segunda-feira, julho 13, 2015

Cantos Gregorianos

Não é que perceba alguma coisa do assunto, mas como hoje em dia derivado do facto de todos terem uma opinião, e basta fazermos uma pesquisa rápida neste mundo digital e descobrir muitos assuntos sobre o assunto.
Eu, neste caso, até não me apetece ficar de fora no assunto. Por isso vou falar nele.

O assunto em si, não tem muito que se lhe diga, era uma vez um País do mediterrâneo onde antigamente os homens tinham barbas encaracoladas, e vestiam túnicas brancas e andavam a passear de um lado para o outro á espera que alguma coisa lhes acontecesse. A uns não acontecia nada, a outros , de repente tinham assim umas ideias iluminarias, e gritavam Heureca e essas coisas. Não sei se derivado do que bebiam do que comiam ou do que fumavam.

Num desses devaneios colectivos houve um grupo de barbudos e de togas brancas que resolveram aparecer e divulgar ao mundo o tal do conceito a que chamaram Democracia, à conta disso ficaram bem vistos pelo mundo inteiro  e toda a gente até achou a ideia engraçada...mas ninguém a pôs em prática durante séculos.

Durante séculos e séculos, os coitados lá andavam nas escarpas viradas ao mar, com as túnicas brancas, as barbas farfalhudas loiras atrás das ninfas e de outras personagens. Como não chateavam ninguém, também ninguém os chateou... até achávamos graça ver uns homemzarrões vestidos de túnica branca a deambularem de um lado para o outro....

Só que os séculos foram passados, e a ideia foi crescendo, e disseminando-se entre as mentes de uns e outros homens que não usavam túnicas, mas até achavam graça às ideias dos meninos de branco....

Era uma ideia tão original e tão diferente de tudo, que só podia ser implementada por via da força, porque para ser implementada como ela própria se diz.... democraticamente, ninguém caía no conto do vigário....

Assim passaram os séculos e os romanos da vizinha mais ou menos terra mediterrânea, implementaram uma espécie de dita mais ou menos para alguns. Mas o grande boom da dita ideia, chegou nas iluminadas cabeças dos rebeldes Amaricanos que deram porrada nos Ingleses e construíram um País do Povo para o Povo e Pelo Povo, num ido 4 de Julho de 1775, regados com vinho da Madeira e prontus... nasceu a tal Nação democrática, exemplo para toda a humanidade, baseada na ideia iluminada dos hominhos de barba loira e túnica branca....

A dita Nação, cresceu, cresceu, cresceu e ganhou poder riqueza e muita influencia... tornou-se no maior País do Mundo... tudo derivado da ideia dos hominhos....

Como o resto do mundo é invejoso, não parou de impor a dita democracia, aos olhos dos Amaricanos que eram muita ricos.... assim a solução para a pobreza e o poder estava na Democracia....

E assim a Europa, foi mudando.... demorou mas mudou.... até nós aqui neste cantinho, onde os Homens tinham patilhas compridas e pegam touros de caras, também mudámos.... para sermos Europeus, ricos e modernos....

Até entramos para o mesmo club, onde estavam todos os outros países importantes da Europa, até nos sentamos à mesma mesa dos Hominhos de Barba loira e túnica branca.

Só que hoje em dia os ditos Hominhos, aqueles de tunica branca e barba loira, já não têm barba e até usam fatos sem gravata....mas utilizam a ideia peregrina da democracia, que os seus antepassados inventaram com todos os segredos e manhas que a ideia tem. Tá certo!! Eles inventaram, deram a conhecer ao Mundo.... mas não contaram os segredos todos!!!

A malta olhou para os Amaricanos e achamos que a ideia era fantástica, esquecemos-nos foi de tentar saber todos os segredos que a ideia tinha....

Mas  realmente, ao fim de estes meses, o Mundo inteiro percebeu que afinal a tal dita ideia da democracia, não foi explicada totalmente....

É que afinal pelo que vi.... se antigamente não percebia muito bem a ideia mas até a achava interessante, agora estou todo baralhado....

Então o Povo decide, e pelo poder do povo tomam-se decisões. O Povo lá do País dos hominhos de túnicas brancas e barba loira, disse que não.... mas quem eles deram voz, para dizer Não, disseram sim e ainda com piores consequências e sacrifícios... e tudo em nome da tal Ideia....

Não é que perceba do assunto, mas assim de repente creio que essa ideia cheira-me a uma grande aldrabice pegada....

.... e se resultou noutros países, deve de ter sido derivado ao facto de se terem feito traduções erradas sobre as instruções de uso da dita ideia dos hominhos de túnica branca e barbas loiras....

é típico das más traduções.... para mim cantos gregorianos, eram Gregos a Cantar....

Que foi o que deram à Europa...... e a nós todos.....

quinta-feira, junho 11, 2015

LISBON STOPOVER VOLVO OCEAN RACE

Meu querido Afilhado Tété,


Tens razão em chamar-me os nomes todos que conheces e lá aprendestes durante o teu estágio profissional entre os agentes prevaricadores da sociedade. Não sei se te cruzaste com o 44 mas acredito que dali não tenhas aprendido muito.

Sim, confesso tenho estado ausente deste mundo bloguista, não tenho desculpa. Por isso quero-te compensar com o que se passou pelo menos nas ultimas semanas.

Vê-lá tu que mais uma vez fui chamado para colaborar com os meus préstimos (... que não faço ideia quais sejam...) naquele "invento" muita bom que é a VOR, que ninguém conhece e que poucos jornalistas querem conhecer... mas é tipo só a MAIOR REGATA do MUNDO, e por acaso aportou em Lisboa...acredito que não tenhas reparado, é natural, a maltinha preocupa-se mais com a cor das unhas do CR7 do que propriamente com um "invento" deste gabarito....

Para mim, querido afilhado que tens o mesmo nome que eu, tudo começou lá pelo dia 20 de Maio, uma manhã soalheira.... e acabou a 8 de Junho, um dia quente.... entre estas datas....pouco me lembro...

Mas lembro-me de ter que ir buscar uns quantos barcos a Cascais, ter que andar a verificar os cais das doca de Pedrouços, lembro-me de rever de novo os velhos companheiros da ultima edição, todos três anos mais velhos, mas ainda bem dispostos.

Lembro-me de termos contratado a meio caminho o Benárdo, esse elemente fantástico que tudo fez e nunca apareceu...segundo consta chegou hoje a L'Orient, no saco de spi do team SCA.... as miudas deram cabo dele...

Depois tivemos nos primeiros dias que montar o nosso posto de comando, como o nome dava modes de coisa revolucionaria, mudamos para ON WATER VIP LOUNGE, claro, só podia!!!

Dois frigorificos a bombar com vinho branco, gin, vodka, champagne, haa e também água geladinha...
Composto com copos de plástico de  tamanho modesto, passou a ser o poiso de toda a organização durante os debriefiings de fim de tarde. Bem que tentamos controlar as enttradas como faziam na Tenda Corporate ( quer dizer a tenda dos IPC - importantes pa caral...) Mas sendo nós genstes de mar, não é possivel sermos antipáticos. Apesar de dizermos que era "Members Only" toda a gente tinha membros e entrava.... enfim, um fartote de riso ao fim da tarde, ao principio da noite e até de manhã quando calhava...sempre à volta dos GT, e dos VT, e das C

Enquanto os barcos vinham ou não vinham lá fomos nós para as saídas técnicas, aquelas saídas que tecnicamente são muito importantes para o funcionamento do evento.... comprar ameijoas a Belém, comprar tabaco a porto brandão, assegurar comunicações entre o Bugio e o Alfeite, tirar fotes debaixo da ponte, ver pontos de amarração na zona da doca do Espanhol, ensinar a conduzir semi-rígidos sem ser em linha recta, testar as luzes do terreiro do paço....enfim... nem calculas.... e o Benárdo sem aparecer....

A primeira noitada foi quando os barquitos todos coloridos apareceram no meio do rio, depois de terem atravessado o atlântico. Eram praí 4.00AM quando fomos para a água recebê-los... e nem calculas a trabalheira que foi... depois de termos estado a fazer horas na ponte do Chivas, com o dito liquido a aquecer a moleirinha, estivemos 7 horas dentro de água.... os barquitos lá chegaram, todos catitas. houve até um que encalhou...para ver os golfinhos...

Depois, fim de dia, reunião no Vip Lounge, houve ainda tentativas para entrarmos na tal Corporate, mas a verdade é que nada de interessante se passava, além de belas vistas que por lá se tinham estabelecido em trabalho, nada de mais se passava... até ao dia em que houve aquela coisa no Jamor...

Eram já nove e tal quando do rádio ( sim porque nós tínhamos rádio!! e não era para ouvir a bola!!) ouvimos um pedido de socorro vindo de uma voz tremula e nervosa... corremos todos à corporate, e lá estavam 4 marmanjos já encostados à parede, a voz tremula, que normalmente anda bronzeada, estava assim pó branco ( não é pó de pó, é pó de para). A coisa acalmou e lá saímos...todos a correr para apanhar mesas cadeiras e diziam também caixas de bebidas que os marmanjos tinham atirado à iagua, para ver se boiavam.... as mesas e cadeiras sim, as caixas.... é que não.... um desperdício...

Passaram os dias, as saídas técnicas os ensaios e sempre que podíamos juntavamo-nos na cantina.
Sabes Tété, ao falar na cantina, pensei muita na sorte que tiveste quando estives no estágio...acredito que na prisão comias mais qualquer coisa além de almôndegas e frango.... Nós não!! Nós variavamos entre frango e almôndegas, ou almôndegas e frango.... ás vezes até eram as duas coisas ao mesmo tempo!!

Depois havia sopa, mas isso é daquela coisa que só como obrigado, pois sabes que os meus modos não são lá muito próprios para comer sopa... houve até um dia que cheguei tarde e lá tive que comer a dita.... desatou tudo a rir de mim... tive vergonha... Mas enfim... são coisas...

Haaa tivemos também a honra de sermos convidados para irmos á festa da organização da Volvo!! Sabes, somos tão especiais que até nos entregaram todas as pulseiras para nós distribuirmos!! foi um acto tão importante que por bem achamos que deveríamos entregar a quem de direito, é que nós não eramos asssim tão importantes, apesar de termos o VIP Lounge. Coitadinha da senhora estrangeira que fez a asneira....

Nessa tarde, ao fim do dia, lá arrancamos para a festa, grande festa sim senhora!! Parecia o nosso VIP Lounge, mas com luzinhas...!! e em vez de almôndegas eram Hambúrguer... nada maus por sinal!!...

Como nessa altura os barquitos já tinham chegado, passamos ali uns tempos um pouco mortos.... mortos de calor....mortos de fome...mortos por saber onde o Benárdo andava...e mortos de cansaço... o que nos valiam eram os debrifings... que nos alimentavam a alma e a mente... houve até uma altura em que fui convidado para ir lá á tal da corporate almoçar...devias ver.... toda a gente de calcinha, camizinha de colarinho engomado e eu tal qual um fachineiro de calção rádios na lapela despenteado, e maltrapilho.... fui um sucesso!!! toda a gente a olhar para mim!!! A sorte é que aí não comi sopa!! senão tinha arrasado!!

Depois mais para o fim, lá tivemos que começar a falar mais em Inglês, derivado o facto de que iam começar as regatas no rio com os barquitos.... barquitos quer dizer.... barcões!! é que de perto são muita maiores do que vistos ao longe...
E prontos... 4 dias dentro do rio cheio de ô yess yess, yess, ô no no no, portboard, starboard vip box, marshal boat, chief marshal boat 1, etc etc.... só comigo iam 4 rádios....eu que não sou DJ... estava doido com tanta tecnologia à minha frente.... mas acho que até me safei nas passagens... a musica era monocórdica, mas lá entendíamos... o perceber o inglês via rádio falado por um Irlandês e respondido por um Alemão a falar inglês, deu-me a oportunidade para aprender Italiano... algumas coisas.

A Verdade, mesmo verdadinha é que se juntou ali na VOR uma agradável grupeta, que hoje em dia nestes zun zuns que existem, soube muito bem e muito bem sabe ter aparecido... cada um na sua, todos na mesma. Mesmo que o Benárdo não apareça...

