão, nem remorso.
Deixai-os morrer, não façam esforço.
Foi pedido, exigido e combatido. Foi o que reinvindicaram, lutaram e por um vazio se espalharam.
Deixai-os. Mantenham o vosso moral, os vossos princípios de respeito e liberdade... Deixai-os odiarem.
Nunca vão vencer a verdade!!!
Viva PORTUGAL! 

quinta-feira, março 14, 2024

A minha melhor Amigo

Conheço uma loira.
Quer dizer, conheço várias. Até a casado com uma estou. Mas essa de loura é só no cabelo.
Está loira que agora falo, é a minha melhor amigo. Não, não tem nada a haver com estas merdenisses agora se apresentam como factos cientificamente provados... Mas por mim não aprovados.
Voltando à loira que é escritora mas acima de tudo a minha melhor amigo
 Conheço-a acho que já depois do Sei Lá, mas sei lá, não sei. Foi a Vera, que nos apresentou... Íamos de Lisboa para o Van gogo, tipo noite de bilnd date.... Distraído com sou, sabia lá eu que ia no carro com uma loira escritora e a virar famosa... Tipo a Vera, mas a Vera era morena e já nos conhecíamos à meia vida...
Mas, sei lá, não há coincidências e de repente a loira é eu até gostamos da companhia um do oitro. Ela porque falava de amores e mulheres, eu por ter amores por mulheres. Nada como uma Asa de Pássaro para nos rirmos entre faturas e tirinhos. 
Ficamos amigos, grandes amigos. Daqueles que se não falarmos 10 anos o tempo não passa.
O problema é que como falamos à miude ( antigamente era à miúda, mas sou casado).
O tempo passa... Quer dizer.. Plo menos por mim... Mas só para quem vê... Cabelo branco, ruga na caratonha, barriga de boa vida... Enfim... Anos de vida vivida.
Só que o raio de loira, que por acaso é a minha melhor amigo, ele há qualquer coisa que não lhe toca.... Porra é o tempo!...sim, está mais velha... Todos estamos, mas o raio da minha melhor amigo, que é loira... Em cada 3 anos só passam 6 meses....
Fico preocupado. Porque quando eu chegar aos 90, vai daí ela fica nos quarenta....
... Mas, desde que continue a minha melhor amigo... Quero lá saber da idade!!

quinta-feira, fevereiro 29, 2024

Em São João de Rei, Rei é Victor


Há ali no Minho, já depois do Lanhoso e entre Amares uma pequena povoação com o nome de S. João de Rei. Casas modestas e outras senhoriais, mas bem mantidas proibindo as tendências actuais.
Ali respira-se o Minho, aquele Minho puro, de granito tosco em paredes majestosa, dos tanque com águas frias a brotar das nascentes da rocha dura. As videiras nas ramadas a darem a sombra no verão, e na subida para a capela, uma Catedral!.
A venda da aldeia criou uma lenda. S. João de Rei, tem Rei de carne e osso, chama-se Victor. Não sei se foi por visão, engenho, necessidade, ou paixão.... Mas da venda velha, aproveitando a ideia, pegou no forno do pão da aldeia, numa noite de tempo mau. Assou no forno uma posta de Bacalhau, bem regada com o azeite da casa. Serviu aos amigos, ao abade, e aos amigos de asa. 
Nasceu a lenda, confirmada por Jorge Amado, que deixou escrita apontada...  Creio eu, "bacalhau assim só cozinhado no céu" 
Em vez primeira que lá fui. Sem saber, senti o céu! Pelo bacalhau pelo Rei Vítor, pelo recanto de carinho que só recebemos assim no velho Minho. 
A casa continua. O espírito também. E o rei de S. João de Rei, já reformado mas não deposto, recebe-nos sempre com muito gosto. 

