terça-feira, dezembro 06, 2011

Ai Portugal Portugal...

Quando nasci o "outro" vivia sentado numa cadeira a pensar que mandava ainda.


Depois morreu, e segundo me contaram deixou um País de rastos, com o peso de uma ditadura cruel e violenta em cima. contaram-me.....


Não se podia ter isqueiro sem ter autorização, disseram-me. Havia uma prisão violenta que matava os inimigos ao regime, contaram-me. Existia uma policia que torturava, explicaram-me....


Morriam portugueses no ultramar numa guerra ignóbil e sem sentido, mostraram-me....


Era um País amordaçado, a viver a preto e branco, cinzento, onde todos eram tristes e perseguidos, ensinaram-me....


Depois, num dia de Abril a primavera chegou!! o povo amordaçado, controlado, perseguido, escorraçado soltou-se saíu à rua gritou revoltou-se e libertou-se, eu vi....


E a partir desse dia Portugal perdeu tudo, perdeu 500 anos de história, perdeu a vergonha, perdeu o respeito, perdeu a honra e a moral. Eu senti....

Mas o povo jubilou!! Estavamos livres tudo vale tudo é permitido.


Tudo o que era do antigamente era mau. Tudo era de todos tudo, não era de ninguém, também senti no pelo....


Até que depois de uns anos à deriva as coisas endireitaram, parecia.... mas o voo durou pouco... e o avião caiu....dizem....



Entre partidos, promessas votos e campanhas parecia que cresciamos.....
Chegou a Europa, que maravilha....chegou a estabilidade...que delicia, iamos ser grandes outra vez...que irrealidade...!!




Passamos a ser membros da Europa!! Espectacular!!

O dinheiro, entrou a rodos, sem termos de produzir nada... deixamos de ser pobres sem nunca termos criado riqueza!! Pelo contrário, esbanjamos, porque poupar era palavra de ordem do gajo das botas.

E o povo, rejubilou!! Carros Novos, Televisões Novas, Casas próprias, telemóveis, cartões de crédito ao desbarato, hipermercados, autoestradas, centros comerciais, Portugal tornou-se num País Moderno como o resto do mundo!!

Pobres??? não havia, e os que havia eram drógados coitados...

Casas, prédios, arranha-ceus, fachadas de vidro iluminadas. Um país virado para o futuro, com um futuro risonho cheio de dinheiro e riqueza para gastar. ninguém pensou em produzir o que fosse, não precisavamos. Tinhamos Doutores, Engenheiros, Politicos, Gestores o País pequeno tornou-se grande, Europeu.

E por trás disso tudo, uma nova classe cresceu surrateiramente, aproveitando a melhor caracteristica dos Portugueses,o desenrascanço, mas usando-a para proveito próprio com a desculpa do progresso sem se responsabilizar pelo futuro.

Subsidios para isto dinheiros para aquilo, os cargos publicos pagos com o dinheiro dos outros passaram a ser os mais bem pagos do mundo...

É a Democracia no seu esplendor.... politico que se preze não serve a Nação, serve-se dela, para proveito próprio. Tudo em nome da Democracia.

...Mas produzir...nada...para quê??



É preciso dar riqueza aos amigos que nada fazem que nada merecem que nada constroiem... e é melhor não esquecer os amigos dos amigos porque são invejosos e antes tê-los calados que revoltados...



e Assim seguiu o País... o povo feliz porque via os seus representantes todos bem vestidos, com carros topo de gama, relógios da melhor relojoaria... e o povo feliz continuava, porque tinha liberdade, podia dizer o que quizesse, fazer o que lhe apetecesse.



Ao mesmo tempo eles , aqueles que lutaram por esses valores, enchem os sacos, continuam bem vestidos, gastam o que não é deles, gerem fortunas de terceiros, ou melhor esbanjam esbanjam esbanjam como se tudo lhes pertencesse.



Mas o povo andava contente! Não andava unido, não interessa andar. Mas andava contente.
Até que tudo estourou!!

E agora? toca de pedir mais, continuar a não produzir, sacar aos que já não têm, sacar aos que têm e vão construindo num País que não os merece. Mas o povo é sereno, e até as vozes do passado se levantam como se tivessem arrependido do que fizeram naquele Abril.

E agora? Resta-nos o Fado? que nem isso é nosso agora, passou a ser da Humanidade....

E agora? Resta-nos o Vinho? Restam-nos os filhos? E agora?
Resta-nos a fé!? ... Talvez...

segunda-feira, maio 30, 2011

Passos Passeios e Passeotas

Cada dia que passo passa mais um dia para chegar ao fim. Espero sempre que esse dia passe depressa, e que seja o mais tarde possivel. Porque o tempo que passa parecer passar depressa demais para se fazer tanta coisa ainda.


parece que o que passou também foi curto e passou depressa. Na verdade hoje em dia passo algum tempo a pensar no que ainda falta e no que ja foi passado.


Do futuro só Deus sabe e a Deus pertence. Mas do passado que Deus me passou e fez passar só posso agradecer.





Descobri que sempre que me embrulho a pensar no passado tenho a impressão que cada vez o tenho mais e mais compartimentado. E a verdade é mesmo essa, o passado passa a fazer parte da nossa vida mas em compartimentos separados que às vezes se ligam ou que as vezes estão isolados ou escondidos.





Na minha ainda curta ( espero) vida tenho muitos compartimentos que os abro de vez em quando para perceber porque é que hoje sou assim e não sou assado....ainda não percebi, mas vou tentando sem grande esforço e com grande gozo. São fases da vida e estas memórias iram ser também uma fase.





A verdade é que até agora, apesar de não o ser, tenho tido uma rica vida rica. Se a riqueza se contasse pelo numero de Amigos, estava trilionário. No Facebook tenho mais de mil "friends". Na vida real, tenho mais de uma mão cheia e não chega a duas.





Se a riqueza se contasse pelas vidas que tenho encontrado e vidas que tenho vivido , então também sou milionário.





Nunca viajei muito. Nunca vivi fora do meu País. Nunca percorri este mundo e o outro. Mas vivi um bocado muito de um bocado de tudo. E isso para mim conta, conta muito.





Nestes tempos que correm todas as semanas procuro novas oportunidades de emprego, novos desafios. Todos me pedem o mesmo, o Curricutum. Acontece que com o que vivi o meu curriculum profissional não espelha o meu curriculum pessoal, e a parte pessoal na vida profissional é para mim muito importante, e cada vez mais importante.





Hoje um curso toda as pessoas têm. Uma carreira de 2 anos em novas empresas, também se arranja, uma subida meteorica a nivel profissional também é facil de encontrar. A diferença hoje está na experiencia pessoal de cada um. Digo eu...não sei.





Mas uma vidinha como a que tenho tido até agora, ninguém a teve!! Só eu.





Em miudo queria ser cavaleiro tauromaquico. O Mestre João Zoio era o meu idolo. Em cima da minha bicicleta no jardim de casa fazia faenas, metia curtos, compridos, violinos!! e a pé pegava o touro que mais não era a minha bicicleta com o guiador virado para a frente!! E Olé!!





O mar não me chamava, aprendi a nadar só aos 10 anos, mas já desde os 4 que andava nos colchões, no barco à vela contruido pelo meu tio, mas não era assim uma coisa que gostasse muito. Depois fui obrigado a gostar, e nunca mais deixei de gostar!! Bendita a hora que me forçaram. é das melhores coisas do mundo!! Um barco à vela e um dia de vento. Não preciso de muito mais para ser feliz.

O Campo atraía-me, o cheiro a terra molhada, os trigos a crescer os milhos a regar, a vinha e as videiras. O cheiro a caruma e a resina dos pinheiros. A terra, toda ele me chamava, e talvez me chame ainda. aí encontro a paz o sossego e o descanço, aí também estou bem.

Depois fui crescendo, e no meio de tanta confusão de gentes pessoas que passam e ficam ou vão comecei a gostar de saír à noite, talvez mais por uma imagem que tinha do que por gosto mesmo, talvez, não sei porque passei muitas noites em claro a rir a divertir-e a correr, a suar a dançar e outras coisas. Mas não encontrei aquele descanço aquela paz aquela sentimento de satisfação. Faltava-me sempre qualquer coisa, nunca era suficiente.

Agora, já a talvez meio caminho do meu caminho, começo a pensar se valeu a pena se fiz o que devia e o que não devia, se ainda vou a tempo para seguir o que me dá paz. E desta vez, acompanhado como deve ser chego a conclusão que ainda há muito para fazer. Só que já encontrei um fim para o caminho. E de certeza quando lá chegar descubro que afinal não é o fim mas um meio ou talvez o principio de outro.

Porque a vida é isso mesmo, continuar a procurar, mas o gozo está na procura e não no achado. O Por isso é que agora vivo um dia de cada vez à espera de nada a olhar o horizonte para não me perder e a gozar cada passo que dou. Ou que damos, já que não ando sozinho.

quarta-feira, março 02, 2011

Um Eusébio no Sporting

Pouco dado a desvaires futebolisticos, mas por imperativos de nome adepto do club da ave de rapina ( águia parece que é...) foi o meu primo convidado para se candidatar à presidencia de um certo club estacionado ali para os lados do lumiar-segunda circular.
O meu primo, que por acaso não é como o meu afilhado Tété que tem um nome igual ao meu. tem um nome igual ao daquele jogador que por troca de botas, parou pelos lados de Benfica em vez de se ter dirigido respeitosamente, digo eu não sei..., para os de Alvalade.
Acontece que tal club, com grandes glorias em outros desportos e achando-se glorioso no departamento de bola no relvado, anda perdido ( não sei se alguma vez se encontrou) por designios assaz estranhos à minha pessoa que não segue nem de perto nem de longe a novela futebolistica nacional e muito menos internacional. Perdido dizia eu , sem um presidente para o encaminhar para futuras glorias....dizem eles...
Assim, e pelo meu primo que não tem o mesmo nome que eu e que o do meu afilhado Tété, venho por este meio oficializar a sua candidatura ao tal dito grande clube verde e branco.

Um Eusébio no Sporting - é o mote principal da campanha. Que tem no seguinte manifesto os principais pontos para ser uma campanha de sucesso:

1- Angariação de novos Sócios. A candidatura "UM EUSÉBIO NO SPORTING" apela a todos os sócios do Spor Lisboa e Benfica, a filiarem-se no Sporting Club de Portugal, de forma a criar uma massa associativa numerosa para que nas eleições votem na candidatura "UM EUSÉBIO NO SPORTING".

2-após vitoria nas eleições a candidatura "UM EUSÉBIO NO SPORTING", irá vender todos os activos e passivos do Sporting Club de Portugal, ao glorioso ( esse sim!!) Sport Lisboa e Benfica, pelo valor extraordinário e acima de mercado de 0,42€.
De forma a que o glorioso possa por fim ter um campo de treino perto do seu local, passando toda a estructura existente no Seixal, para o estádio adquirido.

3.Tendo consciencia que as instalações adquiridas, são mesmo assim inadequadas para o treino das equipas do Sport Lisboa e Benfica, toma a candidatura "UM EUSÉBIO NO SPORTING" o compromisso de em breve remodelar todas as instalações começando pela cor "verde escarreta e amarelo foge que é feio" além de obras estructurais.