Se foi bom??? Ó meu querido afilhado Tété, que tens o mesmo nome que eu.... Foi OPTIMO!!!


quinta-feira, dezembro 11, 2014

Os primeiros 25 do Inicio dos 25

Caro Afilhado Tété,
Amando-te aqui uma pequena carta para te contar sem delongas um fim de semana que tive, numa cidade que vivi e que também posso dizer, é minha.
A coisa tinha sido combinada por meio destas tecnologias informáticas que por aí andam que tu de certo bem conheces melhor que eu. Ora umas trocas de piropos, a montagem de um grupo para o evento, umas quantas bocas apalhaçadas entre todos e não é que até houve consenso na data???
O começo parecia auspicioso, já que os dois magníficos organizadores, ligados de tenra idade ao ramo de bem receber, e com a vantagem de serem de uma terra onde o receber bem está nos genes, lá montaram a peça.
Sexta feira seria o inicio com uma grande almoçarada, não fosse um feliz contratempo que tive e que se tudo correr bem te darei noticias no futuro, que me impediu de rumar ao norte a tempo de me sentar sobre a mesa e começar as hostilidade frugalo-gastronomicas, claro está regadas a preceito.
Cheguei à Inbicta já a noite caía naquela terra cinzenta de granito, e cimento, que muitos consideram escura e feia, a esses, considero-os cegos...
É escura, é cinzenta, tem granito, essa nobre pedra basilar da história de Portugal, que nos acompanhou pelo mundo fora também sob a forma de Padrões. Mas é linda nessa escuridão acinzentada. Tem alma, tem história tem segredos e muita energia, tem orgulho e é altiva, e tem gente com carácter e nobreza típicas daquela zona do País.
Pois, portantos querido afilhado Tété. Cheguei e estacionei as malas no quarto do hotel, a correr dei de caras com um dos meus grandes amigos ( em todos os aspectos... Grande de Tamanho, Grande de Coração, Grande de careca.... e ás vezes um grande chato do Caralio.. (hehe) )
Seguimos urgente para uma tasca conhecida, caminhando pelas ruas e pondo os anos em dia, de duas vivências afastadas pór milles de kilométros...
No primeiro embate gastronómico-frugal, dois pregos do lombo em cama de queijo da serra com fino perfeito.
E as conversas seguiam, como se a ausência de estarmos juntos à 6 anos atrás tivesse sido só uma ida á casa de banho.... talvez cagar.... .
Na verdade não parecia que o tempo tivesse passado entre nós os dois. as graças, as histórias e os palavrões. O futuro, o passado e o presente, tudo estava ali naquela altura.
Depois seguimos para o saudoso D. Castro, onde tínhamos combinado o janta, mas sem reservarmos o lugar. Lá chegamos, tudo igual. tudo na mesma...ou quase... a simpática dupla que há 25 anos atrás nos acolhia já lá não estava e quem lá estava agora não estava para nos acolher, nem por simpatia, nem por vontade.... Ali sim. os 25 anos de ausência mudaram qualquer coisa, infelizmente para pior.
Sem estarmos desesperados, mas um bocado decepcionados, lá buscamos os portas e travessas um novo poiso.
E em terra de bem receber, com gentes assim não foi dificil, ligamos a uns, falamos com outras e tudo se arranja num compromisso bastante bom. Bastou a sugestão de mais um 25anista e carregamos o passo para a taberna do Carregal.
Chegamos os dois primeiro, e depois os restantes 4, Um ele e três elas, Tanto ele como elas não víamos mesmo há vinte anos ou mais!!! E outra vez o fenómeno aconteceu.... parecia que tínhamos ido à casa de banho....
Mostram fotos contam histórias, novidades antigas, crianças aparecidas, trabalhos constantes vivências vividas... nada interessa, a amizade o carinho e a satisfação com que estávamos era a mesma quando andávamos vestidos de cozinheiros, a correr do sr.Sá que nos mostrava como o bacalhau estava salgado ou não... coitado do Papá.... e os eclairs, e o embamata ou ru, e as fardas dos restaurantes, e o Lada com o seu primo 2CV que também faziam parte dos 25 anos ( esses coitados morreram entretanto). ....
A janta passou bem regada  bem servida e bem divertida, seguindo para a noite, na Baixa que agora é a zona alta da movida, e um, dois, três...xixi cama cada um consigo mesmo... Nada mudou....

No dia seguinte avizinhava-se grande actividade lúdico-gastro-intelectual pelo almoço, mas aí os 25 anos pesam!! ui aí sim, sente-se a diferença....
Sem desarmar, claro porque a parte fraca não se mostra numa ocasião 25anual, O meu caro amigo que vive sobre a linha Equatoriana em perfeito equilíbrio e amais eu , que muitas vezes perco o equilibro a andar sobre uma linha, lá seguimos taxicamente para a Foz!!

Haa!! A Foz, a praia da Luz, esse recanto encantado de belas vistas de bons ares de maravilhosas aragens e bons petiscos e óptimos cocktails e sempre sempre com um serviço...digamos...fraquinho...
Tal qual com há 25 Anos. Nada mudou!! Nem esta nossa amiga esplanada...tudo muito igual, com alguns melhoramentos mas  o núcleo sempre adoravelmente igual.

Venham petiscos e dois Bloody Marys!! Gritamos em conjunto para a empregada coitada que não percebia se queríamos mesmo um charro ou estávamos a gozar ( até agora nem nós percebemos....)
E chegaram as pataniscas os croquetes de alheira e dois magníficos Bloody Marys, com tempero ao lado...mas faltava o gelo.... e veio o gelo e ficaram excelentes, tal como as pataniscas e os croquetes!!
E Venha mais uma rodada igualzinha á anterior, mas com pimentos do patron, presunto com crutons ( ali chamaram-nas tostas...talvez erro de tradução...) e mais dois Blody Marys que estavam excelentes!!.

Não, desculpem mas não caros senhores, Bloody Marys não podemos... não temos mais sumo de tomate.... A grande Praia da Luz no seu melhor!!

Venha vinho pois então!! e os petiscos também vinho verde por favor porque o gajo do Equador não tem deste na sua terra!! E tudo se recompôs.

Chegados ali pelas 12.00 partimos dali pelas 17.00 de volta para o Hotel onde mais 25anistas compareceram para seguirmos para o lauto jantar petiscador preparado pelos Magníficos anfitriões.
E lá estavam mais uns quantos, não sei , mas eram muitos!! E desses muitos , muitos não se viam... desde que tinham ido á casa de banho...

Ahaha, hihi, cricricri um fino umas tostas água e seguimos pé ante pé para a maior grande novidade dos últimos 25 anos. o Metro!! Apanha-se aqui deste lado, paramos no outro lado mesmo perto do mercado. Vamos lá rapaziada!! Lá fomos!! todos juntos parecíamos muitos!!
Mercado do Bom Sucesso, vinhos tapas e petiscos de novo, e de novo novas velhas caras a chegar da casa de banho... aqui confesso, de algumas não me alembrava a memória, mas bastou uma nota para tirar os esquecimentos.

hahah Hihihi e segue-se para o jantar. Maravilha!! Todos a rir , todos a gritar, todos a bater palmas, todos contentes a ver um painel na parede com fotos de época, (aí sim...tinham passado 25 anos, não tinha sido uma ida à casa de banho.!! Estávamos parecidos por dentro, diferentes por fora, mas iguais uns com os outros.!!

A janta a meio teve um momento alto de trombonofonia quase a por toda a gente de pé a dançar, e que maravilha foi ouvi-los a tocar, assim de repente lá demos um salto para os 25 anos atrás, e revivemos mais memórias , estórias e desventuras.
No painel passavam as fotos, de todos todinhos novinhos e sempre bem dispostos. Era a festa de Carnaval, eram os trabalhos extras, eram as festas e folias nocturnas eram os fins de semana de grupos eram os baptismos e estudos ( raros é certo, mas também houve disso.)

E dali seguimos para a Baixa, atulhada, cheia de fumo e boa musica. Estourados mas contentes por estarmos juntos, lá nos fomos deitar de novo, para estarmos quase frescos para o almoço e a volta.

No dia seguinte de novo nos encontramos, com um momento cultural, para fazermos uma viagem pelo nosso passado de à mais de 25 anos!! tal como o nosso passado de 25 anos aquele outro nosso passado foi grandioso, sete partilhas do mundo, conquistas e novas terras. Igualzinho aos nossos 25anistas!!

Depois, foi o ultimo almoço, o Agradecimento aos anfitriões , as fotos da praxe e cada um o rumo a seu mundo. Não sem antes se alinhavar a data de Junho ou Julho para uma nova Magna reunião!!

Em 3 dias, vivemos 25 anos. Onde o mais importante foi a amizade e a união que todos temos uns pelos outros, que não se desvaneceu num quarto de século. Foram 25 anos, mas pareceu uma ida à casa de banho.
Que continue assim, porque para mim, e de certeza para todos são estes emoções e sensações que nos fazem ricos!!  Bem hajam a todos!!

E é isso Tété, é isso que tens que querer da vida. Amizades que duram uma vida porque foram construídas sem interesses, só por amizade, e nada mais. É isso que interessa, é esse o único interesse.
Por isso Tété, se no dia que conseguires ter dessas amizades, considera-te uma pessoa rica.

quarta-feira, dezembro 03, 2014

O Nós e o Eles......

Tanta coisa passa por este pequeno País em tão pouco tempo que passa uma catrefada de tempo que não passa nada.
Mas pelo que se passou, passou o País a estar eufórico ( tanto para um lado como para o outro) como se um grande acontecimento anormal tivesse acontecido. A Noticia lá do inquilino de Évora passou a ser importante, mas só depois de levarmos com outra catrefada de peças sobre o impacto internacional da noticia e a cobertura pelos média estrangeiros é que para os Jornalistas é que a noticia passou a ser importante.
À conta delas ( da noticia e da cobertura internacional) os nossos rapazes sentiram-se o centro do mundo!! Agora sim, temos as atenções mundiais!! qual E. I., qual guerras no médio oriente, qual Palestina, qual Turquia ou Israel....
O que tá a dar é Évora!! e a linda porta esverdeada de chapa sempre guardada pelos vetustos barrigudos guarda do belo estabelecimento.
Se nos sentarmos num restaurante com uma televisão acesa, sem som, as imagens que aparecem são deprimentes.... Uma catrefada de jornalistas a filmar um muro branco a fazerem um jogo do empurra empurra para espetar um micro na boca de qualquer pseudo personalidade fideputapolitica que por lá aparece para ganhar um tempo de antena a fazer um basqueiro de injurias contra a tal da Justiça, o tal do juiz, o tal do tal qualquer que seja...
A imagem é linda!! Parede grande muro alto todo caiado de branco branquinho a reflectir a luz do inverno Alentejano ali numa das capitais do Internacional Cante!!
Essa é outra!! Agora, é que é!!! O cante agora é importante porque foi considerado importante lá fora!! e lá voltam as hordas de jornalistas, de pseudointlectuais a delirar por tamanha conquista que se junta ao Fado também...
Pobre País este... que só dá valor ao que temos cá dentro quando vem de fora..e acha que a nossa História não nos pertence...
Mas não é de agora, já tem muitos anos esta sina. também não é do tempo do velho senhor que caiu da cadeira no forte ( onde estava a passar férias, e não tinha sido mandado para lá...).
Também não vem da altura épica da infame carbonária e sua mãe, responsável primeira pelo descalabro a que chegamos.
Faz parte de nós, talvez desde as invasões francesas e do grito do ipiranga. É uma sina que se tornou intrínseca no nosso DNA  que separou o Portugal de antes com o Portugal de agora, e que ainda chega ao nossos dias.!!
Basta ver os programas de televisão sobre os nossos descobrimentos e as nossas aventuras pelo mundo. Nunca ninguém, nenhum apresentador, nenhum historiador, nenhum comentador fala na primeira pessoa do plural quando se refere aos nossos feitos pelo mundo. "Nós chegamos a Malaca..."
Falam sempre na terceira pessoa do plural  "Os Portugueses chegaram a Malaca..."
É por este pequeno e importante pormenor que NÓS vamos continuar pequenos. Porque NÓS não admitimos que FOMOS grandes. E SOMOS Portugueses, os mesmos que chegamos a todos os cantos, muito antes que outros.


quinta-feira, outubro 30, 2014

Irmã Mesmo

Eu tenho uma irmã, aliás...tenho duas, uma emprestada que é querida também e outra apresentada.
A minha irmã apresentada, é irmã mesmo, mas só de metade. Daquela metade que não quis saber dela nem de mim, mas que antes de eu me apresentar à metade, quis a minha irmã que me foi apresentada, apresentar-se a mim!!
Não me esqueço, era Inverno e num dia depois das aulas , tinha aí os meus 16 anos acho ou 14... já não me lembro bem.... A minha Mãe dá-me a noticia assim um bocado tremelicoques, á espera da minha reacção...
Reagi feliz, contente e com lágrima no olho, porque uma irmã mesmo irmã sempre tinha sido coisa que me apetecia ter tido e nunca tinha aparecido, e agora assim de repente quase do nada caía-me uma irmã ao colo. E claro que sim claro que a queria conhecer!!
Foi no Inverno , no mesmo Inverno pouco tempo depois, que se marcou o encontro. Ainda me lembro ir na auto-estrada de Lisboa para Miraflores a ver aqueles eucaliptos enorme na berma e a dizer à minha Mãe " ainda não me habituei à ideia, é muita esquisito..."
Mas lá fomos, lá chegamos, lá subimos, lá entrámos. E bem recebidos pela Mãe dela e pelos dois irmãos que são dela mas não são meus e pelo Dusty
E lá estava ela, olhos esbugalhados a olhar para mim, a rir nervosa como eu, sem sabermos o que dizer, sem sabermos o que fazer. Mas nunca mais me esqueci daqueles olhos e daquele sorriso, os mesmos que ela ainda tem sempre que a vejo e derreto-me numa mistura de carinho, orgulho, e saudade por não nos vermos mais vezes.
Fomos para a sala e lá falamos, tinha 14 ou 12 anos, já não me lembro também, mas tem menos dois anos que eu.
Começamos timidamente a dar-nos e a fazer programas com a família dela. Sempre a rir, sempre bem disposta sempre contente, sempre com aquele sorriso e aqueles olhos. E crescemos, não juntos, não separados, não nos vendo, não nos deixando de ver. Eu nunca a deixando de a esquecer, porque é a minha irmã mesmo, mesmo que só seja metade e nós mal nos vejamos.
Quando me apresentei à nossa metade comum que nunca nos quis conhecer, sempre que falava no assunto era posto de parte, e nunca daquela metade consegui uma resposta clara e concisa para juntarmos todas as metades como a minha irmã tinha feito comigo. Combinamos não falar mais em metades, para nos continuar a dar, e assim fizemos nos 8 anos que me dei com a nossa metade comum.
Mas com a minha irmã mesmo falava algumas coisas, poucas da nossa metade comum, e ainda falamos, pouco é certo, porque bem ou mal é por causa daquela metade que somos irmãos.
No fundo, vendo as coisas de longe, tanto a minha irmã como eu estamos rodeados de metades.
Gosto de dizer ás pessoas, "a minha meia irmã é meia irmã de meios irmãos de primos segundos meus", o que é verdade, e nada de incestuoso tem, e para explicar é preciso aí uns vinte minutos....
Mas é um pormenor...
O que gosto mesmo é da minha irmã. que é mãe, tia, mulher, e a melhor herança que a nossa metade comum me deixou!!

terça-feira, outubro 28, 2014

Caguei!!....mas infelizmente não sei como....