Bem hajam
 assim

sexta-feira, janeiro 27, 2023

De VORaTOR

De Vor a Tor
Foram uns quase 5 anos que passaram. Sem pontões, sem o truque sem as saídas técnicas sem os briefings os debriefing, o “à escuta, transmita",e principalmente sem o nosso Benádo... Esse personagem que se fosse real, não aparecia nos manuais de navegação marítima, estrelar ou social. Esse nosso pilar fundamental desta nossa equipa VORATOR. 
Deixamos tudo para trás e arrancamos para terras que já foram nossas, mas que abandonamos à sua sorte no meio do Atlântico. Gentes acolhedoras, paisagens quase estereis, ilhas todas diferentes onde partilham com orgulho a Morna e a cachupa quentinha.
2 Semanas em 24/24. Sem descanso, reuniões para ali, fotos para acolá, medidas porcas parafusos, o nosso mestre Simões a montar os novinhos pontões para receber os barcos da TOR, primeira etapa que sai de Alicante, e pára no Mindelo, S. Vicente, Cabo Verde, que de verde tem pouco. Aí estamos nós. Prontos como sempre. Tudo a postos, chegam nos os reforços. A equipa duplica, o espírito mantém-se. Work hard play harder... Ou ao contrário... Não sei bem.
E balançam os pontões, novinhos, à espera das embarcações. Vento muito vento sempre vento e mais vento.. Começam a chegar os barcos depois de valentes encontrões em Gibraltar, vieram a voar... Noite dentro madrugada fora, alvorada dia, e de novo noitada, 3 dias a dormir 3horas no total, deitados no chão sem almofada ou colchão, turnos que não nos dão descanso ao corpo. Sempre prontos sempre a postos juntos com a polícia marítima e a guarda costeira. Aproximam-se pelo Ijeu, vem de nordeste, cambam e entram na linha de chegada, a maioria durante a noitada, mal se vêem na escuridão. Acompanhamos até ao pontão. É o mestre Santos que está alerta. Comunica as posições, transmite as horas estimadas de chegada, e lá vamos nós de novo para o mar. Vento forte, onde desordenadas, molhados mas por água quente, aguentamos.
Trabalho feito. Os 11 barcos estão amarrados. Tempo de descanso... Mas não. Há que começar já a preparar a largada daqui a dois dias. Reuniões planeamento, decisões e previsões.
O vento vai acalmar. Vamos deixar de ouvir o cantar das adriça nos mastros, mas vai soprar, mais meigo. Há que aproveitar a trégua. Relaxar e de novo aprontar.
Dia de largada. Dia de festa. Toda agente aperaltada porque o espectáculo faz parte. É cá estamos de novo. Briefing de manhã, todos à uma para o mar. Polícia maritima a navegar, a segurança está assegurada. Venham os barcos os espectadores às TVs os retratos. Todo o mundo dá vela com olhos no Mindelo.
Largada limpa, campo de regata seguro segurança mantida. Fazem-se à Cidade do Cabo. Acabou o espectáculo. Regressamos à base saímos do mar com o coração cheio e sentimento de dever cumprido. Cabo Verde aconteceu. Ganhou e venceu. É esta equipa nascida nos Stop overs da VOR chegou até à TOR. fizemos acontecer, com o mestre Santos no timão. Cá estamos nós juntos à espera de novos desafios que voltarão.
Obrigado Bruno
Obrigado a todos.
2 semanas de vida que valeram toda a vida. 

quinta-feira, novembro 17, 2022

50 anos de vida um milhão de

Já está, passou a barreira do meio século, das 5 décadas dos 50 anos dos 100 semestres... Minha querida irmã de meio sangue mas de coração completo. Não nos batemos como irmãos, nem bulhamos, nem nos invejamos por um ter isto e outro não... Não tivemos tempo para isso. Ela vivia ali, eu no outro lado. E assim continuamos. Volta e meia já miúdos, depois das nossas mães nos apresentarem, apaixonamos nos. Um pelo outro. Eu com uma irmã mais nova, ela com um mano mais velho. E assim ficamos. Hoje ela é mãe eu já sou pai, não perfeito mas bem melhor que o nosso. Agora vêmo-nos muitas vezes. Rimos choramos abraçamos e rimos, gozamos imaginamos como dois irmãos de toda a vida que não fomos porque não. Mas compensamos o tempo perdido, cheios de paixão, almas de irmãos de um pai ausente para ela e pouco presente para mim. Mas que nos uniu sem querer nem saber.
Agora completamo-nos e procuramos um passado para perceber o presente e vivermos o futuro. 
Uma bênção é o que é. 