4-de forma a preservar o espolio existente dos troféus, a candidatura "UM EUSÉBIO NO SPORTING" irá manter uma area museologica.

Prontos, foi isto que o meu primo Eusébio pediu para divulgar. Pessoalmente e apesar de ser meu primo, não concordo muito com a campanha e o programa.... mas até não desgosto totalmente. Acho que falta um espaço para a águia Victoria, poder voar de novo como deveria fazer, sem confusões e outras complicações.....

segunda-feira, janeiro 17, 2011

A Praia

Aquela praia embora não sendo minha, foi nossa durante muitos anos. Mas não era só a praia, era a casa também. E não era só a casa, eram as gentes que todos os Verões lá estavam, lá passavam lá almoçavam lá jantavam.
E não era só as gentes, era a varanda, o vento a vista, os cheiros. E também não era só isso. Era o farol de um lado e o pontão do cais sul do outro.
Eram as bolas de Berlim, eram os caracóis da tasquinha do lado, as famosas sandes de coiratos na roulote.
Eram as bicicletas e as corridas à volta da casa. Era a arrecadação a divisão mais importante e divertida da casa das gentes dos primos dos tios.
Eram os Verões , os banhos, as almoçaradas debaixo das arcadas, as jantaradas ao som das cigarras com o cheirinho de um fim de dia passado em banhos de água do mar. Aquele cheiro de fim de tarde, aquela luz de principio da noite. Eram os cedros a perfumar o ar, a cantarem com a nortada.
Eram aqueles dias de calmaria com o calor a bater no terreiro, todo ele ancinhado e regado na véspera ao fim do dia, para não entrar o pó.
Eram aquelas manhãs com o sol em frente o mar a brilhar.
Naquela casa entrava a Lua, entrava mesmo! marcava no mar um caminho com reflexos que batiam nos vidros da sala.
E aquela praia, só nossa sem ser nossa. E aquela rocha com degraus e bancos e aquela escada com corrimão. E aquela areia onde se faziam corridas de caricas, corridas de caranguejos. onde se aparelhavam os barcos.
E o cheirinho do pão molhado no pequeno almoço com café com leite tomado na copa com o sol a chamar-nos lá fora.
Era toda uma vida, todos os Verões todos os anos durante anos.
E eram os Natais também, o barulho das lareiras acesas o cheiro a encerado daquelas portas daqueles corredores, o cheiro dos petromax.
O calor daquele presépio todos os anos diferente, todos os anos enorme naquela sala, naquele escritório.
E era o barulho dos trincos das portas, do elevador dos pratos, da fechadura da porta de entrada.
E a chuva e o frio e o vento lá fora, a bater nos vidros das janelas protegidas pelas rótulas aos quadradinhos. E foi tão bom assim durante anos e mais anos.

E o jardim? e a guarita? e a mesa de pedra? e o banco no canto do jardim ao pé da ponte? e os cactos e as piteiras? e o chorão que teimava a crescer pelo chão?

Não era só a praia... foi toda uma vida.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

D. Diogo

As voltas que as nossas vidas dão fazem-nos por vezes cruzar com certas personagens que não damos importância, mas que sem querermos acompanham-nos lado a lado como uma sombra sem notarmos.
D. Diogo é uma dessas personagens, desde cedo sem saber tivemos as nossas vidas partilhadas e continuamos a ter. Ou pelo mesmo autocarro que apanhamos, ou pela mesma equipa de rugby, ou pelo trabalho, ou pelos amigos que nos vão aparecendo.
Neste caso foi um bocado de tudo. D. Diogo desde menino partilhava comigo a paixão do rugby e por acaso da vida jogamos no mesmo clube, ele nos mais novos, por o ser assim toda a vida, eu pelos mais velho por o assim ser a vida toda.
Em comum tínhamos o rugby, o clube e o autocarro que partilhávamos sempre que voltávamos dos treinos, sujos cheios de lama.
depois crescemos e cada vida tomou o seu rumo, mas sem sabermos sempre lado a lado sem nos tocarmos. Ele continua ferrenho apaixonado pelo desporto, eu já nem tanto...
Às vezes de vez em quando lá nos cruzávamos numa noite, num balcão do bar, numa festa de anos e de novo seguíamos o nosso caminho.
Já mais tarde dei por ele ao balcão do restaurante Estufa Real. Sem sabermos ficamos a saber que nos tornávamos membros do mesmo clube profissional, da mesma empresa. Foi um reencontro dos encontros passados.
De novo estávamos no mesmo caminho, de novo em caminhos paralelos, cruzávamos nos corredores, nas viagens nas almoçaradas. Discutíamos nas decisões, discutíamos nas preocupações, mas partilhávamos uma amizade.
E a amizade cresceu, embora não nos cruzássemos muito como amigos.
D. Diogo de novo seguiu outro caminho, rumou a Norte, á mesma cidade de onde alguns anos antes eu já tinha subido e retornado. D. Diogo subiu, e sumiu.
Fui sabendo dele por intermédias pessoas, amigos comuns, e pouco mais.
Depois voltou de novo e de novo nos cruzamos. Chamou-me para um almoço no Piazza di Mare.
Chamei-o para o meu casamento, junto com todos os nossos amigos comuns. Era um amigo e os amigos não se esquecem.
D. Diogo, também não se esqueceu, e como um anjo da guarda, sem perceber. Estendeu-me a mão quando precisei. Ao contrário de pessoas que julgava bons amigos. D. Diogo mostrou o verdadeiro valor de amizade. A responsabilidade foi grande, um Amigo destes não pode ser nunca desacreditado. Aceitei o desafio, e espero não o ter defraudado.
D. Diogo prosseguiu de novo por um novo caminho, mas nestes últimos dois anos, sem perceber mostrou-me que ainda existem pessoas de bem em Portugal.
D. Diogo é um deles. Sem o perceber, apoiou-me em horas difíceis, estendeu-me o braço, chamou-me à razão, mostrou-me o valor dos princípios que os nossos Pais e Avós nos passaram.
Sem perceber deu-me força para seguir em frente, para acreditar.
D. Diogo seguiu de novo, mas desta vez sei bem onde vai.
Montou num cavalo Lazão, calçou botas de camurça ruça e nelas enfiou um esporão!

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Foi assim....

Naquela tarde andava meio cabisbaixo. Assim murcho mas sem ser do frio.
Era um sexta feira e as aulas estavam a chegar ao fim de semana, a folia começava a instalar-se. Como de costume, todas as semanas, às sextas feiras antes do jantar e depois das aulas apanhava o 38 para fazer o percurso todo até ao Estádio Universitario.
Éramos sempre os mesmo 3 que apanhávamos aquele autocarro. Éramos amigos, colegas de escola, companheiros de equipa. Jogávamos no S. Miguel, jogávamos rugby, aprendíamos a crescer juntos ainda. Esta sexta era igual a muitas outras passadas, mas já há uns dias que andava cabisbaixo.
Não fazia um mês e tinha morrido a minha Avó. Daquelas avós que todos temos e que são só nossas apesar de sermos muitos netos e todos queridos.
A minha avó tinha sido minha, muito minha, era com ela que tinha vivido até aos 11 anos, era com ela que tinha aprendido que o Pai Natal não existe, que Jesus nasceu numa manjedoura e morreu na cruz. Que estar sentado à mesa com os cotovelos em cima é feio e não se faz, que se agradece sempre. Que nunca se diz que não. Era a minha avó, aquela que me ensinava inglês depois de vir das aulas, aquela que me coseu o cobertor para o Menino Jesus não ter frio no presépio à noite quando se apagava a lamparina de azeite. Era a minha avó que tinha a gaveta das nossas bolachas e chocolates, só dela, só nossos.
Tinha morrido, e eu andava cabisbaixo. A primavera estava a chegar, era 8 de Abril de 1988, era sexta feira e estava no autocarro a ir para o treino. Tínhamos jogo no sábado, para a taça de Portugal, estávamos bem lançados para a ganhar, tínhamos que a ganhar. Pelo S. Miguel, pelo club, pelos amigos e por nós.
O treino correu bem, e pegamos nos sacos, directos dos balneários. Não tomávamos duche naquela altura, chegávamos a casa todos sujos, sujávamos o autocarro, divirtiamo-nos a atirar bolas de lama aos transeuntes, éramos miúdos ainda.
O Jantar estava á minha espera. Depois do banho, sentei-me à mesa em casa. pensava na minha avó andava cabisbaixo, tinha morrido à pouco menos de 1 mês. Acabei de jantar e resolvi ir ver televisão, eram umas 11.00 da noite, a minha querida Mãe e o meu Padrasto, foram-se deitar. fui para o quarto ler.
Era sexta feira 8 de Abril, sozinho no quarto, resolvi telefonar aos meus amigos. Vamos aqui, vamos ali, vamos até ao Golo beber umas imperiais antes de ir para o Bananas.
O Bananas, aquele monstro, aquela catedral onde todos queriam entrar, passar as portas, brilhar entre os amigos, uns com os cartões dos pais, outros pela mão dos irmãos, dos tios, dos primos.
Entrar no Bananas era um dos pontos altos da noite. Não pagar a entrada era o clímax!!
Podíamos orgulhosamente dizer, "entrei...e não paguei!!". Poucos conseguiam o feito. E quando o faziam, não tinham adquirido nenhum estatuto eterno. Para a semana o desafio era o mesmo...

Saiamos dali do Golo, aquela bela cervejaria cheia de cascas de tremoços no chão a cheirar a cerveja azeda, com as mesas peganhentas, as cadeiras amachucadas. Onde as imperiais a 50 escudos faziam os preliminares para o Bananas. O desafio era gastar o suficiente no Golo, para entrarmos no Bananas, se gastássemos demais, entrar no Bananas sem pagar ainda trazia um gozo maior!! Gastar no Bananas era fundamental, ninguém podia ser apanhado sem copo na mão. Passávamos as noites a dançar, a pista era o nosso refugio, ali não podia haver copos. Ali estávamos salvos.

Naquela noite estava cabisbaixo, em vez das imperiais, deram-me uns bagaços, acho que eram. O meu amigo Titão quis animar-me. Bora lá vamos pó Bananas. E fomos.

Na porta sempre a mesma multidão sempre os mesmos. Respirei fundo e disse, Titão, vamos até ao Ad Lib, era 1 da manhã mais coisa menos coisa... Vamos lá, quero ir conhecer o meu Pai!

O Titão olhou, conhecia a história que não o conhecia. Viu que estava a falar a sério, dentro do sério que podia estar com dois bagaços. E fomos. o 27 passava perto, como passava em todo o lado em Lisboa.

Chegámos os dois, não tínhamos 18, não podíamos entrar, não éramos clientes, mas tinhas uma grande cunha! o meu Pai tinha sido dono, era agora o gerente, não nos iam impedir de entrar.

Mas impediram. e explicaram, não temos idade nem ninguém deu o recado que íamos lá. fiquei triste, não era ainda desta vez. Mas logo a seguir o porteiro explicou. " O seu Pai, também ainda não está cá, está no 37 no restaurante dele, se lá quiser ir chamo um táxi, mas não lhe diga que fui eu que disse...sabe como ele é..." ; "Não sei..." respondi, agradeci.

