sexta-feira, janeiro 08, 2016

Castanha todo um Mundo Novo

Dizem que falar antes de tempo pode não trazer bons tempos.
mas com o tempo que está lá fora, não preciso de preocurar. Amanhã é um dia especial lá para os lados o Oeste, para aquela casa e para aquelas gentes. Assim sem sobreaviso, chega uma nova conviva para fazer companhia aos habituais que por lá moram.
Já vem com três meses e pronta para dar sorrisos à vida que vai ter. De certo que será bem acolhida naquele lar, onde já uma vive e agora esta nova lhe irá fazer companhia nas horas mortas.
Traz com ela a responsabilidade de uma linhagem, a responsabilidade de pertencer a uma das mais antigas famílias de Portugal, por isso traz com ela aquilo que muitos homens por mais que tentem nunca irão ter. Está já tem, mal nasceu todo esse pedigree.
Donde vem, habituada aos ar livres e correrias pelos campos, a passeatas nas matas e sombras de árvores milenares, obriga-se a ser batizada também com uma referencia aquela casa para que não nos esqueçamos nunca as suas origens e quem, tão em boa hora se lembrou de nós. Mas vai ficar bem com certeza, tão bem como a que já cá está a iluminar a casa. Vai fazer as mesmas passeatas, correr entre vinhas e vinhedos, levantar perdizes, entrar no mar  e percorrer gaivotas.
Castanha. será, companheira, corredora, caçadora, amiga, filha aventureira. Vem trazer mais calor , mais, ainda mais alegria e principalmente muito carinho ali para o Oeste.

quarta-feira, agosto 19, 2015

De Conceição Velha a Alpiarça

Era  assim uma espécie de tudo junto, para o bom para o muito bom e para o óptimo, não tive tempo de estar muito junto nem passar muito tempo junto, mas do pouco tempo que de tempos a tempos passei durante algum bom tempo, se há coisa que não me esqueço e sempre lembro é daquele sorriso e daquela simpatia estampada na cara. Naquele carinho que nos aconchegava e me aconchegou desde o primeiro dia que me lembro de a ter conhecido na Conceição Velha.
Sabíamos que o respeito e a educação no trato e como tratar faziam parte dela, sabíamos que o riso e a boa disposição estavam juntas, e nunca nos falhava em nada. Mesmo nas alturas mais cerimoniosas havia sempre uma palavra de "quebra gelo", que nos, "enturmava" logo para que, dentro dos limites nos sentíssemos à vontade, mas nunca à vontadinha...Podia ser com Reis Príncipes ou com o sr. dos gelados junto à muralha.
Sempre que a via, via-a acompanhada com a yorkshire terrier, que a acompanhava sempre para todo o lado. Ao longo dos anos ainda tenho duvidas se foram várias ou se era sempre a mesma....
Sempre que a encontrava era em ocasiões festivas, ou estávamos com o neto Rodrigo, ou estávamos pela Golegã, ou parávamos na Lagoalva com o Rodrigo na altura da Golegã, ou aparecíamos em Cascais à procura do Rodrigo, ou com o Rodrigo ou no Fiat Uno da Maria do Carmo que nos abria as portas e lá de dentro saíamos onze...
Lembro-me das conversas naquela sala cheia de luz na Lagoalva, sobre tios e primos sobre idas ao Minho a visitar a nossa Perfurada.
 Do carinho que nos recebia na caseta da Golegã, na palavra simpática e pronta, no saber como estávamos, e como andávamos. Era e é paragem obrigatória visitar os primos na altura da feira, a partir de agora mais triste em presença mas sempre rica em memórias.
E o orgulho que tinha em saber Avó de um grande amigo, Mãe de uma Mãe, e prima da minha própria Mãe, sentia-me importante!!
Olhava-a como uma Mãe-Avó que não era minha mas que secretamente a adoptava como se fosse só minha, quase a roçar a inveja.
Seguiu o seu caminho para junto dos que lhe querem muito, deixou muitos a quererem outro tanto. Contentes, como eu por se terem cruzado e por, sem percebermos, termo-nos enriquecido muito como pessoas.
Bastou um sorriso.

Obrigado

P.N.
A.M



sexta-feira, julho 31, 2015

Cada Vez mais perto da proxima

Muitas vezes corremos contra o tempo à procura que o tempo não passe o tempo a passar depressa, outras até pedimos que o tempo não passe tanto tempo tão devagar.
de há uns dias para cá tenho andado desejoso que o tempo não pare de passar tempos e que tempos devagar.
Não é por nada, é talvez por tudo, ando desejoso de ver o tempo a andar depressa mesmo que isso me torne mais velho mais rapidamente, mas não me importo muito com isso, nesta altura.
Devagar quero mesmo que o tempo passe para que os dias se mantenham grandes, quentes com sol e fins de tarde fabulosos como têm estado.
Depressa quero que o tempo passe para que daqui a pouco ou quase nada tenhamos cá de volta os VOR, e toda aquela confusão  de eventos emoções stresses e sensações... Pareço egoista só querer só isso, mas não é assim.
Também quero mais coisas, coisinhas e coisotas, mas isso deixo para mais tarde com o meu afilhado Tété, agora inclinei-me outra vez para a VOR e para o StopOver Lisbon. Talvez por ontem ter estado com uma catrefada de Voristas a rir e contar histórias do que foi a ultima.... Mas também porque sabe bem receber dos amigos istranjeiros que lá estiveram, afirmações do género, "best stopover ever!!", "great organization" "most beutifull fishing ship I ever saw in the world"... e tudo de gente que passou por cá tipo assim só umas três semanas para trabalharmos em conjunto num evento fabuslástico.
Sabe bem ouvir isso, sabe bem saber que contribuimos para isso, sabe bem saber que nos divertimos e esgotamos com isso...
Sabe bem ter sido em Portugal, feito com portugueses, para o mundo inteiro... também...pensado bem... é disso que somos feitos....
Depois, sabe bem ouvir falar bem do que cada vez mais está na moda graças à teimosia de um caro familiar por apendecite, que se deliciou duramente durante três anos a buscar nos mais recondidos cantos de Lisboa pelas melhores Tascas que Lisboa tem e que muitos conhecem mas poucos falam ( ou falavam).
Á conta deste carola Tiago Cruz, o tasteador mor da muy nobre e altiva cidade de Lisboa, o tascodromo da capital foi criado, e temo mesmo que se torne rápidamente uma moda muito maior e mais atractiva do que o Gin Tonic e hortaliças.... é que aqui nesta categoria, nada é importado ou copiado!!
Lá está é original, genuino feito em Portugal, por Portugueses para o Mundo!!!

Viva a VOR Vivam as Tascas!! Viva o Verão os tremoços e essas coisas...

Querido Tété, se passares pelos Algarve não pares em qualquer canto...procura umas Tascas que têm mais encantos....
Aprende a comer coiratos, como o meu primovelho me ensinou, ou caracois, como a minha Tia o fez, lá pelos lados de Cascais. e come o que é nosso em tom de desafio às ASAES dessa vida....

segunda-feira, julho 20, 2015

A Barraca da Praia

Normalmente, chegados a estas épocas anuais viradas para os banhos, todas as famílias que se prezem tinham... e algumas ainda têm a sua barraquinha alugada na praia para onde vão em procissão.
Hoje, com o progresso as barraquitas, aquelas de panos ás riscas quadradas com a porta de entrada aberta a fazer de toldo,
As barrraquinhas abrigavam os comes os bebes, e até protegiam os tios e os miúdos mais novos com a sombra para as necessárias sestas. Liam os jornais, encostados á estrutura de madeira, iam a banhos e regressavam à barraquinha. E lá dentro os miúdos jogavam às escondidas, ao prego e até fugiam pela parte de trás para irem ao banho sem os mais velhos perceberem. Era uma cidade de gentes conhecidas que se encontravam todos os anos naquela mesma praia, naquela mesma barraca. Já se sabia quem eram os vizinhos mesmo antes deles chegarem. todos os anos apareciam caras novas, que lá se enturmavam derivado da criançada que logo descobriam novos amigos de verão, enquanto os mais velhos, mais desconfiados, lá iam começando a falar com os estranhos pouco a pouco, até porque ao fim do terceiro ou quarto dia, a ver os mesmos vizinhos, um cumprimento era obrigatório, e pouco a pouco lá se iam conhecendo.
Ainda existem algumas por aí espalhadas por algumas praias deste nosso cantinho, mas a maioria deram lugar ás espreguiçadeiras de plástico, e a uns chapéus de sol empalhados a modos tropicais, a fazer lembrar essas paragens distantes. Não se movem e chega a uma altura em que a sombra está mais nos vizinhos do que em nós.
Nós também tínhamos uma barraca de praia. Mas a nossa barraca era especial. Não era na praia, era em casa. Mas nós tínhamos sorte, porque a casa era na praia, ou melhor... em cima dela,e como a praia era pequena a barraca era em casa.
Também era ás riscas, largas, azuis creio eu, que depois deram lugar a um pano de risca verdes mais estreitas. Aquela nossa barraca de praia, era um luxo. Ali feita debaixo do vão das escadas que iam dar à varanda, encafuada num arco. Estava bem protegida do vento e era ali que a vida começava e acabava nas idas e vindas da praia, mesmo ali defronte onde se desciam seis degraus por uma escada de madeira construída propositadamente. e que derivado de um temporal no inverno levou com um pinheiro em cima e desfez a dita toda. foi uma pena.
A nossa época de verão começava com a colocação dessa pesada escada de madeira. Quando chegávamos a casa e víamos a escada lá posta na rocha, era sinal de banhos, Verão primos, barcos e muita animação.
Depois vinha a barraca. A nossa Barraca de riscas. Grande, enorme, caibamos lá 5 ou seis ao mesmo tempo!!.
E barraca de riscas lá se ia montando também. Primeiro os espaldares de madeira grossa, bem construídos e todos os anos envernizados de novo pelos tios. Depois vinha o espelho que se pendurava na parede que servia para alindar e dar bom aspecto a todos os que por lá passavam. Depois, a mesinha que servia de aparador para as escovas, para as toalhas e muitas vezes para se guardar as trapalhices da praia lá em baixo. Depois montava-se a mangueira, que tinha no fim um duche. ligado á torneira que era só de água fria. Mas isso não nos incomodava. Todos os dias ao fim do dia de praia, depois dos saltos nas rochas nas viagens de bóia a casa dos primos que também era sobre o mar, dos passeios pela baía no repimpa do tio João, das voltas de barco, no Intrepid no Narceja, no Quasar e no Maçarico, aquele banho de água fria bastava para nos alindar para o resto do fim do dia até à hora da cama. E víamos a água com a areia a escorrer para o ralo, encaminhado por um carreiro de cimento. Era ali que ligávamos a mangueira do jardim para regar as flores, os vasos e mais tarde o escalracho que teimava em crescer num solo de pedras e terra salgada pelo mar invernoso que entrava em repuxos pela guarita.
E a barraca lá nos apoiava a todos, tirávamos a areia , passávamos-nos por água, e quando o calor apertava, servia para refrescar a sede sem ter que entrar em casa e sujar o chão imaculadamente encerado.
Ali guardávamos os brinquedos que levávamos todos os dias escada abaixo para a praia. os baldes, as barbatanas, os óculos de mergulho, e as câmaras de ar. Essas companheiras de Verão que nos levavam para todo o lado dentro de água a explorar todos os anos as rochas, os cantos e recantos e as idas a casa dos primos comer as sanduiches de açúcar e manteiga.
Aquela barraca fazia parte de nós. Nos dias em que a praia não estava apetecível, servia de esconderijo para os jogos das escondidas. Servia para contarmos os segredos. Era nossa companheira também.
E quando chegava o fim do Verão, e se desmontava a barraca a casa parecia que ficava mais triste , despida, como que se fosse hibernar á espera de mais um ano.
Durou anos assim, até que também partiu com a casa. Agora já não existe o arco, nem existe a barraca. A casa está lá. Não tão alegre e viva como já foi, mas cuidada e bem tratada. E sempre que passamos por lá manda-nos um piscar de olhos com todas as memórias daqueles que por lá passaram.