quinta-feira, novembro 03, 2022

o meu Tito


O meu Tito. Não, não é melhor que o teu. Nem pode ser nunca. Porque o meu Tito era único. Era abstracto, era uma ausência. Nunca foi um grande amigo, pouco falávamos, pouco nos dávamos. O meu Tito, para mim não era ninguém. Não sei quando fazia anos, nem quantos anos tem. Não sei onde vivia, nem sei se vivia com alguém. O meu Tito era um estranho, e eu um estranho também. Sabíamos que éramos primos, disseram as nossas mães. Mas mesmo assim... Éramos afastados, longínquos... Nem eu nem ele tínhamos muito em comum. Nenhum sabia o que o outro fazia. Éramos estranhos, sempre fomos.
Só tínhamos uma coisa fantástica, mas isso não era meu era o meu Tito. 
Sempre que nos encontrávamos eram abraços de braços abertos apertados com um sorriso. Segredos de pequenas conversas fechadas entre primos que sabíamos que éramos nós, mas pouco interessava. Aliás nada interessava, quando o meu Tito chegava parecia superficial, mas não, eratão genuíno e puro,  caramba!! Que primo, que boa pessoa, que amigo! Obrigado Tito. Em tão pouco foste tanto
Saravá

sábado, outubro 15, 2022

A pontapé da Quinta do lago ao mar.

Não há no meu mundo, nem na minha vivência lugar como este, onde atravessamos a ponte a pé, e chegamos ao aconchego de tantas memórias e prazeres. Não é um sonho, nem um filme. É uma casa de família gerida pelo mesmo sangue. Marinheiros em terra com o maior timoneiro. E quando entramos, passamos a ser primos enteados irmãos cunhados e até estranhos com estatuto de amigos. Para mim, não é por causa da comida. Nem por causa das vistas nem do ver e ser visto. Para mim é o melhor aconchego ao Sul desta grande nação. Comparado talvez quase com o aconchego que tenho a norte na Pedrafurada.
No fundo é a minha Pedrafurada do outro lado.  O cheiro, a vista a luz o calor a comida... Tudo é delicioso. Mas o que bate o que me oferece é a energia carinhosa do rabugento mais simpático e amigo que conheço. É o perceber que não estou em casa mas não há diferença. É o calor que vem desta toda família que me aquece, mesmo sendo nos 30 graus no Algarve. 
Não há melhor a Sul que a Leonor o Bernardo, aquela gente querida que nos traz o melhor peixe a melhor carne a melhor sobremesa e principalmente não há maior carinho que receber uma gargalhada do melhor Amigo do Manecas.
Bem hajam. 

terça-feira, agosto 30, 2022

só tão acompanhado

Tou sozinho. Cheio de gente boa à volta. Uma filha linda, uma mulher com H grande. Tias primos primas amigos poucos mas o bastante.
Estou sozinho, acompanhado com todos desde anos desde antes. Mas agora, depois, estou sozinho, já não somos dois. Falta-me o cheiro, o carinho, os sermões. Ela e eu, um sorriso um olhar sem palavras nem declamacões. Que vida cheia teve Ela. Que boa vida eu também. Estou sozinho cheio de gente. Falta-me a minha Mãe. 

terça-feira, maio 10, 2022

Mãe

Fez um mês, um mês antes dos oitenta, um mês depois de subir o último degrau.
Que vida meu Deus, que penitência. Que Amiga, dizem e sei.
Que irmã, dizem e vi
Que tia, dizem e percebi. 
Que Mãe! Nem calculam mas imaginam concerteza.
Que avó.... Senti, só espero deixar memória na neta tão piquena, que se gostavam tanto.
Que mulher! Que tudo!
Que sorte que tive. Que bom que foi.
Que delícia que é ter o coração quente a transbordar. 
Obrigado Mãe. 

quarta-feira, maio 04, 2022

Pindela

Ir a Pindela! 
Vamos visitar os primos!
Amanhã vamos lanchar a Pindela.