Coincidencia!! Coincidencia!!, Não há coincidencias como diz a minha querida Maggie. O 37 era da tia do Titão também. Era fácil lá chegar. Somos miúdos, fomos a pé do Marquês à Lapa, naquela altura e aquelas horas era fácil.

As pernas começaram a tremer, não pelo treino de 3 horas de rugby, não pelo andar. Mas à medida que andávamos para a o Restaurante, os nervos começavam a apertar...
... e o que vai acontecer??
...e se diz que não sabe quem sou?
...e se diz que não quer saber, que não tem nada a haver com isso?....

Mas, e se diz olá? e chora e me abraça e fica contente? e me chama filho?.

Já o tinha visto há um tempo atrás no enterro de um parente, na altura a minha Mãe virou-se e disse, aquele ali alto com a sra. velhinha ao lado é o seu Pai e a sua Avó. ( a outra minha avó.)
Desde esse dia que lhe quis apertar a mão, dar-lhe um beijo. Ia ser hoje, ia ser agora!! ou talvez não...

Chegamos ao restaurante, Rua S. Caetano 37, a abarrotar, cheio e maior fosse mais cheio estaria. Éramos miúdos, era fácil passar pela multidão que se apinhava no balcão à espera de mesa para comer o famoso Bife na pedra.

Lá estava ele, de cigarro na mão e copo no balcão.
Cheguei perto, toquei-lhe no ombro, voltou-se e olhou-me.
Olhamos os dois, e um segundo depois que pareceu uma vida inteira disse-lhe a forçar para que a voz não tremesse.

"Olá!, Não sabe quem eu sou, mas sou seu filho!...."

Esperei, tremi, suei,esperei, e mal ter acabado de falar respondeu.

"Finalmente! Até que enfim!!, desculpa!!"

terça-feira, dezembro 07, 2010

Lições de Vida

Foi já há uns quantos anos, não sei mesmo quantos mas há alguns tantos ou mais do que aqueles que me lembro.
Foi antes do almoço, uns minutos antes, foi no Inverno, estava um Sol radiante, um dia daqueles carregado de frio com um azul delirante.
Foi no jardim em frente da casa, com uma vista deslumbrante para a planície, apontada a sul, sem ter fim. Era Inverno já disse, o campo estava verde, carregado de tons de verde escuro, verde claro e verde verde.
No jardim, em frente à casa virada ao Sol, estava um lago, que ainda lá está. Um lago redondo, talvez seja mais um tanque, ou uma fonte do que um lago. Lá dentro uns peixes daqueles pintalgados, bem grandes, vim a saber, eram carpas koi. O Lago, ou tanque ou fonte é quadrado com os cantos cortados, em cada canto uma roseira, tímida a crescer, ou recolhida pelo frio. Junto de cada uma delas, uma cana a segurar-lhes e a dar amparo.
Estava frio era antes do almoço. resolvi dar um salto do sofá e saltar para o jardim espreitar o lago.
No meio do frio vi os peixes dentro de água, eram grandes e eu um miúdo ainda, a aprender a crescer com outros amigos, novos também, mas daqueles que ainda amigos são. A casa era do pai deles. Tinham tudo , perderam tudo recuperaram tudo, e aquela casa teve a mesma história, completamente desfeita pelas ondas revolucionárias, foi refeita pelas ondas da persistencia e do trabalho do pai.
A casa estava ainda a recuperar do temporal pós Abrilista, tudo nela respirava a orgulho, cada pedra do jardim, cada roseira no canteiro, cada peixe, tudo. mal entravamos na Quinta, éramos envolvido por uma sensação de um honroso renascimento, de uma luta ganha.
Cheguei junto ao lago e quis brincar com os peixes, atirei pedrinhas, arranjei um pão duro na cozinha e despejei migalhas, ali estive pouco mais de 20 minutos à volta dos peixes, que subiam, desciam, iam e voltavam curiosos a ver o que lhes deitava na água. Por fim resolvi pegar numa cana das roseiras, espetei um bocado maior de pão e mergulhei a cana na água para ir brincando com eles.
De repente, ali da soleira da sala da casa que dá para o jardim virado ao sol onde estava o lago, chamaram-me para a mesa. Todos estavam à minha espera, entre 20 pessoas, adultas e mais crianças, eu, um convidado daquela casa, daquela família estava a fazer esperar toda a gente...

Tremi, tentei espetar a cana uma vez, duas e três, e nada, caiu para o lado. À quarta vez espetei com mais força, e corri para a mesa, olhei para trás e vi a cana a cair no chão, encolhi os ombro, pensei "que se lixe é só uma cana...".

Entrei na casa de jantar com todos à minha espera, era cozido, estava frio lá fora e o cozido já começava a arrefecer. Pedi desculpa à dona da casa, à mãe dos meus amigos que me tinham convidado pela segunda vez. Não houve problema. Até que o pai, me disse.
"Só te sentas à mesa depois de ires lá fora por a cana no sitio. Estive a ver-te brincar e viste que a cana caiu e não voltaste para trás. Agora vais lá por a cana no sitio e só voltas quando ela estiver posta como deve ser.
Primeiro não tinhas nada que tirar a cana do sitio. Se estava ali, foi porque alguém a pôs e teve trabalho a pô-la, não é assim que se trata o trabalho dos outros. Tens que ter respeito".

Voltei a por a cana no sitio. Nunca mais me esqueci. Tinha 12 Anos, e aprendi assim a respeitar o trabalhos das outras pessoas.

José Manuel de Mello, foi quem me deu a lição. Bem Haja

quinta-feira, novembro 11, 2010

16 Anos depois ainda o Manecas

Eram mais ou menos 10 e pouco da manhã. Estava num curso de vendas de produtos ultragongelados quando o telefone da sala de reuniões tocou.
Chamaram o meu nome, atendi, era a minha Mãe a dar a noticia. Aquela noticia que já tinha recebido uns meses antes sobre o meu padrasto que foi meu Pai. Só que desta vez a noticia era sobre o senhor meu Pai mesmo.

Já estava à espera a qualquer momento da noticia, achava-me preparado, sabia o que esperava, porque já tinha passado pelo mesmo. Pelo menos achava eu.
Por isso não estava preocupado assim por aí além, estava conformado, é o ciclo natural, tudo se iria repetir.

Mas não, desta vez a noticia caiu com força, um nó na garganta apertou-me a voz, fiz força para conter as lágrimas e manter-me em pé. Mas não fui capaz. Mal desliguei o telefone, o Dr. Palestrante para mostrar autoridade falou:
- Desta vez passa, mas não posso deixar interromper mais vezes a palestra com telefonemas pessoais.

De pronto respondi-lhe. Não se preocupe, não me vai interromper mais, foi só o meu Pai que morreu. E Saí.

Até hoje aquele só o meu pai, transformou-se em muita coisa. Não tinha sido só o meu Pai. Tinha sido para muita gente, bem mais aquela que imaginava e imagino, um amigo que tinha morrido.
Passados 16 anos, todos os dias ele aparece-me a dar-me conselhos ou palmadinhas nas costas como costumava fazer.

Não tinha sido um bom pai, aliás não tinha sido nem foi um Pai como deve ser. Mas foi o meu, durante os 6 anos que o tive comigo. Graças a Deus, como Pai que me criou tive mais que um, e todos os dias lembro-me deles também.

Não foi um pai exemplar para um filho, mas pelo que tenho vindo a saber, foi uma pessoa exemplar para muita gente. Fez muita asneira, não foi correcto com muitas pessoas... Mas a verdade é que para muitos foi um amigo, um companheiro, um pilar e um exemplo.

Talvez tenha sido um grande homem, para muita gente. Para mim foi e ainda é. E é dificil tentar ignorar que tenha sido um bom homem, porque todos os dias alguém , que muitas vezes não conheço, vem ter comigo e diz..."era muito amigo do teu Pai!".

Ao principio estranhei e desconfiei, não acreditava que fossem todos amigos dele, mas a verdade é que, 16 anos depois, mesmo nos confins de um canto qualquer do mundo a frase aparece-me por algum ilustre desconhecido. Hoje em dia acredito que realmente tinha muitos amigos. Não Grandes Amigos, que esses felizmente sei quem são e foram. Mas que os tinha tinha.

Na altura que o conheci, já eu tinha 18 anos, comecei a tratá-lo por Velho, não por sê-lo ou parecê-lo, mas porque os amigos assim o tratavam também.

Era apanágio todos os finais de noite, irmos ter com o Velho, ali na rua do Olival, onde estava sempre encostado ao balcão com dois maços de marlboro abertos e um copo de whisky on the rocks cheio. Sempre com um sorriso na boca e os braços abertos para nos receber num grande abraço.
É assim que me quero lembrar dele, é assim que não me quero esquecer dele.

Para muitos foi o Manecas.
Para mim foi o meu Pai, o Velho. Não foi um pai, mas o que foi gostei.

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quinta-feira, outubro 21, 2010

Dois em 1

Se a moda pega, e parece que está cada vez mais a pegar, vamos por um caminho bastante interessante...

À conta de tanto escandalo, tanta pouca vergonha tanda desavorgonhaça, tanta...sei lá o quê estão cada vez mais, os politicos , os governantes os ministros e outros tantos fideputasruins, a usar o metod dos jogadores da bola.

Falar na terceira pessoa, só que estes, em vez disso, falam na segunda ou terceira ou quinta ou mesmo sexta(depende dos empregos e jobs que conseguem acumular) figura contratual.

-O sr. Ministro das finanças acha bem o que o estado está a fazer com as contas publicas? e as cobranças de impostos?

-Bem...eu como ministro acho bem!! mas como cidadão já não concordo!! É um roubo!! Mas sabe, o ladrão sou eu... quer dizer , eu como ministro, não como cidadão.

-Mas quando é que é ministro quando é que é cidadão?

-Atão isso é facil, geralmente sou ministro. Só quando calah é que sou cidadão. Sou sempre cidadão quando estou a dormir, isso não tenha duvidas!!

-Ahhh pois, compreendo, se fosse ministro quando se deitasse aposto que não dormia...

-Lá está!! Tá ver? É isso mesmo. Quando me deito sou cidadão, e adormeço a pensar a sorte que tenho de não ser ministro naquela altura. Depois quand me alevanto, ainda sou cidadão, mas mal me sento na pia, transformo-me em ministro, ainda não sei muito bem porquê... mas dá-me o click e tunga fico ministro, no banho sou ministro, é a aprte do dia em que ser ministro é melhor, fico ali com a água a correr a pensar onde vou roubar mais os cidadãos....
No carro com o motorista, aí sou cidadão, para estar ao nivel do motorista.

-Haaa sobe de nivel então!!.....

quinta-feira, setembro 30, 2010

À que virar o bico à Pedra

Xiii o que práqui bái de esterismo. Hoje alebantei-me erão práí umas cinco e meia da manhã, proque o raio do sr. bisconde deu as instrussões ao Valério Gomes o nosso capataz que queria que as cabalarissas focem todas alimpas e postas a brilhar que o bisconde ia convidar uma gente da sua laia que são todos titulares de nomes e titalus importantes...lá pra eles qu'eu pra mim importante importante é o sr. Bisconde não saber que às vezes salto prá monda de feno ca sua cunhada...