segunda-feira, julho 13, 2015

Cantos Gregorianos

Não é que perceba alguma coisa do assunto, mas como hoje em dia derivado do facto de todos terem uma opinião, e basta fazermos uma pesquisa rápida neste mundo digital e descobrir muitos assuntos sobre o assunto.
Eu, neste caso, até não me apetece ficar de fora no assunto. Por isso vou falar nele.

O assunto em si, não tem muito que se lhe diga, era uma vez um País do mediterrâneo onde antigamente os homens tinham barbas encaracoladas, e vestiam túnicas brancas e andavam a passear de um lado para o outro á espera que alguma coisa lhes acontecesse. A uns não acontecia nada, a outros , de repente tinham assim umas ideias iluminarias, e gritavam Heureca e essas coisas. Não sei se derivado do que bebiam do que comiam ou do que fumavam.

Num desses devaneios colectivos houve um grupo de barbudos e de togas brancas que resolveram aparecer e divulgar ao mundo o tal do conceito a que chamaram Democracia, à conta disso ficaram bem vistos pelo mundo inteiro  e toda a gente até achou a ideia engraçada...mas ninguém a pôs em prática durante séculos.

Durante séculos e séculos, os coitados lá andavam nas escarpas viradas ao mar, com as túnicas brancas, as barbas farfalhudas loiras atrás das ninfas e de outras personagens. Como não chateavam ninguém, também ninguém os chateou... até achávamos graça ver uns homemzarrões vestidos de túnica branca a deambularem de um lado para o outro....

Só que os séculos foram passados, e a ideia foi crescendo, e disseminando-se entre as mentes de uns e outros homens que não usavam túnicas, mas até achavam graça às ideias dos meninos de branco....

Era uma ideia tão original e tão diferente de tudo, que só podia ser implementada por via da força, porque para ser implementada como ela própria se diz.... democraticamente, ninguém caía no conto do vigário....

Assim passaram os séculos e os romanos da vizinha mais ou menos terra mediterrânea, implementaram uma espécie de dita mais ou menos para alguns. Mas o grande boom da dita ideia, chegou nas iluminadas cabeças dos rebeldes Amaricanos que deram porrada nos Ingleses e construíram um País do Povo para o Povo e Pelo Povo, num ido 4 de Julho de 1775, regados com vinho da Madeira e prontus... nasceu a tal Nação democrática, exemplo para toda a humanidade, baseada na ideia iluminada dos hominhos de barba loira e túnica branca....

A dita Nação, cresceu, cresceu, cresceu e ganhou poder riqueza e muita influencia... tornou-se no maior País do Mundo... tudo derivado da ideia dos hominhos....

Como o resto do mundo é invejoso, não parou de impor a dita democracia, aos olhos dos Amaricanos que eram muita ricos.... assim a solução para a pobreza e o poder estava na Democracia....

E assim a Europa, foi mudando.... demorou mas mudou.... até nós aqui neste cantinho, onde os Homens tinham patilhas compridas e pegam touros de caras, também mudámos.... para sermos Europeus, ricos e modernos....

Até entramos para o mesmo club, onde estavam todos os outros países importantes da Europa, até nos sentamos à mesma mesa dos Hominhos de Barba loira e túnica branca.

Só que hoje em dia os ditos Hominhos, aqueles de tunica branca e barba loira, já não têm barba e até usam fatos sem gravata....mas utilizam a ideia peregrina da democracia, que os seus antepassados inventaram com todos os segredos e manhas que a ideia tem. Tá certo!! Eles inventaram, deram a conhecer ao Mundo.... mas não contaram os segredos todos!!!

A malta olhou para os Amaricanos e achamos que a ideia era fantástica, esquecemos-nos foi de tentar saber todos os segredos que a ideia tinha....

Mas  realmente, ao fim de estes meses, o Mundo inteiro percebeu que afinal a tal dita ideia da democracia, não foi explicada totalmente....

É que afinal pelo que vi.... se antigamente não percebia muito bem a ideia mas até a achava interessante, agora estou todo baralhado....

Então o Povo decide, e pelo poder do povo tomam-se decisões. O Povo lá do País dos hominhos de túnicas brancas e barba loira, disse que não.... mas quem eles deram voz, para dizer Não, disseram sim e ainda com piores consequências e sacrifícios... e tudo em nome da tal Ideia....

Não é que perceba do assunto, mas assim de repente creio que essa ideia cheira-me a uma grande aldrabice pegada....

.... e se resultou noutros países, deve de ter sido derivado ao facto de se terem feito traduções erradas sobre as instruções de uso da dita ideia dos hominhos de túnica branca e barbas loiras....

é típico das más traduções.... para mim cantos gregorianos, eram Gregos a Cantar....

Que foi o que deram à Europa...... e a nós todos.....

quinta-feira, junho 11, 2015

LISBON STOPOVER VOLVO OCEAN RACE

Meu querido Afilhado Tété,


Tens razão em chamar-me os nomes todos que conheces e lá aprendestes durante o teu estágio profissional entre os agentes prevaricadores da sociedade. Não sei se te cruzaste com o 44 mas acredito que dali não tenhas aprendido muito.

Sim, confesso tenho estado ausente deste mundo bloguista, não tenho desculpa. Por isso quero-te compensar com o que se passou pelo menos nas ultimas semanas.

Vê-lá tu que mais uma vez fui chamado para colaborar com os meus préstimos (... que não faço ideia quais sejam...) naquele "invento" muita bom que é a VOR, que ninguém conhece e que poucos jornalistas querem conhecer... mas é tipo só a MAIOR REGATA do MUNDO, e por acaso aportou em Lisboa...acredito que não tenhas reparado, é natural, a maltinha preocupa-se mais com a cor das unhas do CR7 do que propriamente com um "invento" deste gabarito....

Para mim, querido afilhado que tens o mesmo nome que eu, tudo começou lá pelo dia 20 de Maio, uma manhã soalheira.... e acabou a 8 de Junho, um dia quente.... entre estas datas....pouco me lembro...

Mas lembro-me de ter que ir buscar uns quantos barcos a Cascais, ter que andar a verificar os cais das doca de Pedrouços, lembro-me de rever de novo os velhos companheiros da ultima edição, todos três anos mais velhos, mas ainda bem dispostos.

Lembro-me de termos contratado a meio caminho o Benárdo, esse elemente fantástico que tudo fez e nunca apareceu...segundo consta chegou hoje a L'Orient, no saco de spi do team SCA.... as miudas deram cabo dele...

Depois tivemos nos primeiros dias que montar o nosso posto de comando, como o nome dava modes de coisa revolucionaria, mudamos para ON WATER VIP LOUNGE, claro, só podia!!!

Dois frigorificos a bombar com vinho branco, gin, vodka, champagne, haa e também água geladinha...
Composto com copos de plástico de  tamanho modesto, passou a ser o poiso de toda a organização durante os debriefiings de fim de tarde. Bem que tentamos controlar as enttradas como faziam na Tenda Corporate ( quer dizer a tenda dos IPC - importantes pa caral...) Mas sendo nós genstes de mar, não é possivel sermos antipáticos. Apesar de dizermos que era "Members Only" toda a gente tinha membros e entrava.... enfim, um fartote de riso ao fim da tarde, ao principio da noite e até de manhã quando calhava...sempre à volta dos GT, e dos VT, e das C

Enquanto os barcos vinham ou não vinham lá fomos nós para as saídas técnicas, aquelas saídas que tecnicamente são muito importantes para o funcionamento do evento.... comprar ameijoas a Belém, comprar tabaco a porto brandão, assegurar comunicações entre o Bugio e o Alfeite, tirar fotes debaixo da ponte, ver pontos de amarração na zona da doca do Espanhol, ensinar a conduzir semi-rígidos sem ser em linha recta, testar as luzes do terreiro do paço....enfim... nem calculas.... e o Benárdo sem aparecer....

A primeira noitada foi quando os barquitos todos coloridos apareceram no meio do rio, depois de terem atravessado o atlântico. Eram praí 4.00AM quando fomos para a água recebê-los... e nem calculas a trabalheira que foi... depois de termos estado a fazer horas na ponte do Chivas, com o dito liquido a aquecer a moleirinha, estivemos 7 horas dentro de água.... os barquitos lá chegaram, todos catitas. houve até um que encalhou...para ver os golfinhos...

Depois, fim de dia, reunião no Vip Lounge, houve ainda tentativas para entrarmos na tal Corporate, mas a verdade é que nada de interessante se passava, além de belas vistas que por lá se tinham estabelecido em trabalho, nada de mais se passava... até ao dia em que houve aquela coisa no Jamor...