Não havia coisa mais agradável de ouvir.
E quem mandava era a minha avó. Lá no minha na quinta da Pedrafurada. Onde passava, passavam, passávamos, temporadas de Verão, semanas santas de Páscoa. Todos juntos, todos muitos.
E que bem que sabia ouvir a avó Gija.... Amanhã vamos a Pindela. 
Era o desejo dela, era o furor nosso. 
Pindela, é Pindela. É para todas as idades, para todos os sentimentos. 
Somos pikenos, vemos uma casa que é um castelo. 
Crescemos um bocadinho vemos que o castelo tem histórias e faz parte da história. 
Crescemos mais um bocado, ficamos orgulhosos por saber e perceber a história do castelo que é novo na casa, mas que a casa tem uma família que é velha na história. 
Depois vem o respeito e a responsabilidade. Uma casa dessas com uma história daquelas, onde a história se confunde, se liga, se exalta com uma Nação Valente. Não temos mais senão que ser humildes e dar graças a Deus por termos a correr um sangue tão nobre, tão velho, tão patriota.
Somos parte de um clã com mais de 500 anos. E  de um clube que não aceita sócios, só os recebe pela linhagem.
Só temos que cumprir. Respeitar é passar a grande herança que recebemos e só é nossa enquanto vivemos. 
Obrigado Avó Gija, obrigado Mãe, obrigado Pindela. 

sábado, dezembro 25, 2021

o Menino pequenino

Começou pequenininho o pinheirinho, junto da gruta daquele presépio imenso, onde deitado na manjedoura, o menino recebeu a mirra o ouro e o incenso. Todos os anos o pinheirinho crescia e o presépio diminuía. Os pastores e os rebanhos foram se afastando e no pinheirinho trenós, bolas e bolinhos foram pendurando. Assim de repente, o menino, coitado continuo na manjedoura deitado, mas agora quem adoravam era um homem vestido de encarnado.... Tem um trenó voador, tem renas, luzes e no polo norte, que diem que é onde vive, uma fábrica industrial produz brinquedos e brinquedos entra pelas chaminés mesmo havendo exaustor, encharca de embrulhos o pinheirinho que virou árvore.... E o menino coitadinho ficou esquecido.... É Natal e coisa e tal...
Mas o Menino, pequenino de tão grande que é assim prefere porque sabe que na Sua pequenez todo o Natal foi Ele que o fez. 

quarta-feira, dezembro 15, 2021

Tinha-a casa na Costa

Tinha casa na costa da caparista. Vivia relaxado na vivenda germinada ali em frente do mar lá na quarta fila de casas. Desde pequeno a bicla substuiui o triciclo e as rodinhas, de repente era o craque da rua, sem ninguém para ver as arriscadas manobras, além de gatos fugidos de cães vadios. O beco era o seu mundo. Ninguém ali parava pelo dia. Mas na noite que a luz do candeeiro iluminava, por vezes lá um carro parava, e lá de dentro uma fêmea gemia. Entre vidros embaciados, o carro balançava, e quando o candeeiro falhava, o gemido aumentava. Eram vidros partidos... De vez em quando... Mas lá foi crescendo o petiz e subindo... Depois da bicicleta veio o motão rugindo... 170 na A2, Fogueteiro, Leixões.. Não é mas encosta. E de repente outra vez assim sem perceber o facto, espetam lhe um contrato... Você passa amuide no Rato?  Olha que jeito... Preciso de um motorista perfeito. Saiba guiar, estacionar e principalmente acelerar. Tenho o emprego perfeito e consigo um contrato certo. Só preciso que seja um homem feito, modesto e principalmente discreto. Vai me conduzir enquanto me conduzo na nação.  Cumpra com rigor, brio e devoção, vai ver que até pode guiar em contra mão! E assim lá o fez... Seguiu feliz, discreto, seguro e anónimo.... Pena foi ser motorista de um simplório..., 