Erão já seis e meia quando cumessei a limpar as cabalariças, larguei os cavalos no campo para correrem um bocado, fiquei aflito qu'aquelas pilecas já tão velhas e qualquer dia menos agente espera caiem pro lado com um afarto do coração, tadinhos dos bichos.

Pelo que o Valério Gomes me disse o Visconde anda todo atarefado. Pediu para lhe enxermos a casa com comida. Foi por isso que lá deichamos 3 javalis e 60 perdizes, que o visconde julga que caçou no outro dia.... se ele sabe que 2 javalis e 78 perdizes foram parar a casa do Ramiro Jacinto, o pastor que andou a fazer de batedor mais a gente...e que só demos aquilo ao Visconde.... a sorte é que o Ramiro é cá da gente e não vai contar nada, também se contar, tá em sarilhos porque ca divisão ele ficou com 1 javali e 30 perdizes...
O que interessa é deixar o Visconde contente.
Contou-me a dona Maria, a cozinheira, que o homem lhe pediu para fazer uma feijoada de faizão.... a Dona Maria fez a feijoada...mas o faizão.... é coisa que há muito tempo não vai à mesa do visconde... sempre que há faizão, aparece na mesa uma mistura de pato e galo na mesa dele.
O próprio do faizão esse, ou esses ficam sempre na cozinha à disposição dos lavradores e demais pessoal da casa...é um pitéu...tal qual a cunhada do Visconde...

Tivemos ainda que por uma mesa corrida na adega porque o Visconde quer lá fazer a cerimónia do vinho novo. Aqui é que a gente se ia intalando, não fosse o meu mai novo que tem amizade com o capataz das terras do lado das do sr. Visconde, estavamos assim um bocado atrapalhados. Lá nos dispensou uma pipa com vinho avinagrado a que deitamos umas boas enfuzas de água açucarada, até parece que o vinho é daqueles de coleccionadores... Tá todo engarrafadinho como mandou o Visconde... o vinho novo também tá todo engarrafadinho, mas em casa da nossa gentes...

lá nos safamos amais uma vez, isto cada ano que passa vai ficando mais dificil de conturnar as coisas, mas a gente o que quer é ver o Vsconde feliz, assim não ficamos com penas de lhe adisfarçar das coisas boas lá da casa para as nossas.

Assim como assim o Visconde até qué um homem de bom coração e boa gente, mas a gente não faz por mal, é assim tipo uma partida de carnaval...já dura vai é pra mais de 15 anos....

Fado ao Barão de Navarra

Por ocasião dos seus 45 Anos, uma adaptação do Fado do Estudante.



Fado do Vasquinho

Que bela peça está aqui
Tal qual barril d’agu ‘ardente
Ai que saudades temos de ti
Quando nem sequer eras gente


Nesse saudaz tempo de amor
Nada para ti era melhor
Que um contentor com resmas de raparigas


De peito ao ar botim ao léu
Vivias tu lá no laréu
sem te ralares
e tudo mais eram cantigas


Nenhuma delas te prendeu
Com força aos pés da cama
Até ao dia em que apareceu
Um Maganão lá d’Alfama

Sempre sentado num carrão
Botim de pele com tacão
Vinhas a rir com um bidão e ar descarado
Pra emborcar um pouco mais
Ias dançar para os arraias
Pra namorar beber folgar cantar o fado


Recordo agora com saudade
As coparias qu’ele bebia
Eram barricas sem idade
Da melhor enologia

Evoco em mim recordações
que não têm fim desses serões
No botequim daquele lagar de má fama
Noites passadas a cantar
Entravas sempre cheio de classe
Onde bebias sete dias por semana...

Ao Vasco vai toda a minha fé
Em amizade e simpatia
É nobre no trato e até
A cantar fado atrofia

Quando é chamado tem pavor
Mesmo desafinado e sem rigor
Tens medo ò Vasco mas ninguém há que te resista
É o nosso amigo popular
tem emoção faz-nos calar
e eis a razão de estar cá hoje ò meu artista!!

Há Festa na Pedra!!

Hoje acordei mais tarde, fui ver a aranha do primo Velho...oxalá trouxesse algum dinheiro, não a encontrei. Deve ter ido montar a teia noutro canto mais escondido.

Começam hoje por aqui os preparativos para o grande fim de semana que se adivinha.
100 Anos de Luto, é uma data importante que tem de ser celebrada.
E nesta casa as celebrações obrigam a comemorações.
Os cavalos neste momento já seguiram para o prado. Estão à solta para esticarem as pernas e rebolarem no pó como que estivessem num spa a fazer esfoliação.
Os moços de estrebaria, aproveitam e estão a limpar as cavalariças, camas novas, ração redobrada, um banho e barrela ao chão e às manjedouras. O Ti Manel está a dar retoques nas pinturas e o seu filho mais novo, o Narciso, a concertas as gambiarras e os candeeiros.

A partir de hoje a casa vai ficar iluminada até dia 4 à meia-noite. À meia noite e um minuto tudo se apagará. o escuro vai voltar, para acompanhar a escuridão destes últimos 100 anos.
A Bandeira Azul e Branca vai descer a meia haste e vai-se cantar o fado.

O patio está a ser varrido das primeiras folhas de Outono, com o barulho tipico da vassoura de tojo do sr. João.
No jardim, ajardinado, a carranca vai ser ligada para se ouvir a água a correr. Pára também à meia-noite.

Foram mortos 3 javalis e 60 perdizes nestes últimos dois dias. Está cheia a despensa. Na cozinha a azáfama começou cedo e a menina Maria, cozinheira de mão cheia está já a preparar a feijoada de faizão, para ser servida daqui a dois dias...nada como uma feijoada apurada.

Os convivas começam a chegar já hoje. O Barão de Navarra, no seu elegante porte e altivez, sempre com os seus botins imaculadamente encebados enviou um telegrama a confirmar a chegada hoje pelas 4 da tarde. A sua mulher, a Baronesa de Lavra, chega sábado de manhã no primeiro comboio.

Os Marqueses de Fofo também confirmaram a presença. Vêm com a viola e a guitarra portuguesa para animar os serões. Foi providenciado o melhor quarto da casa, com vista para a mata, sobre as parreiras das vinhas.

Na adega o Jacinto da Bilha começou a engarrafar as 240 garrafas do vinho da última pipa. O rótulo azul e branco com o brasão da familia vai ser colocado ainda esta tarde. Assim que engarrafar o vinho vai limpar a adega e encher o lagar com petalas de flores, azuis e brancas, claro está.
A primeira ceia e a cerimónia da abertura do vinho vai ser feita na adega, que já está quase toda engalanada, e montada uma mesa corrida entre as barricas e os toneis. Este ano as tochas a petróleo foram reforçadas para dar mais luz e calor que as noites já começam a arrefecer.

Sexta feira à noite chega D. Inês, Condessa do Baleal, ainda não sabe se vem com a sua querida amiga a Viscondessa de Lourenço Marques, que se encontra ainda adoentada.

No Domingo, por entre as horas do pequeno almoço e o Almoço, junta-se aos convivas o Visconde Estorninho, eximio esgrimista, um apaixonado pela viola de fado e excelente contador de Estórias.

A companhia está quase completa, ainda não há noticias do Conde de Bergerac, acabado de vir de uma viagem de circunnavegação, encontra-se ainda a recuperar de uma doenca venerea apanhada junto às praias da Polinesia Francesa, junto com o seu adido cultural o benemérito Duque de Moledo e Vital.

As celebrações vão ser importantes e esfusiantes. Pela tristeza das celebrações oficiais aos 100 da Republica mas principalmente pela alegria do conbibio!!

Vivá Monarquia e tal e coiso!!

quarta-feira, setembro 29, 2010

Uma Pedra Furada no sapato

Cheguei ontem já o sol se escondia por detrás do S. Miguel. A primeira coisa a fazer, claro está foi, ir à fonte buer aquela água que só aqui é que há. Depois inspirar fundo e sentir todos os cheiros que me são queridos. Passou quase um ano sem cá ter vindo e já estava a entrar em parafuso.
A casa impecável como sempre deu-me as boas vindas com um ranger das madeiras e o ladrar do Bau Dai.
Arrumei a tralha toda porque não tarde chega a Dáma e desarrumações não é com ela. Se me visse agora... de pijama na casa de jantar a tomar o pequeno almoço vindo directo da cama, também não ia gostar. Mas estou sozinho e ninguém vai saber.
Lá fora o dia apareceu frio, a mostrar que o outono já aí está, e vai ser preciso um agasalho mais do que aquilo que estava à espera. Já abri as janelas para entrar a luz, já vi o melro a jogar ás escondidas no buxo. O galo já cantou as galinhas já andam cá fora. Na Mata, que está verde e imaculada dos fogos que à volta arderam os carvalhos ainda não acastanharam os castanheiros carregados de ouriços prontos a serem abertos daqui a mais algum tempo. O plátano e o carvalho do Canadá ainda têm o verde do verão mas já se nota nas pontas algumas folhas menos verdes.
As ramadas à volta da casa, já sem os cachos de uvas estão a dourar ao sol, umas mais que outras, mas ainda todas cheias de folhas.
Hoje vou espreitar os figos, dar um salto à poça para ver a água, sentar-me na pedrafurada para descobrir um esquilo e quiçá subir ao pico.
Tenho que encontrar os peixes as carpas que o meu amigo Barão de Navarra, me ofereceu à um ano atrás.
O lago está limpo e cheio, o jardim ajardinado e o pátio arrumado. Tudo num sossego e descanso daqueles que me fazem preguiçoso, haaa mas sabe tão bem!!
Dentro de casa nada mudou, tudo no seu lugar, tudo impecável como à tantos anos tem estado. A luz eléctrica e a sua instalação é nova, novinha mesmo e a diferença para melhor nota-se.

Não me posso esquecer de ir provar o vinho. Que como me dizem todos os anos... "Tá buom menino!" , é um sacrifício que tem de ser feito. Vinho tinto verde, de vinhas velhas e outras menos novas, feito como se fazia à cem anos atrás, pisado a pé, ralado no ralador manual, fermentado ao ar e filtrado na bica. Não envelhece em toneis, não estagia em barricas de carvalho francês, não é fermentado com controlo de temperatura, não tem os aromas a blá blá, nem é bom para acompanhar isto ou aquilo.
Não aparece nas grandes garrafeiras nem à mesa de ministros e generais. Ninguém fala nele nas provas e feiras de vinho. Não é preciso. Um néctar destes, só pode mesmo ser servido para quem gosta.
Mas é nosso, vem da nossa terra das nossas vinhas da nossa adega.

è aqui que me sinto em casa, é este o meu bocado do mundo. E embora não seja mesmo meu, é por aqui que me reencontro e recarrego para voltar para aquela vida sem nexo.

segunda-feira, setembro 06, 2010

o Velho Primo Velho

Tinha prái uns poucos anos aquando a minha aparição por estes mundos se deu. Não m'alembra muito bem ( nem mal ) do meu primo mais velho naquela altura...(devia ser da idade).

Sempre olhei para ele como um gajo velho, mais velho, importante, filho do tio mais velho importantíssimo. Andava sempre á volta das vespas das solex das motas e de motores.