Eram já nove e tal quando do rádio ( sim porque nós tínhamos rádio!! e não era para ouvir a bola!!) ouvimos um pedido de socorro vindo de uma voz tremula e nervosa... corremos todos à corporate, e lá estavam 4 marmanjos já encostados à parede, a voz tremula, que normalmente anda bronzeada, estava assim pó branco ( não é pó de pó, é pó de para). A coisa acalmou e lá saímos...todos a correr para apanhar mesas cadeiras e diziam também caixas de bebidas que os marmanjos tinham atirado à iagua, para ver se boiavam.... as mesas e cadeiras sim, as caixas.... é que não.... um desperdício...

Passaram os dias, as saídas técnicas os ensaios e sempre que podíamos juntavamo-nos na cantina.
Sabes Tété, ao falar na cantina, pensei muita na sorte que tiveste quando estives no estágio...acredito que na prisão comias mais qualquer coisa além de almôndegas e frango.... Nós não!! Nós variavamos entre frango e almôndegas, ou almôndegas e frango.... ás vezes até eram as duas coisas ao mesmo tempo!!

Depois havia sopa, mas isso é daquela coisa que só como obrigado, pois sabes que os meus modos não são lá muito próprios para comer sopa... houve até um dia que cheguei tarde e lá tive que comer a dita.... desatou tudo a rir de mim... tive vergonha... Mas enfim... são coisas...

Haaa tivemos também a honra de sermos convidados para irmos á festa da organização da Volvo!! Sabes, somos tão especiais que até nos entregaram todas as pulseiras para nós distribuirmos!! foi um acto tão importante que por bem achamos que deveríamos entregar a quem de direito, é que nós não eramos asssim tão importantes, apesar de termos o VIP Lounge. Coitadinha da senhora estrangeira que fez a asneira....

Nessa tarde, ao fim do dia, lá arrancamos para a festa, grande festa sim senhora!! Parecia o nosso VIP Lounge, mas com luzinhas...!! e em vez de almôndegas eram Hambúrguer... nada maus por sinal!!...

Como nessa altura os barquitos já tinham chegado, passamos ali uns tempos um pouco mortos.... mortos de calor....mortos de fome...mortos por saber onde o Benárdo andava...e mortos de cansaço... o que nos valiam eram os debrifings... que nos alimentavam a alma e a mente... houve até uma altura em que fui convidado para ir lá á tal da corporate almoçar...devias ver.... toda a gente de calcinha, camizinha de colarinho engomado e eu tal qual um fachineiro de calção rádios na lapela despenteado, e maltrapilho.... fui um sucesso!!! toda a gente a olhar para mim!!! A sorte é que aí não comi sopa!! senão tinha arrasado!!

Depois mais para o fim, lá tivemos que começar a falar mais em Inglês, derivado o facto de que iam começar as regatas no rio com os barquitos.... barquitos quer dizer.... barcões!! é que de perto são muita maiores do que vistos ao longe...
E prontos... 4 dias dentro do rio cheio de ô yess yess, yess, ô no no no, portboard, starboard vip box, marshal boat, chief marshal boat 1, etc etc.... só comigo iam 4 rádios....eu que não sou DJ... estava doido com tanta tecnologia à minha frente.... mas acho que até me safei nas passagens... a musica era monocórdica, mas lá entendíamos... o perceber o inglês via rádio falado por um Irlandês e respondido por um Alemão a falar inglês, deu-me a oportunidade para aprender Italiano... algumas coisas.

A Verdade, mesmo verdadinha é que se juntou ali na VOR uma agradável grupeta, que hoje em dia nestes zun zuns que existem, soube muito bem e muito bem sabe ter aparecido... cada um na sua, todos na mesma. Mesmo que o Benárdo não apareça...

Se foi bom??? Ó meu querido afilhado Tété, que tens o mesmo nome que eu.... Foi OPTIMO!!!


quinta-feira, dezembro 11, 2014

Os primeiros 25 do Inicio dos 25

Caro Afilhado Tété,
Amando-te aqui uma pequena carta para te contar sem delongas um fim de semana que tive, numa cidade que vivi e que também posso dizer, é minha.
A coisa tinha sido combinada por meio destas tecnologias informáticas que por aí andam que tu de certo bem conheces melhor que eu. Ora umas trocas de piropos, a montagem de um grupo para o evento, umas quantas bocas apalhaçadas entre todos e não é que até houve consenso na data???
O começo parecia auspicioso, já que os dois magníficos organizadores, ligados de tenra idade ao ramo de bem receber, e com a vantagem de serem de uma terra onde o receber bem está nos genes, lá montaram a peça.
Sexta feira seria o inicio com uma grande almoçarada, não fosse um feliz contratempo que tive e que se tudo correr bem te darei noticias no futuro, que me impediu de rumar ao norte a tempo de me sentar sobre a mesa e começar as hostilidade frugalo-gastronomicas, claro está regadas a preceito.
Cheguei à Inbicta já a noite caía naquela terra cinzenta de granito, e cimento, que muitos consideram escura e feia, a esses, considero-os cegos...
É escura, é cinzenta, tem granito, essa nobre pedra basilar da história de Portugal, que nos acompanhou pelo mundo fora também sob a forma de Padrões. Mas é linda nessa escuridão acinzentada. Tem alma, tem história tem segredos e muita energia, tem orgulho e é altiva, e tem gente com carácter e nobreza típicas daquela zona do País.
Pois, portantos querido afilhado Tété. Cheguei e estacionei as malas no quarto do hotel, a correr dei de caras com um dos meus grandes amigos ( em todos os aspectos... Grande de Tamanho, Grande de Coração, Grande de careca.... e ás vezes um grande chato do Caralio.. (hehe) )
Seguimos urgente para uma tasca conhecida, caminhando pelas ruas e pondo os anos em dia, de duas vivências afastadas pór milles de kilométros...
No primeiro embate gastronómico-frugal, dois pregos do lombo em cama de queijo da serra com fino perfeito.
E as conversas seguiam, como se a ausência de estarmos juntos à 6 anos atrás tivesse sido só uma ida á casa de banho.... talvez cagar.... .
Na verdade não parecia que o tempo tivesse passado entre nós os dois. as graças, as histórias e os palavrões. O futuro, o passado e o presente, tudo estava ali naquela altura.
Depois seguimos para o saudoso D. Castro, onde tínhamos combinado o janta, mas sem reservarmos o lugar. Lá chegamos, tudo igual. tudo na mesma...ou quase... a simpática dupla que há 25 anos atrás nos acolhia já lá não estava e quem lá estava agora não estava para nos acolher, nem por simpatia, nem por vontade.... Ali sim. os 25 anos de ausência mudaram qualquer coisa, infelizmente para pior.
Sem estarmos desesperados, mas um bocado decepcionados, lá buscamos os portas e travessas um novo poiso.
E em terra de bem receber, com gentes assim não foi dificil, ligamos a uns, falamos com outras e tudo se arranja num compromisso bastante bom. Bastou a sugestão de mais um 25anista e carregamos o passo para a taberna do Carregal.
Chegamos os dois primeiro, e depois os restantes 4, Um ele e três elas, Tanto ele como elas não víamos mesmo há vinte anos ou mais!!! E outra vez o fenómeno aconteceu.... parecia que tínhamos ido à casa de banho....
Mostram fotos contam histórias, novidades antigas, crianças aparecidas, trabalhos constantes vivências vividas... nada interessa, a amizade o carinho e a satisfação com que estávamos era a mesma quando andávamos vestidos de cozinheiros, a correr do sr.Sá que nos mostrava como o bacalhau estava salgado ou não... coitado do Papá.... e os eclairs, e o embamata ou ru, e as fardas dos restaurantes, e o Lada com o seu primo 2CV que também faziam parte dos 25 anos ( esses coitados morreram entretanto). ....
A janta passou bem regada  bem servida e bem divertida, seguindo para a noite, na Baixa que agora é a zona alta da movida, e um, dois, três...xixi cama cada um consigo mesmo... Nada mudou....

No dia seguinte avizinhava-se grande actividade lúdico-gastro-intelectual pelo almoço, mas aí os 25 anos pesam!! ui aí sim, sente-se a diferença....
Sem desarmar, claro porque a parte fraca não se mostra numa ocasião 25anual, O meu caro amigo que vive sobre a linha Equatoriana em perfeito equilíbrio e amais eu , que muitas vezes perco o equilibro a andar sobre uma linha, lá seguimos taxicamente para a Foz!!

Haa!! A Foz, a praia da Luz, esse recanto encantado de belas vistas de bons ares de maravilhosas aragens e bons petiscos e óptimos cocktails e sempre sempre com um serviço...digamos...fraquinho...
Tal qual com há 25 Anos. Nada mudou!! Nem esta nossa amiga esplanada...tudo muito igual, com alguns melhoramentos mas  o núcleo sempre adoravelmente igual.

Venham petiscos e dois Bloody Marys!! Gritamos em conjunto para a empregada coitada que não percebia se queríamos mesmo um charro ou estávamos a gozar ( até agora nem nós percebemos....)
E chegaram as pataniscas os croquetes de alheira e dois magníficos Bloody Marys, com tempero ao lado...mas faltava o gelo.... e veio o gelo e ficaram excelentes, tal como as pataniscas e os croquetes!!
E Venha mais uma rodada igualzinha á anterior, mas com pimentos do patron, presunto com crutons ( ali chamaram-nas tostas...talvez erro de tradução...) e mais dois Blody Marys que estavam excelentes!!.

Não, desculpem mas não caros senhores, Bloody Marys não podemos... não temos mais sumo de tomate.... A grande Praia da Luz no seu melhor!!

Venha vinho pois então!! e os petiscos também vinho verde por favor porque o gajo do Equador não tem deste na sua terra!! E tudo se recompôs.

Chegados ali pelas 12.00 partimos dali pelas 17.00 de volta para o Hotel onde mais 25anistas compareceram para seguirmos para o lauto jantar petiscador preparado pelos Magníficos anfitriões.
E lá estavam mais uns quantos, não sei , mas eram muitos!! E desses muitos , muitos não se viam... desde que tinham ido á casa de banho...

Ahaha, hihi, cricricri um fino umas tostas água e seguimos pé ante pé para a maior grande novidade dos últimos 25 anos. o Metro!! Apanha-se aqui deste lado, paramos no outro lado mesmo perto do mercado. Vamos lá rapaziada!! Lá fomos!! todos juntos parecíamos muitos!!
Mercado do Bom Sucesso, vinhos tapas e petiscos de novo, e de novo novas velhas caras a chegar da casa de banho... aqui confesso, de algumas não me alembrava a memória, mas bastou uma nota para tirar os esquecimentos.

hahah Hihihi e segue-se para o jantar. Maravilha!! Todos a rir , todos a gritar, todos a bater palmas, todos contentes a ver um painel na parede com fotos de época, (aí sim...tinham passado 25 anos, não tinha sido uma ida à casa de banho.!! Estávamos parecidos por dentro, diferentes por fora, mas iguais uns com os outros.!!