quinta-feira, outubro 28, 2021

O Tempo Não

 Custa, custa muito ver o tempo a passar sem podermos fazê lo parar.  Vem o sol nasce o dia, e à noite quando tudo adormece o tempo não dá descanso não se padece. Novo dia uma aurora, e agora? Parou tudo? A doença o cansaço, a memória tudo parou? Nada, nada pára e o tempo vai correndo, minuto a minuto, não pára. O relógio da parede, sem corda, não pára. Atrasa. Mas o tempo não, é tudo corre sem pressa, vai andando ao seu sabor, até o sol se pôr. De novo a noite tudo dorme tudo se aconchega, debaixo do lençol em cima do colchão. Mas o tempo não. E vais gastando, usando correndo desfasendo desmanchado aos poucos aquilo que queríamos eterno. Restam as memórias, doutro tempo, que é o mesmo, que passou, correu, eclipsou dizem eles não digo eu. Não desaparece, passa. E nós sempre no presente pensamos sobre o passado, sonhamos pelo futuro. Tentamos adivinhar o se... se for assim... Vai ser assado, temos certezas.. Que só descobrimos com o tempo passado. Hoje, agora, já. É o importante e o real. Ontem já foi.. Não volta. Amanhã... Logo se verá. 

domingo, janeiro 26, 2020

Domingo dia da Familia e da casa do Jesus

Querido Tété,
Lembras-te de mim? , sou o teu padrinhos, já não te falo vai lá para quase um ano ou mais. Fiquei sem o teu numero de telefone, e por mais cartas que te envio, vêm sempre devolvidas a dizer que já não estás na morada....talvez tenhas sido transferido para outro lado mais seguro... pois não sei. Espero é que ainda estejas bem, dentro dessas paredes, e que tenhas sempre cuidado com as amizades que por aí dentro vais fazendo...

Hoje , sendo domingo, resolvi levar a piquenitas a visitar a casa do Jesus, ultimamente temos feito isso, a modos de a começar a habituar aos hábitos ancestrais da nossa família, é tradição e ao mesmo tempo até dá para passar alguns valores importantes.

Hoje para variar fomos a outra casa do Jesus, um bocadinho mais maior e também mais imponente. Dá sempre jeito mostrar à pikena que o Jesus tem muitas casas.... a verdade é que o horário da missa também estava mais adequado para a ida...

Pois lá fomos, e ao chegar , a modos de tentar começar a explicar mais ou menos quem era o tal amigo do pai Jesus que tinha varias casas grandes não achei melhor do que lhe mostrar os quadros e estátuas que por lá dentro habitam nos altares e nas capelas. Achei que seria mais fácil, contar a historia dele, assim tipo desenhos animados...

só que o problema é quando começo a olhar para as obras, começo a perceber que a coisa ia ser muito difícil para uma pikena noviça que ainda mal diz o nome...

Só para a miúda perceber quem era o tal Jesus. apontei para o quadro em cima do altar.... Lá estava Ele... crucificado, bem pregado na cruz, com o sangue a escorrer pelos buracos dos cravos nas mãos e nos pés, a ferida ao lado bem aberta pela lança, a esvair-Se em sangue, os joelhos feridos das quedas que dera na via sacra, a cabeça tombada, a escorrer em cataratas de sangues feitos pelas feridas da coroa dos espinhos.... Um oprimo exemplar de arte sacra, um péssimo exemplo para iniciar a pequenita na religião....

Mudei de lado, e num dos altares, outro quadro fenomenal....., já tinha descido da cruz, o corpo tombado pálido, com as mesmas feridas e as três mulheres em pranto sobre Ele a tentarem por-Lhe o sudário.. percebi que por ali também não ia ser  muito útil explicar que o Jesus até é bom rapaz e gosta muito de nós.....