Estou farto e não sei como fazer para deixar de estar!!
farto, de ver uma corja de corruptos a tomar conta deste País, Fartos de gajos que ninguém sabe quem são obrigarem-me a escrever como ninguém sabe como.
Dizem que é um acordo, mas nunca vi ninguém assinar o acordo, nem acordar com o acordo.
Farto de levar multas disto, multas daquilo sem saber porquê sem saber como me defender, porque tudo está montado para me foder!! a mim a si, a nós mas não a eles, e farto de não saber quem são eles.
Porque "eles" andam por aí escondidos sem ninguém os ver!! Estou farto de ser chulado, de pagar para isto de receber em casa contas e mais contas e mais contas sem perceber porquê...
A conta da água vem com tantas subcontas e taxas e taxinhas e tachos para alguém , que não sou eu.... eu uso a água para lavar os dentes e lavar o cu ( não a mesma claro) por isso pago para lavar os dentes e pago para lavar o cu.
Tenho que pagar também a deslocação da merda através dos canos de esgoto subterrâneos até à estação de depuração para poder usar de novo a água para lavar o cu e os dentes!!
então o preço da água, já não inclui isso tudo??? não, claro que não... toca a chular.... Estou farto!!!
Estou farto de acender a luz para ver a torneira onde lavo os dentes para poder lavar os dentes e ver o bidé onde lavo o cu para o poder lavar. e quando ligo o interruptor, pago a luz, que vem pelas linhas e faz uma viagem do caraças até à minha lâmpada, depois pago a lâmpada que custa caro que se farta, mais a taxa de ecológica para energias renováveis e quando a lâmpada funde, tenho que renovar a lâmpada toda e voltar a pagar a taxa.... se é para energias renováveis, se renovo a lâmpada por outra, já que não consigo utilizar mais a mesma, não devia pagar mais taxa renovável nenhuma...digo eu... não sei... mas tenho que ser chulado!!!
Depois é o carro, ou melhor, o caro, porque temos o IVA depois o IA depois o Imposto de circulação, depois os impostos nos combustíveis e nas auto-estradas, depois vêm as multas com uns guardazinhos todos prepotentes e pseudo educados a foderem-nos e a rirem... como se aquilo que fazem fosse de um profissionalismo e competência atroz .... acham-se importantes e não percebem que são como a água que uso para limpar o cu!!
estou farto!!
Depois vêm os ministros os istro os primeiros os financeiros os banqueiros para nos foderem a todos e fodem e continuam felizes , falsamente preocupados, mas que dizem dois três bitaites nas TVs entre os programas do Big Brother , e está a andar... Estou farto!! Farto de limpar o cu nesta merda toda!!
Depois são os jornalistas, independentemente comprados por estes aqueles e culoutros que gentilmente lhes cedem papel higiénico para limpar os cus deles e quiçá de alguns mais... e chamam-se opinião publica!!, Estou farto de limpar o cu!! Para a merda da pseudo-opinião publica!!

Depois vêm os tolos, que somos nós, todos com o cu assado de tanto limpar a merda que não pára de brotar!!.
E os Tolos coitados, estão contentes às vezes outras vezes menos mas mantêm a esperança que a merda ire Ouro como na novela Casarão nos idos anos 70... E assim tristes e resignados os tolos vão limpando o cu, da merda que os outros fazem....
E não há volta a dar!!! Estou farto!! Farto de tanta merda junta num espaço tão pequeno!!
Estou farto que brinquem com o meu País, Estou farto que o conspurquem estou Farto de gente de Merda que não respeita nem se dá ao respeito mas que nos obriga a respeitar as suas leis as suas taxas as suas ditaduras á sombra da pseudo-democracia e liberdade que tanto apregoam e defendem à 40 anos, como se mais nada de nobre existisse alem disso.
Estou farto de cagar, farto de limpar o cu, e cansado de ver a merda a jorrar!!!

quinta-feira, outubro 23, 2014

Noites Xafarixissianas

...Onde me fui meter... vir dissertar sobre as Noites Xafarixissianas...um espaço daqueles que é tipo Las Vegas...what happens tthere stays there .....
Mas vá lá ele há coisas que se devem de contar à malta, não muitas porque ali na D.Carlos I 69 muitas coisas são propositadamente esquecidas...
Ainda nos tempos da esplanada, naqueleas noites de Verão onde já tinhamos corrido todas as casas de Lisboa e arredores ( quantas vezes vinhamos do Seagull....). Nessa altura a esplana funcionava só para alguns, mesmo muito poucos, a partir das 6 da manhã....
Depois da noitada apetecia um hamburguer ao ar livre, ainda as roulotes não faziam furur, o Berimbar não tinha pateo, os cachorros só existiam na Boca do Inferno....
Uns poucos felizardos como eu e mais dois ou três, tinhamos sempre a hipotese de uns Hamburguers no Xafa. Basicamente a coisa passava-se rápida e sem muito sururu...
A malta abria a porta ( com chave claro!!). Desligava o alarme, ligava a luz lá dentro, trazia uma mesa e umas cadeiras ali para a Mãe de Água,  ligava a chapa e esperava que aquecesse.
Depois era contar os convivas...quantos são? 8?? ok vão 8 haburguers soculentos de carne de vaca ali do talho ao lado para cima da chapa.
Aqui o je tratava de tudo... Hamburguers na chapa, imperiais na mesa, ou vodka ou whisky....haviam uns que buiam coca cola e tudo!!
Volta nos hamburguers, queijo em cima para derreter, temperos , corta o tomate, lava a alface, emprata e vai pra mesa... ( muito tempo a ver os hamburguers do Bananas, ajudou...)

Depois, era comer um ou ás vezes dois... naquela altura sempre que o Xafas abria á noite no dia seguinte, faltavam uns quantos hamburguers no stock... Mas até deixavamos sempre grojeta para os empregados. Mesmo que não estivessem lá nenhuns!!.

À noite, aquelas noites loucas.  Ainda me lembro hà bem pouco tempo, quando a casa estava a bombar, e para se por o casaco no bengaleiro era o Cajó que lá ia abrir o dito. A chave estava ali sempre à mão de semear junto ao Bar, de forma a ser facil pegar e ir abrir o bengaleiro, caso não fosse o Cajó era algum empregado da casa. Mas o Cajó fazia gala...

Naquela noite a casa estava normalmente cheia , e o Cajó sem mãos a medir ia e vinha do balcão á porta do bengaleiro, eram ás catadupas, resmas, paletes ( como se diz agora) de grupinhos a entrarem para por os casacos, de grupinhos a sairem para levar os casacos, e o Cajó no stress...
Mesas cheias, clientes sem buida, a musica que não começava, clientes felizes e contentes, e o cajó ia e vinha, queria sentar muitos e receber outros quantos com um sorriso  ou uma gargalhada...lá andava ele.... balcão,chave bengaleiro, chave, balcão, bengaleiro , bengaleiro, chave, balcão, olá tá boa?? Tás porreiro? olá!!, Adeus, Bengaleiro chave.... e nisto de repene o raio da chave deixa de abrir o bengaleiro!!!
Nem sequer entra na fechadura!! Vira-se ao contrário, empurra-se , esforça-se e o raio da chave nada.... e os casacos lá dentro e os clientes á espera e a chave nada...nem pela esquerda nem pela direita nem para cima nem para baixo....
Cajo espuma!! tenta uma douas três desiste, vai ao balcão pede ao empregado para tentar, tenta e não consegue.... volta a tentar.... nada a chave não responde... Nem sequer é da fechadura!!! Mistério!! A solução??? arrombar o bengaleiro...
Cajó faz contas , porta nova, casacos fechados vai sair um balurdio.... não dá.. não pode ser...
e a chave nada...
De repente, cm olhos criticos e apurados chega-se à conclusão que a chave tinha sido trocada!! por algum cliente mais brincalhão... trocada sem ninguém ter notado... trocada por um engracadinho....

....fui beber o whisky....

Ou aquelas noites que ....não...não vou contar... é chato....

quinta-feira, outubro 02, 2014

Espumante Eduardo VII

Foi um começo de noite de domingo como muitas outras. Acabadinho de jantar, depois de um banho depois de um dia no mar a regatear. Sentei-me a ver a televisão. Naquela altura já havia 4 canais, iguais aos que tenho em casa agora sem DTT, ou TDT, ou DDT ou lá o que é.
Estava calor, mas ainda era fim de Abril principio de época de testes.  E como nada de interessante passava dei por mim a ir ter com o meu amigo Fidalgo ao D&D, ou D+D ( não o vinho que é bom...., o Bar que também era bom...). Rua do Conde 57 ( acho que era).
Por ali ficamos a falar deste daquele, daquela daqueles, dois outros que seriam ou não... a rir e calmamente a tertuliar. sendo domingo e cedo nada se passava.
No dia seguinte ficou combinado. Dei um salto à Makro comprei uns quilos de OMO lava mais branco à mão e à noite segui de novo para o Bar. Era cedo e lá estava o Picoto e Fidalgo como sempre, apareceram mais uns poucos comparsas, que francamente não e lembro quem eram. Estava à espera de um trupe de 5 mas éramos aí uns 3. Nada mal. para muitos que estavam em casa a estudar.
Aí sendo uma e meia da manhã, saímos a mais o meu 2CV ( parecido com aquele que leva a a D. Maria a mais o seu belo carrinho, leva os filhos à escola faz as compras de caminho...). Carregadinhos com o OMO lava mais branco ( à mão) parámos no cimo do Parque Eduardo VII depois de termos dados umas duas ou três voltas à zona a ver se víamos algum agente da autoridade... A gente não viu ninguém e paramos mesmo.
Paramos mesmo ali onde está o mamarracho do Cargaleiro a comemorar a triste data... tal qual um marzapio Tuga posto em sentido quando vê uma miúda gira!!
E espichava água o mamarracho!!!, fazia-me lembrar aqueles concursos quando éramos miúdos e tentávamos escrever os nossos nomes enquanto fazíamos... alguns com pontos nos ii outros até com cedilha....!!
E o lago em baixo cheio de água verde nojenta, ali estava. Como nós, mas mais limpinhos.
Enquanto um se punha de atalaia não fosse aparecer o tal Agente.... outro começou a descarregar a mala do carro, eu  calcei as galochas da caça, aquelas com suspensórios e tudo que nos protegem até ao peito.
 Lá para dentro saltei, e mesmo à boca do repuxo que aspirava a água para o mamarracho espichar, deitei 1, deitei 2 deitei 3 deitei 4 e cinco OMO lava mais branco ( à mão)....
saltei para fora, entramos no carro e zarpamos. Mais longe, já ali ao pé das Amoreiras, tirei as galochas e voltamos ao local....
Lá estava ele, feliz em sentido espichando água suja verde, como sempre....
Mais uma volta, descemos ao Marquês.... e subimos a rua Castilho, passamos outra vez e lá estava ele....na mesma... Espichando água....
Seguimos um pouco frustrados, fomos até à Praça de Espanha, seguimos para a Avenida da republica, descemos ao Marquês, descemos aos restauradores, subimos de novo até ao Parque Eduardo VII.... e....!!!!! Lá estava ele, hirto, imóvel, espichando água tal qual como o tínhamos encontrado e deixado à talvez uma boa meia hora ou mais....
Agora sim... frustrados, tristes e vencidos.... O OMO mais branco, não deu satisfação ao mamarracho do Cargaleiro....
Voltamos para o D&D e quem se riu a bandeiras despregadas foi o Fidalgo, que  para nos compensar ofereceu um copo a cada um...bebemos mais e  prontus...
Frustrante a aventura... que esperávamos ficasse nos anais da "estória" e pudesse ser contada à mesa de jantar de muitas famílias...
E assim fiquei durante anos...
Até que há algum tempo, à volta da mesa não de família mas de amigos , que é como se fosse a mesma coisa, mas com mais palavrões. Contei a estória e a frustração. Eis senão, quando, lá do fundo da mesa alguém grita!! FOSTE TU????!!!!
E humildemente disse que sim... ao que respondeu logo a seguir!!
Épa lembro-me muita bem, estava a ir para o exame de manhã todo lixado e só via espuma a voar do Cargaleiro e pelo Parque Eduardo VII a baixo!! Andava à que tempos a querer saber quem tinha sido.

.....pelos vistos deu Espuma!! O Mamarracho do Cargaleiro!!
Queria todos os anos lá por alturas do 25/4 fazer a mesma coisa...mas agora há câmaras de filmar e aquilo está mais alumiado e essas coisas... este ano talvez lá faça o feito...se o citius tiver ainda de baixa....