A janta a meio teve um momento alto de trombonofonia quase a por toda a gente de pé a dançar, e que maravilha foi ouvi-los a tocar, assim de repente lá demos um salto para os 25 anos atrás, e revivemos mais memórias , estórias e desventuras.
No painel passavam as fotos, de todos todinhos novinhos e sempre bem dispostos. Era a festa de Carnaval, eram os trabalhos extras, eram as festas e folias nocturnas eram os fins de semana de grupos eram os baptismos e estudos ( raros é certo, mas também houve disso.)

E dali seguimos para a Baixa, atulhada, cheia de fumo e boa musica. Estourados mas contentes por estarmos juntos, lá nos fomos deitar de novo, para estarmos quase frescos para o almoço e a volta.

No dia seguinte de novo nos encontramos, com um momento cultural, para fazermos uma viagem pelo nosso passado de à mais de 25 anos!! tal como o nosso passado de 25 anos aquele outro nosso passado foi grandioso, sete partilhas do mundo, conquistas e novas terras. Igualzinho aos nossos 25anistas!!

Depois, foi o ultimo almoço, o Agradecimento aos anfitriões , as fotos da praxe e cada um o rumo a seu mundo. Não sem antes se alinhavar a data de Junho ou Julho para uma nova Magna reunião!!

Em 3 dias, vivemos 25 anos. Onde o mais importante foi a amizade e a união que todos temos uns pelos outros, que não se desvaneceu num quarto de século. Foram 25 anos, mas pareceu uma ida à casa de banho.
Que continue assim, porque para mim, e de certeza para todos são estes emoções e sensações que nos fazem ricos!!  Bem hajam a todos!!

E é isso Tété, é isso que tens que querer da vida. Amizades que duram uma vida porque foram construídas sem interesses, só por amizade, e nada mais. É isso que interessa, é esse o único interesse.
Por isso Tété, se no dia que conseguires ter dessas amizades, considera-te uma pessoa rica.

quarta-feira, dezembro 03, 2014

O Nós e o Eles......

Tanta coisa passa por este pequeno País em tão pouco tempo que passa uma catrefada de tempo que não passa nada.
Mas pelo que se passou, passou o País a estar eufórico ( tanto para um lado como para o outro) como se um grande acontecimento anormal tivesse acontecido. A Noticia lá do inquilino de Évora passou a ser importante, mas só depois de levarmos com outra catrefada de peças sobre o impacto internacional da noticia e a cobertura pelos média estrangeiros é que para os Jornalistas é que a noticia passou a ser importante.
À conta delas ( da noticia e da cobertura internacional) os nossos rapazes sentiram-se o centro do mundo!! Agora sim, temos as atenções mundiais!! qual E. I., qual guerras no médio oriente, qual Palestina, qual Turquia ou Israel....
O que tá a dar é Évora!! e a linda porta esverdeada de chapa sempre guardada pelos vetustos barrigudos guarda do belo estabelecimento.
Se nos sentarmos num restaurante com uma televisão acesa, sem som, as imagens que aparecem são deprimentes.... Uma catrefada de jornalistas a filmar um muro branco a fazerem um jogo do empurra empurra para espetar um micro na boca de qualquer pseudo personalidade fideputapolitica que por lá aparece para ganhar um tempo de antena a fazer um basqueiro de injurias contra a tal da Justiça, o tal do juiz, o tal do tal qualquer que seja...
A imagem é linda!! Parede grande muro alto todo caiado de branco branquinho a reflectir a luz do inverno Alentejano ali numa das capitais do Internacional Cante!!
Essa é outra!! Agora, é que é!!! O cante agora é importante porque foi considerado importante lá fora!! e lá voltam as hordas de jornalistas, de pseudointlectuais a delirar por tamanha conquista que se junta ao Fado também...
Pobre País este... que só dá valor ao que temos cá dentro quando vem de fora..e acha que a nossa História não nos pertence...
Mas não é de agora, já tem muitos anos esta sina. também não é do tempo do velho senhor que caiu da cadeira no forte ( onde estava a passar férias, e não tinha sido mandado para lá...).
Também não vem da altura épica da infame carbonária e sua mãe, responsável primeira pelo descalabro a que chegamos.
Faz parte de nós, talvez desde as invasões francesas e do grito do ipiranga. É uma sina que se tornou intrínseca no nosso DNA  que separou o Portugal de antes com o Portugal de agora, e que ainda chega ao nossos dias.!!
Basta ver os programas de televisão sobre os nossos descobrimentos e as nossas aventuras pelo mundo. Nunca ninguém, nenhum apresentador, nenhum historiador, nenhum comentador fala na primeira pessoa do plural quando se refere aos nossos feitos pelo mundo. "Nós chegamos a Malaca..."
Falam sempre na terceira pessoa do plural  "Os Portugueses chegaram a Malaca..."
É por este pequeno e importante pormenor que NÓS vamos continuar pequenos. Porque NÓS não admitimos que FOMOS grandes. E SOMOS Portugueses, os mesmos que chegamos a todos os cantos, muito antes que outros.


quinta-feira, outubro 30, 2014

Irmã Mesmo

Eu tenho uma irmã, aliás...tenho duas, uma emprestada que é querida também e outra apresentada.
A minha irmã apresentada, é irmã mesmo, mas só de metade. Daquela metade que não quis saber dela nem de mim, mas que antes de eu me apresentar à metade, quis a minha irmã que me foi apresentada, apresentar-se a mim!!
Não me esqueço, era Inverno e num dia depois das aulas , tinha aí os meus 16 anos acho ou 14... já não me lembro bem.... A minha Mãe dá-me a noticia assim um bocado tremelicoques, á espera da minha reacção...
Reagi feliz, contente e com lágrima no olho, porque uma irmã mesmo irmã sempre tinha sido coisa que me apetecia ter tido e nunca tinha aparecido, e agora assim de repente quase do nada caía-me uma irmã ao colo. E claro que sim claro que a queria conhecer!!
Foi no Inverno , no mesmo Inverno pouco tempo depois, que se marcou o encontro. Ainda me lembro ir na auto-estrada de Lisboa para Miraflores a ver aqueles eucaliptos enorme na berma e a dizer à minha Mãe " ainda não me habituei à ideia, é muita esquisito..."
Mas lá fomos, lá chegamos, lá subimos, lá entrámos. E bem recebidos pela Mãe dela e pelos dois irmãos que são dela mas não são meus e pelo Dusty
E lá estava ela, olhos esbugalhados a olhar para mim, a rir nervosa como eu, sem sabermos o que dizer, sem sabermos o que fazer. Mas nunca mais me esqueci daqueles olhos e daquele sorriso, os mesmos que ela ainda tem sempre que a vejo e derreto-me numa mistura de carinho, orgulho, e saudade por não nos vermos mais vezes.
Fomos para a sala e lá falamos, tinha 14 ou 12 anos, já não me lembro também, mas tem menos dois anos que eu.
Começamos timidamente a dar-nos e a fazer programas com a família dela. Sempre a rir, sempre bem disposta sempre contente, sempre com aquele sorriso e aqueles olhos. E crescemos, não juntos, não separados, não nos vendo, não nos deixando de ver. Eu nunca a deixando de a esquecer, porque é a minha irmã mesmo, mesmo que só seja metade e nós mal nos vejamos.
Quando me apresentei à nossa metade comum que nunca nos quis conhecer, sempre que falava no assunto era posto de parte, e nunca daquela metade consegui uma resposta clara e concisa para juntarmos todas as metades como a minha irmã tinha feito comigo. Combinamos não falar mais em metades, para nos continuar a dar, e assim fizemos nos 8 anos que me dei com a nossa metade comum.
Mas com a minha irmã mesmo falava algumas coisas, poucas da nossa metade comum, e ainda falamos, pouco é certo, porque bem ou mal é por causa daquela metade que somos irmãos.
No fundo, vendo as coisas de longe, tanto a minha irmã como eu estamos rodeados de metades.
Gosto de dizer ás pessoas, "a minha meia irmã é meia irmã de meios irmãos de primos segundos meus", o que é verdade, e nada de incestuoso tem, e para explicar é preciso aí uns vinte minutos....
Mas é um pormenor...
O que gosto mesmo é da minha irmã. que é mãe, tia, mulher, e a melhor herança que a nossa metade comum me deixou!!

terça-feira, outubro 28, 2014

Caguei!!....mas infelizmente não sei como....

Estou farto e não sei como fazer para deixar de estar!!
farto, de ver uma corja de corruptos a tomar conta deste País, Fartos de gajos que ninguém sabe quem são obrigarem-me a escrever como ninguém sabe como.
Dizem que é um acordo, mas nunca vi ninguém assinar o acordo, nem acordar com o acordo.
Farto de levar multas disto, multas daquilo sem saber porquê sem saber como me defender, porque tudo está montado para me foder!! a mim a si, a nós mas não a eles, e farto de não saber quem são eles.
Porque "eles" andam por aí escondidos sem ninguém os ver!! Estou farto de ser chulado, de pagar para isto de receber em casa contas e mais contas e mais contas sem perceber porquê...
A conta da água vem com tantas subcontas e taxas e taxinhas e tachos para alguém , que não sou eu.... eu uso a água para lavar os dentes e lavar o cu ( não a mesma claro) por isso pago para lavar os dentes e pago para lavar o cu.
Tenho que pagar também a deslocação da merda através dos canos de esgoto subterrâneos até à estação de depuração para poder usar de novo a água para lavar o cu e os dentes!!
então o preço da água, já não inclui isso tudo??? não, claro que não... toca a chular.... Estou farto!!!
Estou farto de acender a luz para ver a torneira onde lavo os dentes para poder lavar os dentes e ver o bidé onde lavo o cu para o poder lavar. e quando ligo o interruptor, pago a luz, que vem pelas linhas e faz uma viagem do caraças até à minha lâmpada, depois pago a lâmpada que custa caro que se farta, mais a taxa de ecológica para energias renováveis e quando a lâmpada funde, tenho que renovar a lâmpada toda e voltar a pagar a taxa.... se é para energias renováveis, se renovo a lâmpada por outra, já que não consigo utilizar mais a mesma, não devia pagar mais taxa renovável nenhuma...digo eu... não sei... mas tenho que ser chulado!!!
Depois é o carro, ou melhor, o caro, porque temos o IVA depois o IA depois o Imposto de circulação, depois os impostos nos combustíveis e nas auto-estradas, depois vêm as multas com uns guardazinhos todos prepotentes e pseudo educados a foderem-nos e a rirem... como se aquilo que fazem fosse de um profissionalismo e competência atroz .... acham-se importantes e não percebem que são como a água que uso para limpar o cu!!
estou farto!!
Depois vêm os ministros os istro os primeiros os financeiros os banqueiros para nos foderem a todos e fodem e continuam felizes , falsamente preocupados, mas que dizem dois três bitaites nas TVs entre os programas do Big Brother , e está a andar... Estou farto!! Farto de limpar o cu nesta merda toda!!
Depois são os jornalistas, independentemente comprados por estes aqueles e culoutros que gentilmente lhes cedem papel higiénico para limpar os cus deles e quiçá de alguns mais... e chamam-se opinião publica!!, Estou farto de limpar o cu!! Para a merda da pseudo-opinião publica!!