Toca a virar para o outro lado da igreja..... bem procurado, lá vi uma estatueta... Ora cá está.... Não vai pelos desenhos, vai pelos bonecos!! A pikena vai gostar mais de certeza!! ....pensei ingénuo...

A Estatueta de São Sebastião.... uma obra notável, cheia de pormenores... O santo atado ao tronco da árvore, semi-nu...em suplicio.... e pelo corpo todo em prata maciça bem areada.... 12 dardos espetados pelo corpo todo....

Também não foi boa ideia....

De repente lá no fundo .. outra estatueta, desta vez de Nossa Senhora! Santa Mãe de Jesus, Imaculada, linda!.....Mas porra!! Porque é que tinha que ter na mão o coração ensanguentado com a coroa de espinhos do Filho????

A coisa estava difícil, a pikena cada vez mais impressionada.... Eu cada vez mais à deriva....

Vai daí, lembrei-me....vamos ouvir a celebração, tem escuteiros, tem o padre, tem os meninos vestidinhos de branco, tem o coro, tem musica,...até é capaz de da pequenota gostar, passa a vida a cantar em casa, vai de certeza gostar de ouvir aqui na Igreja cantarem.....

Tunga!! Órgão a dar os tons, e toca de ouvirmos aqueles lindos ( não sei para quem...) cânticos de igreja, onde parecem que estão a carpir mágoas do que a exaltar o Senhor....

depois o Padre, a sua voz suave e melódicamente monócordica.... com o sotaque beirão, cheios de esses e ches..... Ora quésta!!!... não ajuda....

Mas prontus, lá aguentamos uma hora e 20 de celebração, a piquenota ás tantas desligou e passou o tempo empoleirada nos bancos a fazer os exercícios que aprendeu nas aulas de ginástica.

No fim saímos e o sino tocou. Aí a catraia admirou-se, levantou os olhos para a torre, e lá viu o sino de um lado para o outro a dançar ao som do Poing Poing Poing!!.... Foi o que bastou.... Perguntei-lhe se tinha gostado de vir à casa do Jesus, disse que sim....

Realmente, ele há coisas que a malta não percebe.... Como raio querem que eduquemos os nossos miúdos a dizer que Jesus é bom, é o nosso Salvador, dá-nos alegrias, gosta de nós, só quer o nosso bem, e sempre que entramos em casa dele, só vemos sangue suor, lágrimas, violência, mortes, e tristeza?

Por isso é mais fácil por a miúda a gostar do Panda da Minie  e da Popota.....


sexta-feira, maio 24, 2019

Namoro a três

Havia... Ou há.. Porque a músicas são eternas, o namoro a dois do Trovante.
Amanhã tenho o namoro a 3.

Nada de fetches, tenho a minha mulher a fazer anos, e a minha mulher não vem sozinha desde há dois anos e pouco. Já trouxe com ela durante nove meses a pirralha, agora está com ela todos os dias. A minha mulher, como mulher não era nada de especial....
Mas como Senhora... Sim senhora!!! Tomaram muitas mulheres!!
Depois... Virou Mãe é desde aí... Ai Caramba!! Que Senhora que já era, que mulher que sempre foi! Que Mãe que é!!

É por isso que o meu namoro é a três. Ou melhor... A dois! Porque eu sou o voyeur!!

Ela a Pirolita, ela a Mãe, e eu ali... A amar tudo.

quarta-feira, maio 01, 2019

Um concerto uma letra

Ai Inês
Quem te fez.
Assim pura leve cristal
Ai Inês dondé vieste
Assim azul cristal
Ai Inês
só tu me vez
Assim feliz sentimental
Ai Inês
sem ver sem mal
Quero ter te ao meu lado
Quente e sensual
Ai Inês
Só tu me vês.
Triste e apagado
Ai Inês
Só tu me vês
Só tu me vês
Por ti tu sabes que tudo vejo e crês.
Ai Inês.
Só tu me vês feliz apaixonado