Quando os manos iam para o mar velejar ele fica lá por casa a ouvir os motores no autódromo, com a nortada o som chegava á varanda e ouviamos as largadas e os despistes ás vezes. Volta não volta, que era quase sempre metia-se na mota que tinha à mão e lá ia o rapaz ver aqueles cavalos a assapar.

A primeira recordação que tenho dele não é com motos nem com barcos. É com pinheiros na mata a subir ao monte...acho que que nunca mais o vi por aquelas bandas....

Depois, à medida que ia crescendo lá me fui lembrando do gajo mais a miude.... do casamento mal me lembro mas lembro-me da Miúda. Ele de bigode à reaccionario ela de saia-casaco à época. Ele deixou crescer a barba ela deixou o saia casaco.

Lembro-me também duma certa mota amarela que teve e que o fez saltar por cima de um táxi na rotunda de Cascais, foi um escândalo!! o Gajo tinha que deixar as motas os carros os motores e os tractores...foi difícil, lá largou a mota mas o resto.... ainda hoje não consegue largar o vruuummm vruuummm, e como tem uns primos que fazem disso profissão não os larga quando carregam no acelerador em Le Mans, ou noutros sítios.

Levou-me pela primeira vez a ver um rallie, ali para Alcabideche, apanhei tamanho cagaço com o "tubro lá para cima a assapar" que do rallye só me lembro de ver um carro quase em cima de mim...não fosse um buraco das águas onde me escondi, acho que hoje não estava aqui... Mas gostei daquilo também, do cheiro da gasolina do guinchar dos pneus... por causa disso já bati alguns rallyes por este Portugal a fora.

o Ultimo que fui também foi com ele, ver passar o Dakar em casa dos primos... um luxo...

Foi com ele também que ainda fui um ano ou dois ao Estoril ver a Formula 1 no peão sul...belas mines e coiratos.

Coiratos e Torresmos também foi ele que me ensinou a gostar. Ali de fronte a casa atravessando a rua antes da ponte na camionete do ...(não m'alembra o nome). Íamos lá à tarde lanchar...ás vezes que o dinheiro não chegava para grandes patuscadas.... Ma ir com o Primo mais velho tinha uma granda pinta!!

Entretantos crescemos os dois, eu em altura primeiro e depois em largura, ele também foi...diminuindo o tadinho...hoje quando me fala olha para cima e eu para baixo... continua a ser o primo mais velho...mas não é aquela coisa do Primo mais velho...basicamente tá um puto como eu. E por isso virou o PrimoVelho!!.

Tive a sorte de ter corrido duas vezes no circuito do Vasco Sameiro em Ford Fiesta, com um amigo dele uma vez. E ter feito algumas corridas valentes de kart, onde me lembrava sempre que ele teria gostado de participar. Mas agora...com o adiantado da idade não sei se será boa ideia marcarmos uns karts para nos picarmos...

Continua a ser uma ganda pinta estar com ele, ora á volta do sobe e desce dos barcos no clube e na marina ora á volta dos pratos de sardinha que devoramos acompanhados pelo Marmota e pelo vinho branco de pressão... dá com cada azia, que nos desculpamos nos pimentos...

Este ano por acasos o sardinhame tem sido parco. Pelas ocasiões que não nos têm sido favoráveis...cada um tem sardinhado à sua vez, mas juntos só naquela tarde enublada no Baleal ( é costume....as nuvens).

É por isso e com o acabar da época que este anos temos que fazer uma sardinhada aprimalhada como deve ser. estou á espera de tempo ( e de bom tempo também) para marcar a dita no Grelhador que pelos 40 anos ele e mais uns quantos me ofereceram e já está montado na casa da minha querida esposia.

Vamos lá ver se conseguimos por tudo em pratos limpos porque Velho ou não Velho, o gajo é o meu PrimoVelho e tem uma ganda pinta ter um primo velho como ele.

sexta-feira, setembro 03, 2010

Aqui Há Peixe outra vez!!

Passou quase um mês sem ter posto os pés em casa da Mafalda e do Miguel, com afazeres profissionais típicos da silly season abalei com ordens postas para os reinos dos Allgarves para aturar Ingleses, Irlandeses e outros géneros germânicos. Como ainda não consigo estar em dois sítios ao mesmo tempo, deixa para trás o meu querido canto Tertuliano do Chiado ali na Rua da Trindade esquina com o largo do Bordalo.

Custa abandonar durante tanto tempo uma casa daquelas, é como deixar de nos sentar na nossa sala descansados. É por isso que esta semana mal tive oportunidade, passei pela sala.

E que bem que sabe!! Tudo está igual mas para melhor!! O Reino do Aqui Há Peixe continua alegre, simpático e acolhedor.

Sentei-me no meu canto ali mesmo ao pé da porta da cozinha para, gritando como manda a praxe ir conversando com Sua Altaneza, entre graças e piadas entraram na mesa uns pimentos do padrón... que como diz o Miguel "uns picam outros non". A Mafalda chegou e a casa iluminou-se. Sabe bem lá estar sabem bem por lá ficar, sabe mal de lá sair, por isso para prolongar o gosto encomendei por sms um compincha que gosta também de comer bem.

Enquanto esperava pelo conviva e entre dois pimentos padron que picam preparei o meu mais que tudo... Aquele Vodka Martini que me sabe sempre a pouco e me refresca muito. ( 5 medidas de Vodka Svedka, 3 Medidas de Larios 12 Botânicas , 1 medida de Martini extra dry white, 1 dash de angustura, tudo no shaker e servido com duas azeitonas sem caroço num palito esterilizado em copo de coktail.)

Óspois apareceu-me uma raia suada em molho de tomate, cebola e outras coisas boas que o Miguel não conta...o raio da raia estava boa, quer dizer... muita boa.... acompanhada com um Burmester Branco fiquei com água na boca, esqueci o padrón picante e arrematei-me para um gelado da veneziana (chocolate morango e baunilha). Fiquei no café e com o compincha segui rumo ao trabalho.
Ficou ainda por adoçar a boca um dos doces da Mafalda, mas como não foi a ultima vez que lá vou, fica um pretexto ( se é que é preciso) para lá voltar. Atempadamente e com tempo para tertuliar entre risos, gritos e graças ali no canto depois dos almoços servidos, com Ela e com Ele acompanhados com um balde de gelo e um "chá" Irlandês.

Só quero que seja depressa.!!

quinta-feira, setembro 02, 2010

Viva a Monarquia

Ando cansado e afastado aqui do limbo virtual, ando afastado destas minhas tertúlias selfmademyself. Ando um bocado despistado de tudo o que anda à minha volta, mas também nada de interessante anda por aí.
Fora o facto do meu afilhado já ter idade para ter juízo e eu próprio também já andar na idade do juízo, tudo o resto não tem nada de interessante. Daí também não ter aparecido por aqui.

Desculpas postas, toca a postar qualquer coisa, nem que seja para manter a conta activa. Não vá o sr. dr. Internet desactivar de vez este trabalhinho que tanto trabalho e anos tem dado.

Ultimamente ando assim um bocado apreensivo, não sei bem porquê, não sei se é o calor se é a barriga, já frondosa. de qualquer forma ando apreensivo.

Ultimamente também ando a notar que anda por aí um complot montado por forças ocultas mas com força suficiente para mexer e moldar as opiniões. Com um disfarçado pretexto conseguem calmamente provocar lavagens cerebrais subliminares mas efectivas.

Aproveitando o facto da nossa triste republica estar a comemorar os 100 anos de existência, andam silenciosamente publicando artigos em revistas, apresentado series na televisão exaltando e elevando a heróis assassinos terroristas pagos e transformando-os em mártires da republica.
Com 100 anos de existência não conseguem mostrar o que de bom a republica trouxe a Portugal, e como defesa toca a denegrir a Monarquia, a Família Real e todas as pessoas de bem que viviam e trabalhavam ao serviço da Nação.

É mais fácil mostrar um Rei gordo anafado, bon-vivant que apesar de o ser também muito fez pelo País. É mais fácil mostrar os podres dos 900 anos Monárquicos do que as qualidades e glorias destes últimos 100... Porquê? Simplesmente porque não as há!

Aproveitando as excentricidades e excessos da Família Real e seus pares, escondem , as perseguições dos grandes senhores Republicanos.

Aproveitando o descalabro das contas da Casa Real, escondem o descalabro das contas publicas provocadas pela República.

Aos poucos , mas consistentemente conseguem apagar todos os traços positivos que a Monarquia nos deixou. Justificando assim todos os excessos, prosseguições, crimes, corrupções, violações, outras coisas que rimam com ..ões, em nome da causa republicana.
Com isto o povinho fica contente e não refila. "Antes assim do que como antigamente".

Na televisão, mostram um Buiça coitadinho, pobre sem meios de subsistencia com dois filhos a viver numa casa mínima sem dinheiro para comprar um piano para a filha que tanto gostava de tocar...Mas ninguém se lembra que ter um piano naqueles tempos era a mesma coisa que ter uma casa de férias no Allllgarve.

Na revista mostram as despesas fartas que a Família Real fazia em compras e gastos. Mas também ninguém se lembra dos milhares de Euros, Contos ou o que seja gastos pelos Ministérios em decorações sempre que um novo ministro toma posse.

Mostram uma Ementa de Reis a comparar com uma ementa de criados na mesma noite no Palácio, os Reis com 5 pratos os criados com 1.... Mas ninguém fala dos lautos banquetes de Estado que são feitos actualmente, em que os empregados de mesa (antigos criados) são obrigados a vir jantados de casa.

É um escândalo o Rei D. Carlos, ao longo da sua vida ter comprado 5 Iates para "passear" mas ninguém se lembra que foi o próprio Rei que fez o levantamento da costa Portuguesa. Também ninguém se lembra que foi um dos maiores Oceanógrafos do Séc. XIX....

É facil dizer que o Rei passava a vida de férias, em Cascais, em Vila Viçosa, mas ninguém se lembra das viagens que um nosso presidente andou a fazer enquanto presidente.

É facil caracterizar um João Franco como um ditador que perseguia os inimigos do Rei, que mandava atirar contra o povo. Mas não há quem fale nas perseguições feitas em nome da Republica, dos linchamentos, das deportações. ou da Camioneta Fantasma de 19 de Outubro...

São 100 anos de republica, com 15 de desgoverno, 49 de ditadura (ditamole na minha opinião que isto não ficou arrumado como devia) e 36 de democracia currupta....

Ai Portugal Portugal....
Não mereces quem cá tens, e quem te tem não te merece.

quinta-feira, abril 08, 2010

Sinais do Tempos ou Progresso????

Porque é que antigamente nos jornais liamos "Dr. Fulano de Sicrano, Politico Ilustre...." e agora lemos "Eng. Qualquer Coisa... Politico Currupto...."
É o progresso ???

terça-feira, março 23, 2010

segunda-feira, março 22, 2010

O meu Columba Livia já não pia...