Depois vêm os tolos, que somos nós, todos com o cu assado de tanto limpar a merda que não pára de brotar!!.
E os Tolos coitados, estão contentes às vezes outras vezes menos mas mantêm a esperança que a merda ire Ouro como na novela Casarão nos idos anos 70... E assim tristes e resignados os tolos vão limpando o cu, da merda que os outros fazem....
E não há volta a dar!!! Estou farto!! Farto de tanta merda junta num espaço tão pequeno!!
Estou farto que brinquem com o meu País, Estou farto que o conspurquem estou Farto de gente de Merda que não respeita nem se dá ao respeito mas que nos obriga a respeitar as suas leis as suas taxas as suas ditaduras á sombra da pseudo-democracia e liberdade que tanto apregoam e defendem à 40 anos, como se mais nada de nobre existisse alem disso.
Estou farto de cagar, farto de limpar o cu, e cansado de ver a merda a jorrar!!!

quinta-feira, outubro 23, 2014

Noites Xafarixissianas

...Onde me fui meter... vir dissertar sobre as Noites Xafarixissianas...um espaço daqueles que é tipo Las Vegas...what happens tthere stays there .....
Mas vá lá ele há coisas que se devem de contar à malta, não muitas porque ali na D.Carlos I 69 muitas coisas são propositadamente esquecidas...
Ainda nos tempos da esplanada, naqueleas noites de Verão onde já tinhamos corrido todas as casas de Lisboa e arredores ( quantas vezes vinhamos do Seagull....). Nessa altura a esplana funcionava só para alguns, mesmo muito poucos, a partir das 6 da manhã....
Depois da noitada apetecia um hamburguer ao ar livre, ainda as roulotes não faziam furur, o Berimbar não tinha pateo, os cachorros só existiam na Boca do Inferno....
Uns poucos felizardos como eu e mais dois ou três, tinhamos sempre a hipotese de uns Hamburguers no Xafa. Basicamente a coisa passava-se rápida e sem muito sururu...
A malta abria a porta ( com chave claro!!). Desligava o alarme, ligava a luz lá dentro, trazia uma mesa e umas cadeiras ali para a Mãe de Água,  ligava a chapa e esperava que aquecesse.
Depois era contar os convivas...quantos são? 8?? ok vão 8 haburguers soculentos de carne de vaca ali do talho ao lado para cima da chapa.
Aqui o je tratava de tudo... Hamburguers na chapa, imperiais na mesa, ou vodka ou whisky....haviam uns que buiam coca cola e tudo!!
Volta nos hamburguers, queijo em cima para derreter, temperos , corta o tomate, lava a alface, emprata e vai pra mesa... ( muito tempo a ver os hamburguers do Bananas, ajudou...)

Depois, era comer um ou ás vezes dois... naquela altura sempre que o Xafas abria á noite no dia seguinte, faltavam uns quantos hamburguers no stock... Mas até deixavamos sempre grojeta para os empregados. Mesmo que não estivessem lá nenhuns!!.

À noite, aquelas noites loucas.  Ainda me lembro hà bem pouco tempo, quando a casa estava a bombar, e para se por o casaco no bengaleiro era o Cajó que lá ia abrir o dito. A chave estava ali sempre à mão de semear junto ao Bar, de forma a ser facil pegar e ir abrir o bengaleiro, caso não fosse o Cajó era algum empregado da casa. Mas o Cajó fazia gala...

Naquela noite a casa estava normalmente cheia , e o Cajó sem mãos a medir ia e vinha do balcão á porta do bengaleiro, eram ás catadupas, resmas, paletes ( como se diz agora) de grupinhos a entrarem para por os casacos, de grupinhos a sairem para levar os casacos, e o Cajó no stress...
Mesas cheias, clientes sem buida, a musica que não começava, clientes felizes e contentes, e o cajó ia e vinha, queria sentar muitos e receber outros quantos com um sorriso  ou uma gargalhada...lá andava ele.... balcão,chave bengaleiro, chave, balcão, bengaleiro , bengaleiro, chave, balcão, olá tá boa?? Tás porreiro? olá!!, Adeus, Bengaleiro chave.... e nisto de repene o raio da chave deixa de abrir o bengaleiro!!!
Nem sequer entra na fechadura!! Vira-se ao contrário, empurra-se , esforça-se e o raio da chave nada.... e os casacos lá dentro e os clientes á espera e a chave nada...nem pela esquerda nem pela direita nem para cima nem para baixo....
Cajo espuma!! tenta uma douas três desiste, vai ao balcão pede ao empregado para tentar, tenta e não consegue.... volta a tentar.... nada a chave não responde... Nem sequer é da fechadura!!! Mistério!! A solução??? arrombar o bengaleiro...
Cajó faz contas , porta nova, casacos fechados vai sair um balurdio.... não dá.. não pode ser...
e a chave nada...
De repente, cm olhos criticos e apurados chega-se à conclusão que a chave tinha sido trocada!! por algum cliente mais brincalhão... trocada sem ninguém ter notado... trocada por um engracadinho....

....fui beber o whisky....

Ou aquelas noites que ....não...não vou contar... é chato....

quinta-feira, outubro 02, 2014

Espumante Eduardo VII

Foi um começo de noite de domingo como muitas outras. Acabadinho de jantar, depois de um banho depois de um dia no mar a regatear. Sentei-me a ver a televisão. Naquela altura já havia 4 canais, iguais aos que tenho em casa agora sem DTT, ou TDT, ou DDT ou lá o que é.
Estava calor, mas ainda era fim de Abril principio de época de testes.  E como nada de interessante passava dei por mim a ir ter com o meu amigo Fidalgo ao D&D, ou D+D ( não o vinho que é bom...., o Bar que também era bom...). Rua do Conde 57 ( acho que era).
Por ali ficamos a falar deste daquele, daquela daqueles, dois outros que seriam ou não... a rir e calmamente a tertuliar. sendo domingo e cedo nada se passava.
No dia seguinte ficou combinado. Dei um salto à Makro comprei uns quilos de OMO lava mais branco à mão e à noite segui de novo para o Bar. Era cedo e lá estava o Picoto e Fidalgo como sempre, apareceram mais uns poucos comparsas, que francamente não e lembro quem eram. Estava à espera de um trupe de 5 mas éramos aí uns 3. Nada mal. para muitos que estavam em casa a estudar.
Aí sendo uma e meia da manhã, saímos a mais o meu 2CV ( parecido com aquele que leva a a D. Maria a mais o seu belo carrinho, leva os filhos à escola faz as compras de caminho...). Carregadinhos com o OMO lava mais branco ( à mão) parámos no cimo do Parque Eduardo VII depois de termos dados umas duas ou três voltas à zona a ver se víamos algum agente da autoridade... A gente não viu ninguém e paramos mesmo.
Paramos mesmo ali onde está o mamarracho do Cargaleiro a comemorar a triste data... tal qual um marzapio Tuga posto em sentido quando vê uma miúda gira!!
E espichava água o mamarracho!!!, fazia-me lembrar aqueles concursos quando éramos miúdos e tentávamos escrever os nossos nomes enquanto fazíamos... alguns com pontos nos ii outros até com cedilha....!!
E o lago em baixo cheio de água verde nojenta, ali estava. Como nós, mas mais limpinhos.
Enquanto um se punha de atalaia não fosse aparecer o tal Agente.... outro começou a descarregar a mala do carro, eu  calcei as galochas da caça, aquelas com suspensórios e tudo que nos protegem até ao peito.
 Lá para dentro saltei, e mesmo à boca do repuxo que aspirava a água para o mamarracho espichar, deitei 1, deitei 2 deitei 3 deitei 4 e cinco OMO lava mais branco ( à mão)....
saltei para fora, entramos no carro e zarpamos. Mais longe, já ali ao pé das Amoreiras, tirei as galochas e voltamos ao local....
Lá estava ele, feliz em sentido espichando água suja verde, como sempre....
Mais uma volta, descemos ao Marquês.... e subimos a rua Castilho, passamos outra vez e lá estava ele....na mesma... Espichando água....
Seguimos um pouco frustrados, fomos até à Praça de Espanha, seguimos para a Avenida da republica, descemos ao Marquês, descemos aos restauradores, subimos de novo até ao Parque Eduardo VII.... e....!!!!! Lá estava ele, hirto, imóvel, espichando água tal qual como o tínhamos encontrado e deixado à talvez uma boa meia hora ou mais....
Agora sim... frustrados, tristes e vencidos.... O OMO mais branco, não deu satisfação ao mamarracho do Cargaleiro....
Voltamos para o D&D e quem se riu a bandeiras despregadas foi o Fidalgo, que  para nos compensar ofereceu um copo a cada um...bebemos mais e  prontus...
Frustrante a aventura... que esperávamos ficasse nos anais da "estória" e pudesse ser contada à mesa de jantar de muitas famílias...
E assim fiquei durante anos...
Até que há algum tempo, à volta da mesa não de família mas de amigos , que é como se fosse a mesma coisa, mas com mais palavrões. Contei a estória e a frustração. Eis senão, quando, lá do fundo da mesa alguém grita!! FOSTE TU????!!!!
E humildemente disse que sim... ao que respondeu logo a seguir!!
Épa lembro-me muita bem, estava a ir para o exame de manhã todo lixado e só via espuma a voar do Cargaleiro e pelo Parque Eduardo VII a baixo!! Andava à que tempos a querer saber quem tinha sido.