quinta-feira, janeiro 24, 2019

A Caldeirra eléctrica do Sr. Cardoso

Naquela casa bem no fundo do corredor, bem junto ao canto tínhamos a caldeira das águas para os banhos.
Com casa cheia acendia-se de manhã e ao fim da tarde.
De manhã para os mais velhos, à tarde para os mais novos e outros mais mandrioes.
A operação começava uma hora antes, com todo um necessário ritual. Primeiro limpar as cinzas, sim!! A caldeira era a lenha. Era em ferro fundido, vinha da Figueira da Foz.
Depois de limpas, bastava uma pinha e duas canhota até começarem a arder bem. A seguir juntavam se mais duas e estava a bombar.
Vem agora a parte mais importante. Abrir a água para encher o depósito e adivinhar quando estava cheio... Ouvíamos a água no depósito, batiamos para ouvir o toc toc e adivinhavamos se estaria cheia. Muitas vezes esperávamos a água transbordar. E aí fechavamos a torneira.
Quando começava a azáfama dos banhos, as regras eram simples, por a água na tina, ou encher o banho, o como dizem agora... Encher a banheira.. Por duas canhota na caldeira e abrir a torneira da água da caldeira, para ir repondo a água quente gasta no banho.... E que quente ela vinha!!!
Assim sucessivamente tomavamos os banhos à vez.
Só que constantemente, o raio da caldeira transbordava e a água escorria pelo chão da casa de banho a encharcar tudo.
Quando lá estávamos, era uma saída rápida da tina (banheira no actual). e fechavamos a torneira.

O pior era quando ninguém lá estava.... E muitas vezes acontecia....

Volta não volta quando alguém ia ao Lopes (casa banho prós I incultos...) ouviam se os gritos...

Ai a caldeira!! ai a caldeira!!!

Já sabíamos... Correria certa pelo corredor a fora para limpar a inundação....

Cansado de tanta correria e inundações, o Sr. Cardoso (Tio João para os sobrinhos). Engenhocas como era, electrificou a caldeira.

Assim sempre que a água enchia o depósito, a bóia de nível, ligada a uma campainha, quando chegava ao cimo fazia contacto e desatava a tocar triiimmm trrimmm trrimmm, tal qual um alarme.

Acabaram as inundações. Chegou o progresso, mas a engenhoca funcionou durante muitos anos e bons.

A caldeira eléctrica teve a sua vida, mas como o tempo segue e o progresso chega, acabou esquecida e desativada quando se instalou um motor e um esquentador.

Do sr. Cardoso, esse também o tempo o levou para perto do Senhor. Não acabou esquecido, antes pelo contrário. E muitas engenhocas ainda andam por aí a funcionar. Umas em casas outras poços, outras em canos, outras em barcos e em bancos. Mas principalmente, muitas nos nossos corações.

sexta-feira, janeiro 18, 2019

Eça é Eça, Pessoa é uma data deles.

Não é que seja erudito ou que perceba alguma coisa de literatura. Mas confesso que gramo à brava do Eça. Também não sou um ferranho, nem sei muuuiito sobre ele. Mas era amigo lá de casa, e, apesar de nunca me ter cruzado com ele, derivado da idade... Só por ser amigo lá de casa, basta me para gostar dele.

Depois até escreve bem e com graça. Mesmo com mais de cem anos, até anda actualizado. Prova que este País evolui pouco...

Já do Pessoa, não o gramo. Apesar de também deabunlar pelo Chiado como o Zé Maria (posso tratá-lo assim porque era amigo de casa). O gajo tem dias... Umas vezes é Fernando, outras é Álvaro, outras é Alberto, outras é Ricardo.
Não gramo!! Um gajo é o que é e prontus.

Mas o que gramei no outro dia, foi ter ido à casa do gajo ali em Campo de Ourique e ter provado uma bela vazia barrosã!!
Estava boa sim senhor.!

A vazia do Pessoa essa é que essa.
Talvez não seja o Peixe da Dalmácia, do Jacinto do Eça.
Mas não fica atrás das favas e arroz de Tormes.
Eça é Eça.