A minha ausencia aqui por estas bandas tem um motivo.
Fui estudar com o meu grande amigo e eximio conhecedor da natureza e todos os animais que os rodeiam os hábitos dos Columba Livia, afim de poder por fim dar-lhe o merecido tratamento...
O meu novo colega Ricardo Atãnbuora ( primo daquele gaijo inglês que aparecia a falar baixinho atrás das plantas...) explicou-me que o meu Columba é um animal de hábitos diurnos e á noite dorme...até aqui... tudo bem. É um bicho tipo eu desde à dois anos pra cá...
Só que as parecenças acabam aqui. O raio do bicho inda não conhece o melhor invento dos Suiços - o relógio- é por isso que os Suiços são um povo chato ( como dizia o pai de cinco pessoas que eu conheço). E por isso logo que o sol raia começa o rururur, aoo contrário de mim... que logo que o sol raia, deito-me ... (ou deitava-me).

Enfim, andando nos estudos sobre os habitos do animal cheguei a varias conclusões:

Não dá para dar cabo dele... aparece logo outro a seguir ( daí o arroz de pombo que a vizinha de baixo ofereceu)

É um animal que vive nas cidades a alimenta-se de tudo o que está disponivel... ( tá-me a parecer que aqui tem parecenças com uma tribo que vive ali para os lados de S. Bento....) -Politicus Curruptus

É um animal que volta não volta, vira-se para o outro lado...portantos arrasta a asa com um piquinho a azedo... ( Na tribo de S. Bento há desses....)

É um animal que trimestral...goza de 3 em 3 meses e põe sempre o mesmo numero de ovos (2)
( Em S. Bento é costume tirarem férias ou fazerem viagens de estado com desculpa de ser trabalho)

É um animal que, como não tem predadores naturais ( além de mim) é uma praga para a sociedade. (tal qual como a tribo de S. Bento)

assimilando todos estes pontos estou a estudar num sistema para dar cabo deles... ainda não sei qual mas tem a haver com uma mega gaiola para os meter a todos dentro do poleiro de S. Bento!!

terça-feira, março 16, 2010

Ainda o raio do animal!!

Tentei tudo... até agora foram 8 tentativas frustradas, o raio do bicho nã se move... até deitei uma poção mágica de 650 forte mas o raio não desarma.
foram 8 dias de intenso assédio ao animal... todas as manhã lá ia eu com a pressão de ar do meu afilhado Tété, que tem o mesmo nome que eu, amandar-lhe uma chumbada, mas o malandro parece ser feito de ferro, aquilo não faz nada.
O raio do animal leva a chumbada, sacode as penas levanta voo e passado meia horinha lá tá ele de novo no poleiro debaixo do quarto todo lampeiro a rururrrurar aos meus óvidios!!
À noite, a mesma coisa, chego a casa, pé ante pé e ponho-me à coca...de cocoras ( esta vem no Leão da Estrela), saco da fisga do meu afilhado Tété e tunga!! fisgada no animal... o raio faz a mesma coisa... levanta voo e meia hora depois ou assim, lá tá o bicho aninhado...
Ontem, que foi dia de limpezas lá em casa, juntei um bocadinho de harpic, pus-lhe sulfato de sódio e um bocado de fermento de pão que a minha senhora usa para fazer os pãos quentes e tunga.... dei-lhe de comer... o bicho comeu e.... nada...levantou voo e meia hora depois "Lá tá o gajo!!" (esta é de S.A.R. El Rei D. Carlos I quando viu o Kaiser no Trono ( trono, trono, não é aquele trono...)).

O bicho não desiste, uzurpou aquele poleiro e ninguém o consegue demover... eu e a minha Dáma é que nos lixamos ru rur urr ru toda a manhã...

A vizinha de baixo é que anda a queixar-se...diz que ultimamente têm aparecido pombos mortos na varanda... curioso... com tanto pombo a morrer por aí...porque é que não morre o "meu"???

segunda-feira, março 08, 2010

Raio do POMBO!!

Tenho um hábito antigo, já de quase 20 anos... sempre que vejo o careca no piano grito a plenos pulmões para me cantar o Pombo!1 O pombo em si é um animal nojento, mas aquela canção até que é de fazer vir as lagrimas aos olhos.
Conta a hitórioa de um pombo que queria fugir da janela e voar por montes e vales desconhecidos á procura do seu reino.... o pombo lá consegue sair e vor e desaparece... pelo menos assim é na canção...
Nunca me preocupei em saber onde é que o pombo pára, lá vai ele a avoar e deixai-o ir...

Entrementes continuo sempre a gritar ao Careca "CANTA O POMBO!! CANTA O POMBO!"... e o careca coitado e resignado lá o canta... a moda pegou e agora há para aí mais gente a pedir o mesmo até porque a canção é gira, e o careca já se rendeu á evidencia e lá a canta... e bem!!, é por isso que é bom de o ouvir também...

Vai já para uns tempos que não grito "canta o Pombo" ao Careca, não tenho aparecido não o tenho visto. Ando entretido a mais a minha Dáma a mudar da casa do tecto inclinado, para a casa do Trono personalizado.
Resolvemos por na nossa casa nova a cama mesmo junta á janela, assim acordamos logo ao rair do sol ( julgamos nós... porque sol é coisa que não vejo neste País já vai pra 5 meses a fazer 6...).
Dormimos que nem dois pombinhos , agarradinhos... e ao raiar do dia acordamos com o Pombo, per si,.

O Cabr%$$"#"!!! do Pombo, todas as manhãs acorda-nos com aquele ru ru ru ru ru ru ru ru ru... insuportavel!! fideputaruin não nos deixa dormir aquelas horas da madrugada onde já se vê luz mas ainda não está dia...

Ando a estudar como vou desfazer-me do pombo!! tabua com pregos, veneno, cola contacto, um tirinho de caçadeira, ou algo assim... mas aquele rato voador de penas vai ter que ir desta para melhor...

A minha Dáma já me disse... "bem feita!!! passas a vida a pedir o POMBO... agora tens o teu mesmo debaixo da janela do quarto..." Quem muito quer....

quinta-feira, março 04, 2010

Trono Meu, haverá coisa mais bela do que o meu?

A Minha casa tinha o tecto inclinado, ora para a esquerda ora para a direita, dependia se estavamos a ir para lá ou a vir para cá. A parte mais alta, e onde o tecto era direito e não era inclinada era a parte menos usada da casa.
Vizinhos tinhamos, mas viviam todos por baixo. Em cima de nós, só telhas e pombos que não nos incomodavam nem muito nem pouco, salvo aquela vez que ficou no algeroz um borracho entalado. Coitado, morreu, entupiu aquilo e deixou para lá um cheiro horroroso, até que o meu afilhado Tété, que tem o mesmo nome que eu, foi lá e desfes-se do borracho ou do que restava dele.
A casa era piquena, mas era muito mesmo muito acolhedora. Um ninho prós dois pombinhos acabados de casar, só que aqui o je tem o tamanho do poupas, e a casa era demais pequena para os meus hábitos. O problema principal estava no trono. Parte fundamental de um qualquer membro da nossa estirpe.
O trono, é talvez a peça de imobiliario e a divisão da casa mais importante para os meus consaguineandos,e eu próprio. É ali que todas as manhãs nos preparamos para o dia que se nos depara pela frente. É ali que nos cultivamos a ler revistas cor de rosa ou da especialidade. É ali que lemos os mais belos livros. O trono é um refúgio. Onde podemos estar nós, só nós e mais ninguém. O silencio envolvente leva-nos á meditação. É necessário estar concentrado quando estamos no trono. Temos os nossos timings, os nossos rituais. É ali que exercitamos a mente, arrumamos a cabeça, e nos livramos das impurezas do dia.
Sem um trono decente sentimo-nos sempre cheios de alguma coisa má. Estar no trono é uma atitude uma vocação. Quem passa no trono a correr, faz porcaria de certeza. O trono é, talvez, nos dias que correm o melhor escape anti-stress que existe. Quando estamos no trono, a fazer as nossas fazedorias ninguém se chega perto. Ninguém nos incomóda. Ninguém nos chama ou pede para nos despacharmos. Sabem que ali a pressa é inimiga da perfeição.

No trono somos reis, senhores e donos do nosso tempo. É ali que montamos as estratégias diarias, resumimos as batalhas diárias. é ali que despejamos todas as energias negativas.

O prazer que existe em estar no trono é imesuravel. Nada se compara. Nem mesmo as vezes anteriores.
Agora tenhoa sorte de ter conseguido arranjar um trono só para mim. pode parecer egoismo, mas não! antes pelo contrário. Ele há coisas que não se devem partilhar. o Trono é uma delas. talvez por isso seja monarquico. Talvez seja absolutista. uma certeza vou ter, enquanto viver, vou sentar-me todos os dias no trono!!

E se poder, espero passar por muitos tronos, como tenho passado. Recordo-me aquele em Sintra onde estive petrificado a contemplar o Palácio da Vila todo iluminado. Dei por mim e perdi o jantar que se servia lá em baixo mas ninguém me incomodou.

terça-feira, março 02, 2010

ZeRmattz é de Castro d'Aire

Ztive zdurantze uma zeman na ztancia dze szki de zermatt!.

Aqui é lindo, digo eu...tudo branquinho cheio de neve,m um frio de rachar e sol muito sol, daquele que se via em Portugal vai prái uns anitos, e que agora já não se vê vai prái uns meses largos.



As pistas do dito ski estavam boas cumómilho... ou melhores até porque áas vezes o milho não é assim tão bom quanto se diz.

foram prái, de certeza uns 7 dias de ski espectaculares, as companhias uma alegre companhia, e as refeições uma delicia.

Fundue de Queijo, Fundue de Carne, Fundue de Queijo, Raclettes, Pizza extra queijo, Queijo no pão, queijo ao pikeno almoço, enfim... até queijo nas botas de ski ao fim do dia...

A carne também estava boa, bife de castelobrilhante ( chateaubriand para os entendidos), Tornedó ( tornedo para os entendidos), Bife do Sir Loin ( Sirloin steak para os entendidos). E os vinhos?? Upa Upa uma delicia também!!

Eles eram da australia, do chile, da nova zelandia, da Africa do Sul, atá tinha da frança, da Italia e da Suiça também ( o País, não a pastelaria).

Houve até uma noite que mamamos, sorvemos, bebericamos e apreciamos ( consoante os convivas) um Castelo Novo do Papa ( Chateauneuf du Pape para os entendidos), quer dizer ... não foi um...foram mais que um e menos que três....( dois para os entendidos)



Mas o melhor de tudo, foi o acolhiumento!! sentimo-nos em casa!! Mal chegamos ao comboio apareceu-nos o picas. e o Picas era mesmo um picas dos nossos!! Tuga dos 4 costados!! ficamos todos lixados, pagamos um balurdio no comboio , podiamos ter ido de borla, se soubessemos que o Picas era mesmo Picas e não picquees como pensámos.



Mal saidos do train, dans la voie 1 apareceu-nos um fogareiro, e não é que era mesmo um fogareiro??' Tuga do 4 costados. Como era o taxi do Hotel, não pagamos nada. mas demos uma boa groja ao Tuga fogareiro. era de Castro de Aire e falava achim...



Saídos do tachi entrados na rechepção encontramos uma recepcioniste trés belle avec des belles poitrines.... Sara de seu nome, Tuga de sua raça...claro.... também de Castro de Aire e também falava achim...