.....pelos vistos deu Espuma!! O Mamarracho do Cargaleiro!!
Queria todos os anos lá por alturas do 25/4 fazer a mesma coisa...mas agora há câmaras de filmar e aquilo está mais alumiado e essas coisas... este ano talvez lá faça o feito...se o citius tiver ainda de baixa....


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quarta-feira, outubro 01, 2014

Noites Berimbareanas

Mais um bocadinho e passa um ano sem ter vindo aqui deitar para o lixo qualquer coisa de prosa patética...
Tá mal , Tá mal, até porque os meus leitor ( não é erro... ) já se me queixaram amiúde da situação, mas a verdade é que a situação do miúdo não tem trazido inspiração valida para postar em tão alto e muy nobre blog... ( deixai-me assim pensar, de modos que não fique ainda mais depressivo...).
Em um ano, ou quase muita coisa passou...passou o ano, passou o prazo de validade da carta de condução...passou o vinho e felizmente passou a desinspiração...ou não...

Hoje aos dias 1 de Outubro, Continuo igual... sempre que entro no carro venho com mil e uma ideias para postar. saio do carro bebo o café fumo o cigarro e essas ideias esfumam-se... Por isso decidi ( o que para começar...não parece mal...) Vou começar a escrever as minhas memórias por aqui. Aquelas que quero que se lembrem , aquelas que não devia contar e aquelas que se deviam esquecer...
Tipo Big Brother, mas com um suminho especial já que muitas estoiras incontáveis não passei sozinho!! hehe... acho que vou deixar de ter amigos....
Antes disso vou  ao Lopes... com licença...
Não vou falar de Sevilha via Comporta porque já falei.
Hoje e agora vou falar de ... de... de.... bolas... ele há coisas que não posso mesmo... e escritas têm muito menos piada do que contadas ao vivo....
Talvez possa falar daquela noite, há uns quantos anos atrás em que acabei no Berimbar... essa instituição gastronómica fora de horas onde ás seis da manhã servem o melhor Bacalhau desfiado cheiínho de azeite, à lagareiro ou aquele arroz de pato divinal.... francamente nunca percebi se a comida era mesmo divinal ou se derivado da hora e da noite passada, tudo o que se come era absolutamente encantador... ainda hei de um dia ( ou madrugada destas) perguntar se fazem caterings...
E pensando nisso agora uma ideia no meu cérebro anda a germinar.... daqui a uns parcos 8 meses viro os 45  e como tal estou já em pulgas para montar uma alegre tertúlia para comemorar tal data.
Francamente tudo é uma desculpa. Não é por virar 45 mas é mais e principalmente ter chegado aos 45 com uma vida cheia de gente ( ou pessoas) importantes à minha volta. Vejo mais como um agradecimento a todos ( que não são meus leitores, mas não interessa) aqueles que de uma maneira ou de outra me fizeram ser quem sou...basicamente nada de especial, mas até me considero assim de repente um gajo porreiro, e um gajo porreiro nunca vai chegar a nenhum lado, mas ao menos de certo até ajudou e foi  até cabrão... porque não se pode agradar gregos troianos, republicanos e moçambicanos...

Mas enfim, voltando ao Berimbar, Eram aí umas , já passavam das 5 e a fome apertava, por isso eu e amais o meu amigo Barão de Navarra descemos ás catacumbas daquele estabelecimento lúdico e extremamente agradável.
Num canto ali ao fundo a guitarra tocava e acompanhava uma moçoila de cabelo encaracolado grande e loiro, ela de laivos negros aclarados com um vozeirão. Estava ela e ela entretidos e cantarolando modinhas brasileiras e as velhas canoçonetas portuguesas. Ele chamava-se , e chama João Pedro e está igual. Ela chamava-se, e chama Marisa e está diferente, cortou os caracóis, e agora continua com um vozeirão e é famosa, muito famosa segundo consta.
Na mesa ao lado mesmo quase de frente da dupla que se entretinha a cantarolar e animava todos os convivas, que não era mais de seis contando com o meu amigo Barão e eu. Estavam três figurões da noite e do dia e até da TV e mais um outro figurão, mas de estatura de figurinha que mal chegava com os pés ao chão mesmo sentado na banqueta de bar ( daquelas redondas e baixinhas). Como dos 4 personagens 3 eram nossos amigos, aumentamos a mesa e sentamos-nos. A tertúlia estava alegre, uma senhora e seus dois maridos...um actual ( naquela altura) outro com o estatuto de ex. e mais o dito figurão de figurinha.
Pedi o Bacalhau e para não fazer misturas, a garrafa de whiskey. Do Barão saiu um pedido de um prego e um fino ( ele tem raízes nortenhas, que se notam a partir das 4 da manhã...).
A tertúlia da quatro passou a seis, e alegremente dissertamos sobre piadas fáceis e anedotas parvas, tendo como referencia o riso estridente da figurinha figurão, que se ria por bem, por mal e porque sim... mas ao rir dava pulinhos ritmados a acompanhar a gargalhada e batia na mesa com as duas mão criando um batuque interessante que a dupla de artistas aproveitava para dedilhar um samba ou uma chula...
Assim passamos a noite ( ou o que restava dela) rindo gozando conversando e politicando, porque a figurinha figurão, era dessa estirpe. E tendo saído da Assembleia da Republica a altas horas foi ali comer um pato...e de pato o fizemos sempre para o ver rir ritmadamente aos saltinhos e a bater na mesa.
 Ficamos "amigos" e até, embora não fosse da mesma cor que a minha ( ele é laranja, eu sou azul e branco) até simpatizei com a figurinha figurão.
E sendo figurão, uns meses passados onde nos cruzamos num evento desportivo/social chamado Estoril Open, vendo-me sentado numa mesa, levantou-se propositadamente e veio-me cumprimentar... Nessa altura fiz um figurão em frente dos meus directores.

É por isso que hoje até gosto de ouvir aos Sábados na SIC no seu comentário semanal....

quinta-feira, novembro 28, 2013

É só um fio de Água...


Ele há gente que a distancia não conta para nada, a não ser para estarmos mais perto.
Graças a Deus, tenho alguns amigos assim, que por mais longe que estejam, sei que estão sempre por ali, e sei também ( ou acho que sei) que eles sabem que eu sei que lá andam, e também sabem que por cá andar e não estar por lá não quer dizer que não sei deles...
O bom dos amigos é que não nos precisamos de falar nem dizer nada,e se passarem dias , meses, anos e decadas, o tempo entre nós não passa.
Ter amigos longe é o melhor anti-envelhecimento que existe, há quem gaste fortunas em cremes para as rugas, plásticas, operações estéticas e afins.... eu, fico-me por  um bom punhado de amigos... Não é preciso mais nada!!!
Reencontramo-nos passado um bom par de anos, olhamo-nos e ...impressionante!!! estamos iguais.
Até podemos não estar , mas aos olhos quer de um quer de outro, estamos.
E não é só fisicamente, é em todos os aspectos.... o que é que mudou estes anos todos? talvez o ambiente à volta de cada um. Mas o nosso ambiente entre nós está igual, estático, quieto e sem alteração nenhuma.
É o que vejo naqueles que por serem burros e terem a mania que são espertos, fizeram as malas e zarparam para o outro lado do oceano, só porque lá é que é....!!
Eu tenho um assim, que fez anos esta semana e já vai para mais de um ano, quase dois que fez as malas e se amandou...
E o bom é que lhe posso chamar de Burro e dizer que tem a mania que é esperto, porque sei que o é, e como tal não se ofende porque para se ofender não era meu amigo.
Fez anos, e à conta disso não lhe cantei os parabens, nem fomos buer uns tragos valentes em sua honra ( se é que a tem...). Mas o bom disso é que quando cá voltar ( é mais provavel ele vir cá do que eu lá, já que tenho medo de aviões). O Bom disso, dizia, é que quando voltar vamos fazer isso e muito mais. Porque sei que está doido para uma farra à antiga portuguesa, e como está a trabalhar que nem uma formiga para amealhar para o Inverno , posso ficar descansado que a farra vai-me sair barata....
Sempre foi assim, o rapaz trabalha que nem uma formiga, e depois desbaratiza que nem uma cigarra...
Lembor-me daquela noite de Carnaval em Almeirim, no QB á conta de uma mosqueteira.... não deu conta da mosqueteira e deixou de dar conta de onde estava. Foi muito engraçado.... acho que eu deixei-o dependurado numa terra estranha....
No fundo fui amigo!!! Á conta disso ganhou experiencia para partir para outras terras e outros países.
Só os amigos é que fazem essas coisas...!!
Espero que onde esteja não tenha amigos iguais, porque nem quero imaginar o que seria fazerem o mesmo num País 14 vezes maior que o nosso...
Só de pensar em imaginar o Brega às 5 da manhã no meio de Matogrosso do Sul, a fazer-se a uma mosqueteira, e sem resultado, apanhar um taxi para casa...que é em S. Paulo..... Era giro!!

terça-feira, novembro 26, 2013

Naturalistico.

Se em tempos tinha descoberto que se fosse alguma coisa seria Contemporaneo. Hoje , agorinha mesmo descobri que afinal sou Naturalistico.
Não tem nada a haver com Naturista daqueles que fazem nudismo ou parecido, embora não desdenhe, e até uma vez ou outra sabe bem dar um mergulho ou montar em pelota. O Naturalistico, é, como eu, no fundo um avançado (que nada tem a haver com o avançado no campismo e nas tendas) estado do Contemporaneo, ou mais correctamente, Contemporanistico.
 Um Naturalistico não é mais , nem menos que uma pessoa, ou até um estado de espirito que serve não sómente mas também, pelo consequente estado em si. ( convém falar assim para dar alguma credibilidade ao assunto....até parece um erudito a dissertar...). Serve, dizia eu, para classificar toda uma vivencia vivida diáriamente, onde por dá-cá-aquela-palha, temos que nos classificar de alguma coisa. Ora como eu não sou de conflitos e nem gosto muito de discussões do género de pessoa que somos, és anté ecológico, és vegan. és vegetariano, és socialista, és fundamentalistas, és o raio-que-o-parta.... Raisparta a todos!!
Sou Naturalistico!!

 E o que é ser Naturalistico?
 Facil, é uma pessoa, que adora a Natureza, que gosta de tudo o que a Natureza lhe proporciona. Que tira partido da Natureza para seu proveito e dos outros, que comunga a Natureza e todos os seus beneficios. 