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quarta-feira, outubro 01, 2014

Noites Berimbareanas

Mais um bocadinho e passa um ano sem ter vindo aqui deitar para o lixo qualquer coisa de prosa patética...
Tá mal , Tá mal, até porque os meus leitor ( não é erro... ) já se me queixaram amiúde da situação, mas a verdade é que a situação do miúdo não tem trazido inspiração valida para postar em tão alto e muy nobre blog... ( deixai-me assim pensar, de modos que não fique ainda mais depressivo...).
Em um ano, ou quase muita coisa passou...passou o ano, passou o prazo de validade da carta de condução...passou o vinho e felizmente passou a desinspiração...ou não...

Hoje aos dias 1 de Outubro, Continuo igual... sempre que entro no carro venho com mil e uma ideias para postar. saio do carro bebo o café fumo o cigarro e essas ideias esfumam-se... Por isso decidi ( o que para começar...não parece mal...) Vou começar a escrever as minhas memórias por aqui. Aquelas que quero que se lembrem , aquelas que não devia contar e aquelas que se deviam esquecer...
Tipo Big Brother, mas com um suminho especial já que muitas estoiras incontáveis não passei sozinho!! hehe... acho que vou deixar de ter amigos....
Antes disso vou  ao Lopes... com licença...
Não vou falar de Sevilha via Comporta porque já falei.
Hoje e agora vou falar de ... de... de.... bolas... ele há coisas que não posso mesmo... e escritas têm muito menos piada do que contadas ao vivo....
Talvez possa falar daquela noite, há uns quantos anos atrás em que acabei no Berimbar... essa instituição gastronómica fora de horas onde ás seis da manhã servem o melhor Bacalhau desfiado cheiínho de azeite, à lagareiro ou aquele arroz de pato divinal.... francamente nunca percebi se a comida era mesmo divinal ou se derivado da hora e da noite passada, tudo o que se come era absolutamente encantador... ainda hei de um dia ( ou madrugada destas) perguntar se fazem caterings...
E pensando nisso agora uma ideia no meu cérebro anda a germinar.... daqui a uns parcos 8 meses viro os 45  e como tal estou já em pulgas para montar uma alegre tertúlia para comemorar tal data.
Francamente tudo é uma desculpa. Não é por virar 45 mas é mais e principalmente ter chegado aos 45 com uma vida cheia de gente ( ou pessoas) importantes à minha volta. Vejo mais como um agradecimento a todos ( que não são meus leitores, mas não interessa) aqueles que de uma maneira ou de outra me fizeram ser quem sou...basicamente nada de especial, mas até me considero assim de repente um gajo porreiro, e um gajo porreiro nunca vai chegar a nenhum lado, mas ao menos de certo até ajudou e foi  até cabrão... porque não se pode agradar gregos troianos, republicanos e moçambicanos...

Mas enfim, voltando ao Berimbar, Eram aí umas , já passavam das 5 e a fome apertava, por isso eu e amais o meu amigo Barão de Navarra descemos ás catacumbas daquele estabelecimento lúdico e extremamente agradável.
Num canto ali ao fundo a guitarra tocava e acompanhava uma moçoila de cabelo encaracolado grande e loiro, ela de laivos negros aclarados com um vozeirão. Estava ela e ela entretidos e cantarolando modinhas brasileiras e as velhas canoçonetas portuguesas. Ele chamava-se , e chama João Pedro e está igual. Ela chamava-se, e chama Marisa e está diferente, cortou os caracóis, e agora continua com um vozeirão e é famosa, muito famosa segundo consta.
Na mesa ao lado mesmo quase de frente da dupla que se entretinha a cantarolar e animava todos os convivas, que não era mais de seis contando com o meu amigo Barão e eu. Estavam três figurões da noite e do dia e até da TV e mais um outro figurão, mas de estatura de figurinha que mal chegava com os pés ao chão mesmo sentado na banqueta de bar ( daquelas redondas e baixinhas). Como dos 4 personagens 3 eram nossos amigos, aumentamos a mesa e sentamos-nos. A tertúlia estava alegre, uma senhora e seus dois maridos...um actual ( naquela altura) outro com o estatuto de ex. e mais o dito figurão de figurinha.
Pedi o Bacalhau e para não fazer misturas, a garrafa de whiskey. Do Barão saiu um pedido de um prego e um fino ( ele tem raízes nortenhas, que se notam a partir das 4 da manhã...).
A tertúlia da quatro passou a seis, e alegremente dissertamos sobre piadas fáceis e anedotas parvas, tendo como referencia o riso estridente da figurinha figurão, que se ria por bem, por mal e porque sim... mas ao rir dava pulinhos ritmados a acompanhar a gargalhada e batia na mesa com as duas mão criando um batuque interessante que a dupla de artistas aproveitava para dedilhar um samba ou uma chula...
Assim passamos a noite ( ou o que restava dela) rindo gozando conversando e politicando, porque a figurinha figurão, era dessa estirpe. E tendo saído da Assembleia da Republica a altas horas foi ali comer um pato...e de pato o fizemos sempre para o ver rir ritmadamente aos saltinhos e a bater na mesa.
 Ficamos "amigos" e até, embora não fosse da mesma cor que a minha ( ele é laranja, eu sou azul e branco) até simpatizei com a figurinha figurão.
E sendo figurão, uns meses passados onde nos cruzamos num evento desportivo/social chamado Estoril Open, vendo-me sentado numa mesa, levantou-se propositadamente e veio-me cumprimentar... Nessa altura fiz um figurão em frente dos meus directores.

É por isso que hoje até gosto de ouvir aos Sábados na SIC no seu comentário semanal....

quinta-feira, novembro 28, 2013

É só um fio de Água...


Ele há gente que a distancia não conta para nada, a não ser para estarmos mais perto.
Graças a Deus, tenho alguns amigos assim, que por mais longe que estejam, sei que estão sempre por ali, e sei também ( ou acho que sei) que eles sabem que eu sei que lá andam, e também sabem que por cá andar e não estar por lá não quer dizer que não sei deles...
O bom dos amigos é que não nos precisamos de falar nem dizer nada,e se passarem dias , meses, anos e decadas, o tempo entre nós não passa.
Ter amigos longe é o melhor anti-envelhecimento que existe, há quem gaste fortunas em cremes para as rugas, plásticas, operações estéticas e afins.... eu, fico-me por  um bom punhado de amigos... Não é preciso mais nada!!!
Reencontramo-nos passado um bom par de anos, olhamo-nos e ...impressionante!!! estamos iguais.
Até podemos não estar , mas aos olhos quer de um quer de outro, estamos.
E não é só fisicamente, é em todos os aspectos.... o que é que mudou estes anos todos? talvez o ambiente à volta de cada um. Mas o nosso ambiente entre nós está igual, estático, quieto e sem alteração nenhuma.
É o que vejo naqueles que por serem burros e terem a mania que são espertos, fizeram as malas e zarparam para o outro lado do oceano, só porque lá é que é....!!
Eu tenho um assim, que fez anos esta semana e já vai para mais de um ano, quase dois que fez as malas e se amandou...
E o bom é que lhe posso chamar de Burro e dizer que tem a mania que é esperto, porque sei que o é, e como tal não se ofende porque para se ofender não era meu amigo.
Fez anos, e à conta disso não lhe cantei os parabens, nem fomos buer uns tragos valentes em sua honra ( se é que a tem...). Mas o bom disso é que quando cá voltar ( é mais provavel ele vir cá do que eu lá, já que tenho medo de aviões). O Bom disso, dizia, é que quando voltar vamos fazer isso e muito mais. Porque sei que está doido para uma farra à antiga portuguesa, e como está a trabalhar que nem uma formiga para amealhar para o Inverno , posso ficar descansado que a farra vai-me sair barata....
Sempre foi assim, o rapaz trabalha que nem uma formiga, e depois desbaratiza que nem uma cigarra...
Lembor-me daquela noite de Carnaval em Almeirim, no QB á conta de uma mosqueteira.... não deu conta da mosqueteira e deixou de dar conta de onde estava. Foi muito engraçado.... acho que eu deixei-o dependurado numa terra estranha....
No fundo fui amigo!!! Á conta disso ganhou experiencia para partir para outras terras e outros países.
Só os amigos é que fazem essas coisas...!!
Espero que onde esteja não tenha amigos iguais, porque nem quero imaginar o que seria fazerem o mesmo num País 14 vezes maior que o nosso...
Só de pensar em imaginar o Brega às 5 da manhã no meio de Matogrosso do Sul, a fazer-se a uma mosqueteira, e sem resultado, apanhar um taxi para casa...que é em S. Paulo..... Era giro!!

terça-feira, novembro 26, 2013

Naturalistico.

Se em tempos tinha descoberto que se fosse alguma coisa seria Contemporaneo. Hoje , agorinha mesmo descobri que afinal sou Naturalistico.
Não tem nada a haver com Naturista daqueles que fazem nudismo ou parecido, embora não desdenhe, e até uma vez ou outra sabe bem dar um mergulho ou montar em pelota. O Naturalistico, é, como eu, no fundo um avançado (que nada tem a haver com o avançado no campismo e nas tendas) estado do Contemporaneo, ou mais correctamente, Contemporanistico.
 Um Naturalistico não é mais , nem menos que uma pessoa, ou até um estado de espirito que serve não sómente mas também, pelo consequente estado em si. ( convém falar assim para dar alguma credibilidade ao assunto....até parece um erudito a dissertar...). Serve, dizia eu, para classificar toda uma vivencia vivida diáriamente, onde por dá-cá-aquela-palha, temos que nos classificar de alguma coisa. Ora como eu não sou de conflitos e nem gosto muito de discussões do género de pessoa que somos, és anté ecológico, és vegan. és vegetariano, és socialista, és fundamentalistas, és o raio-que-o-parta.... Raisparta a todos!!
Sou Naturalistico!!

 E o que é ser Naturalistico?
 Facil, é uma pessoa, que adora a Natureza, que gosta de tudo o que a Natureza lhe proporciona. Que tira partido da Natureza para seu proveito e dos outros, que comunga a Natureza e todos os seus beneficios. 

Como? Mais facil ainda!!. Adoro o Mar, e com ele as ondas e o vento. Logo gosto de barcos á vela, desportos nas ondas e aquilo que por lá dentro navega... Peixe!! Peixinhos e Peixões!!!....Grelhados, Cozidos, Fritos, em postas ou escalados...não interessa!! Peixinho do Bom.

 Adoro o Campo. E com ele os campos de cereais que nos dão a cerveja e os Whiskeys e destilados.

Adoro as plantas e com elas as vinhas que nos dão o Vinho. Adoro os Animais selvagens e com eles, a caça grossa, caça fina, e todos aqueles petisco que podemos tirar delas. Adoro Animais Domésticos, o Porco o Pato o Pinto e o Perú, que nos dão Comida, Ovos, penas, enchidos, presuntos e fiambres.

 Adoro os por do Sol e a Lua em todas as suas fases, que nos dão os dias de praia, as noitadas com amigos, o combibio e essas coisas divertidas que só um Naturalistico sabe tirar proveito!! Ser Naturalistico, é ser alguém que respeita o meio-ambiente e aqueles que o rodeia.
Respeita o proximo e tudo á sua volta. Os pratos, os copos, a comida na mesa, a bebida no balcão, os amigos e muito mais ( desde que venha da Natureza, Claro!!)

  É por isso que não tem partidos. Só tem inteiros!!

sexta-feira, novembro 22, 2013

Diz que vem ao de cima.....

21 de Novembro de 2013, o dia em que a verdade vem ao de cima.... Numas escadas rodeadas de leões de pedra uns protestam e outros dizem que defendem os que protestam que são deles também. Os que dizem que defendem deixam passar os que protestam e lá ordeiramente sobem as escadas para chegarem ao ultimo degrau e cantarem a Portuguesa..... uns que deviam cumprir a lei, quebram, outros que deviam fazer cumprir a lei deixam-na ser quebrada sem problema porque uns e outros são todos os mesmos. Se assim não fosse os que quebrassem a lei, saiam dali com as cabeças quebradas pelos que devem fazer cumprir a lei, mas não. Não porque como diz o povo.... A excepção confirma a regra.... e prontus... é assim que se vive neste País. responsabilidades? Não há...bodes espiatórios...ui!! Depois, longe das escadarias rodeadas de leões de pedra, da mesma cidade, mas bem afastados, entram pançudos, buchechudos, barbudos, capitães, coroneis, fajutos, criminosos ladrões e gatunos para ouvir falar um decrépito pseudo pai de toda a democracia, dono e senhor de todas as liberdades e direitos desde que sejam os dele, com ele e para ele. Esse sim, chama as cortes, reune os bobos, manda vir os trovadores e jograis de camara em punho para dar a conhecer ao País que os males por que passamos poderão ser resolvidos se os que lá estiverem sairem pelo próprio pé, antes que alguem os arranque de lá com todo o direito que ele diz ter só porque não são os dele que lá estão.... perceberam??? eu não... Basicamente é assim: toda a vida vi um homem buchachudo a gritar e lutar pela democracia, pelas liberdades do povo oprimido, toda a vida o vi a fazer para se tornar um salvador da Pátria um heroi de capa e espada, um Robin de Locksley, a proteger os desprotegidos a favorecer os desfavorecidos, a mendigar pelos mendigos, a querer ser e querer mostrar a todos os altos valores altruistas, os imensos ideiais populistas tudo em nome de terceiros sem interesse para ele mesmo.... toda a vida o vi assim!! Ainda novo via-o a preto e branco, abraçar adjectos de esquerda, a aliar-se a adjectos de direita, a lutar pela Patria, a mesma Patria pisada por ele em Londres. Lembro-me do "olhe que não, olhe que não" lembro-me dos comicios da alameda, da Campanha Presidencial do Fixe contra o Prá Frente que quase ficava atrás não fossem os homens do "olhe que não" a dar-lhe a mão. Lembro-me dele montado no cágado, no elefante, vestido de indu, a empurrar sem maneiras a Rainha de Inglaterra, do seu querido ""mon ami" Mitérrande"". A ir aqui, passar por lá, parar ali e partir sempre antes de chegar, sem parar sem parar tudo a bem da nação. Honoris causa de cá de acolá, mais um aperto de mão e outra inauguração.... Via-o fazer sem nunca acontecer.... Nunca gostei dele...Não sei porquê...sempre achei que havia ali qualquer coisa que suava a falso... achava estranho... ... um homem que dizia tanto mal do capitalismo e dos grandes grupos, mendigar aos capitalistas e grandes grupos apoios para as suas patranhas, viagens e campanhas....?? Não percebia como é que um homemzito, coitadito, exilado, perseguido pelo regime do outro senhor, conseguia ter uma vida santa em Paris...e mesmo assim falar tão mal a lingua do Asterix.... fazia-me especie.... Não percebia que sendo do povo, dizendo-se humilde, aparecia de repente com uma casa aqui, uma habitação acolá, e já depois de tanto correr pelo bem do "seu" povo...uma Fundação em seu nome paga pelo seu povo.... até que ontem a verdade veio ao de cima!!! Está velho, cansado xé-xé e acabado, mas antes de partir ao menos fez com que a verdade viesse ao de cima!! Toda a sua vida lutou por ele, só ele e para ele. Toda a vida usou ussuprou e sacou para ele e ás vezes para os dele. Direitos? Liberdades? claro que sim!! para ele para os dele. Tudo o resto não interessa, tudo o resto não presta, tudo o resto já foi usado utilisado e desgastado. Ontem na Aula Magna, já a chegar ao fim da sua vida ( que espero esteja para breve) mostrou a todos que o que ele quer, é....para ele e para mais ninguém.!! É de génio!!!