Os quartos uma maravilha, as empregadas que nos faziam as camas ( puxavam o edredão para cima) , eram também Tugas.. de Castro de Aire e falavam achim...



Fomos para as pistas, lá em cima... o tecnico dos meios mecanicos...Tuga de Castro de Aire...falava achim...



O Restaurante das racletes e fondues... lá estava a Fátima... Tuga de Castro d'Aire... ai não!! esta era de Lisboa, mas falava Achim... por isso desconfio que fosse mesmo de Lisboa.



O Mais giro de tudo é que havia mais Castro D'Airenses em Zermatt do que em Castro d'Aire...me parece porque ainda não tive tempo de lá ir confirmar... Acho também que, quando lá for não vou encontrar nenhum Suisse /Deutsh em Castro d'Aire... creio eu... mas também não ponho as mãos no fogo. Hoje em dia com a globalização, o erasmus e a internet tudo é possivel.



Vou ter saudades desta bela semana, pela companhia e pela vidinha que tivemos, mas não vou ter saudades nenhumas, mas mesmo nenhumas dos "locals"... são uns fideputaruins incompetentes malcriados e racistas que não dev iam existir... Um País tão bonito com gente daquela... dá Deus dentes a quem não tem nozes...



Não fossem os Tugas de Castro d'Aire, aquilo era mesmo mau fora das pistas...

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Bom Anús!!

Nada melhor que começar este anu'special da segunda decada do seculo XXI com um post dedicado a todos e todas aquelas que lutaram pelus ideais de abril, pela liberdade e pelos grande valores morais da nossa çuciedade!!

Que bom já se podem casar!! Que bom já podem viver juntos andar de mãos dadas, fazer poucas vergonhas nos bancos do jardim, namorar á vista de todos. Agarradinhos aconchegados no seu querido mundo!!

A lei do casamento passou!! Agora são felizes!! UAU!! ganda pinta!! Vivá democracia!!

Pessoalmente estou nas tintas para os gostos e desgostos de cada um, o que acho é ridiculo é o sururu todo á volta desta nova lay do casamento gay...ai que bom ai que bom!!

Mas na realidade? o que é que muda? sempre houve paneleiros e paneleiras!! sempre viveram juntos, sempre fizeram o que queriam e o que quiseram... sentiam-se discriminados??...tadinhos... e acham que vai ser uma lay que os vai tornar menos discriminados?

A lay só não basta!! São os costumes, a educação e a moral. Não é mais nada.

o problemas dos ditos gays é que gostam de fazer barulho e dizer em alta voz que levam no cú.
se fossem gays como deve ser, como as pessoas não gays são, talvez fossem mais felizes. Uns e outros.
Aqui o problema começa nos proprios gays que querem á força ser iguais...porque são diferentes. Mas se são diferentes porquê que querem ser iguais?

Se deixassem de andar em paradas, em aminifestações ridiculamente coloridas a bradar aos céus que são diferentes e exigem ser tratados iguais, talvez fossem tratados iguais, se não andassem a apregoar a diferença!!

é que ninguém é igual a ninguém, e aqueles que mostram que são diferentes estivessem calados, todos seriamos felizes!!

vivá os gays, os não gays os rabetas, os machos latinos os pretos, os brancos, os alentejanos, os minhotos e todos os outros.

São estas coisa que tornam este Grande País dos nossos paizinhos numa grande merda para os nossos filhos!

Viva Portugal!!!

quarta-feira, outubro 21, 2009

Palhacices

Não há dia que passe sem que apareça por aí um escandalo , uma afronta e uma vergonha!! realmente é preciso ter estomago para ser Tuga, para acreditar neste País e para respeitar estas gentes.
Ele é os politicos, ele é o governo ele é os jornalistas, ele é os alunos, ele é as pessoas, ou melhor... o povo, o povinho... a verdade é que este País está redondo!! Não tem ponta por onde se pegue!!

quarta-feira, agosto 05, 2009

o Serafim

Ontem foi a inauguração...só para amigos já se vê que o local ali não é para multidões.
conheci o serafim, foi amor à primeira vista!!
O pikeno está comodamente instalado no aquario, junto com as pequenas lobsters, vinda de proposito e directamente de um certo viveiro.
Serafim neste momento é o único da sua especie. Grande, forte, de olhar penetrante a captar todos os movimentos à sua volta. brinca com as bolhinhas de ar que saiem do chão da sua nova casa.
volta não volta dá uma volta, como querendo entrumar-se com as companheiras de quarto, mas elas não lhe dão grande conversa, andam todas muito juntinhas em cima umas das outras como que em manifestação.
O Serafim pareceu-me, sente-se sozinho, assim um bocado acabrunhado, mas ao mesmo tempo tem um ar imponente! Como que dono e senhor daquele reino. O próprio do Reino, também já o topou... acha-o fantástic maravilhoso!
Enquanto o tempo cá fora passa a correr, ali dentro parece que parou. Não há muito para fazer, além de uns passeios até cima, umas voltas aos quatro cantos, um agitar do fundo para brincar com as pedrinhas e conchinhas e pouco mais. Mas Serafim não está muito preocupado. Aproveita o tempo, vai comendo aqui e ali, engordando e ficando maiorzito. É bom que assim seja, quanto mais ele crescer mais o Reino ganha.
o Serafim, é pintalgado em tons azuis esverdeados para se confundir com o fundos onde vivia. Agora vê-se melhor, está á mostra. É um regalo para os nossos olhos. Talvez para o Serafim também o seja... pareceu-me que era um bocado possidónio, não pelo que veste, mas pela maneira com anda. Assim tipo sem dar importancia.

mas o Serafim tem esse direito. É imponente!

o Serafim, é um extravagante.... e é pra mim!!

segunda-feira, julho 27, 2009

Vão voltar os Extravagantes!! VIVÁ

Afinal o que é bom ás vezes dura muito e não faz mal!!

Os Extravagantes vão voltar!!! E eu já ando aos saltos!!

As saudades que eu tinha deles... Extravagantes suados pó je, moi meme....

É verdade que voltam sem a linda vista, mas voltam para bem perto, mesmo para o meu lado. e voltam em grande, pela mão do Rei Reino, pelo carinho da princesa Mafalda!!

Voltam os meus animaizinhos de estimação, ali mesmo no centro de Lisboa, onde o Eça passeava de bengala e chapeu alto.
Voltam para uma casa linda, toda feita com amor, carinho e muita estimação pelo grande PêPiSan.
Vão voltar a animar as minhas tardes, as minhas noites. Vão voltar a fazer-me rir e a ouvir os berros do Reino.

E eu agora já sempre bem acompanhado, já não me assento sozinho.

Já nos estou a imaginar ali no sofá em L sentado até a casa fechar, a rir rir rir. Rodeados de gente boa.
Só não há a vista é verdade, mas há muito mais. Há a Alma outra vez!! E com Almas destas até a chover a potes e sem sol , se pode estar.

Venham os Extravagantes!! Regados a sangria de Champã!! Venham as entradas, as saidas e as conversas animadas.

E áqueles que lá entrarem que venham com boa disposição ou não entrem não!!

No Gaio à Noite

Não vou voltar a dizer que já não vinha cá há muito tempo...não vale a pena, é verdade.
Mas agora que aqui estou vou aproveitar para dar duas numa...

A primeira começa, no passado sábado que passou. Começou logo pelas nove da noite, com 28 graus a ouvir as cigarras, sentado na esplanada debaixo da trepadeira de vinha virgem com mais três convivvas à volta da mesa.
a noite prometia, um calor qb a lembrar que estamso no verão, as cigarras lá ao longe a lembrar que estamos no alentejo, o cheiro a terra molhada a lembrar que estamos junto á barragem.
depois, foi começar a ver o rodopio de pratos de entradas a passearem-se pela mesa. Entravam cheias as entradas á entrada da mesa, depois de saborearmos um belo Gin tónico.
O Rei do Vale, atarefado com os vários comensais das outras mesas pouco tempo teve para nos indicar o caminho das comidas, mas o que indicou, não deixou de fantástico. E a compensação no fim do jantar foi extródinaria.!!

Regados com um belo vinho tinto da casa, tivemos ali cerca de hora e meia a encher o bandulho. e de que maneira!! A conversa, aprasivel descontraida e divertida adocicou as sobremesas. e no fim o velho Irish, em estilo coffee e straigh on ice...

O rei do Vale chegou no fim da labuta, já quando os restantes comensais tinham partido. É habito meu ficar para o fim sentado à mesa. É bom e sabe bem.
já com o Rei do Vale sentado a conversa avançou para tantos temas, tantas divagações tantos risos e considerações que quando demos por nós já passava das duas da manhã.

Foi um jantar completo!! O sitio fantástico, a comida arrasadora, a companhia avassaladora.
É estes moemntos que nos fazem acreditar que nos fazem querer viver. São estas grandes pequenas coisas que nos trazem a vontade de continuarmos embora em frente quando os tempos são menos bons.

Obrigado a todos que lá estiveram e que partilharam esta noite. É para isto que gosto de estar cá. Com poucos mas muito bons!!

o segundo, e à laia de antecipação... segue no próximo post....

terça-feira, junho 02, 2009

Porto Vintage Douro D.O.C

Olá!! Que vergonha... meses sem aqui aparecer, sem nada escrito sem nada dito!! vergonha. Não por me faltar asssunto, mas por simplesmente me faltar a paciencia e a pseudo-veia literária para aqui colocar algumas patranhas...ou não...

Voltei. sim finalmente! E com esperança que a minha próxima ausencia não seja assim tão ausente por tanto tempo. Estou um bocado mudado, são as coisas da vida e da idade. A partir de agora vou relatar factos veridicos e a meu ver pessoalmente interessantes. É que estou cada vez mais com vagas na memória, e antes que a memória seja vaga, à que deixar assinalado por algum meio aquilo que me vai na alma e aquilo que se me passa pela vida...talvez a pensar num futuro, talvez a querer deixar um testemunho para alguém que possa aparecer por aí... talvez a dar matéria para os advogados me ajudarem ou me lixarem...

Enfim. voltei, porque hoje, este dia foi na verdade surreal, interessante lindo educativo e excelente. Não foi perfeito, mas andou perto. Faltou-me aqui alguém que muito anda perto mas que agora, por motivos profissionais, tive , com tanta pena, de deixar longe. Um beijo Lagartixa.

enfim, depois de uns quantos kilometros andados, estacionei o carro à porta da Calém ali em Gaia, no fim da cascata sanjoanina. Umas provas de vinhos do porto, umas educações Estóricas sobre os vinhos e uma aula com o enologo da casa para me tornar mais culto e cultivado nesta minha nova faceta profissional.
Depois de muitos cuspos, buchechos, golos e sopros, pergintas admirações cheiros e odores: seguimos para o Douro (rio e região vinhática) Parei na bela...quer dizer na bela situação da quinta de S. Luis. Quarto entregue, saco deixado na cama, segui de seguida para o D.O.C , um restaurante que é um monumento á região, á gastronomia, á culinária e à enologia Portuense e duriense. Um espectáculo aquele queichaço de morco cozido em vinho durante 12 Horas...ai se o Eça aqui estivesse.... saia um romance de certeza....