Como? Mais facil ainda!!. Adoro o Mar, e com ele as ondas e o vento. Logo gosto de barcos á vela, desportos nas ondas e aquilo que por lá dentro navega... Peixe!! Peixinhos e Peixões!!!....Grelhados, Cozidos, Fritos, em postas ou escalados...não interessa!! Peixinho do Bom.

 Adoro o Campo. E com ele os campos de cereais que nos dão a cerveja e os Whiskeys e destilados.

Adoro as plantas e com elas as vinhas que nos dão o Vinho. Adoro os Animais selvagens e com eles, a caça grossa, caça fina, e todos aqueles petisco que podemos tirar delas. Adoro Animais Domésticos, o Porco o Pato o Pinto e o Perú, que nos dão Comida, Ovos, penas, enchidos, presuntos e fiambres.

 Adoro os por do Sol e a Lua em todas as suas fases, que nos dão os dias de praia, as noitadas com amigos, o combibio e essas coisas divertidas que só um Naturalistico sabe tirar proveito!! Ser Naturalistico, é ser alguém que respeita o meio-ambiente e aqueles que o rodeia.
Respeita o proximo e tudo á sua volta. Os pratos, os copos, a comida na mesa, a bebida no balcão, os amigos e muito mais ( desde que venha da Natureza, Claro!!)

  É por isso que não tem partidos. Só tem inteiros!!

sexta-feira, novembro 22, 2013

Diz que vem ao de cima.....

21 de Novembro de 2013, o dia em que a verdade vem ao de cima.... Numas escadas rodeadas de leões de pedra uns protestam e outros dizem que defendem os que protestam que são deles também. Os que dizem que defendem deixam passar os que protestam e lá ordeiramente sobem as escadas para chegarem ao ultimo degrau e cantarem a Portuguesa..... uns que deviam cumprir a lei, quebram, outros que deviam fazer cumprir a lei deixam-na ser quebrada sem problema porque uns e outros são todos os mesmos. Se assim não fosse os que quebrassem a lei, saiam dali com as cabeças quebradas pelos que devem fazer cumprir a lei, mas não. Não porque como diz o povo.... A excepção confirma a regra.... e prontus... é assim que se vive neste País. responsabilidades? Não há...bodes espiatórios...ui!! Depois, longe das escadarias rodeadas de leões de pedra, da mesma cidade, mas bem afastados, entram pançudos, buchechudos, barbudos, capitães, coroneis, fajutos, criminosos ladrões e gatunos para ouvir falar um decrépito pseudo pai de toda a democracia, dono e senhor de todas as liberdades e direitos desde que sejam os dele, com ele e para ele. Esse sim, chama as cortes, reune os bobos, manda vir os trovadores e jograis de camara em punho para dar a conhecer ao País que os males por que passamos poderão ser resolvidos se os que lá estiverem sairem pelo próprio pé, antes que alguem os arranque de lá com todo o direito que ele diz ter só porque não são os dele que lá estão.... perceberam??? eu não... Basicamente é assim: toda a vida vi um homem buchachudo a gritar e lutar pela democracia, pelas liberdades do povo oprimido, toda a vida o vi a fazer para se tornar um salvador da Pátria um heroi de capa e espada, um Robin de Locksley, a proteger os desprotegidos a favorecer os desfavorecidos, a mendigar pelos mendigos, a querer ser e querer mostrar a todos os altos valores altruistas, os imensos ideiais populistas tudo em nome de terceiros sem interesse para ele mesmo.... toda a vida o vi assim!! Ainda novo via-o a preto e branco, abraçar adjectos de esquerda, a aliar-se a adjectos de direita, a lutar pela Patria, a mesma Patria pisada por ele em Londres. Lembro-me do "olhe que não, olhe que não" lembro-me dos comicios da alameda, da Campanha Presidencial do Fixe contra o Prá Frente que quase ficava atrás não fossem os homens do "olhe que não" a dar-lhe a mão. Lembro-me dele montado no cágado, no elefante, vestido de indu, a empurrar sem maneiras a Rainha de Inglaterra, do seu querido ""mon ami" Mitérrande"". A ir aqui, passar por lá, parar ali e partir sempre antes de chegar, sem parar sem parar tudo a bem da nação. Honoris causa de cá de acolá, mais um aperto de mão e outra inauguração.... Via-o fazer sem nunca acontecer.... Nunca gostei dele...Não sei porquê...sempre achei que havia ali qualquer coisa que suava a falso... achava estranho... ... um homem que dizia tanto mal do capitalismo e dos grandes grupos, mendigar aos capitalistas e grandes grupos apoios para as suas patranhas, viagens e campanhas....?? Não percebia como é que um homemzito, coitadito, exilado, perseguido pelo regime do outro senhor, conseguia ter uma vida santa em Paris...e mesmo assim falar tão mal a lingua do Asterix.... fazia-me especie.... Não percebia que sendo do povo, dizendo-se humilde, aparecia de repente com uma casa aqui, uma habitação acolá, e já depois de tanto correr pelo bem do "seu" povo...uma Fundação em seu nome paga pelo seu povo.... até que ontem a verdade veio ao de cima!!! Está velho, cansado xé-xé e acabado, mas antes de partir ao menos fez com que a verdade viesse ao de cima!! Toda a sua vida lutou por ele, só ele e para ele. Toda a vida usou ussuprou e sacou para ele e ás vezes para os dele. Direitos? Liberdades? claro que sim!! para ele para os dele. Tudo o resto não interessa, tudo o resto não presta, tudo o resto já foi usado utilisado e desgastado. Ontem na Aula Magna, já a chegar ao fim da sua vida ( que espero esteja para breve) mostrou a todos que o que ele quer, é....para ele e para mais ninguém.!! É de génio!!!

quinta-feira, outubro 24, 2013

Estamos mudos? Amordaçados? Adormecidos? Calados??

Juntam-se muitos os escroques que a bem da democracia nos governam.
Roubando aqui roubando ali, e o Povo Sereno lá vai indo calado.
Se até pouco tempo ainda tinham alguma vergonha, hoje em dia é tudo feito às claras, e o Povo Sereno lá vai indo  calado.
Venham obras de vulto para encher vultosos bolsos de curruptos e o Povo Sereno lá vai indo calado. Venham cortes e impostos para manter vivas as vidas de todos eles que a bem da democracia (se) governam. E o Povo Sereno lá vai indo calado.
Esqueçam o passado e as glorias daqueles que fizeram Portugal.!!
Deitem abaixo tradições, cuspam na Lingua que é minha e foi de Camões e o Povo Sereno lá vai indo calado.
Roubem a quem não tem, roubem roubem!!, a quem tenta ter,e o Povo Sereno Calado.
E enquanto o Povo Sereno vai indo calado, aproveitem para tirar mais a bem da democracia.
Porque o Povo Sereno vai indo calado e assim vai continuando.
Mas depois não se admirem se o Povo Sereno deixe de se calar. Porque sendo Sereno, é Português, e sendo Português aguenta muito!!! Mas revolta-se quando acha que deve.
Se D. Afonso Henriques bateu na Mãe, se o fenestrado foi atirado da janela, se o Carmo foi cercado, foi o Povo Sereno que se deixou de calar.!!!
Viva Portugal!!