quinta-feira, outubro 24, 2013

Estamos mudos? Amordaçados? Adormecidos? Calados??

Juntam-se muitos os escroques que a bem da democracia nos governam.
Roubando aqui roubando ali, e o Povo Sereno lá vai indo calado.
Se até pouco tempo ainda tinham alguma vergonha, hoje em dia é tudo feito às claras, e o Povo Sereno lá vai indo  calado.
Venham obras de vulto para encher vultosos bolsos de curruptos e o Povo Sereno lá vai indo calado. Venham cortes e impostos para manter vivas as vidas de todos eles que a bem da democracia (se) governam. E o Povo Sereno lá vai indo calado.
Esqueçam o passado e as glorias daqueles que fizeram Portugal.!!
Deitem abaixo tradições, cuspam na Lingua que é minha e foi de Camões e o Povo Sereno lá vai indo calado.
Roubem a quem não tem, roubem roubem!!, a quem tenta ter,e o Povo Sereno Calado.
E enquanto o Povo Sereno vai indo calado, aproveitem para tirar mais a bem da democracia.
Porque o Povo Sereno vai indo calado e assim vai continuando.
Mas depois não se admirem se o Povo Sereno deixe de se calar. Porque sendo Sereno, é Português, e sendo Português aguenta muito!!! Mas revolta-se quando acha que deve.
Se D. Afonso Henriques bateu na Mãe, se o fenestrado foi atirado da janela, se o Carmo foi cercado, foi o Povo Sereno que se deixou de calar.!!!
Viva Portugal!!

quinta-feira, setembro 26, 2013

Vindima do 4Vs QPF

A data já tinha sido marcada, há uns dias, era preciso Vindimar!! Já se viam alguns cachos a medronhar e não havia muito mais tempo a esperar. Pelo aspecto das videiras, tudo indicava que a colheita ia ser farta e boa. O calor dos últimos dias de certeza que já andava a marcar passo para fazer estragos era urgente ir às uvas.
Reuniram-se as gentes, os escadotes os cestos as tesouras. Na ultima semana lavou-se o lagar que guardara os pós, as folhas e teias do ultimo Verão, da ultima vindima.
Mais uma, ao fim de 84 Anos. Mais uma igual a muitas, mais uma na nossa casa.
O que aí vinha da vinha era vinho, verde tinto, cada vez mais raro nestes tempos de igualdade e de viragens ao Branco. Aqui, não fugindo ao passado. Só dá Tinto. E tinto do Bom. feito como antigamente, sem muitas mas com algumas mudanças.
Já não se ouvem os gritos de Torna! Torna! nem se vê as raparigas a colher os cestos para as cestas. O plástico entrou. Não estragou, mas ainda estranha. Não é bem a mesma coisa, mas ainda é muita coisa!!. Os escadotes que eram ás dezenas, passaram a ser menos, substituídos pelo atrelado do tractor que passa por baixo das ramadas, essas sim as mesmas com as mesmas vinhas de anos.
Empoleirados no atrelado, 5 homens assobiando modinhas vão colhendo os cachos para os baldes-cestos. à ordem avança o condutor mais uns metros e volta-se a colher cachos. o que demorava uma manhã demora uma hora, e o lagar a receber os cachos já passados pelo ralador, agora eléctrico, vai enchendo.
Começou-se logo de manhã, ainda o sol batia na Penha, lá longe. e o calor ainda não tinha subido da terra empoeirada de tantos dias de sol escaldante.
Os Homens lá saíram portão a fora a caminho da vinha nova, essa já desramada e posta em esteiros ao longo dos dois campos de cima da casa ( vergonha minha não sei como se chamam...desculpem a ignorância). E que bonita estava a Vinha!! Cachos grandes, cheios, bem postos.As grandes folhas da videira a dar sombra ao Sol. Começaram lá no fundo, perto da mata por onde em tempos se entrava na Quinta. O Buxo ainda lá está a dar aquele cheiro carecteristico. os dois marcos da estrema marcam ainda a entrada.
Mas antes de tudo. Uma malga de vinho e um brinde a uma boa vindima!. Começa a empresa.
Entretanto as mulheres, voltam a casa e seguem para a cozinha. Toca a tratar do repasto.  Eles irão aparecer sujos, suados, esfomeados, e principalmente com muita sede, que na vinha só se bebe água, por há que repor os níveis.
Sorriso a condizer com a cara arredondada, toda ela arredondada D. Rosa entretém-se nos tachos. verifica os temperos, refresca o vinho, acrescenta água no arroz. Está calor naquela cozinha de traves escurecidas de anos de petiscos e Invernos de fumeiro. Porta e janela aberta para o ar passar, mas nem uma brisa, nem uma folha mexe. O Calor aperta, abafa tudo, o ar está quieto, não mexe.  E o repasto lá vai ficando pronto. Desta vez foi uma coisa mais levezinha... Arroz de Pica-no-Chão.... comparado com a feijoada do ano anterior.....
Cá fora o ar traz um cheiro a lenha queimada. É o flagelo de todos os anos de todos o dias durante meses. desta vez contámos naquele dia pelo menos quatro. Quatro colunas de fumo a subirem direito bem alto e depois a espalharem-se pelos lados das Taipas e Povoa Lanhoso e outros na direcção de Guimarães e Vizela.
Depois de muitas idas e vindas , de muitos avanços pelas ramadas, de muitos litros de água bebidos, de ombros cansados o lagar encheu-se. Estamos ainda a meia hora da meia hora. E já se fazem previsões. Muito e do Bom. Este anos temos vinho à séria!
Na adega, escura e fresca abrigada por quatro grandes paredes de granito, com duas janelas suficientes para entrar a luz, ajudada por duas lâmpadas, tudo está pronto. Os pipos ainda lá estão, mas vazios e velhos. Desde há uns anos que já não são usados. Agora há as cubas de Inox. a brilhar, contentes de receberem mais uma colheita do 4Vs da QPF.
Aproxima-se a hora do Almoço.  Pousam-se os cestos e os baldes, lavam-se os braços refresca-se a cabeça na fonte onde a água corre fresca também desde a mesma altura que as vinhas foram plantadas.
Alguns mudam a camisa.  Esta tudo pronto para o almoço. Só esperam o Sr. da Casa, que passou com eles toda a manhã na vinha, no lagar, na cozinha, um bocado por todo o lado com eles, como eles sem cerimónias, mas com respeito e admiração de muitos.
Sem o Sr. da casa não se almoça, não se senta à mesa. E esperam.
A Familia tinha chegado de vespera, o Sr. da Casa, o filho e uns amigos prontos a ajudar e a fazer parte da festa. Não só da festa da Vindima, mas também do fim de semana.
Mais tarde chegou o ultimo casal desta alegre companhia. Era tarde foram deitar-se directos para no dia seguinte manhã cedo juntarem-se todos para a Vindima....mas começou cedo demais e só apareceram a meio da manhã, já o lagar estava meio cheio. Ficaram incumbidos de tratar do almoço não dos vindimateiros mas da familia e amigos.
O Sr. da casa entretanto lá apareceu para o almoço com a companha toda das vindimas. Arroz de Pica no Chão , ainda ontem picavam no chão ali ao lado do alpendre da cozinha de fora. Junto com o seu harém de cocorocós....hoje já tava no tacho, grande, de barro a fumegar.
Na casa principal, depois de se ter ido buscar a bela da vitela estufada com macarrão, aberto duas três quatro ou mais garrafas de vinho maduro, pois os convivas são de habitos e o Verde Tinto ainda lhes dá maleitas nas entranhas.
No terraço, á sombra, debaixo da buganvilia, afastados do calor lá se sentaram os convivas, separados dos vindimadores. Não por conforto, mas por ser mais agradavel aos vindimadores para estarem mais à vontade, sem cerimónias com estranhos.
No alpendre o Pica no Chão, já picava nos pratos de cada um, o Sr. da Casa sentado à cabeceira, mouco da idade, alegre do convivio, feliz pelo dia , alto falava, ria e todos se deliciavam com o arroz da Rosa.
Ao fim de duas de branco alentejano, passaram os amigos para um tinto do douro, bom e agradavel. terminou-se com uma aguardente vinica Perfurada, de calibre superior a muitas que por aí andam...
No Alpendre os homens seguiram á tasquinha da Irene, beber o café o bagaço e fumar os cigarros. Voltaram mais alegres e satisfeitos, e seguiram todos para a adega onde o lagar os esperava já carregadinho de uvas prontas a serem pisadas.
Sapatos tirados, calças arregaçadas, pés lavados, entra primeiro o mestre, o sr. Pinheiro, depois um a um sobem pela rampa de madeira e entram devagar no lagar.
Os convivas da familia seguem-se, copiam o ritual e entranham-se no mosto e começam todos ao mesmo ritmo a pisa. Duas horas, prevê o mestre, que organiza-os todos dentro do lagar.
-Começai daqui para ali, devagar, esquerda direita como se tivesseis a marchar mas debagár!! para não azedar o vinho.

Em roda à volta do lagar depois mudamos de sentido. É para pisar não é para esmagar!!!
A concertina aparece, e ao seu lado o cantor, modinhas de cá, modinhas de lá um maço de cigarros a passar junto com o tabuleiro das bolachas e claro, sempre!! Um belo espumante fresquinho para não se passar sede. Água é que não... tá lá em baixo nos alguidares para lavar os pés.

Em hora e meia, o mestre manda parar. Tá pisado, tá com cor tá com corpo. Agora vamos esperar, deixar fermentar e daqui a três ou quatro dias é passar para as cuba novas de Inox.
Um a um saimos do lagar, lavamos os pés e toca a fechar a adega e deixar o mosto em silencia á merce dos deuses e Anjos, para que todo o trabalho traga frutos.

É assim que nasce o Vinho Verde das Vinhas Velhas da Quinta de Perfurada. Ou 4Vs da QPF
84ª Vindima. Para o ano a data é redonda e tem de ser mais comemorada.

quarta-feira, julho 31, 2013

IKEAS AMBULANTES

Deambulando de Norte a Sul, de Sul a Norte e com uma perninha no Nordeste não pude deixar de observar, com as devidas reservas e distancia de segurança, claro está. A Evolução das espécies, algumas autóctones, outras importadas que deambulam pelos recônditos cantos do nosso País.
Já não se escondem, nem se envergonham de aparecer, aliás fazem figura disso e para isso. Aliás, é talvez nesta altura do ano que estes seres se apresentam cada vez mais ao publico e fazem galanteio de de pavonearem.
Atenção!! Atenção!!, não levo estas criticas no sentido pejorativo, não senhor. Apenas factos daquilo que vejo por aí, e que me despertou a atenção e curiosidade. Até porque não quero de forma alguma ser mal interpretado por um destes exemplares mais exaltado, e menos inteligente.
Vejo-os mormente e especialmente junto de zonas de veraneio e recriação tanto diurna como nocturna. Todos dentro das medidas standardizadas e creio até legisladas pela E.U..... ou quiçá, até pela nossa mui querida, activa, e nobre ASAE.
Durante o dia, e agora no Verão, vemos-los juntos na praia, já não se deitam na areia, antes pelo contrario, mantêm-se de pé, mãos nas ancas ou então a gesticular muito os braços e a passar a mão pelo peito ( no meu tempo era passar a mão no pelo...) bem rapadinho. Ali se mantêm com as suas mangas cavas, óculos escuros assim pó espelhado, para olharem sem possibilidade de se saber para onde. A Chanata, chega no pé também, mas já não é uma qualquer, tem marca, modelo xpto e até umas que se vendem ao preço de um bom electrodoméstico de cozinha.
Enquanto o Sol vai alto e há claridade no dia, é ver um constante corro pio de rápidas idas e vindas ao mar para chapinhar, uma valente e rápida corrida, uma salto para a frente num pequeno voo e zaaastrázzz dentro da água, para voltarem a surgir todos molhadinhos...logo logo olham em redor para ver se chamaram a atenção a alguma fêmea...(uns acredito que chamem a atenção aqueles virados, que se acham muito modernos...). E assim passam o dia, até, hora do ocaso, se dirigem como matilhas para o respectivo bar de praia para ouvirem os sets dos DJ, e ficarem por ali a dançar, numa dança arritmada onde só funcionam os muscalos, os peitorais e os glúteos....nada mais, óculos espelhados e copo com palhinha...uns, muitos aproveitam, conscientes de que se devem apresentar com um bocado mais de estilo, e arranjados, já que não estão propriamente num boteco...juntam à indumentária de manga cava,  chanata de marca, óculo espelhado, um belo de um boné de pala, minuciosamente colocado na cabeça, com a pala nunca para a frente....e ai de alguém que lhes mexa no boné!!!...