Ora bém...deixando o quachaço no estomago, e as outras iguarias refinadas, acabei a janta com um Porto 40 anos!!! Mais velho que eu...mas ...dasss....muita melhor!! Um sonho! Uma viagem, um momento daqueles que fica para a nossa história!! Que maravilha!!!

segui depois de volta para aquinta. com direcções para descubrir na adega uma outra garrafita para me deliciar a prová-la no terraço da quinta em cima do rio, com vista para os socalcos das quintas vizinhas na outra margem. A Lua, não estava cheia, mas enchia o vale com uma luz magnifica, o calor, ás 11 da noite enchia o vale com uma cor deliciosa, o vinho enchia-me o copo com um gosto tremendamente fantástico. Ai Eça Eça...como te percebo nessa cidades e serras!! Está tudo aqui!!
e a cereja no topo do bolo!! Mr. samething.. não fixei o nome do personagem, mas, no meio dos socalcos e vinhedos, numa quinta adormecida, dou por mim a virar da esquina do corredor com o Mr. something...um inglês, casado com um francesa, que vivem em bordéus e está no Douro à 2 anos a compilar um mapa da região, onde entram todos os socalcos todos os talhões todas as quintas todas a estremas, e todo o mundo que compõe este movo belo e grandioso mundo dos vinhos, vinhedos douros e portos.

Eram 11 quando cheguei para um degout antes de me deitar. Foi um gout deitar-me ás 2 depois de degustar uma , mais outra sim...garrafa de Porto... deta vez um vintage da Kopke.

Estou deslumbrado, cnsado e enebriádo. Pleo Douro, pela vinha pela quinta pelo vinho e por Mr Something.

Surreal e lindo!! Grande experiencia!!!

Muito boa noite lagartixa!! perfeito perfeito era cá estarmso os 2.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

BA

"B A" Era assim que assinava os quadros as aguarelas, os rabiscos os poemas os versos as cartas e os artigos.
Para mim significava Tio Bernardo. Só havia aquele, todos os outros com o mesmo nome têm de ter uma referencia á frente... O meu Tio Bernardo era um só nome, era só ele.
Foi só ele.

Não me assinou muitos quadros, não me deixou muitas cartas nem rabiscos, nem artigos nem aguarelas. Deixou-me mais, muito mais do que aquilo que pedi.
É giro e triste, que é nestas alturas é que percebemos o real valor das grandes pessoas. o Meu Tio Bernardo foi uma delas.

domingo, janeiro 18, 2009

de volta á Ilha

Já percebi.
agora só salto aqui para o limbo virtual, sempre que paro na ilha. Dá para perceber, porque quem me conhece, neste momento a ilha é o meu refugio.
A ilha, a lareira, o pexium acabado de cozinhar e de ter sido pescado ainda ontem á tarde.
A ilha tem de tudo e muito mais ainda. Alem de estar sempre com quem muito gosto, estou sempre também a ouvir o que gosto muito.
A ilha é um bocado uma volta ao passado. Às vezes é triste estar só a pensar no passado, naquela casa sobre as rochas com o farol ao lado e o mar á frente. Naqueles dias de inverno com tudo desfeito lá fora mas tudo quente e aconchegante cá dentro. A ilha é assim, tal e qual. Os barulhos, os sons os ventos e tudo. Os cheiros, o trepidar da lareira, o assobio da lenha. A marezia lá fora a voar e a queimar tudo com o sal.
a diferença da Ilha para aquela casa sobre as rochas ao lado do farol, está basicamente na falta dos cedros. Porque de resto tudo é igaul ou mesmo muito parecido. O chorão á frente, o sitio para os carros atrás. A mesa da cosinha com o tampo de marmore, a pia de marmore ao lado do fogão.
Tudo tudo é muito parecido. As cadeiras de madeira na casa de jantar as janelas de guilhotina, as portas com postigo. Aqui na Ilha, o farol está mais longe, mais alto e mais imponente. Ilumina um cabo, e uma passagem estreita sobre um arquipelago.
Na casa sobre as rochas, o mar entrava de lado, só rebentava junto ao farol. aqui na ilha as ondas rebentam directamente sobre as rochas em frente. são grandes, enormes, perfeitas para serem domadas, pelos muitos nomadas da ilha que se atiram a elas sem dó nem piedade.
Quando as ondas na ilha estão boas o local melhor para se estar é na areia. Não está lá ninguém. estão todos na água a querer domar ondas.
aqui na Ilha, o mar manda. Mas o ritmo é feito pelas ondas e pela pesca. Na casa sobre a rocha, o mar manda também. Mas não são as ondas que mandam. são os ventos. e as velas dos barcos.
Coisa que na ilha são pouco vistas...por enquanto, talvez.

Mas é bom sempre voltar á Ilha, melhor vai ser quando,entre ginginhas, ou medronhos, peixe ao sal e carapaus, possamos ver crescer aqueles que por cá andam e aqueles que ainda por cá não estão.

Beijas querida Ilha.

terça-feira, outubro 28, 2008

Tété onde tá tu?

caramba meu querido afilhado Tété!!
nem sabes o que aconteceu em Lisboa ultimamente!!
então não é que abriu uma discoteca night club como aquelas que há muito não se viam???
Ouve, querido afilhado, disseram-me que aquilo é uma loucura. Eu na verdade ainda não fui lá ver aquilo de fio a pavio... estas coisas de ter a vida muito ocupada ainda não me permitiram ir lá dar um olho clinico ao sitio.
Mas parecem, pelo que me dizem que aquilo chegou para arrasar. e com uma qualidade, vai lá vai...
Mas digo-te uma coisa. Eu que estava já habituado ao meu cantinho, na minha mesa com vista sobre o palco, ali prós lados de santos...agora estou dividido... e confuso ao mesmo tempo... já não sei como vou conciliar estas coisas boas assim ao mesmo tempo.

Ando tipo barata tonta... ora agora apetece-me ir ali, ora agora apetece-me ir acolá.... indecisões na vida que só trazem chatices...

De reste, querido afilhado, todo o resto tem sido fantástico!! E se soubesses onde tenho andado nos fins de semana.... ias morrer de inveja!!

O frio está a chegar e este ano pela primeira vez na vida estou a adorar que o frio chegue!! Já acendi uma lareira na ilha, e estou desejoso para acender outra no bairro de alcantara.
e só de pensar que daqui a nada vou comer castanhas e água-pé... uui uui meu querido afilhado. ias gostar de me ver agora!! tou nas sete quintas... só me falta acender a lareira no minho!!

Não penses que sou incendiário!! Não, de todo. Ando é cada vez mais a gostar de lareiras, vinho tinto e boas companhias!!

Devias aparecer meu querido Tété, é que essa estadia que estás a ter eu sei lá onde, deixa-me constrangido. Tás preso? Tás a viajar? onde andas tu?

é que tarda nada fazes anos e eu não te posso dar o presente.

Aposto que tarda nada voltas, de lá de onde andas. é sempre assim. A tua mãe e os teus pais, é que para variar continuam os mesmos... ela mais velha, dá mais borlas...eles...ninguém sabe quem são.

terça-feira, outubro 21, 2008

Crise?? Qual Crise??

As únicas crises que conheço e gosto são aquelas de S. Martinho do Porto, na rua dos cafés.
Mas agora essa tal crise que tanto se fala.... num conheço.

só sei, portantos que a Ministra da Educação e o Eng. socrates devem andar contentes!!
Caramba!! Tantos especialistas a falar sobre crise!! tantos economistas, financeiros banqueiros!! caramba!! dá gosto ver o nivel evoluido de educação que existe em Portugal!!

Caramba!! é com cada especialista, cada entendido, cada profissional, vidente e comentador assumidamente fantásticos nestas questões da crise que fico parvo como é que ainda ninguém dos estados unidos das américas e das inglaterras e afins ainda não vieram cá buscar estes craneos!!

É que os há em todo o lado!! nos autocarros, no metro nos jardins, até na televisão e no parlamento!!!

Viva a crise!! Não se fala em mais nada!! só existe a crise e prontos!!

Á conta da crise, acabaram os car jcakings, acabaram os assaltos aos multibancos. O Pais voltou á normalidade!!

Até do Benfica se deixou de falar!!!

espectáculo viver em Portugal agora!! tudo tranquilo tudo satisfeito, tudo educado e tudo especializado em crises!!

Boa!! Tou a gostar!!

Só a chuva que caiu em sete rios é que me deixou apreensivo.....

segunda-feira, outubro 06, 2008

100 Anos da Cuf!! 60 a subir 40 a caír

por um lapso e erro tremendo qualquer, deu na passada sexta-feira um interessante programa na RTP 1.
Lapso porque se enganaram de certeza no programa que apresentaram, erro, porque nada de interessante dá nas televisões.

Este foi excepção. E excepção foi o que deu!!

Aproveitando o facto do extinto grupo Cuf fazer 100 anos de existencia, toca de passar um programa sobre esse Grupo.

E que programa!! E que grupo!!E que saudades!! E que orgulho!! E que grandiosidade!!

Nos primeiros 60 anos da sua existencia aquela fábrica de adubos passou de fabriqueta a um império que contribuia com 5% para o nosso PIB.
12.000 empregados!! Barcos, casas, tijolos, sabões, fábricas, adubos, compotas, enlatados, texteis, metais, ouro, prata, tudo tudo tudo que se podia arranjar, construir, fazer.
Foi ver crescer a cada ano a cada dia. O Patrão a enriquecer, mas os empregados também!! Segurança no trabalho, casas para os empregados, escolas, supermercados ( ou despensa como se chamava) hospitais, férias pagas, presentes, festas de natal de anos do que fosse.

Depois... tunga... toca a nacionalizar a estragar tudo a escorraçar que deu abrigo e comida, só prque ganahavam muito dinheiro... Eram capitalistas, eram exploradores, capatazes, oprimiam, batiam torturavam....

Tá bém abelha!! Viu-se!! Vê-se!!
Á conta da revolução, na refrega das reinvidicações libertinas, dos pseudo-progressos democráticos, vejam o que os comunas conseguiram fazer!!!

Rebentaram com tudo!!! destruiram tudo!! E em menos de 40 anos!!

É extraordinário como ainda há gente que acha que só existia o mau e o péssimo antes do 25/4/74!!

Temos liberdade, á pois temos... temos segurança social... á pois temos... mas estamos falidos e na Cuf, tudo isso existia e dinheiro também!!

sexta-feira, outubro 03, 2008

Duvidas...

Alguem me explica porque é que num edificio de tribunais, apinhado de policias fardados e á paisana, os seguranças são de uma empresa privada???

Será que os privados fazem melhor segurança que os policias??

Talvez se a judiciária os tivesse contratado a sede não tivesse sido assaltada....
De qualquer das forma acho melhor a Policia de Segurança Publica mudar de nome.
Tipo: Policia-de-Segurança-Publica-Segurada-Por-Empresa-Privada

...ou será que há algum ministro que tem quotas numa certa empresa de segurança privada e que por mero acaso, e remota coincidencia é a mesma que faz a segurança aos tribunais???

Não se me acredito!! Impossivel!! Isso era um abuso de poder e corrupção que não existe na Tugolandia!!

Fosse eu jornalista...jornalistificava o caso...