quinta-feira, setembro 26, 2013

Vindima do 4Vs QPF

A data já tinha sido marcada, há uns dias, era preciso Vindimar!! Já se viam alguns cachos a medronhar e não havia muito mais tempo a esperar. Pelo aspecto das videiras, tudo indicava que a colheita ia ser farta e boa. O calor dos últimos dias de certeza que já andava a marcar passo para fazer estragos era urgente ir às uvas.
Reuniram-se as gentes, os escadotes os cestos as tesouras. Na ultima semana lavou-se o lagar que guardara os pós, as folhas e teias do ultimo Verão, da ultima vindima.
Mais uma, ao fim de 84 Anos. Mais uma igual a muitas, mais uma na nossa casa.
O que aí vinha da vinha era vinho, verde tinto, cada vez mais raro nestes tempos de igualdade e de viragens ao Branco. Aqui, não fugindo ao passado. Só dá Tinto. E tinto do Bom. feito como antigamente, sem muitas mas com algumas mudanças.
Já não se ouvem os gritos de Torna! Torna! nem se vê as raparigas a colher os cestos para as cestas. O plástico entrou. Não estragou, mas ainda estranha. Não é bem a mesma coisa, mas ainda é muita coisa!!. Os escadotes que eram ás dezenas, passaram a ser menos, substituídos pelo atrelado do tractor que passa por baixo das ramadas, essas sim as mesmas com as mesmas vinhas de anos.
Empoleirados no atrelado, 5 homens assobiando modinhas vão colhendo os cachos para os baldes-cestos. à ordem avança o condutor mais uns metros e volta-se a colher cachos. o que demorava uma manhã demora uma hora, e o lagar a receber os cachos já passados pelo ralador, agora eléctrico, vai enchendo.
Começou-se logo de manhã, ainda o sol batia na Penha, lá longe. e o calor ainda não tinha subido da terra empoeirada de tantos dias de sol escaldante.
Os Homens lá saíram portão a fora a caminho da vinha nova, essa já desramada e posta em esteiros ao longo dos dois campos de cima da casa ( vergonha minha não sei como se chamam...desculpem a ignorância). E que bonita estava a Vinha!! Cachos grandes, cheios, bem postos.As grandes folhas da videira a dar sombra ao Sol. Começaram lá no fundo, perto da mata por onde em tempos se entrava na Quinta. O Buxo ainda lá está a dar aquele cheiro carecteristico. os dois marcos da estrema marcam ainda a entrada.
Mas antes de tudo. Uma malga de vinho e um brinde a uma boa vindima!. Começa a empresa.
Entretanto as mulheres, voltam a casa e seguem para a cozinha. Toca a tratar do repasto.  Eles irão aparecer sujos, suados, esfomeados, e principalmente com muita sede, que na vinha só se bebe água, por há que repor os níveis.
Sorriso a condizer com a cara arredondada, toda ela arredondada D. Rosa entretém-se nos tachos. verifica os temperos, refresca o vinho, acrescenta água no arroz. Está calor naquela cozinha de traves escurecidas de anos de petiscos e Invernos de fumeiro. Porta e janela aberta para o ar passar, mas nem uma brisa, nem uma folha mexe. O Calor aperta, abafa tudo, o ar está quieto, não mexe.  E o repasto lá vai ficando pronto. Desta vez foi uma coisa mais levezinha... Arroz de Pica-no-Chão.... comparado com a feijoada do ano anterior.....
Cá fora o ar traz um cheiro a lenha queimada. É o flagelo de todos os anos de todos o dias durante meses. desta vez contámos naquele dia pelo menos quatro. Quatro colunas de fumo a subirem direito bem alto e depois a espalharem-se pelos lados das Taipas e Povoa Lanhoso e outros na direcção de Guimarães e Vizela.
Depois de muitas idas e vindas , de muitos avanços pelas ramadas, de muitos litros de água bebidos, de ombros cansados o lagar encheu-se. Estamos ainda a meia hora da meia hora. E já se fazem previsões. Muito e do Bom. Este anos temos vinho à séria!
Na adega, escura e fresca abrigada por quatro grandes paredes de granito, com duas janelas suficientes para entrar a luz, ajudada por duas lâmpadas, tudo está pronto. Os pipos ainda lá estão, mas vazios e velhos. Desde há uns anos que já não são usados. Agora há as cubas de Inox. a brilhar, contentes de receberem mais uma colheita do 4Vs da QPF.
Aproxima-se a hora do Almoço.  Pousam-se os cestos e os baldes, lavam-se os braços refresca-se a cabeça na fonte onde a água corre fresca também desde a mesma altura que as vinhas foram plantadas.
Alguns mudam a camisa.  Esta tudo pronto para o almoço. Só esperam o Sr. da Casa, que passou com eles toda a manhã na vinha, no lagar, na cozinha, um bocado por todo o lado com eles, como eles sem cerimónias, mas com respeito e admiração de muitos.
Sem o Sr. da casa não se almoça, não se senta à mesa. E esperam.
A Familia tinha chegado de vespera, o Sr. da Casa, o filho e uns amigos prontos a ajudar e a fazer parte da festa. Não só da festa da Vindima, mas também do fim de semana.
Mais tarde chegou o ultimo casal desta alegre companhia. Era tarde foram deitar-se directos para no dia seguinte manhã cedo juntarem-se todos para a Vindima....mas começou cedo demais e só apareceram a meio da manhã, já o lagar estava meio cheio. Ficaram incumbidos de tratar do almoço não dos vindimateiros mas da familia e amigos.
O Sr. da casa entretanto lá apareceu para o almoço com a companha toda das vindimas. Arroz de Pica no Chão , ainda ontem picavam no chão ali ao lado do alpendre da cozinha de fora. Junto com o seu harém de cocorocós....hoje já tava no tacho, grande, de barro a fumegar.
Na casa principal, depois de se ter ido buscar a bela da vitela estufada com macarrão, aberto duas três quatro ou mais garrafas de vinho maduro, pois os convivas são de habitos e o Verde Tinto ainda lhes dá maleitas nas entranhas.
No terraço, á sombra, debaixo da buganvilia, afastados do calor lá se sentaram os convivas, separados dos vindimadores. Não por conforto, mas por ser mais agradavel aos vindimadores para estarem mais à vontade, sem cerimónias com estranhos.
No alpendre o Pica no Chão, já picava nos pratos de cada um, o Sr. da Casa sentado à cabeceira, mouco da idade, alegre do convivio, feliz pelo dia , alto falava, ria e todos se deliciavam com o arroz da Rosa.
Ao fim de duas de branco alentejano, passaram os amigos para um tinto do douro, bom e agradavel. terminou-se com uma aguardente vinica Perfurada, de calibre superior a muitas que por aí andam...
No Alpendre os homens seguiram á tasquinha da Irene, beber o café o bagaço e fumar os cigarros. Voltaram mais alegres e satisfeitos, e seguiram todos para a adega onde o lagar os esperava já carregadinho de uvas prontas a serem pisadas.
Sapatos tirados, calças arregaçadas, pés lavados, entra primeiro o mestre, o sr. Pinheiro, depois um a um sobem pela rampa de madeira e entram devagar no lagar.
Os convivas da familia seguem-se, copiam o ritual e entranham-se no mosto e começam todos ao mesmo ritmo a pisa. Duas horas, prevê o mestre, que organiza-os todos dentro do lagar.
-Começai daqui para ali, devagar, esquerda direita como se tivesseis a marchar mas debagár!! para não azedar o vinho.

Em roda à volta do lagar depois mudamos de sentido. É para pisar não é para esmagar!!!
A concertina aparece, e ao seu lado o cantor, modinhas de cá, modinhas de lá um maço de cigarros a passar junto com o tabuleiro das bolachas e claro, sempre!! Um belo espumante fresquinho para não se passar sede. Água é que não... tá lá em baixo nos alguidares para lavar os pés.

Em hora e meia, o mestre manda parar. Tá pisado, tá com cor tá com corpo. Agora vamos esperar, deixar fermentar e daqui a três ou quatro dias é passar para as cuba novas de Inox.
Um a um saimos do lagar, lavamos os pés e toca a fechar a adega e deixar o mosto em silencia á merce dos deuses e Anjos, para que todo o trabalho traga frutos.

É assim que nasce o Vinho Verde das Vinhas Velhas da Quinta de Perfurada. Ou 4Vs da QPF
84ª Vindima. Para o ano a data é redonda e tem de ser mais comemorada.

quarta-feira, julho 31, 2013

IKEAS AMBULANTES

Deambulando de Norte a Sul, de Sul a Norte e com uma perninha no Nordeste não pude deixar de observar, com as devidas reservas e distancia de segurança, claro está. A Evolução das espécies, algumas autóctones, outras importadas que deambulam pelos recônditos cantos do nosso País.
Já não se escondem, nem se envergonham de aparecer, aliás fazem figura disso e para isso. Aliás, é talvez nesta altura do ano que estes seres se apresentam cada vez mais ao publico e fazem galanteio de de pavonearem.
Atenção!! Atenção!!, não levo estas criticas no sentido pejorativo, não senhor. Apenas factos daquilo que vejo por aí, e que me despertou a atenção e curiosidade. Até porque não quero de forma alguma ser mal interpretado por um destes exemplares mais exaltado, e menos inteligente.
Vejo-os mormente e especialmente junto de zonas de veraneio e recriação tanto diurna como nocturna. Todos dentro das medidas standardizadas e creio até legisladas pela E.U..... ou quiçá, até pela nossa mui querida, activa, e nobre ASAE.
Durante o dia, e agora no Verão, vemos-los juntos na praia, já não se deitam na areia, antes pelo contrario, mantêm-se de pé, mãos nas ancas ou então a gesticular muito os braços e a passar a mão pelo peito ( no meu tempo era passar a mão no pelo...) bem rapadinho. Ali se mantêm com as suas mangas cavas, óculos escuros assim pó espelhado, para olharem sem possibilidade de se saber para onde. A Chanata, chega no pé também, mas já não é uma qualquer, tem marca, modelo xpto e até umas que se vendem ao preço de um bom electrodoméstico de cozinha.
Enquanto o Sol vai alto e há claridade no dia, é ver um constante corro pio de rápidas idas e vindas ao mar para chapinhar, uma valente e rápida corrida, uma salto para a frente num pequeno voo e zaaastrázzz dentro da água, para voltarem a surgir todos molhadinhos...logo logo olham em redor para ver se chamaram a atenção a alguma fêmea...(uns acredito que chamem a atenção aqueles virados, que se acham muito modernos...). E assim passam o dia, até, hora do ocaso, se dirigem como matilhas para o respectivo bar de praia para ouvirem os sets dos DJ, e ficarem por ali a dançar, numa dança arritmada onde só funcionam os muscalos, os peitorais e os glúteos....nada mais, óculos espelhados e copo com palhinha...uns, muitos aproveitam, conscientes de que se devem apresentar com um bocado mais de estilo, e arranjados, já que não estão propriamente num boteco...juntam à indumentária de manga cava,  chanata de marca, óculo espelhado, um belo de um boné de pala, minuciosamente colocado na cabeça, com a pala nunca para a frente....e ai de alguém que lhes mexa no boné!!!...

Vieram todos de semanas a fio, de treinos intensos de taekendo, taechido e taequiéto!!... Todos tem a mesma forma, tal qual armários do IKEA. 1,70x1,10. Todos insuflados de musculação, daquela que se param de tomar o sumo matinal, a sopa do lanche e o reforço vitaminico da ceia...de um momento para o outro...PUFFFF insuflam-se de banha.....

À noite, já não aparecem em grupos, talvez o máximo vêm 3 juntos, mas mesmo assim não numa atitude de matilha, mas mais numa atitude individual. Os que vêm juntos, desajuntam-se, para poderem cada um espalhar magia ás fêmeas...

Algumas ajuntam-se numa dança acasalaradiça....as palavras não podem ser muitas pois na verdade não há muito que conversar....nem conseguem...

Aqueles rejeitados, juntam-se em torno do balcão do bar e exibem-se para a pobre da barmaid que por ali os está a servir...ou a tentar....

Ao correr da noite, começam a chegar mais e mais e mais junto aos balcões, uma vez que a selecção inicial ou se dissipa, ou o tema de conversa com as fêmeas chega ao fim, sem interesse para ambas as partes.

Aqueles que se alcoolizam ou se encheiram ou se.... qqr coisa, já não se tornam os viris machos latinos, lutadores de punho fechado, que rasgavam camisas para andar à porrada por tuta e meia.... amolecem cambaleiam e são amparados pelos amigos, com os braços à volta dos ombros e arrastados dali para fora...
Outros, aqueles mais individualistas, voltam-se agarrar às amigas da ocasião, e entre balbucios e cambaleações, lá conseguem que uma fêmea amiga os leve dali para fora.

Elas com pena, levam-nos até mesmo a casa, ou com muita insistência, até os deixam dormir na própria casa delas....e consta que alguns até se divertem....e assumem mais uma vitoria na grande batalha da quase procriação.

É giro ver a evolução das espécies. Um estudo interessante que nos demonstra cada vez mais que viemos dos macacos....


sexta-feira, junho 07, 2013

Down

Sem musa para inscrever, sem vontade para dissertar, cabisbaixo, em baixo sem vista para a frente, com saudades do passado, sem força para o presente.
é do tempo?, é da vida?, é daquilo que não se fez?, é daquilo que se devia fazer?, sempre à procura do positivo da desculpa do negativo, sem vontade para andar, sem forças para levantar. Apaixonado? ou conformado? com medo do que vem? fraco para mudar? sem força para o presente, cansado para lutar?
é da chuva? da falta de sol? é da ilusão de ter o que não se tem? de não ter o que se tem?.
 apagado, acabado?
sem saber o que lá vem?....Down.