Vieram todos de semanas a fio, de treinos intensos de taekendo, taechido e taequiéto!!... Todos tem a mesma forma, tal qual armários do IKEA. 1,70x1,10. Todos insuflados de musculação, daquela que se param de tomar o sumo matinal, a sopa do lanche e o reforço vitaminico da ceia...de um momento para o outro...PUFFFF insuflam-se de banha.....

À noite, já não aparecem em grupos, talvez o máximo vêm 3 juntos, mas mesmo assim não numa atitude de matilha, mas mais numa atitude individual. Os que vêm juntos, desajuntam-se, para poderem cada um espalhar magia ás fêmeas...

Algumas ajuntam-se numa dança acasalaradiça....as palavras não podem ser muitas pois na verdade não há muito que conversar....nem conseguem...

Aqueles rejeitados, juntam-se em torno do balcão do bar e exibem-se para a pobre da barmaid que por ali os está a servir...ou a tentar....

Ao correr da noite, começam a chegar mais e mais e mais junto aos balcões, uma vez que a selecção inicial ou se dissipa, ou o tema de conversa com as fêmeas chega ao fim, sem interesse para ambas as partes.

Aqueles que se alcoolizam ou se encheiram ou se.... qqr coisa, já não se tornam os viris machos latinos, lutadores de punho fechado, que rasgavam camisas para andar à porrada por tuta e meia.... amolecem cambaleiam e são amparados pelos amigos, com os braços à volta dos ombros e arrastados dali para fora...
Outros, aqueles mais individualistas, voltam-se agarrar às amigas da ocasião, e entre balbucios e cambaleações, lá conseguem que uma fêmea amiga os leve dali para fora.

Elas com pena, levam-nos até mesmo a casa, ou com muita insistência, até os deixam dormir na própria casa delas....e consta que alguns até se divertem....e assumem mais uma vitoria na grande batalha da quase procriação.

É giro ver a evolução das espécies. Um estudo interessante que nos demonstra cada vez mais que viemos dos macacos....


sexta-feira, junho 07, 2013

Down

Sem musa para inscrever, sem vontade para dissertar, cabisbaixo, em baixo sem vista para a frente, com saudades do passado, sem força para o presente.
é do tempo?, é da vida?, é daquilo que não se fez?, é daquilo que se devia fazer?, sempre à procura do positivo da desculpa do negativo, sem vontade para andar, sem forças para levantar. Apaixonado? ou conformado? com medo do que vem? fraco para mudar? sem força para o presente, cansado para lutar?
é da chuva? da falta de sol? é da ilusão de ter o que não se tem? de não ter o que se tem?.
 apagado, acabado?
sem saber o que lá vem?....Down.

terça-feira, março 19, 2013

A Morte do Conde de Arnoso


Transcrição do diário da nossa Bisavó Matilde sobre os últimos dias do nosso Bisavô Bernardo, feita pela minha Mãe.

 BERNARDO
                                   
                                                         21-5-911

                                      Para os meus queridos Filhos.


                          Não esqueçam nunca a Santa Morte do seu Pae




  Pindella

  21 de Maio 1911

  A Mãe

Os primeiros symptomas da sua doença manifestaram-se no Mez de Fevereiro – 1911. Os diversos desgostos porque desde – 1906 tinha passado, morte do João, morte de El-Rei D.Carlos, os tristes acontecimentos dos últimos annos da Monarquia todo o sobrehumano esforço quer para A salvar, para rehabilitar a memória do seu querido Rei. Amigo, elle, insulado,e único, empregara em pôr fim um desgraçado desfalque na sua fortuna, por um homem que atraiçoou a sua confiança, tudo isto a pouco e pouco o foi esgotando,  a sua sensibilidade verdadeiramente extraordinária ficou profundamente ferida.
De num dia para o outro apareceram symptomas  que alertaram os médicos e aquela constituição tão robusta e bella começou a abalar-se com uma rapidez extraordinária. Feita a primeira anályse do seu estado no dia 24 de Março foi desde logo considerado perdido.
Partimos de Cascaes para Pindella no di 10 de Abril.
Alli, pela alegria de se ver entre os seus, na Casa que tanto amava, tendo nos primeiros dias umas ligeiras melhoras, tão ligeiras que eu nem cheguei a alegrar-me! Tinha sempre no ouvido e no coração cruéis palavras que no dia 5 de Abril ouvira da bocca do nosso médico e amigo, que com muita razão entendeu dever dizer-me toda a verdade.  Nunca elle se enganara com doente algum da nossa família e desgraçadamente os seus prognósticos foram sempre acertados.
Não me restavam ilusões.
Esperança em Deus nunca a perdi porém. Pois sabia bem que Deus poderia fazer o milagre.  Não o quiz porém que a Sua Divina vontade seja feita!
Começou então o seu e o nosso Calvário.
A fraqueza augmentava dia a dia, a vista fugira apressadamente e a tristeza crescia com a convicção cada dia mais arreigada do que o seu fim se aproximava.
Mas resignou-se, como quem tem soffrido muito e, que pela sua fé, vê na morte o princípio de uma melhor vida. Referia-se à sua morte sem amargura, sem desespero, com um socego enorme.
Até ao dia 7 de Maio  poude todos os dias dar o seu pequeno passeio no jardim, mas em toda a sua maneira de ser, se notava uma grande differença.  Na Capella da Casa fazia-se o Mês de Maria a que elle assistia sempre, todas as manhãs ia à Capella fazer as suas orações, mas depois de algum tempo o seu mau estar era tal que elle dizia: “já nem posso rezar”.
No Domingo 7 foi um péssimo dia. Esteve, vindo de Lisboa o Eduardo Burnay e da vizinhança dois amigos mas o seu soffrimento era bem visível. Durante essa semana augmentaram as agitações a ponto de na quinta feira 11 pedir elle próprio ao médico que lhe desse um narcótico, cousa que elle nunca consentira em tomar, levantando-se de noite muito agitado, tinha excitações tão grandes que eu receava
elle fizesse alguma loucura.
Os diversos calmantes que elle exprimentou só lhe faziam peor. Era afflictivo. Durante essa semana vieram a Pindella ve-lo vários amigos entre elles o Luiz de Magalhães e o Alberto de Oliveira, mas nenhum teve a impressão de que o fim estava próximo. Só eu que me não illudia e como o não largava nem uns instantes e o conhecia bem, via os terríveis progressos da doença.  Elle de vez em quando tinha uma esperança, mas logo a perdia. “Como isto é lindo” dizia elle olhando tristemente para as árvores, o jardim, o lindo céu azul todo illuminádo de sol” “parece já o princípio da Glória”. Em Cascaes ao partir tinha ido ao correio despedir-se dos empregados que tantos annos conhecia e disse-lhes “Adeus rapazes, nunca mais cá volto” o mesmo disse ao creado Joaquim.
Foi a pouco e pouco desinteressando-se de tudo como quem já não é deste Mundo.
D’uma meiguice enorme comigo e querendo-me sempre ao seu lado, beyjando-me sempre com tanta ternura! No Domingo 14 levantou-se muito mal disposto mas com a chegada inesperada do Vicente, que elle reclamava sem cessar, alegrou-se muito e passou o dia bem, conversando com vários amigos que de Braga e de Lisboa tinham vindo. Não foi porém néssa tarde ao Mês de Maria – elle e eu sós na sala da torre, fronteira à Capella, ouvíamos as vozes que cantávam e que no meu coração echoavam tão tristemente!
Na Segunda Feira 15 Veio o Carlos Ferreira como era a primeira vez que este vinha a Pindella, quis mostrar-lhe a casa e com elle andou por toda a parte, mas cansando-se bastante! Terça Feira foi ainda até à horta. À noite na sala cheio de tristeza com os seus sofrimentos que ouvia ler dizia:”É isto que eu agora estou a pagar”
Quarta Feira annos da sua afilhada Gracia, não quis levantar-se, sentia-se mto fraco, nto mal disposto. A noite tinha sido medonha de agitações e allucinações. Pelas 3 horas porém, lelvantou-se e n’um grande mau estar foi até à varanda aonde nesse instante  se sentou mas logo quis ir para a sala, por sentir mto frio.
Alli passou o resto da tarde n’um grande desassocego, com uns movimentos de louco que mto impressionavam. Não podia parar quieto, tudo o incomodava. Durante o nosso jantar, a todo o momento entrava na sala, receando estar só, ter qualquer cousa O médico assegurava que tudo eram nervos, que o novo narcótico que trazia  lhe daria uma boa noite de sonno. Nervos! Chegou esse momento. Tomou com grande repugnância o remédio – adormeceu.
De tarde na sala tinha chegado às 3 janellas que deitam para differentes lados e com a mão fizera o gesto de “Adeus” e voltando-se para o velho creado António disse “Já me despedi de tudo”
O médico a pedido meu ficara no corredor do nosso quarto, para assistir aos terríveis attaques de alucinação que todas as noites o affligiam e que ninguém comprehendia nem explicava. Deitei-me também mas hora e meia depois acordava com o meu Bernardo a levantar-se de um ímpeto dirigindo-se como louco para a janela. Gritei “Bernardo” elle voltou para traz e caiu de bruços meio deitado na
Cama banhado em sangue. Com o barulho a Anna apareceu e veio ver o que era. Eu já a pé gritei-lhe que me trouxesse o médico. Este veio, deitámos o Bernardo, mas logo a seguir elle tornou-se a levantar com uma força hercúlea, empurrando o médico, gritando que o deixassem. Estava fora de si. Logo porém reconheceu a sua impaciência, pediu perdão ao médico e serenamente se tornou a deitar. Mas… pouco durou.  Recomeçaram as afflicções, não socegou. Na cama nada o retinha. Vieram todos, então percebi que o momento era grave.. Minha cunhada veio perguntar-me se eu queria um padre! Era então certo! Corri ao médico que tinha deixado o quarto e pedi-lhe que me disséce com toda a franqueza se era grave “gravíssimo” Bastou-me. Agora era preciso pensar na alma, essa sim tão bella e que eu tanto adorava. Mas nada receei! Conhecia de sobra a sua fé em Deus agradar-me-hia. Com o coração despedaçado fui para elle e, como dias antes lhe dissera começaríamos uma Novena de Comunhões por sua intenção e elle me tinha dito que desejava associar-se a ella, foi esse o pretexto que tomei.
Elle nunca se tinha recusado a Cumprir esses Sagrados Deveres … ainda, já mto doente, antes de deixarmos Cascaes, tinha com enorme sacrifício phisico ido receber o Nosso Senhor. Disse-me portanto, que tinha chegado o dia de começar-mos a Novena e que o Padre tinha vindo de madrugada para dar prazer à Mãe e que visto elle me ter dito que tomara parte na Novena – estar agora acordado talvez quizésse ser elle o primeiro. Não se iludiu mas não se espantou, recebeu esta ordem com a maior tranquilidade, sabendo perfeitamente do que se tratava e respondeu logo:”Sim tudo o que tu queres”
Durante esse momento de calma confessou-se e eu cá fora de joelhos contra a porta com as mão sobre o coração para comprimir os meus pecados, pois parecia-me que elle estorava, ouvia de vez em quando: “Não, não tenho”  E não tinha com certeza quasi pecados, elle que era tão bom. Quando o Padre sahiu e eu voltei para o pé d’elle disse-me: “ainda bem que me confessei, agora quero receber o Nosso Pae, quero a Extrema Unção, quero tudo”
Com a certeza que lhe démos e que nada lhe faltaria, sossegou e adormeceu. Quando acordou e soube que principiava a Missa na Capella recomeçou desossegadamente a pedir a Santa Comunhão.
Veio enfim e com toda a solenidade. Adeante o João Affonso com o grande Chisto, o Padre com o Santo Sacramento debaixo da Umbella e a seguir toda a família, todos os creados. Não esqueço nunca mais semelhante comovente Comunhão Elle na sua grande cama com a voz mto fraca nessa manhã mto abatido disse: “Vêem todos! Até os creados, obrigada meus Irmãos” Peço perdão a todos,a todos perdou as injustiças que lhe fizeram, perdou à Família toda que foi tão injusta com migo” recebeu o Senhor no seu querido coração repetiu com nosco as orações, recebeu a Santa Unção, agradeceu a todos. A pobre Mãe veio dar-lhe um beijo e elle  disse-lhe “Minha Mãezinha o teu filho vae morrer” Não morre não meu filho, mas se morrer vae para o Céu “vou e estimo muito”
Como dá Deus força assim aos que n’Elle confiam! Com que serenidade – com que paz veêem  vir a morte aquelles que crêem na Vida Eterna e que deixam nesse Mundo as tristezas para uma felicidade sem egual.  Elle que foi neste Mundo tão festejado, que ocupou   uma tão linda situação, que teve todo o goso e prazer que um homem póde ambicionar, deixou tudo, sem uma queixa, sem uma lágrima, forças encontrou na sua fé, e na sua paz da sua consciência nessa confiança enorme na terrível viagem.  Felizes esse todos. É numa fé assim que eu espero conservar e espero ver nos meus filhos.
Depois dos seus deveres tão cuidadósamente cumpridos socegou e adormeceu, sem contudo que o médico deixasse de ter as mesmas inquietações e que o seu estado conservasse a mesma gravidade. Telegraphámos para toda a família dando parte do tristíssimo estado do meu Bernardo e todo o meu desejo foi conseguir que o nosso filho que estava em Inglaterra viesse receber a última Bênção do tão bom, tão excepcional Pae
O dia de quinta feira 18 foi bastante afflictivo, d’esse grande mau estar e desassocego repetidas vezes dizia como se sentia feliz por ter recebido a Deus no seu coração, por estar tão bem preparado, que não receava morrer, só tinha pena de todos. Chamava mto pelo irmão e dizia-lhe ternamente adeus e virando-se para a Amália, repetia vezes nesses últimos dias:”Amália sou muito seu amigo e custa-me tanto vir aqui para lhe dar este trabalho e desgosto”. Falou com todos os filhos dizendo-lhes e a mim:”sejam sempre mto amigos e unidos como até aqui”
Ao Dr Delphim que foi chamado da Villa e que lhe disse ao chegar:”Então Senhor Dr. Isto o que é? Vamos a tratar de o pôr bom” este respondeu: “Não Doutor não põe, eu vou morrer, mas não tenho medo da morte, já recebi o Senhor e a Estrema Unção e morro com a consciência de ter sempre cumprido  o meu dever” o João Afonso veio despedir-se por ter de voltar para Braga para as aulas e lhe disse elle :”Sê sempre muito bom, muito respeitador do teu Pae, que é um grande homem de bem” Adeus meu filho, não me tornas a ver”.  A noite foi horrível de sofrimento. Vieram os sobrinhos de Braga que lhe quis ver e pediu perdão à mulher do Sebastião de Lencastre dizendo-lhe elle: “Adeus vou morrer, dá me um beijo e perdoa-me todo o mal que te fiz (referia-se à grande oposição que fizera ao seu casamento com o João) e diz à tua mãe que sempre a respeitei muito”.
Pelas 3 da manhã começou em grande ansiedade pela chegada do Lencastre que esperava n’essa manhã às 10 horas; a todo o momento perguntava as horas e quanto tempo faltava para elle chegar, dizendo sempre: “dizem que só se morre de madrugada, já o Lencastre não vem a tempo”! Chegou porém; elle teve muita alegria em o ver, animou-se com elle, queria-o sempre ao pé de si, mas logo que elle partiu ficou como se já não esperasse nada mais do Mundo! Não mais se referiu ao Lencastre nem à sua promessa de o vir buscar na segunda feira seguinte.  Soffreu todo o dia,  mas com resignação!
Minha Mãe, o seu grande amigo Themudo quer vir e dar-lhe o último adeus, todos estavam impressionadíssimos. Ao Themudo disse: “Themudo o teu amigo vae morrer vaes ficar só” Agradeceu mto a minha Mãe ter vindo dizer-lhe :”sou mto mto seu amigo. A noite passou-a com  essas enormes afflicções, sem ter posição na cama, sempre a levantar-se. Mas sempre com a mesma serenidade e resignação só lamentando não ter “morrido hontem, que eu estava tão bem preparado”.
A Thereza Bretiando trouxe de Braga a Virgem Milagrosa da “Senhora da Torre” dizendo que talvez Ella fizesse o Milagre.  Elle pegou na Virgem e disse: “Talvez mas eu soffro muito e era tão bom ter morrido hontem..” de madrugada estando eu estendida sobre a cama de estafada  que me sentia adormeci, mas acordei sentindo o debruçado sobre mim, a pedir-me um beijo e meu irmão fez-me levantar pois os médicos sentiam que o pulso falhava  e julgavam era chegado o momento.  Como de costume pedi-lhe que rezasse com migo o que elle fez sempre da melhor vontade até ao fim. Vieram todos e elle vendo-os à roda da sua cama nem. se impressionava. A todos dizia numa ternura, para todos olhava com uma expressão tão doce. Durante bastante tempo, pensei que a vida lhe fugia. No jardim, ao raiar d’aurora  um melro todos os dias nos acordava com o seu cantar tão bello e o Bernardo todos os dias que durou o seu martyrio, tinha uma grande anciedade por ouvir este signal do dia e perguntava mtas vezes  se o melro ainda não tinha cantado, tinha sempre a  ideia de que morria pela madrugada e desejava mto ouvir o melro.
O melro cantou e elle socegou. Voltou a si, foi-se reanimando e os médicos tornaram a dizer que ainda não seria então. Que robusta constituição a sua! Sim as vezes que o julgavam a morrer! O dia de sábbado foi medonho. Enfraquecia a olhos vistos, mas sofria tanto que não podia estar socegado um momento. Da cama para o sofá e outra vez para a cama, assim passou o dia.
Grandes coágulos de sangue tapavam a respiração e que os expelia com uma difficuldade enorme.
O pulso falhava constantemente e o Eduardo Burnnay que tinha chegado querendo-lhe dar uma injecção de canphora. Quis porém vestir-se e ainda acompanhado foi até à janella mas para logo voltar para a cama e assim se passou o dia de sábbado repetindo nos a todos mtas ternuras, mtos conselhos, gemendo a todo o instante. Ver o “meu irmão que tanto adoro”.
O Vasco e Bertha chegaram também o que muito gostou dizendo lhes que dissessem aos Sabugosas que tanto sentia não os tornar a ver. À Mãe “Mãezinha, custa-me tanto, dar-te este desgosto, voltava-se para mim devez em quando a pedir beijos e dizia “Sou muito teu amigo, vaes ficar viúva”! E repetia-nos mtas vezez a saudade que tinha de nos deixar.  Chegou a noite e pelas 11 horas nova crise mais longa ainda do que as outras. Durante horas todos no quarto esperávamos o ultimo suspiro.
Vieram os Padres, recebeu os Escapulários de Nossa Senhora do Carmo que beijou ternamente dizendo-me que queria tudo o que eu quizésse, recebeu as últimas Bênçãos. Rezaram-se as orações da Agonia e elle deitado sobre o lado direito parecia acabar a todo o instante. Eu de pé ao seu lado nem respirava, e de repente, tendo em frente de mim a Imagem da Senhora da Torre toda iluminada, pedi-lhe com extraordinário fervor: “Nossa Senhora da Torre, fazei o Milagre” e logo elle abriu o olhos e disse: “Como custa morrer meu Deus!” Estão todos aqui, vão-se deitar, deixem-me só, não se cansem por minha causa, leva tanto tempo a morrer!
Antes d’esta crise tinha pedido a todos os filhos e à Maria do Carmo disse : sê sempre mto boa, levo-te no meu coração, e voltando se para a Anna sê sempre boa para a tua irmã” Falando-lhe eu nos pequeninos e no nosso Bernardo, que estava fora disse tristemente:” e os pequeninos coitadinhos! Ao Bernardo nada tenho que lhe recomendar, só que seja mto bom rapaz, tudo lhe dizia sempre nas minhas cartas”.
Depois de ter voltado a si da grande crise agradeceu ao Pde. Joaquim que alli estava, tudo o que quer elle fizera repetindo e falando que não tinha medo de morrer, pois tinha sempre cumprido o seu dever.
Como o visse mais socegádo pedi a todos que sahissem, pois os médicos de novo reconheceram que o fatal momento ainda não tinha chegado e disse-lhe a elle: Vaes melhorar, Nossa Senhora da Torre vae fazer o Milagre” olhou-me com imensa ternura e disse: “julgas?” Tenho a certeza,vaes ver que estiveste mto afflicto, mas já estás melhor? “Sim, é verdade, ai se Deus quizer” (repetiu mtas outras vezes esta phrase d’ahí por deante). Com os alívios que sentiu, renasceu a esperança e chegou a ter desejos de se curar. Obrigaram-me a deitar-me um bocado ficando com elle o Eduardo Burnnay, a Anna, e a Maria d’Agonia que abraçava mtas vezes recomendando-nos a todos que nunca o abandonássemos, que nunca lhe faltasse nada.
Logo porém depois de me pegar no sonno, ellecomeçou a chamar por mim e e disse-me que com tal angústia:” A Matilde aonde está ella, chamem a minha Matilde”. Como quizéssem que eu descançasse disseram-lhe que eu dormia, que era melhor não me chamarem “Pois bem vou eu pelo meu pé buscá-la, que tem que eu a vá buscar, ella é a minha mulher”. Pediram para fazer-lhe a vontade e eu hoge deploro bem essas horas que passei  longe d’elle . Exegiu que eu me estendesse sobre a cama a seu lado – dei-lhe mtos beijos. Começou então o dia de Domingo, o último d’esta vida, mas o dia  da sua Glória! O soffrimento era menor custava-lhe porém mtº a engolir e isso dava-lhe a certeza de que a morte se avisinháva “É bem certo agora que morro, pois se não posso engolir, como posso viver?” O olhar embaciava-se, a voz enfraquecia, a boca um pouco ao lado transtornava-lhe a phisionomia. A voz entramelava-se, mas durante todo o dia começava o Padre Nosso, e a Ave Maria, ou “Dae-lhesSenhor”, nós acabávamos a oração o que mtº o alegrava. Rezou assim constantemente e beijava ternamente o Crucefixo e o Escapulário.
Uma vez voltou-se para mim e ajudado por nós disse (1):Os meus discursos quero que se publiquem.
Ao Bernardo quero que se lhe faça o smoking que elle desejava. Não vendas Tarrio conserva aquilo por causa da minha Mãe, para estarem todos juntos. “d’outra vez disse-me :”sou muito teu amigo, mas vão pedir ao Lencastre para me curar” O nosso Bernardo devia chegar nessa noite e os médicos faziam tudo para lhe prolongar a vida, mas elle fugia a passos largos. 6 horas da tarde, foi nesse dia lindíssimo com as janellas abertas sobre o campo todo em flor. Cheguei as roupas ao Bernardo – arranjando-lhe as almofadas disse-lhe:”Vae dormir um bocado, estas assim comodanente e vae fazer-te bem” “pois sim, talvez”. Nunca mais fallou! Sem mudar de posição, mais duas vezes abriu os olhos, sentindo alguém entrar no quarto, mas não teve mais momento algum consciente. Entrou no estado comatoso – durante 1 ½ horas assistimos ao apagar sereno e calmo d’aquella nobre alma. Ainda recebeu a Bênção Papal e às 7 e 40 do dia 21 de Maio, as mãos sobre as minhas, rodeado de todos os que amava excepto o nosso filho Bernardo, na Casa de seus Paes, como bem justo, n’esse silêncio e d’uma paz imensa deixou este Mundo, para outro melhor e eterno, o melhor dos homens, o mais belo, o mais dedicado aos amigos e o mais adorado dos maridos. Com elle se foi a minha felicidade,a alegria da minha alma. Está no Céu! Seja feita a vontade de Deus! E que a sua vida e a sua morte sirvam d’exemplo aos seus enternecidos filhos










(1) – “Olha que o meu enterro é d’aqui para a estação”

terça-feira, fevereiro 19, 2013

Entre Touros, Touradas, e outras andanças

Sou, como se diz, aficionado. Acho que é a palavra mais associada à Tourada, aos toiros e ao mundo que o rodeia. Estava agorinha mesmo no Facebook a falar sobre isso mesmo, quando me veio à moleirinha esta minha provável dissertação.
Infelizmente não vou tanto ás corridas como gostaria. É mais correcto dizer que sou um aficionado não praticante. Mas mesmo assim quando vou ao Campo Pequeno, gosto principalmente de admirar o espectáculo triste e a chinfrinada que fazem à porta aqueles papalvos que se dizem defensores dos direitos dos animais...
Gosto de os ver gritar, berrar, chamar nomes, ofender, bater em latas, cuspir no chão, beber cerveja, fumar ganzas e outras coisas ilícitas  acenar cartazes. É um espectáculo interessante. Ver que ali estão os verdadeiros "amigos" dos touros.... Dizem eles....estão no seu direito, e eu respeito que façam tal alarido. Gosto de pessoas com convicções. É importante nos dias de hoje ver essas pessoas ...ou coisas...manifestarem-se. Mas sinceramente......

Se fossem verdadeiros "amigos" dos Animais, e então como demonstram ali, amigos dos touros. Não hesitariam em se dirigirem ao campo, às lezirias, aos montados, aos cercados e a outros tantos locais por onde o touro bravo ainda habita, e recolher estes pobres animais, que sim, é verdade, sofrem na praça..
Recolhê-los, apaparicá-los, mimá-los, darem-lhes instalações dignas para estes animais,  que coitados vivem à solta sem um tecto para se abrigarem, vivem ao frio, à chuva, sem comida própria, muitas vezes sem água por causa da seca, sem sombra por causa do calor.
Não percebo porque é que as Associações dos direitos dos Animais, ainda não fizeram, campanhas na rádio, tv e outros meios, para promover junto da população em geral e em alguns em particular, a adopção de um exemplar destes. Assim, certamente os pobres animais iriam viver com melhores condições, e acabava-se de uma vez por todas com esta praga da sociedade.
Adoptar um Touro, é na verdade um acto de caridade, livramos os animais de irem para as praças sofrer. Acabamos com as ruidosas manifestações e aglomerados indesejados. As praças, que deixam de servir para as funções podem ser demolidas e assim revitaliza-se a construção civil, no espaço antes ocupado, pode-se sempre construir um Shopping, ou quiçá um condomínio fechado.
Não percebo como é que as Associações dos Direitos dos Animais, ainda não avançaram com uma rede no Facebook para adoptções. Tipo "Tenho um touro, Quero um Touro"
Ter um touro em casa pode ser um sinal de estatuto social, "protejo os animais, sou bom cidadão" e só traz vantagens. Um touro é um óptimo "cão" de guarda. Não estou a ver o larápio entrar em casa com umas couves envenenadas para por o animal a dormir.
É um companheiro infatigável  sempre a correr atrás do dono. Tem um jardim? alugue um touro por vários dias, é óptimo para aparar e adubar a relva.
E se tem insónias, não há nada melhor que um touro para o por a dormir!!.
O touro é talvez, um dos melhores amigos do Marido, é o ideal para espantar a sua sogra!!
É também o melhor amigo da mulher, acabam-se os amigos do marido na sala aos berros a ver os jogos da bola.... ficam todos em silencio e muuuito quietinhos.....
Eu, se fosse das Associações dos direitos dos Animais, ia já a correr explorar este filão!!!
Porque se somos mesmo amigos dos animais, não vale só fazer barulho e berrar aos quatro ventos a dizê-lo. Há que mostrar com actos!!!
Senão é fácil......Também sei gritar.

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Perditos de 2CV

Estávamos entre os 20 e os 17. Éramos uns quantos, creio que oito. Era a primeira vez que o Lipe ia de Lisboa a guiar o seu 2CV, acabadinho de tirar a carta. Com ele foram mais dois, os restante seguiram como de costume com o João na  "já nossa" 504 companheira de aventuras sempre super visionados pelo já dito João.
A viagem foi como sempre alegre, a aprender as modinhas Alentejanas, as cantigas picante que o João pedia para não repetirmos e a ouvir a velha cassete com os Jeferson Airplane.
Era Verão isso lembro-me!! e íamos todos para lá de Beja, lá de Serpa, perto de S. Bento, ainda naquela altura Aldeia Nova, agora com o progresso em marcha promoveram-na a Vila.
As estradas da Aldeia à casa eram ainda de terra batida. 12 kilometros de terra esburacada, poeirenta e quente, onde se contava as vezes que a carrinha caía nos buracos....170 vezes, 190..... 212 foi o record gravado. A lado a planície Alentejana em toda a sua pujança de verão, cigarras a cantar vacas e ovelhas debaixo dos poucos sobreiros e um silencio onde só se ouvia o calor.
Chegados ao monte, a primeira coisa a fazer foi pegar no jeep, e irmos para o rio tomar banho. O rio, de nome Chança, que corre de cima para baixo como todos os rios, e desagua no Guadiana, que desagua no mar como outros tantos. De um lado terras de nuestros hermanos cobertas de esteva. do nosso lado o monte das Latas, posto de guarida de longos anos de vidas de salto e contrabando, naquela altura uma ruína abandonada pela força das foices e martelos que assolaram o País nos tristes anos setenta. Ali continuava sentinela, sem telhado, sem ombreiras sem vida. Actualmente já não é assim, o mesmo que foi roubado e escorraçado voltou a reconstrui-lo e a embelezá-lo.
No rio a água a correr fraca mas fresca daqui para ali, dava sobejamente para nos refrescar. Banhos rápidos em fundo curto, e enquanto nos secávamos despachávamos umas minis providencialmente trazidas na geleira de cortiça atulhada de gelo...e cerveja ou vice-versa.
Acabamos os banhos, voltamos a casa, ou ao monte. E lá á nossa espera naquele terraço grande com vista até ao fim do mundo e mais um bocadinho lá estavam o Lipe e mais os seus dois primeiros passageiros.... brancos, pálidos, zombies...semi-vivos... meio-mortos....
Chiça!! que o gajo é doido!!! viemos a 140 no 2CV a passar tudo e todos...sinais encarnados nem vê-los, na portagem parou 2 metros á frente e fez marcha atrás.... Pourrra!!!
Mas o Lipe calmamente respondeu... Medricas!!
A coisa ficou por ali. Para aproveitar ainda o resto do dia, antes da noite chegar, fizemos-nos á barragem junto ao monte, á cata de cagados. JRM demonstrou uma perícia exímia na arte de apanhar os ditos.  No meio do lodo, camuflados nas ervas podres, a boiar entre as bostas das vacas.... foi a todas.
Trouxemos para casa uns 30 ou quase 40, dentro de um balde de água que se tornou pesado.
Chegados ao monte, providencialmente deixamos-os dentro da tina, para se sentirem mais à-vontade e não fugirem.
 Durante o jantar, á volta daquela mesa redonda, agora rectangular, lá nos rimos das "estórias" daquela grande aventura de 2CV.
Janta acabada, seguimos para a sala para o café. A lareira não ardia, no Verão, não faz sentido, o calor e o aconchego vinham de fora, das estevas, das cigarras e da terra aquecida pelo sol durante todo o dia.
Conversa para aqui, risada para ali, acabávamos sempre de resolver os grandes dramas e problemas da nação. Nunca tivemos ninguém aproximadamente ligado á musica, ou  poesia ( sem ser a brejeira e erótica) que nos embalasse os serões, mas  resolvíamos todos os problemas do País e até do mundo.
Divertimento certo era o Cardeal Pafe. Homem de grande espiritualidade e religião que nos consumia serões inteiros a dissertar sobre as suas teorias Baquicas. Muitos sucumbiram , muitos se converteram, e houve um, que tomou os votos com whiskey em vez de vinho.....continua assim!!.
Deitámos-nos, cansados , satisfeitos e contentes. Sendo todos, no fundo miúdos, não houve cerimónia nem mordomias. Tudo para a camarata, onde seis beliches nos esperavam juntos com uns balneários simples mas luxuosos. 3 duches, 2 pias e 4 lavatórios. Siga e Soma!!.
Depois das escolhas, das arrumações da luz apagada, sono profundo...até que, de madrugada, com que se feitiço se tratasse, acordam  4. Os 4 mais velhos. Lusco-fusco, semi claridade, os outros "putos" profundamente a dormir o sono dos justos.... coincidencia ou não foram os 4 mais velhos que se levantaram arranjaram e subiram para o pequeno almoço.
Á volta da mesa, planeando a jornada do dia de férias que estava pela frente... rio.... tiro aos pratos, ... snooker na aldeia..... mais cagados.... Houve um que saiu com uma original.... E se fossemos visitar as gémeas???
Ideia genial, aprovada por unanimidade e assinada 3 vezes por baixo. Siga a marinha!!! 2 CV com eles e cá vamos nós visitar as gémeas!!!.
Mas... no 2Cv só cabem 4!!... e os outros? os outros??, estão a dormir, são mais novos divertem-se entre eles!! Nós os Homens vamos visitar as Gémeas!! tá decidido.
Bora!! tudo pó 2 CV, aqui vamos nós, toalha, fato banho e siga. capota aberta que está calor e siga... e seguimos!! de Perditos até Albufeira... parecia perto, isso parecia... eram só 250km.... mas num 2 Cv, sem autoestradas, fazia-se num instante.... se fossemos a abrir, tipo....100KM/H.... e lá fomos zunga tunfa e pica na burra!!! tanto tanto que o o Lipe, o condutor encartado, quase atropelou uma carroça de burros que calmamente seguia a seu passo na berma. Milagre dos burros, milagres dos 2 cv que a tempo avisamos que se avistava a dita carroça na via de rodagem....
Posto o perigo á superfície, o consenso dos aldeões chegou a uma conclusão... o dono do carro iria dar o lugar ao outro único encartado... e assim foi.... viagem santa até Albufeira para ir ter com as Gémeas que estavam em Sta. Eulália!!!.
É espantoso as combinações sem telemóvel.... só telefonámos antes de sair para a Quinta da Balaia, a dar o recado que íamos lá ter. Fomos lá ter e encontramos-las... deitadas na areia a aproveitar o sol e os banhos quente da praia.
Meia surpresa, as gémeas , disseram.nos, adoraram... lá passamos o dia entre banhos e conversa, entre flirt's e piadas, sem mal nem subentendidos. Um almoço na tasca ali em cima da falésia com o pescador que pescava o pescado ali em frente tal qual um Chanquete.
Dia passado, bem passado, lá nos metemos de novo no 2CV encarnado ( ou vermelho para alguns menos...). Felizes e contentes pela a aventura rodoviária, chegamos ao monte em cima da hora do Jantar. O Putos, nem um sorriso esboçaram, apesar do Lipe ter deixado um bilhete a dizer ao que íamos... os dentes que vimos foi só de raiva.
Depois do jantar, onde o ambiente estava meio morto quase surdo, onde só os anciãos se riam e vangloriavam da aventura, nem o café sobe bem nem o cardeal Pafe apareceu.
Seguimos todos para a cama á espera da famosa cama á espanhola em cada um....mas nada.... afinal os putos não ficaram tão chateados como pareciam...pensamos.
Pijama vestido, dentes lavados, lá nos deitamos á espera de qualquer represália....nada....dormiam que nem uns anjinhos de sorriso casto.
Logo pela manhã ao levantar como todos os dias e os seguintes, cada um seguiu para o lavatório, toca a lavar a cara, os dentes as mãos, e seguir para o pequeno almoço....e....nada....
Foi giro ontem divertiram-se? ainda bem....
Os dias foram passados assim num misto de expectativa e desconfiança, que eram absorvidas pela amizade que nos unia e as brincadeiras que nos divertiam....
Nada, ...nenhuma represália, nada....
Voltamos felizes das ferias das aventuras e das colectas de cágados que trouxemos e vendemos a umas quantas lojas de Lisboa e Cascais. Orgulhosos e felizes pela venda e o dinheiro colectado, logo pensamos numa nova ida ao monte. Logo imaginámos riquezas exuberantes à conta dos cágados!!!
Até que um ou dois anos depois nos contaram....
Sabem porque é que venderam  tão bem os cagados?..... Foram todos limpos e lavados com as vossas escovas de dentes!!!

quarta-feira, janeiro 30, 2013

Pindela

A olhar para o vale verde dos campos onde as vacas por lá pastavam, passeiam agora os cavalos e algumas cabras. A casa, encostada à mata, velha de 600 anos aponta ao por do sol e envolve um terreiro grande como se o abraçasse. No meio, bem no meio, a fonte de três andares com o leão a segurar o escudo de armas daquela, e minha também, família.
A correr ainda pouco sujo junto á grande parede de pedra passa o ribeiro que em tempos atropelava o moinho de onde saia a farinha para alimentar a casa.
De um lado a torre de menagem do outro a capela, ao lado dos portões os Castanheiros da Índia copiam os sons das ondas do mar nas suas folhas ao vento.
Por baixo da torre a passagem para a cavalariça, um túnel alto e estreito por onde os cavalos passavam dá agora passagem ás bicicletas das crianças e aos muitos beagles e outros cães de raça que por ali passam em correrias e tropelias.
no meio do corpo do meio da casa,  umas escadas de granito sobem à porta da entrada protegida pelo alpendre que nos protege das chuvas invernais.
Ao lado cá em baixo por baixo da casa atravessa-se outro túnel que desagua no jardim, cheio de buxos camélias e aquelas gardénias que dão o típico cheiro daquela casa. Sobe-se as escadas também bem cobertas e chegamos à varanda forrada de azulejos com temas de caça, caçadores, cães e bosques. Ali, naquela longa varanda tomávamos o café a seguir ao almoço e o lanche. A olhar para a mata e para a Tílias gigantes lá ao fundo onde o aqueduto desemboca na fonte de S. João.
Passei muitos anos bons durante muito tempo ali naquela casa que não sendo minha faz parte de mim. Lá dentro a família a receber-nos de braços abertos, sorriso fácil e simpatia abastada. Que bom que era!! As saudades que tenho das aventuras na mata, dos mergulhos no lago que mais parece uma pista de remo.
As cavalgadas nos campos a guardar o gado. As idas ao Sobreiro Grosso, pela mata fora beber um fino ás escondidas.
As noites na cozinha, a planear aventuras guerreiras, expedições contra o inimigo imaginário.
As tarde a mudar a cama aos cavalos, a procura dos ovos no galinheiro. As tendas montadas no meio dos bambus. As quedas dos cavalos, a vacaria onde todos os dias tirávamos o leite.
E as noites dormidas naqueles quartos da casa, com namoradeiras á janela. A lareira da sala a arder. A excitação de já termos idade para entrar na sala de armas e passarmos para o terraço á tardinha para ver os campos verdes a dourarem com o sol do fim do dia.
E á noite, o aconchego dos jantares com os primos e os tios todos á volta a rir, rir, rir. A ouvir histórias do Rei, do pescador do marinheiro, do caseiro.
Pindela. foi é e será para mim um bocado grande do que sou. Não é só a casa, não é só a mata, não é só o Aranhiço e a Maestra. É a tia Carrucha o Tio Vicente a Tia Petenu, e os primos todos.
Hoje, não sei porquê deu-me para isto. Talvez esteja a ficar velho, e a ficar longe.....a querer voltar.